sexta-feira, 16 de outubro de 2009

UMA SEXTA FEIRA FRUGAL 5: Camarões com feijão fradinho e salsão congelado

Meu marido detesta camarão. Minha teoria é de que é por falta de hábito, uma vez que sua irmã é altamente alérgica. Sabendo que seria uma refeição única e solitária, então, fui à feira, olhei para a senhora que atendia atrás dos bandejões de camarões de diferentes tamanhos, apontei para o escolhido e disse:

"Quero um pouquinho desse aqui."
"Um pouquinho? Quão pouquinho??"
"Tipo assim", expliquei, colocando as duas mãos em uma concha encolhidinha. "É só para mim, e não quero que estrague."
"Assim tá bom?", perguntou, meio desconfiada, ao colocar na bandejinha um punhadinho bem pequeno.
"Perfeito!"
"Mas é tão pouquinho..."

Eu nunca havia preparado camarão antes. Comer? Opa! Adoro camarão! Mas quando estava limitada ao tamanho (e preço) monstro das bandejas pré-pesadas de supermercado, camarão era algo fora de meu alcance. Principalmente sem ter com quem comê-los.

Esse foi meu almoço solitário. Talvez pelo fato da revista Gourmet ter fechado suas portas [um minuto de silêncio, por favor], eu ando fuçando mais nelas em busca de inspiração, o que me deixa ainda mais deprimida por saber que o número de outubro foi provavelmente o último a chegar na minha casa, apesar da minha assinatura ir até dezembro... :(

E tendo preparado feijão fradinho, adorei a ideia de combiná-los aos camarões. Acabei adaptando um pouco, omitindo as cenouras e o bacon, usando pimenta fresca ao invés de seca e usando pimentão vermelho no lugar do verde. Mas ficou delicioso mesmo assim. O caldinho que ficou no fundo me deixou muito na dúvida: não sabia se bebia, entornando o potinho ou se embebia um pãozinho nele. :)

Para uma porção, aqueci uma colher de azeite numa frigideira média e refoguei 1/2 dente de alho pequeno, 1/2 pimenta dedo-de-moça picada, 3 cebolinhas picadas, 1/4 xíc. de pimentão vermelho picado, 1/4 xic. salsão picado, 1 folha de louro, 1/2 colh. (chá) tomilho seco, sal e pimenta-do-reino. Cozinhei até que começassem a dourar. Então juntei 1 xic. do feijão fradinho com seu caldo de cozimento, abaixei o fogo, acertei o tempero e cozinhei em fogo brando por mais 5 minutos. Enquanto isso, aqueci mais um pouco de azeite em outra frigideira e juntei a outra metade de alho picado e um punhado de camarão limpo e sem casca, temperado com sal e pimenta-do-reino, cozinhando por uns 3 minutos em fogo médio-alto, até que estivessem opacos. Juntei tudo na tigelinha e nham!

A DICA FRUGAL: SALSÃO/AIPO CONGELADO
Salsão sempre vem naqueles maços imensos, que, a menos que você o coloque em tudo que cozinha, acaba ficando molenga na geladeira e estragando. Compre-o, lave-o, retire as folhas. Separe o coração do aipo, com as folhas verde-claras e pequenas, para saladas, pois essa é a melhor parte do salsão. O restante, pique. Ou tudo de um tamanho que você use sempre, ou metade em pedaços grosseiros, para cozidos, metade miúdo, para refogar com cebola. Ferva água em uma panela grande, e tenha uma tigela também grande ao lado, com água e cubos de gelo. Jogue o salsão picado na panela e ferva por 1 minuto. Então retire com uma escumadeira e jogue na tigela de água gelada, para parar o cozimento. Escorra bem e espalhe em uma camada só o salsão sobre uma assadeira que caiba no seu freezer. Os pedaços não devem ficar grudadinhos uns nos outros, ou eles congelarão grudados. Leve ao freezer por algumas horas. Quando estiverem bem congelados, passe-os para um saquinho ou tupperware e volte-o ao freezer. O branqueamento (fervura e água gelada) faz com que o salsão não perca sua textura crocante com o congelamento. E o congelamento individual faz com que os pedacinhos permaneçam soltos dentro do saquinho depois, deixando mais fácil a tarefa de retirar apenas a porção necessária. Claro, deixe os pedaços maiores num saco e os miudinhos em outro. Fazendo isso, se você for uma consumidora de salsão não muito voraz como eu, precisará comprar salsão uma vez a cada três ou quatro meses, e poderá usá-lo sempre que quiser.

Honey-glazed corn bread de um livro esquecido

Há muito tempo atrás, quando postei uma receita de corn bread, um pão rápido de milho típico do sul dos Estados Unidos, houve quem me massacrasse, dizendo que aquilo não era pão coisa nenhuma, que tinha ficado com textura de bolo, etc e tal. Aaaah, as barreiras da língua... O corn bread, normalmente consumido com outros pratos salgados, está mais para um muffin em textura e preparo do que para um pão. Assim como sua versão doce se parece mais com um bolo de fubá. Acontece que existe toda uma categoria de "quick breads", que ao meu ver ficam naquele meio termo, não tão doces para serem bolos, não tão massudos para sarem pães, geralmente feitos em uma tigela, com colher de pau, e comidos no café-da-manhã, que não temos por aqui. Bolo é bolo, pão é pão.

Então pensem nesse "pão de milho" como um bolinho de fubá muito úmido e com um delicioso equilíbrio entre o sal e o açúcar, excelente para acompanhar o café preto, para ser comido puro ou fatiado mais fino, tostado na torradeira e recoberto de requeijão, como fiz hoje de manhã. Aliás, para quem não costuma gostar de bolos de fubá e pães de milho por eles ficarem muitas vezes sequinhos demais, esse vai conquistá-los, uma vez que, saído do forno, o corn bread é ensopado em uma calda de manteiga e mel que o deixa úmido e macio por muitos dias.

Engraçado que a receita veio de outro livro que andava encostado havia muito muito tempo. Nunca preparara nada dele, principalmente porque, apesar de ter receitas muito interessantes, tanto complexas quanto simples, as fotos são de doer. Parecem ter sido tiradas nos anos 80, e conseguem fazer biscoitos de aveia parecerem ultra-complexos e difíceis. O livro acabou ficando na parte de trás da prateleira, esquecido, apesar de todas as receitas de brownies, flans, cheesecakes, muffins e biscoitos que me esperavam. Ironicamente, a foto deste corn bread é uma das únicas mais simples e contemporâneas do livro. Talvez por isso tenha ido direto a ela.

HONEY-GLAZED CORN BREAD
(do livro Desserts by the Yard, de Sherry Yard)
Tempo de preparo: 50 minutos
Rendimento: 1 assadeira de 22x33cm


Ingredientes:
  • 1 xic. farinha de milho (fina ou polenta/sêmola de milho)
  • 1 xic. farinha de trigo comum
  • 1 xic. farinha de trigo para bolos (cake flour)
  • 1 xic. açúcar
  • 2 colh. (sopa) fermento químico em pó
  • 1 1/2 colh. (chá) sal
  • 4 ovos grandes, em temperatura ambiente
  • 85g manteiga sem sal
  • 1/3 xic. óleo vegetal
  • 1 xic. leite
  • 1/2 xic. buttermilk
(calda)
  • 85g manteiga sem sal
  • 1/4 xic. mel
  • 1/3 xic. água

OBS: substitua a "cake flour" pela mesma quantidade de farinha comum; retire 1 1/2 colh. (chá) da farinha e substitua pela mesma quantidade de amido de milho (maizena). Mais informações sobre a cake flour e sua substituição aqui.
OBS2: substitua o buttermilk, enchendo a 1/2 xíc. com leite, deixando uns 2mm de espaço até a marcação. Preencha o restante com vinagre branco, misture bem e use normalmente.
OBS3: você pode usar azeite extra-virgem no lugar do óleo vegetal, mas o bolo terá um sabor ligeiramente pronunciado do mesmo. Eu usei metade canola, metade azeite, pois meu óleo de canola acabou, e ficou muito gostoso.
OBS4: tanto faz usar farinha de milho fina, ou cornmeal, sêmola de milho ou polenta (bramata). A diferença é que os três últimos dão uma textura mais granulosa e interessante ao bolo. Usei metade farinha de milho fina e metade polenta.


Preparo:
  1. Pré-aqueça o forno a 180ºC. Forre uma assadeira de 22x33cm com papel alumínio e unte o papel alumínio com manteiga.
  2. Peneire juntos as farinhas, o fermento, açúcar e sal. Peneire novamente.
  3. Em outra tigela, bata ligeiramente os ovos com um batedor de arame ou um garfo. Derreta a manteiga e junte imediatamente aos ovos, num fio devagar, enquanto mistura bem. Junte o óleo, leite e buttermilk.
  4. Junte os ingredientes secos à tigela, misturando apenas até que estejam combinados. Despeje na assadeira forrada e untada e leve ao forno por 30 minutos.
  5. Abra o forno, gire a assadeira 180ºC, feche e asse por mais 10 minutos, ou até que um palito inserido no centro saia limpo. Meu corn bread não dourou por cima, apesar de estar muito bem assado, enquanto os da foto do livro estavam bem douradinhos. Então, tanto faz. Se estiver seco, está bom.
  6. Retire do forno e espete o palito no corn bread, num intervalo de uns 2cm. Derreta a manteiga numa panelinha. Junte o mel e a água e mexa até dissolver. Despeje a calda sobre o corn bread, de modo uniforme, para que todo ele absorva o líquido. Deixe esfriar completamente antes de desenformar e corte em cubos.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

"Paella" vegetariana, ou "arroz de forno tipo paella", para os puristas

Eu não conheço lhufas de cozinha espanhola. Mesmo. Não faço a menor ideia do que esperar de um restaurante espanhol. Não sei por quê, na verdade, uma vez que me parece uma culinária deliciosa. Acho que simplesmente nunca me ocorreu buscar mais informação a respeito. Mas assim como tenho minhas reservas e meus tradicionalismos com relação a determinados pratos italianos, imagino que haja espanhóis e seus descendentes que se mordam de ódio a cada vez que alguém comete alguma espécie de sacrilégio contra seus pratos típicos.
Itálico
Então, espanhóis e descendentes, assim como aqui se vende queijo "tipo parmesão", considerem esse prato como um arroz "tipo paella". Porque é claro que eu também só comi paellas feitas por brasileiros. E é óbvio que eu nunca fiz uma paella tradicional na vida.

O caso é que quando comprei essa panelona verde e rasa, foi a primeira imagem que me veio em mente: paella. E havia arroz arbóreo, e tomates, e páprica e açafrão em casa, e por isso saí em busca de alguma receita vegetariana ou não que eu pudesse adaptar para usar as enormes abobrinhas que habitavam minha gaveta de legumes.

Acabei encontrando uma receita de Mark Bittman – nadinha espanhol é claro – de paella de tomates, feita no forno. Por sua simplicidade e adaptabilidade, foi a escolhida. [Caramba! O corretor ortográfico deixou passar "adaptabilidade". Nunca pensei que isso fosse de fato uma palavra! ;) ] A receita original levava apenas tomates frescos. Na falta deles, usei os em lata, que, da marca que compro, costumam vir inteiros e suficientemente firmes.

A porção é monstruosa, principalmente pensando que a receita original diz ser para 4 ou 6 pessoas. Seis ainda vai. Porque prato é totalmente "repetível". Mas só quatro pedreiros, depois de um dia inteiro carregando tijolos embaixo de um sol de verão, conseguiriam mandar ver 1/4 daquela panela. Ou então são meus hábitos que mudaram. Não sei. De qualquer forma, apesar de acreditar que num jantar normal o panelão alimentaria umas 8 pessoas, numa ocasião especial eu não prepararia para mais do que 6 esfomeados.

Use uma frigideira ou caçarola rasa que de fato possa ir ao forno a altas temperaturas, para não terminar com teflon grudado no arroz ou cabos derretidos. E não use tigelas refratárias, pois o prato é começado e finalizado na chama do fogão.

"PAELLA" VEGETARIANA
(Adaptada daqui)
Rendimento: 6 porções
Tempo de preparo: 15 min. preparo + 30 min. de forno


  • Ingredientes:
  • 3 1/2 xic. caldo de legumes ou água
  • 1 lata de tomates italianos inteiros, sem pele*
  • 1/4 xic. azeite de oliva extra-virgem
  • 1 cebola média, picadinha
  • 1 colh. (sopa) alho picadinho
  • 1 pitada generosa de açafrão
  • 2 colh. (chá) páprica picante ou pimentón
  • 2 xíc. arroz arbóreo ou arroz curto para paella
  • 2 abobrinhas grandes
  • 250g cogumelos Portobello
  • sal e pimenta-do-reino a gosto
  • salsinha picada para finalizar
*Ou faça como a receita original: use 700g de tomates frescos e maduros, cortados em quartos e use 1 colh. (sopa) de purê de tomate junto com a páprica e o açafrão.

Preparo:
  1. Pré-aqueça o forno a 230ºC. Aqueça o caldo de legumes em uma panelinha.
  2. Retire os tomates inteiros da lata, deixando o suco de tomate espesso na lata, e coloque-os em uma tigelinha. Regue-os com 1 colh. (sopa) do azeite, polvilhe com sal e pimenta e reserve.
  3. Corte as abrobrinhas em quatro, no sentido do comprimento, e fatie em pedaços de 0,5cm de espessura. Fatie os cogumelos.
  4. Coloque o restante do azeite em uma frigideira grande (uns 30cm), uma panela para paella ou uma caçarola rasa, e leve a fogo médio-alto. Junte o alho e a cebola, tempere com pouco sal e pimenta e cozinhe, mexendo de vez em quando, até amolecer.
  5. Junte as abobrinhas, tempere novamente, e cozinhe por uns 5 minutos, até que fiquem bem macias. Junte os cogumelos fatiados, misture bem e cozinhe por mais uns 3 minutos, até que amoleçam.
  6. Junte o açafrão, a páprica e 2 colh. (sopa) do suco de tomate da lata (ou 1 colh. (sopa) de purê de tomate) e cozinhe por mais um minuto, mexendo. Junte o arroz e mexa, cozinhando por uns dois minutos, até que o arroz esteja brilhante e ligeiramente translúcido nas pontas.
  7. Despeje o caldo quente e misture apenas para combinar bem. Tempere com sal e pimenta. Disponha os tomates sobre o arroz, despejando o líquido que ficou no fundo da tigela, e leve a panela, sem tampa, ao forno por 15 minutos, sem mexer. Dado esse tempo, verifique o arroz. Se estiver seco e al dente, está pronto. Se ainda houver líquido, deixe mais cinco minutos. Se estiver seco mas o arroz não estiver pronto ainda, acrescente mais um pouco de caldo quente ou água e cozinhe mais um pouco.
  8. Quando o arroz estiver pronto, desligue o forno e deixe a panela lá dentro por 5-15 minutos (eu deixei 15). Retire a panela do forno, coloque sobre o fogão e cozinhe sobre fogo alto por 3-5 minutos, para criar a casquinha crocante no fundo, típica da paella. Cuidado para não queimar! Polvilhe salsinha picada por cima e sirva.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Fettuccine com atum, beterrabas e radicchio

Depois de um almoço muito leve, minha lombriga pedia alguma coisa mais encorpada para o jantar de ontem. Apanhei um livro que andava há muito tempo encostado na prateleira, tendo sido muito folheado mas jamais usado, e fui direto em uma receita que usava todos os ingredientes que eu tinha na geladeira. O prato é muito fácil e ficou surpreendentemente saboroso; todos os elementos combinaram divinamente! (Deve dar uma ótima salada, aliás...)

Enquanto seu macarrão cozinha (uns 150g de pappardelle, fettuccine ou tagliatelle), derreta uma colher de manteiga numa frigideira grande, polvilhe com bastante pimenta-do-reino moída na hora e coloque um bife de atum de uns 150g para grelhar, uns 2 minutos de cada lado, em fogo médio-alto. Não se incomode se a manteiga escurecer um pouco, só não deixe queimar. Retire o peixe para a tábua de corte.

Derreta na mesma frigideira mais uma colher de manteiga, acrescente o suco de meio limão e umas duas colheres (sopa) de vinagre balsâmico, e junte meio radicchio pequeno cortado em pedaços menores e 1 beterraba pequena cortada em oitavos (eu deixo a casca, que é fininha nas beterrabas menores). Tempere com sal e pimenta e cozinhe até amaciar ligeiramente a beterraba e murchar o radicchio. Enquanto isso, fatie fino o atum.

Escorra a massa, misture à beterraba, radicchio e ao molho xaroposo que ficou na frigideira e disponha o atum por cima. Sirva imediatamente. Dá 2 porções. Mas confesso que comi as duas sozinha! Há! ;)

A receita é do livro Saturdays & Sundays - Seasonal Weekend Menus, de Kay Francis.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Salada quente de atum e favas

Antes que eu me esqueça: obrigada a todos que me mandaram parabéns! :D

Trinta anos. *Suspiro.* Trinta anos e continuo cometendo os mesmos erros, over and over again. Isso de ser uma mera humana é um saco. Eu bem que podia ser um ser místico e fantástico que aprende e muda logo no primeiro erro. Assim eu não precisaria chegar aos trinta anos e escrever de novo sobre a mesma coisa no meu blog. De novo. E de novo. Houve quem tenha se surpreendido no post anterior ao ver que eu colocara Coca-cola no bolo. Refrigerante? Na casa da Ana? *Suspiro de novo.* Pois é. O bolo, assim como o quiche de brócolis, tinha todo um aspecto irônico para mim. Mas de um outro modo. Como uma lembrança para relaxar a bisteca um pouco. Porque eu tanto falo sobre comida de verdade, o nojinho de alguns produtos industrializados e tudo o mais, que acabei criando uma bela duma cama de gato, na qual vez ou outra me vejo irremediavelmente emaranhada.

Não, eu não como pão de forma de pacote. Mas faz já uns dois meses que não faço pão em casa. AAAAh! O choque! O horror! Pois é. Nos últimos tempos ando meio enjoada de fazer pão, e os que fiz assim, sem vontade, ficaram ruins. Porque eu posso cozinhar de braços quebrados, mas não sem vontade. Não, eu não tomo refrigerante regularmente. Mas em dias de ressaca, ou quando o marido é quem pede a pizza e eu não vejo o que ele está fazendo, o danado aparece aqui em casa. No dia-a-dia, prefiro água. Inclusive prefiro água à suco de fruta, natural ou o que for.

O caso é que entrei numa paranóia ferrenha por causa do blog. Cada vez que saio do mercado com uma baguette, acho que vou encontrar alguém conhecido (ou um leitor, como já aconteceu) e pronto, eu serei uma fraude. "Você está COMPRANDO o seu pão???", apontará o transeunte, inconformado e acusador. Se eu quiser manter minha sanidade mental, eu PRECISO relaxar um pouco. Comprar meu pãozinho do Le Vin, que eu tanto gosto, e tomar meu café-da-manhã sem pensar que alguém pode estar olhando e julgando cada passo meu. "Isso não é orgânico? Isso não é natural? Não foi você quem fez??"

Agora, se você esperava que eu confessasse amor por algum chocolate que não deveria se chamar chocolate, ou algum biscoito de pacote, dançou nessa. Para mim, não comer essas coisas não é idealismo, é ter paladar. ;)

Dentro do tópico "relaxar", eu pretendia colocar aqui uma receita muito simples, daquelas com cara de gororoba, mas que dão vontade de comer todo dia, principalmente quando você teve um dia cheio de trabalho. Mas meu almoço ficou tão gostoso, que eu deixo para postar a tal gororoba amanhã. Já havia preparado uma receita semelhante, do Jamie Oliver, do livro Cook With Jamie. Era atum grelhado, com favas, ervilhas e óleo de orégano fresco. No entanto, ela não tinha ficado lá muito saborosa, principalmente por ter usado orégano seco, que não liberou aromas como deveria. Hoje foi dia de feira, e saí de lá com alguns filés de tilápia, um belo bife de atum, aspargos, favas frescas, alcachofras, beterrabas e abobrinhas. Sempre levo minha lista do que está na época no mês, mas nunca tenho um cardápio semanal em mente. Vou comprando de acordo com o que está mais bonito e apetitoso. E assim que cheguei em casa e comecei a debulhar as favas, lembrei-me da receita do Jamie, e resolvi mudá-la um pouco de acordo com o que eu tinha.

Debulhei meio quilo das favas (que dão cerca de 1 xíc. de favas descascadas), mergulhei-as em água fervente por uns 2 minutos e escorri, descascando-as para usar apenas seus miolinhos verde-intensos (as cascas costumam ser duras, a não ser que as favas sejam pequeninas como feijões). Num pilão, amassei um dente de alho bem pequeno com um pouco de sal grosso, e juntei um punhado de folhas de manjericão e outro de hortelã frescos. Amassei bem e juntei azeite suficiente para formar um molhinho ralo. Acertei o sal e a pimenta. Apanhei meu bife de atum, e o cortei numa porção menor, de 150g, mantendo sua altura de uns 2,5cm. Temperei-o com sal e pimenta, esquentei bem um fio de azeite numa frigideira e grelhei o peixe, em fogo médio-alto, cerca de 2 minutos de cada lado. Voltei-o para a tábua e o fatiei. Misturei as favas cozidas e descascadas a uma parte do molho, dispus no prato, colocando o atum fatiado por cima e derramei o restante do molho. Booooom... :)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Um andar de bolo para cada década de vida

Comecei meu aniversário com um enorme cappuccino, brioches e croissants com geleia no Le Vin. No almoço, levíssimos gnocchi gratinados na Osteria del Petirosso, e panna cotta com morangos e calda de chocolate. Ambas as refeições cortesia de meu marido, que sabe como me fazer feliz... :)

Volto para casa para os últimos preparativos para a reuniãozinha. Quase todo mundo compareceu e ajudou a lotar nossa pequena sala. Eu estava tão distraída conversando, que me esqueci de fotografar a comida, e quando apanhei a máquina era tarde demais. Não experimentei do meu próprio quiche, acho que comi duas torradinhas com tapenade de azeitonas e figo e pasta de pimentão, e meus dedos mal alcançaram os espetinhos de tomate e mozzarella. Aliás, o quiche era de brócolis. Uma brincadeira com um amigo meu, que há seis anos atrás levou uma menina ao meu aniversário que, ao ver um pão com recheio de pesto, fez cara de nojo e disse, sem notar que eu estava logo atrás dela: " Íiiiiuuuh! Quem é que serve brócolis numa festa de aniversário???" Hehehe... Bem... eu sirvo.

Do bolo, sobrou um quarto. Também, pudera, cada fatia era um almoço, assim, com três camadas bojudas. Agora posso comê-lo com calma nos dias pós-festa, em pedaços que se aproveitam do fato de não ter ninguém olhando.

A receita é de um de meus livros favoritos, Sky High, e já foi feita também pela Patrícia. Preparei-a exatamente como está em seu blog, com a diferença de ter usado as nozes pecan, como pedia o livro. Pena que deixei a cobertura tempo demais na geladeira, e ela acabou não escorrendo devagar como deveria, mas se dependurando nas laterais de forma pouco estética. Sem problemas, ficou delicioso mesmo assim. :D

Para não deixá-los sem receita nenhuma, no entanto, deixo aqui o que foi o hit da festa, para minha surpresa: a tapenade de azeitonas e figos secos. Achei que seria muito exótico, mas no fim todos gostaram. Como havia uma amiga vegan presente, omiti as anchovas da receita.

TAPENADE DE AZEITONAS PRETAS E FIGOS SECOS
(do livro Sweet Life in Paris, de David Lebovitz)
Tempo de preparo: 20 minutos
Rendimento: 1 xícara bem cheia


Ingredientes:
  • 1/2 xic (85g) figos secos, com cabos retirados
  • 1 xic. água
  • 1 xic. (170g) azeitonas pretas, lavadas e sem caroço
  • 1 dente-de-alho descascado
  • 2 colh. (chá) alcaparras, drenadas
  • 2 filés de anchova (opcional)
  • 2 colh. (chá) mostarda de Dijon com grãos
  • 1 colh. (chá) alecrim ou tomilho fresco (usei tomilho)
  • 1 1/2 colh. (sopa) suco de limão siciliano
  • 1/4 xic. azeite de oliva extra-virgem
  • sal e pimenta-do-reino a gosto

Preparo:
  1. Em uma panela pequena, coloque a água e os figos e cozinhe, parcialmente tampado por 20 minutos, ou até que os figos estejam bem macios. Escorra.
  2. Coloque todos os ingredientes, menos o azeite e o suco, num processador e pulse até obter uma pasta pedaçuda. Junte o azeite e o suco de limão e misture bem, acertando o sal e a pimenta se necessário.
  3. Guarde num pote fechado na geladeira por até 2 semanas. Fica melhor servido pelo menos 1 dia depois de ter sido feita, e combina muito bem com torradas de pão pita. 

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Almoço às pressas com cevadinha e espinafre

O inferno astral tem sido dantesco. Com direito a topada no dedo do pé, mão colada com superbonder, job que não desempaca... E é claro que é só criar uma agenda mental organizada com todos os afazeres até meu aniversário para surgir um trabalho urgente que me tira dos eixos. [Obrigada, universo, por me mandar trabalho, é claro. Quem sou eu para reclamar?] Trinta anos com certeza exige festa. Mas apartamento pequeno exige festinha miúda. E para a reunião de amigos aqui em casa eu já tenho muitos planos de quitutes. "Pede uma pizza", diz o marido, querendo simplificar. E ele não me conhece?

O problema é que apartamento pequeno é igual a geladeira pequena. E a não ser que eu pretenda servir cerveja quente, é bom abrir espaço na bendita. É isso que tenho feito nos últimos dias: revirado cada cantinho da geladeira em busca de tudo o que resta e ocupa espaço para eliminar toda a comida e ocupar as prateleiras geladas com cerveja, bolo de aniversário e petiscos. Mas principalmente cerveja. ;)

Conforme os ingredientes vãos sumindo, os pratos vão ficando mais simples, mas nem por isso precisam ter gosto de restô d'ontêm. No jantar de ontem, para acabar com os pimentões vermelhos, cortei-os ao meio e os recheei com cevada cozid (que eu adoro!), pimenta dedo-de-moça, alho, salsinha e queijo parmesão, polvilhei mais queijo por cima, reguei com um fio de azeite e levei ao forno até que estivesse douradinho por cima e o pimentão estivesse bem doce e macio, ligeiramente chamuscado. Hoje apanhei o resto da cevada cozida sem tempero e misturei na frigideira a um punhado de espinafre refogado em azeite, alho e pimenta dedo-de-moça, temperei com sal e pimenta-do-reino, ralei grosso um bom punhado de parmesão e temperei com um fiozinho de azeite trufado. Nada mal para um almoço vapt-vupt no meio da entrega de um trabalho.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Feijão fradinho com espinafre, tomate e música porqueira


Detesto Black Eyed Peas. [Pronto! Você que é fã de Black Eyed Peas já pode preparar seu hate mail, vai, use toda a sua maldade, sem dó.] Outro dia mesmo tive uma discussão acalorada com um amigo sobre porque o Will.I.Am é um excelente marqueteiro, mas um músico... nhé. Foi uma sacada genial trazer uma loira vistosa para dar uma graça a uma banda de marmanjos sem destaque nenhum, e acho fantástico como eles conseguem gerar exposição na mídia que demonstra como eles são legais, mas que distrai da qualidade de sua música. [Vide o flash mob na Oprah, que é tão legal, mas tão legal, que você não presta atenção no fato de a música ser fraquinha.]

O caso é que sempre que ouço ou vejo Black Eyed Peas, lembro dos feijões, tão gostosos. E sempre que vejo os feijões, lembro das magníficas contribuições culturais que são Pump It e My Humps. Pontos para o fator chiclete, que faz com que cozinhemos feijões fradinho cantando qualquer uma das duas pérolas sem nem mesmo nos darmos conta.

Pelo menos esses "black eyed peas" eu consigo engolir. Os feijões fradinho com espinafre, tomates, cebola e limão do lindíssimo livro da Tessa Kiros, que até ilustrações já me inspirou, são absolutamente deliciosos, e obrigatórios agora que os maços de espinafre estão lindíssimos e saborosos e que os BONS tomates estão começando a voltar.

Deixe os feijões de molho de um dia para o outro, escorra e coloque numa panela, cobertos com água. Quando ferver, retire a espuma que se formar com uma escumadeira, escorra, lave os feijões, e volte-os à panela cobertos de água limpa, e cozinhe-os destampados até que estejam prontos, mas não desmanchando. O livro indicava 1 hora, mas os meus ficaram prontos em 30 minutos. Quando eles estiverem quase prontos, junte belos punhados de folhas de espinafre rasgadas, tempere com sal e cozinhe por uns 3 minutos. Desligue o fogo e sirva com tomates picadinhos, uma cebola picadinha previamente marinada em água e sal por meia hora e então escorrida, limão para espremer, salsinha picada e um fio de azeite.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Ceviche de tilápia e tortillas de milho

Tudo corrido. Tudo muito corrido. Foi parar cinco minutos e abrir o tubo de tinta acrílica para um projeto pessoal, que pronto: entra trabalho novo. Bem... graças a Deus, certo? Trabalho é sempre bem-vindo. Nesta semana, no entanto, faltou-me paciência para fotografar os poucos pratos que cozinhei e os poucos fotografados não me inspiraram texto nenhum. Então hoje, enquanto espero um cliente responder-me sobre um trabalho, plim! Inspiração. Para cozinhar e para escrever.

Quem lê minhas bobagens há tempos sabe da saga do peixe de supermercado, do "fishy fish", do excesso de açougues mas ausência inexplicável de peixarias no meu bairro, da descoberta de uma boa peixaria que entrega em casa e, enfim, da quantidade enorme de peixes que consumi durante os meses de dieta, confundindo badejo com robalo e por aí vai. Muitos de vocês (principalmente os que moram nas redondezas) me aconselharam a comprar peixe na feira. Mas eu tinha um enorme pé atrás pela experiência negativa de minha mãe, tendo comprado peixe com gosto de iodo, e por não saber qual banca escolher. Eu me arrisco com alfaces, mas não com frutos do mar.

Então conheci em minha aula de aquarela Ludivine, uma moça francesa, pequenina e muito simpática, que, por acaso, mora aqui do lado. Conversa vai, conversa vem, comida aqui, comida ali, entramos no mérito dos peixes e ela me diz que costumava comprar na mesma peixaria que eu, mas que agora mudara para uma banca da feira do bairro, muito boa e que entrega em casa. Ah! Uma indicação específica, com nomes e tudo o mais! Agora sim.

Ontem fiquei contentinha, olhando os peixes inteiros ali esparramados no gelo, e pensando "olá, dona Tilápia! Não sabia que você era dessa cor! Oi, senhor Bacalhau Fresco. Será que o senhor é aquele mesmo black cod que comi em San Francisco? Muito prazer, senhora Corvina." Como havia levado pouco dinheiro, escolhi duas tilápias, pedi que filetassem para mim e levei para casa, feliz e contente.

Talvez tenha sido o bar da noite anterior. Mas hoje acordei com uma vontade imensa de comer ceviche. Olhei para o peixe na geladeira. Ceviche de tilápia? Será que fica bom? A tilápia não é um "fishy fish", então deve ficar bem suave. Hmmm...

Eu sei que na última vez que coloquei um ceviche aqui foi uma polêmica só. Pior que isso, acho que só quando fiz a piada dos alemães com as batatas e os repolhos. O que foi lindo, porque quem fez a receita chamou de "ceviche" foi Gordon Ramsay, e quem tomou bordoada fui eu... :P

O caso é... todo episódio de Top Chef tem pelo menos um ceviche sendo feito, e, assim como aconteceu com outros pratos típicos da culinária mundial, a palavra "ceviche" acabou virando sinônimo de "peixe cru cozido em suco de frutas cítricas". E a partir daí a imaginação é o limite. Ou seja, a intenção não é fazer nada autêntico de lugar nenhum. Apenas tentei me lembrar dos gostos e cores dos ceviches que já comi na vida e fiz o que tinha vontade de fazer.

Está claro?

No hate mail?

Ok.

Continuando.

Cortei dois filés de tilápia em pedaços de uns 2cm, e misturei em uma tigela a um punhado de salsinha picada [queria usar coentro, mas não tinha], 1/4 cebola roxa fatiada bem fininho, meia pimenta ardida, um dente de alho e uma cenoura pequena picados bem miudinho, suco de 3 limões [os danados estavam secos de doer], um fio generoso de azeite e sal e pimenta-do-reino a gosto. Misturei e deixei marinando.

Enquanto isso, tive um siricotico e decidi que não seguiria com meus planos originais de comer o peixe acompanhado de brócolis e cevadinha. Neh. Então, rapidamente preparei tortillas de milho, desta vez abrindo-as com mais facilidade ao imitar uma prensa de tortillas ao pressionar a bola de massa bem enfarinhada com uma frigideira pesada e de base lisa (sem reentrâncias e desenhos). Não ficaram tão finas quanto ao abri-las com rolo, mas o processo economizou um tempo incrível, e quando o peixe estava no ponto, eu tinha tortillas quentinhas e quebradiças na mesa e um vidro de Tabasco me esperando.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Spice muffin para um dia de dilúvio

O pão acabou. Preciso fazer pão. Mas olha o tempo lá fora! Olha essa luz cinza-verde-suja-úmida entrando pela janela! Chove horrores. Chove um lago inteiro. Pode ser que todo um mar tenha evaporado ontem, pois é bem um mar que chove lá fora, e minha rua some sob ondas, o que me leva a pensar que, se no meio dos Jardins minha calçada pede por um barco, imagina outros lugares da cidade, alagados, inundados, submersos.

Bertinet e a experiência bem dizem: dia de chuva não é dia de fazer pão. De alguma forma, a umidade do ar interfere de forma negativa na massa, como nenhum frio tilintante ou calor sufocante poderiam.

Penso na alternativa para o café de amanhã. Mas amanhã é dia de acordar mais cedo e decerto não há tempo para panquecas, e ainda que muito me agrade uma tigela de aveia, sei que entre uma tigela de aveia e nada, meu marido vai para o trabalho de estômago vazio.

Muffins. Muffins, com certeza. Mais quais? São tantos! Apanho um livro da Deborah Madison, porque ah! como eu adoro os livros dela!, e pulo direto para sua receita básica. Muito, muito fácil. Vejo as variações. Spice. Ok. Decido por óleo de canola no lugar de manteiga e pela menor quantidade de açúcar, pois quero muffins mais pãezinhos e menos bolinhos. Adoro moer temperos no pilão. Adoro a poeira fina e perfumada se elevando até meu rosto e o cheiro bom que perdura na ponta dos dedos. Mistura isso com aquilo, a massa toma corpo, vai para as forminhas, forno, e o cheiro mais maravilhoso do mundo alaga, inunda minha casa, submersa em especiarias.

Consigo esperar até amanhã para escorregar um naco de manteiga por cima desse muffin tão redondo, moreno e macio?

SPICE MUFFINS
(do livro Vegetarian Cooking for Everyone, de Deborah Madison)
Tempo de preparo: 35 minutos
Rendimento: 12 muffins


Ingredientes:
  • 2 1/2 xic. farinha de trigo
  • 2 colh. (chá) fermento químico em pó
  • 1 colh. (chá) bicarbonato de sódio
  • 1/2 colh. (chá) sal
  • 2 colh. (chá) canela em pó
  • 1 colh. (chá) gengibre em pó
  • 1 colh. (chá) noz-moscada em pó (ralada na hora)
  • 1/8 colh. (chá) cravo em pó (moí 2 cravos no pilão)
  • 1/2 a 3/4 xic. açúcar mascavo apertado na xícara
  • 1 1/3 xic. buttermilk
  • 1/3 xic. óleo de canola ou manteiga (derreta depois de medir)
  • 2 ovos
  • 1 1/2 colh. (chá) essência de baunilha
Preparo:
  1. Pré-aqueça o forno a 190ºC, com a grade no terço superior do forno. Forre a forma de muffinsforminhas de papel ou unte-as.
  2. Misture numa tigela grande todos os ingredientes secos.
  3. Em outra tigela, misture o restante. Junte o líquido aos secos e mexa com uma espátula o menos possível, apenas até que não se veja mais farinha.
  4. Distribua a massa pelas formas, enchendo quase até a boca. Leve ao forno por 25 minutos, até que estejam dourados e redondos. Retire das formas e sirva.
OBS: omita a canela, o cravo, gengibre e noz-moscada e você tem a receita básica, para ser adaptada como quiser. Os muffins ficam bem perfumados mas bastante neutros, para serem comidos com manteiga, queijo ou geleia.

Cookies em rolos

Mamãe me ensinou que quando se vai à casa de alguém pela primeira vez é sempre de bom tom levar alguma coisa: um vaso de flores, um vinho, um bolo, o que for. Apesar de ver esse gesto muito pouco difundido entre as pessoas da minha idade, toda a vez que sou convidada com antecedência à casa de alguém levo alguma coisinha. [Às vezes falha, não dá tempo, não tem nenhuma floricultura aberta, etc e tal. Mas os deuses sabem que tento.]

Quando fui convidada para conhecer a casa de uma amiga que também gosta de cozinhar mas trabalha sempre até altas horas, achei que seria uma boa oportunidade para colocar em prática uma dica de um livro de confeitaria que eu comprara alguns meses antes. O livro dizia para preparar uma boa receita de biscoitos tipo "slice and bake" ("fatie e asse"), embrulhar como um bombom e presentear junto com um cartãozinho com instruções de preparo. Pensando nos horários absurdos da minha amiga, achei que seria uma ótima ideia presenteá-la com uma massa de biscoito que ela pudesse tirar do freezer de manhã cedo, ao tomar café, e assar em 15 minutos quando chegasse em casa à noite, cansada e morrendo de vontade de comer um docinho para melhorar um dia supostamente tenso.

A receita é bastante fácil, e rende dois rolinhos como o da foto. Como eu nunca os havia preparado, guardei um rolinho para mim, para ver se funcionava. Os biscoitos ficam deliciosos, e parecem melhorar de textura de um dia para o outro, se guardados em um pote bem fechado.

Uma dica: se o dia estiver muito quente, descongele os biscoitos naquela gaveta mais gelada da geladeira, o cold room, e corte os biscoitos rapidinho, pois eles começam a ficar grudentos em pouco tempo depois de retirados da geladeira. E se a massa estiver grudenta demais na hora de enrolar os biscoitos, polvilhe um pouco – POUCO! – de farinha.

ROLOS DE CHOCOLATE CHIP COOKIES
(do livro Baking for All Ocasions, de Flo Braker)
Tempo de preparo: 15 minutos + 8 horas de geladeira + 15-30 minutos de forno
Rendimento: cerca de 4 dúzias de cookies


Ingredientes:
  • 1 1/3 xic. farinha de trigo
  • 1/2 colh. (chá) bicarbonato de sódio
  • 1/4 colh. (chá) sal
  • 115g manteiga sem sal em temperatura ambiente
  • 1/2 xic. açúcar
  • 1/3 xic. açúcar mascavo apertado na xícara
  • 1 ovo grande
  • 2 colh. (chá) essência de baunilha
  • 1/2 xic. chips de chocolate amargo

Preparo:
  1. Numa tigela pequena, misture a farinha, o bicarbonato e o sal. Na tigela da batedeira, bata a manteiga e os açúcares em velocidade média-baixa apenas até que esteja tudo bem misturado, mas ainda com aparência arenosa, cerca de 45-60 segundos. Não bata em excesso ou os cookies não terão a textura correta.
  2. Em velocidade baixa, adicione o ovo e a baunilha e bata apenas para misturá-los. Desligue a batedeira e passe uma espátula pela lateral da tigela, para misturar melhor.
  3. Na velocidade mais baixa da batedeira, misture a farinha até que fique bem incorporada. Desligue. Usando a espátula, incorpore os chips.
  4. Divida a massa em duas partes iguais. Forme dois rolos de aproximadamente 14cm de comprimento. Enrole em papel-manteiga e role os rolos, tornando-os mais arredondados e com cerca de 18cm de comprimento. Termine de embrulhá-los com o próprio papel e leve à geladeira por várias horas, de preferência durante a noite, para que firmem bem. Se for congelá-los, embrulhe por cima com papel-alumínio, coloque a data e leve ao freezer por até 1 mês. Descongele na geladeira por 8 horas ou durante a noite. (Na fotografia, o rolo congelado foi embrulhado ainda uma terceira vez, com papel-manteiga, apenas para efeito estético.)
  5. Antes de assar, pré-aqueça o forno a 180ºC. Forre duas assadeiras com papel-manteiga (uma para cada rolo). Usando uma faca serrilhada, corte rapidamente o rolo em rodelas de cerca de 0,5cm de espessura e coloque-as na assadeira, com uns 3cm de espaço entre elas.
  6. Leve ao forno por 12-14 minutos, uma assadeira por vez, até que fiquem dourados mas ainda moles. Retire do forno e deixe que descansem na assadeira por 3 minutos. Então transfira os biscoitos com uma espátula de metal para uma grade e deixe que esfriem completamente. Guarde em um pote fechado por até dois dias.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Putchiiiiim...

Meu deus do céu, como eu odiava aquela droga daquela propaganda com a mulher beiçuda pedindo "putchiiiiiim"! Qual era o produto, não sei. [O que me faz adorar publicidade brasileira, em que todo mundo sabe a piada de cor, mas não se lembra do produto. Alôo? Eficiência? Neh.] Só ficou bem gravada em minha memória aquela boca "angelinojolesca" numa atuação digna de Troféu Framboesa, dizendo "pudim". Bem devagar.

Pudim.
Puddddim.
PU-DIM.

Não, não importa. Para sempre, para todo sempre, pudim será "putchiiim". Com beicinho.

Shoot me.
Shoot me now.


E ultimamente os "putchiiins" são uma constante na minha geladeira. Uma vez que tudo o que botei no forno nos últimos tempos foi da forma diretamente para o lixo, saciei meu desespero por coisinhas doces com receitas de pudim. Desses fáceis, creminho engrossado com amido de milho, desses que fazem casquinha na geladeira e que se comem de colher. Tão bom!

Fiz diversos, de chocolate, de caramelo, butterscotch, sementes de cacau, baunilha, lavanda... Quem se divertiu com isso foi o Allex, que adora sobremesas de colher. Mas algumas ficavam muito moles, outras muito duras. Adaptando uma receita de Alice Medrich, encontrei a textura de pudim que mais me agrada, e que, teoricamente, pode ser variada à exaustão. A primeira versão foi feita com sementes de cacau torradas e moídas. Que foram, depois, substituídas por fava de baunilha, produzindo um sensacional pudim de baunilha, salpicadinho de pontinhos pretos. A terceira tentativa foi com lavanda (que é o da foto), que deu certo, mas ficou um pouco exótico, não para todos os paladares. Minha intensão agora é fazer o mesmo com anis, canela, ou mesmo folhas como menta. Ainda que com menta, a infusão seja diferente.

Então, para que também vocês testem outras variações, fica aqui meu pudinzinho de baunilha. Muito rápido e muito fácil. Não recomendo a substituição da fava por essência, a não ser que seja extrato natural. Você quer que a baunilha de fato exploda em sabor no pudim, e não acho que a essência artificial tenha a complexidade da fava. Pense nela como um investimento. Depois de usar, passe embaixo da torneira aberta para tirar o leite, deixe secar no escorredor de pratos e coloque dentro de um pote de açúcar. O açúcar fica mais perfumado que qualquer essência a base de petróleo.

PUTCHIIIIIM DE BAUNILHA
(Adaptado do livro Bittersweet, de Alice Medrich)
Rendimento: 6 porções
Tempo de preparo: 40 minutos


Ingredientes:
  • 1 1/2 xic. creme de leite fresco
  • 1 1/2 xic. leite
  • 1 fava de baunilha
  • 1/2 xic. açúcar
  • 1/4 xic. menos 1 colh. (chá) amido de milho
  • 1/4 colh. (chá) rasa de sal
Preparo:
  1. Com uma faquinha, abra ao meio a fava de baunilha no sentido do comprimento, e raspe para fora as sementes. Coloque as sementes e a fava aberta em uma panela com o creme de leite e o leite e leve à fervura em fogo médio. Assim que começar a ferver nas bordas, desligue o fogo, tampe e deixe em infusão por 20 minutos.
  2. Coe a mistura ou apenas retire a fava.
  3. Em outra panela, coloque o amido, o açúcar e o sal.
  4. Junte a essa panela 1/3 xic. do creme de baunilha e misture até formar uma pasta homogênea.
  5. Junte o restante do creme e ligue o fogo médio, mexendo sempre com uma colher de pau até que comece a ferver e engrossar. Reduza o fogo e deixe ferver, mexendo, por 1 minuto.
  6. Divida o pudim entre potinhos com capacidade para meia xícara. Sirva morno, em temperatura ambiente ou gelado. Na geladeira, eles formam uma película por cima que muita gente gosta e muita gente não gosta. Se você não gosta, basta cobrir com filme plástico, grudadinho no creme.
SUBSTITUÇÕES: Tente substituir a fava de baunilha por canela em pau, anis estrelado, lavanda, sementes de cacau torradas, etc, seguindo o mesmo método. Para folhas, como hortelã, misture as folhas rasgadas ao creme de leite e ao leite (frios) e deixe num pote fechado durante a noite na geladeira. Coe, apertando bem as folhas na peneira, e vá direto para o passo 3 da receita. Essas são sugestões NÃO TESTADAS. Se estiver inseguro dos resultados, faça pouquinho, uma porção para duas pessoas, como fiz com a de lavanda: 1/2 xic. creme de leite, 1/2 xic. leite, 1/6 xic. açúcar, 1 colh. (sopa) rasa amido de milho e 1 pitada de sal. No caso desta, usei 1 colh. (chá) de lavanda/alfazema (comprada na Bombay, porque eu sei que vocês vão perguntar).

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Couve-flor com curry e castanhas-de-caju

Esta couve-flor comprada na minha banca favorita da feira estava adocicada, de tão linda e fresca. Mas eu não fazia a menor ideia do que fazer com ela até dar de cara com uma receita de Deborah Madison, do livro Vegetarian Cooking for Everyone. Basta quebrar a couve-flor em floretes menores e cozinhá-la no vapor. Particularmente, gosto das panelinha de bambu, vendidas na Liberdade. Os legumes cozinham sem ficarem encharcados, uma vez que o bambu, ao contrário do metal, não condensa o vapor e não deixa que fique pingando água em cima da comida durante o cozimento. Enquanto isso, derreta numa frigideira grande um pouco de manteiga (2-4 colh. sopa) e junte 1 1/2 colh. (chá) de curry em pó, suco de meio limão tahiti, um pouco de cebolinha picada e coentro picado (usei salsinha, pois era o que havia à mão). Junte a couve-flor cozida al dente, mexa bem, tempere com sal a gosto e misture a um punhado de castanhas-de-caju tostadas. Sirva com arroz integral. Ficou sensacional, e meu marido nem se lembrou de que não era muito fã de couve-flor.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Uma Sexta-Feira Frugal 4: faça seu próprio requeijão

Não sei se requeijão entra aqui como algo que é mais barato fazer em casa, uma vez que tudo dependerá do preço dos ingredientes no seu supermercado versus o preço de um pote de requeijão industrializado. Mas merece um lugarzinho nessa sexta-feira por conta de seu caráter simples, delicioso e saudável. Isso com certeza.

Há anos quero preparar esse requeijão, que eu via sempre em um livro antigo de meu pai, daquela coleção que ensina auto-suficiência que já mencionei aqui antes. Mas enrola dali, enrola daqui, esqueci de comprar os ingredientes... Ok. Chega disso. Hoje é dia de fazer requeijão.

Foi uma bobagem demorar tanto, uma vez que é quase mais fácil fazê-lo em casa do que sair para comprá-lo. Ricotta, manteiga e leite batidos juntos. Só. E ficou perfeito. Um requeijão muito saboroso e cremoso, que pretendo fazer muitas vezes mais. Não ficou mais barato que o requeijão comprado. Confesso, comprei minha ricotta favorita, e não a mais barata (ainda que ela também não seja a mais cara). Mas compensou. Entrei em alguns sites de supermercado para ver os averiguar seus ingredientes de diferentes marcas de requeijão. E, em alguns casos, são 3 contra 11. "Ah, mas eles não usam 'ricotta', e sim os ingredientes da mesma", alguém diz. Ok... Grosso modo, temos o seguinte:
  • ricotta = soro de leite + coalho + sal
  • manteiga = creme de leite
Mesmo que o requeijão caseiro seja leite, creme de leite, soro de leite, coalho e sal, ainda tem menos ingredientes do que os requeijões industriais, com estabilizantes, conservantes e espessantes. Concluo que prefiro gastar uns reais para comer algo natural e economizar outros muitos reais em médico no futuro. ;)

REQUEIJÃO
(adaptado do livro Vida, Um Guia da Auto-suficiência)
Tempo de preparo: 5 minutos
Rendimento: 3 xícaras (uns 3 potinhos de requeijão industrializado)


Ingredientes:
  • 500g ricotta fresca
  • 200g manteiga com ou sem sal em temperatura ambiente
  • 1/2 - 3/4 xic. leite fervendo
Preparo:
  1. Coloque a ricotta e a manteiga em um liquidificador ou processador e pulse algumas vezes para misturar os ingredientes mais ou menos.
  2. Despeje um pouco do leite (1/4 xíc., mais ou menos) e bata bem, até ficar homogêneo. Vá acrescentando o restante do leite, até atingir a consistência desejada. Use todo o leite se quiser um requeijão mais molinho, e menos se quiser que ele fique mais firme.
  3. Acerte o sal, se necessário ou acrescente os temperos que quiser, ainda batendo.
  4. Guarde em potinhos bem fechados na geladeira.
Obs.1: a receita original não diz quanto tempo dura o requeijão na geladeira. Aconselho ficar de olho e sentir o cheiro. Como ricotta não costuma durar muito, acredito que com o requeijão caseiro seja o mesmo caso.
Obs.2: o livro indica que se pode substituir a manteiga pelo mesmo peso em óleo de milho (200g).

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O Sorvete de Morango Perfeito e Definitivo

Desde minhas primeiras tentativas no reino dos sorvetes ando procurando pela receita perfeita de sorvete de morango. Uma que tivesse gosto de morango com chantilly, como o sorvete que tomei na Califórnia, ou como aqueles que tomávamos quando crianças, quando o sorvete de morango não era rosa-radioativo e ainda tinha pedaços de fruta. Quando recebi a Gourmet desse mês, fiquei enlouquecida com a receita de sorvete: morangos, creme de leite, açúcar e limão. Só. Era isso o que eu queria.

Aproveite esses dias de calor antes que o frio e a chuva retornem, vá até o mercado, compre morangos orgânicos bem maduros e prepare esse sorvete. Eu juro que você não vai se arrepender.

SORVETE DE MORANGO PERFEITO
(da revista Gourmet)
Tempo de preparo: 10 min. + 4 horas de geladeira
Rendimento: 1,5l


Ingredientes:
  • 500g morangos orgânicos bem maduros, sem folhas e cortados ao meio
  • 3/4 xíc. açúcar
  • 3/4 colh. (chá) suco de limão
  • 1/8 colh. (chá) sal
  • 2 xíc. creme de leite fresco

Preparo:
  1. Amasse os morangos com um garfo com o açúcar, o sal e o suco de limão. Deixe descansar, mexendo às vezes, por 10 minutos.
  2. Coloque metade da mistura no liquidificador e bata com o creme de leite até que fique homogêneo. Misture ao restante dos morangos com uma colher e leve a mistura à geladeira por no mínimo 4 horas. (É melhor de um dia para o outro.)
  3. Coloque na sorveteira e siga as instruções do fabricante.

Obs.: minha máquina aguenta apenas 1l de sorvete, então o sorvete subiu e a pá parou depois de um tempo. Nenhum prejuízo. Fez sujeira, mas deu certo. Se vc não quiser problemas, e sua sorveteira também for pequena, faça metade da receita.

Obs. 2: se os morangos que você comprou estiverem meio durinhos, passe-os num multiprocessador ligeiramente ao invés de amassá-los com um garfo, para obter um purê pedaçudo. E se eles não estiverem SUPER doces, acrescente mais 1/4 xíc. de açúcar.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Frico

Frico é uma das coisas mais fáceis e mais gostosas para se fazer com batatas e queijo. É um prato típico de Venezia-Giulia, no nordeste da Itália. O prato original usa queijo Montasio. Por aqui, na falta do Montasio, que nunca encontrei, uso queijo prato mesmo, ou qualquer outro queijo em fatias muito finas que esteja dando sopa na geladeira.

Para uma pessoa solitária, derreta 1 colh. (chá) de manteiga em uma frigideira pequena e refogue 1/2 cebola pequena cortada em meias-luas fininhas até que amacie e comece a dourar. Junte 1 batata média fatiada bem fino, com casca, sal, pimenta, e mexa um pouco para recobrir a batata de manteiga e cebola. Junte caldo de legumes suficiente para cobrir as batatas (cerca de 1/2 xícara), e deixe ferver. Cozinhe em fogo baixo até que as batatas estejam macias e o líquido tenha engrossado. Então cubra com umas quatro fatias de queijo prato ou outro de sua preferência e deixe o queijo derreter e dourar nas bordas. Sirva imediatamente.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Blueberry Muffins de workshop

Um dos motivos pelos quais tenho escrito pouco aqui é que tenho dedicado muito do meu tempo a aprimorar meu trabalho. Isso inclui muitos cursos e workshops, para ver se dou um jeito em meus cacoetes, saio da zona de conforto e começo a produzir algo que de fato preste. Depois de ouvir a bizarríssima música Muffin Man, do Frank Zappa, senti-me inspirada a preparar esses muffins para levar no segundo dia de workshop de Notan, do Montalvo. Estes não fogem à regra, sendo facílimos de se preparar e mais ainda de comer. Usei o soro do cream cheese no lugar do buttermilk e mirtilos secos ao invés de frescos, mas a receita comporta, na verdade, qualquer "berry" fresca ou qualquer fruta seca de sua preferência. A massa do muffin é bastante neutra, e por isso se beneficia dessa sensacional coberturinha de açúcar e canela.

BLUEBERRY MUFFINS WITH DOUGHNUT TOPPING
(do livro Baking for All Ocasions, de Flo Braker)
Tempo de preparo: 1 hora
Rendimento: 12 muffins


Ingredientes:
  • 2 xíc. farinha de trigo
  • 1/2 xic. açúcar cristal orgânico
  • 2 colh. (chá) fermento químico em pó
  • 1/2 colh. (chá) bicarbonato de sódio
  • 1/2 colh. (chá) sal
  • 3/4 xic. buttermilk
  • 85g manteiga derretida
  • 2 ovos grandes
  • 2 colh. (chá) casca de limão siciliano ralada
  • 1 colh. (chá) essência de baunilha
  • 1 1/2 xic. mirtilos frescos
(cobertura)
  • 1/2 xic. açúcar cristal orgânico
  • 1 1/2 colh. (chá) canela em pó
  • 85g manteiga derretida

Preparo:
  1. Pré-aqueça o forno a 190ºC. Unte e enfarinhe 12 forminhas de muffin ou empadas, ou forre-as com forminhas de papel.
  2. Em uma tigela grande, misture a farinha, açúcar, fermento, bicarbonato e sal. Em outra, misture os ovos, a manteiga, o buttermilk, a baunilha e a casca de limão.
  3. Junte a mistura líquida à seca e misture com uma espátula apenas o bastante para que não haja flocos de farinha aparentes. Não misture demais, ou os muffins ficarão pesados.
  4. Junte as frutas e misture delicadamente. Distribua a massa nas formas, até 3/4 de sua capacidade e leve ao forno por 18-23 minutos, até que estejam dourados e afastados das bordas.
  5. Deixe descansar na forma por 15 minutos e então retire os muffins.
  6. Misture o açúcar e a canela. Enquanto os muffins ainda estiverem mornos, mergulhe a parte de cima na manteiga derretida e então na mistura de açúcar, e deixe em uma grade para terminar de esfriar. Consuma em até dois dias, deixando os muffins em um pote fechado.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Uma Sexta-Feira Frugal 3: cream cheese com gomas e conservantes, nunca mais!


Há algumas coisas boas de se fazer em casa porque são mais saudáveis e outras porque são mais baratas. Nem sempre os dois motivos andam juntos, mas quando andam, não consigo resistir.

Eu adoro cream cheese. Mas detesto a K****. Então há muito tempo parei de comprar cream cheese Phil********, pois ele já não tem nada a ver com o cream cheese antigo, hoje cheio de espessantes, estabilizantes e conservantes. Fui salva pelo fato de meu supermercado ter uma seção de queijos de fabricação própria, mais frescos, sem porcarias, e que por isso duram menos e custam mais, e aí está incluído o cream cheese. Para satisfazer meu desejo por bagels no café da manhã, comprava parcimoniosamente minúsculas porções cream cheese, mais caro mas muito mais cremoso e saboroso que o industrializado. Mas não conseguia me imaginar gastando o que precisaria gastar caso quisesse preparar uma de minhas sobremesas favoritas: cheesecake.

Fuçando por aí, nessa minha nova neurose de fazer queijo e economizar uns trocados, encontrei diversos sites americanos ensinando a fazer cream cheese em casa, simplesmente filtrando iogurte integral num pano por um dia inteiro. Li muitos comentários e dúvidas a respeito, sobre aquilo ser apenas um queijo de iogurte (labneh) ou de fato cream cheese. Um dos sites dizia que sua avó costumava preparar o queijo dessa forma, e outro ainda dizia que esse era o modo Amish de se fazer cream cheese. Muitos atestavam que queijos cremosos são praticamente iguais em várias partes do mundo, mudando-se apenas o nome, daí a confusão entre queijo de iogurte e tantos outros tipos de queijo. Difícil mesmo é encontrar uma receita que seja "a original", uma vez que a tal marca famosa adulterou seu produto ao longo do tempo e mesmo os tópicos da Wikipedia parecem ter sido escritos por sua equipe de marketing.

Muito falatório e pouca prática.

Preparei cerca de 2 litros de iogurte [e, pesquisando, descobri que, de fato, você obtem uma consistência melhor ao usar apenas 1 colh. (sopa) de iogurte para 1 litro de leite, ao invés de quantidades maiores; algo a ver com "saturar" o leite com as bactérias], despejei no pano sobre o escorredor de macarrão, cobri com um pratinho (para não atrair insetos) e deixei pingando, em temperatura ambiente, até que todo o soro estivesse na tigela e apenas um queijo cremoso e saboroso restasse no pano.

Preciso ser sincera e dizer que fui apressadinha. Queria comer o cream cheese na manhã seguinte, mas tendo começado o processo cedo, fiquei com medo que, ao deixar o queijo em temperatura ambiente durante toda a noite, ele ficasse ácido demais. Então guardei meu cream cheese na geladeira quando sua consistência era ainda de um requeijão firme. Mas da próxima vez com certeza deixarei por 24 horas, para deixá-lo mais sequinho.

Se é de fato cream cheese, não sei. Até aí, aquele da marca famosa, com comercial na TV e tudo, já não é cream cheese de verdade há muito tempo. O gosto ficou igual. Uma boa acidez, uma doçura aveludada da gordura do leite, cremoso... e ganhou alguma complexidade depois de ter acrescentado um nadinha de sal para realçar o sabor, mas não o suficiente para deixá-lo salgado. Ficou perfeito no meu bagel de canela e passas. Agora resta testá-lo numa receita de cheesecake.

O preço? Usando leite premium [pois seu queijo só será tão bom quanto o leite que usar para prepará-lo], custou exatamente metade do preço do cream cheese industrializado, calculando o valor por quilo. Dois litros de leite integral premium, com maior teor de gordura, produziram 625g de cream cheese bem cremoso, mas suspeito que produziriam cerca de 500g de um cream cheese mais sequinho.

O benefício extra é ter mais de 1 litro de soro assim, de lambuja. O soro do leite que resta da fabricação do cream cheese pode ser utilizado como o buttermilk nas receitas americanas. Também pode substituir parte do caldo em sopas ou parte da água na hora de deixar os grãos secos de molho, pois ele é abarrotado de nutrientes. E, para quem adora tomar shakes de proteínas, saiba que os tais aminoácidos em pó que você toma são retirados [tchanans!] do soro do leite [traduza o nome da marca mais famosa de shake de proteína do mercado... A-há! ;)]. Você pode congelar o soro em cubinhos e batê-los no liqüidificador com frutas , produzindo seu próprio shake de proteína e parando de gastar o que não tem com aqueles imensos potes de pó bizarro. [Hoje de manhã já preparei buttermilk pancakes com o soro, e ficaram ótimas!]

Ou seja, mesmo que não seja, no fim das contas, de fato cream cheese no sentido tradicional da coisa, é sempre bom saber que há um susbtituto mais natural e mais barato.

CREAM CHEESE
Tempo de preparo: 24h, se o iogurte estiver pronto, e 32h se você fizer o iogurte*
Rendimento: cerca de 250-300g de cream cheese por litro de leite/iogurte


Ingredientes:
  • iogurte integral de qualidade (apenas leite e fermento lácteo, sem espessantes de qualquer tipo, e nunca iogurte desnatado)
Preparo:
  1. Forre um escorredor de macarrão com um pano para queijo ou um guardanapo de pano e posicione o escorredor sobre uma tigela funda, de modo que ele não toque o líquido que ficará depositado no fundo.
  2. Despeje o iogurte no pano, tampe com um prato, puxando as bordas para cima do prato (isso impedirá que o pano, saturado, pingue na sua bancada) e deixe em temperatura ambiente por 24 horas.
  3. Retire o queijo do pano e guarde-o na geladeira, em um pote fechado, durante 1 mês. Guarde o soro numa garrafa na geladeira e use no lugar de buttermilk nas receitas.
*Para fazer seu iogurte, aqueça 1 litro de leite integral (com o maior teor de gordura que você encontrar, pois isso fará o iogurte mais saboroso) até 45-46ºC. Numa tigela de vidro ou cerâmica, junte 1 colh. (sopa) de iogurte integral de qualidade ao leite morno e misture bem. Cubra com filme plástico, coloque dentro de uma bolsa térmica ou enrole num cobertor e deixe descansar por 8 horas. Leve à geladeira se for consumir depois, ou coloque direto no pano para fazer o cream cheese.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Uma Sexta-Feira Frugal 2: meu primeiro queijo fresco de verdade

Quando criança, tínhamos uma chácara onde plantávamos de tudo e criávamos galinhas pelos ovos [o único fdp que se atreveu a matar nossas galinhas para comer foi o desgraçado do caseiro, e até o galo, eventualmente, ele comeu]. A chácara era cercada por sítios e fazendas com gado leiteiro, e costumávamos comprar queijo fresquinho de uma delas. Lembro-me bem da sede da fazenda, do cheiro do leite, e, principalmente, do cão de guarda da minha altura, acorrentado, coitado, de quem eu morria de medo.

Fazer queijo sempre foi um daqueles comichões em meu cérebro, coceirinha na mão, aquele tique que não passa até você dar a cara para bater. Mas morria de medo de mexer com o coalho, essa coisa esquisita tirada de estômago de bezerro. [Existe coalho vegetal, mas é pouco usado industrialmente e eu não encontrei para comprar. Não vou ser hipócrita aqui: todo queijo que eu como, mesmo sendo pseudo-vegetariana, é feito com o coalho animal.] E também morria de medo de desperdiçar leite.

No entanto, com os preços a que estão chegando alguns queijos – e eu como queijo em quase todas as minhas refeições – de repente gastar, sei lá, 8 ou 10 reais em leite fresco para fazer quase 1kg de queijo fresquinho não parece assim tão caro. Na verdade, eu queria ir direto para a receita de mozzarella fior di latte (mozzarella feita com leite de vaca ao invés de búfala) da revista Gourmet. Mas encontrei um site fantástico sobre produção de queijo caseiro, que sugere uma ordem de tipos de queijo para os iniciantes, de acordo com o nível de dificuldade: iogurte, labneh, Neufchâtel, queijo prensado, mozzarella e então queijos azuis (como gorgonzola e roquefort). Deliberadamente pulei o labneh e fui direto ao Neufchâtel, porque eu queria muito mexer com o coalho que eu comprara [disponível em muitos supermercados, na geladeira dos laticínios].

No fim das contas, FAZER o queijo é fácil. Cinco minutos à noite, cinco minutos na manhã seguinte e cinco minutos quando o queijo tiver sorado todo. Os problemas acontecem nas sutilezas, como errar na quantidade de coalho ou acidulante, errar na temperatura ou não usar o leite apropriado. [UHT, que é o de caixinha, não funciona; tem que ser fresco, ou, no máximo, homogeneizado, daquele que fica na geladeira e dura uns 3 dias, o que matou minha intenção de fazer queijo de cabra, uma vez que ainda não encontrei leite fresco de cabra para comprar, só UHT, e o congelado não é mais vendido no meu supermercado por falta de procura.]

[Como minha geladeira não tem grades, foi assim que improvisei a amarração do pano para que o queijo ficasse suspenso.]

Chame isso de sorte de principiante, mas meu queijo deu certo de primeira. Quando acordei na manhã seguinte, abri a tampa da panela e vi aquele coalho firme, brilhante e lisinho lá dentro, dei pequenos gritinhos de alegria. Funcionou! Funcionou! Funcionou! MIM FAZ QUEIJO! UGA UGA! Mas tive de deixar sorando um pouco mais de tempo do que a receita indicava, uma vez que ao tempo requerido o queijo ainda tinha consistência de cottage (mas já estava muito bom!). No fim, agora que se passaram já uns dois dias de queijo pronto, vejo que poderia ter deixado sorando ainda mais, para que ele ficasse mais sequinho. Mas essa consistência mais cremosa está quebrando um belo galho para fazer as vezes de cottage no café da manhã e ricotta nos preparos para o jantar. O queijo ficou muito saboroso. Claro que não posso chamá-lo de Neufchâtel, pois não foi feito com leite de cabra. Logo, vira "queijo fresco" mesmo. Como ele ficou mais molinho, acabei não moldando o bendito, que ficou num potão tampado mesmo. Próximas paradas: mascarpone, cream cheese e mozzarella! Uhúuuuu! :D

QUEIJO FRESCO
(Daqui, onde também há fotos do passo-a-passo)
Tempo de preparo: 15 min. de trabalho + 12 horas (coalho) + 12-24 horas (sorando)
Rendimento: aproximadamente 750g de queijo fresco, dependendo do leite usado


Ingredientes:
  • 3,5l leite fresco ou homogeneizado (que tem que ficar na geladeira), de vaca ou cabra, tipo A integral
  • 1/4 xíc. buttermilk*
  • 1/2 colh. (chá) coalho líquido
  • 1/4 xíc. água fria 1/2-1 colh. (chá) sal
*Encha 1/4 xíc. leite faltando 1mm para a marca e preencha o 1mm restante com vinagre branco. Misture bem e deixe descansar por 10 minutos.

Preparo:
  1. Esterilize a panela colocando uns 5 dedos de água em um caldeirão grande, tampando e deixando ferver por 5 minutos. Descarte a água.
  2. Coloque o leite e o buttermilk no caldeirão ainda quente. O leite deve permanecer inalterado. Se talhar ou ficar espesso imediatamente, não vai dar certo. Isso acontece quando se acrescenta buttermilk demais ou se deixa a mistura em temperatura ambiente por muito tempo.
  3. Leve ao fogo e aqueça apenas até a temperatura ambiente (18-20ºC). Enquanto isso, dissolva o coalho líquido na água.
  4. Desligue o fogo, junte a água com coalho ao leite e misture bem com um batedor de arame. Tampe e deixe descansar em temperatura ambiente SEM MEXER EM HIPÓTESE ALGUMA por 12 horas, ou até que o coalho esteja visível e firme.
  5. Coloque um pano para queijo ou um guardanapo de pano bem limpo sobre um escorredor de macarrão, e posicione o escorredor sobre uma tigela funda, de modo que o queijo não fique imerso no soro que pingar (e vão pingar litros de soro!)
  6. Com uma faca na vertical, faça um quadriculado na mistura. Com uma concha, retire o coalho da panela (vai parecer iogurte industrial, muito firme, separado do soro amarelado), e coloque-o no pano. Se sua geladeira for das antigas, com prateleiras de grade, puxe as pontas do pano e amarre como uma trouxa firme, pendurando a trouxa na grade e deixando a tigela de soro embaixo. Senão, apenas cubra o coalho com as pontas do pano, pois ele ficará saturado e começará a pingar também. Tenha certeza de que o coalho não ficará imerso no soro quando a tigela encher. Leve à geladeira por 12 horas, ou até que o queijo pareça mais sequinho e "moldável".
  7. Retire o queijo do pano para uma tigela, acrescente o sal a gosto (ou use sem sal como sobremesa, como um petit suisse, mas sabendo que o sal ajuda a conservar o queijo por mais tempo), misture bem e molde em um aro de metal ou plástico ou simplesmente guarde em um tupperware bem vedado na geladeira. Use em pouco tempo, pois queijos frescos não agüentam mais de uma semana na geladeira.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Mimi vegetariano, ou o fim do pão com vinaigrette


Praia e churrasco costuma significar um consumo fora do normal de queijo coalho para a maioria dos vegetarianos ou pseudo-vegetarianos. Aproveitei a deixa para fazer um teste. Preparei as almôndegas de cogumelo, omitindo o molho de tomate, acrescentei apenas um pouco mais de farinha de rosca para deixar a mistura mais firme e moldei "Espetinhos Mimi" [quem já foi em churrasco de faculdade aqui em SP sabe do que estou falando] em palitos. Como eles são frágeis, deixei-os na geladeira por algumas horas, até firmarem bem, antes de assá-los na churrasqueira como faria a qualquer espetinho. E ficaram ótimos! Agora também posso comer espetinho com vinaigrette, ao invés de... bem... pão e vinaigrette. Um conselho para quem desconfiar que a grelha do amigo está prá lá de gasta: pincele ligeiramente os espetos com azeite, para que não grudem. A receita faz cerca de 12 espetinhos.

Cozinhe isso também!

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