quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Salada quente de atum e favas

Antes que eu me esqueça: obrigada a todos que me mandaram parabéns! :D

Trinta anos. *Suspiro.* Trinta anos e continuo cometendo os mesmos erros, over and over again. Isso de ser uma mera humana é um saco. Eu bem que podia ser um ser místico e fantástico que aprende e muda logo no primeiro erro. Assim eu não precisaria chegar aos trinta anos e escrever de novo sobre a mesma coisa no meu blog. De novo. E de novo. Houve quem tenha se surpreendido no post anterior ao ver que eu colocara Coca-cola no bolo. Refrigerante? Na casa da Ana? *Suspiro de novo.* Pois é. O bolo, assim como o quiche de brócolis, tinha todo um aspecto irônico para mim. Mas de um outro modo. Como uma lembrança para relaxar a bisteca um pouco. Porque eu tanto falo sobre comida de verdade, o nojinho de alguns produtos industrializados e tudo o mais, que acabei criando uma bela duma cama de gato, na qual vez ou outra me vejo irremediavelmente emaranhada.

Não, eu não como pão de forma de pacote. Mas faz já uns dois meses que não faço pão em casa. AAAAh! O choque! O horror! Pois é. Nos últimos tempos ando meio enjoada de fazer pão, e os que fiz assim, sem vontade, ficaram ruins. Porque eu posso cozinhar de braços quebrados, mas não sem vontade. Não, eu não tomo refrigerante regularmente. Mas em dias de ressaca, ou quando o marido é quem pede a pizza e eu não vejo o que ele está fazendo, o danado aparece aqui em casa. No dia-a-dia, prefiro água. Inclusive prefiro água à suco de fruta, natural ou o que for.

O caso é que entrei numa paranóia ferrenha por causa do blog. Cada vez que saio do mercado com uma baguette, acho que vou encontrar alguém conhecido (ou um leitor, como já aconteceu) e pronto, eu serei uma fraude. "Você está COMPRANDO o seu pão???", apontará o transeunte, inconformado e acusador. Se eu quiser manter minha sanidade mental, eu PRECISO relaxar um pouco. Comprar meu pãozinho do Le Vin, que eu tanto gosto, e tomar meu café-da-manhã sem pensar que alguém pode estar olhando e julgando cada passo meu. "Isso não é orgânico? Isso não é natural? Não foi você quem fez??"

Agora, se você esperava que eu confessasse amor por algum chocolate que não deveria se chamar chocolate, ou algum biscoito de pacote, dançou nessa. Para mim, não comer essas coisas não é idealismo, é ter paladar. ;)

Dentro do tópico "relaxar", eu pretendia colocar aqui uma receita muito simples, daquelas com cara de gororoba, mas que dão vontade de comer todo dia, principalmente quando você teve um dia cheio de trabalho. Mas meu almoço ficou tão gostoso, que eu deixo para postar a tal gororoba amanhã. Já havia preparado uma receita semelhante, do Jamie Oliver, do livro Cook With Jamie. Era atum grelhado, com favas, ervilhas e óleo de orégano fresco. No entanto, ela não tinha ficado lá muito saborosa, principalmente por ter usado orégano seco, que não liberou aromas como deveria. Hoje foi dia de feira, e saí de lá com alguns filés de tilápia, um belo bife de atum, aspargos, favas frescas, alcachofras, beterrabas e abobrinhas. Sempre levo minha lista do que está na época no mês, mas nunca tenho um cardápio semanal em mente. Vou comprando de acordo com o que está mais bonito e apetitoso. E assim que cheguei em casa e comecei a debulhar as favas, lembrei-me da receita do Jamie, e resolvi mudá-la um pouco de acordo com o que eu tinha.

Debulhei meio quilo das favas (que dão cerca de 1 xíc. de favas descascadas), mergulhei-as em água fervente por uns 2 minutos e escorri, descascando-as para usar apenas seus miolinhos verde-intensos (as cascas costumam ser duras, a não ser que as favas sejam pequeninas como feijões). Num pilão, amassei um dente de alho bem pequeno com um pouco de sal grosso, e juntei um punhado de folhas de manjericão e outro de hortelã frescos. Amassei bem e juntei azeite suficiente para formar um molhinho ralo. Acertei o sal e a pimenta. Apanhei meu bife de atum, e o cortei numa porção menor, de 150g, mantendo sua altura de uns 2,5cm. Temperei-o com sal e pimenta, esquentei bem um fio de azeite numa frigideira e grelhei o peixe, em fogo médio-alto, cerca de 2 minutos de cada lado. Voltei-o para a tábua e o fatiei. Misturei as favas cozidas e descascadas a uma parte do molho, dispus no prato, colocando o atum fatiado por cima e derramei o restante do molho. Booooom... :)

10 comentários:

Elisa disse...

Ana,
Essa pessoa não devia ter questionado o fato de você comprar pão de vez em quando. Radicalismo é muito chato, desinteressante toda vida. É possível preparar boa comida de acordo com seus princípios éticos e não ser neurótica. Acho que você faz isso muito bem.
beijos

Priscilla disse...

Ana, onde mesmo vc compra teus peixes frescos? Esse atum me deixou com água na boca!

Tatiana disse...

Seu prato está lindo!
Parabéns mais uma vez pelo aniversário e parabéns pela "libertação"!

Lílian disse...

Ana, parabéns atrasado!!!
Ri demais com este post. Se eu te encontrasse e a visse comprando pão ia me sentir aliviada por você não ser tão perfeita haha Por que convenhamos? Fazer pão, massa, queijo, e outras comidas, além de trabalhar, correr, cuidar do cachorro e tudo o mais que a vida exige é coisa para heroína.
Feliz 30 anos imperfeitos e super bem vividos. Que você seja sempre muito feliz. Não nos conhecemos, mas lendo seus posts nos últimos anos desenvolvi um carinho virtual por você. Coisa doida e dos novos tempos...

Lílian disse...

Ah, Ana... Se possível, me esclareça (obrigada!): Para o bolo da Coca-cola (que tem três partes) você assou cada parte de uma vez ou enfiou três formas no forno? Te pergunto isto porque minha mãe tem lá as crenças dela de que não dá certo assar mais de uma forma por vez. E neste caso o restante da massa pode ficar esperando ao ar livre? Qual a sua experiência?

Mirela disse...

Olá Ana!
Como está?
Eu acho que vc está certíssima em escolher os momentos em que vc realmente está disposta para preparar qualquer coisa na cozinha, e principalmente pão. Pão requer boa vontade, bom humor, bons pensamentos, rsrs. Eu procuro assar uma forma de pão de fermentação natural todos os dias aqui em casa. Todos os dias de manhã eu alimento as bactérias do meu fermento, moldo o pão a noite e asso no dia seguinte, pela manhã. Mas o dia que eu estou meio chateada ou pouco inspirada, é batata: o pão fica correto, mas não perfeito. Te entendo, amiga! E ninguém vai achar vc uma fraude, porque eu nunca li num post seu que vc é "totalmente contra comprar pães prontos", e sim que vc prefere produzir seus alimentos em casa. Parabéns por tudo no Blog.
Seu post me lembrou uma música do Ira velhinha velhinha, que diz "Vivendo e não aprendendo, eis o homem, este sou eu!"
Acho que mais pessoas se sentem assim, demorando pra aprender com os erros!
E parabéns atrasado! Que vc tenha muitos e muitos outros anos felizes!

Thais disse...

Hummm, delícia de salada!!!
Parabéns, ficou linda! :)

A DONA DO MUNDO disse...

To chegando agora, dando parabéns atrazado, mas de coração!
Atum fica bom com tanta coisa né, mas com favas eu nunca fiz
Beijo Elisa

Carol disse...

Hahahaha.. relaxar é sempre bom, não devemos nos importar tanto com os olhares alheios... who cares?!?!
Gostei da receita....

Patricia Scarpin disse...

Eu nunca comi favas, acredita? E aposto que vou adorar, especialmente se for numa salada linda assim.

Que bom que você deu uma relaxada, deixa os chatos pra lá. :D

Cozinhe isso também!

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