quinta-feira, 14 de março de 2013

Favas brancas assadas com tomate e como cozinhar todo dia

Uma das sensações mais estranhas que tenho desde que me mudei para fora de São Paulo é a de correria tranquila. Um paradoxo. Sinto que tenho mais coisas a fazer do que jamais tive, num ponto em que meu cérebro desprovido de boas noites de sono não funciona sem uma lista de tarefas escrita à mão num caderno, que é revista e reescrita diariamente, para que o exercício de reescrever a lista faça com que planeje meu dia mentalmente de acordo com as tarefas pendentes. Já cheguei no absurdo de programar mentalmente uma ida ao banheiro. Ou, para me sentir mais competente, terminar uma tarefa que não estava na lista e escrevê-la ali apenas para ter o prazer de riscá-la fora.

Louca.

Eu sei.

Mas apesar do intrincado quebra-cabeça de tempo que é trabalhar, cuidar de uma casa, de um cachorro e duas crianças pequenas, há uma sensação de tranquilidade na rotina atarefada que eu ainda não sentira. Ok, há o pânico ocasional quando o mais velho resolve fazer uma birra escalafobética de ciúmes enquanto você dá de mamar e começa a chover, e toda a roupa está pendurada no varal lá fora, e a panela do jantar foi esquecida no fogo e está queimando. Mas ainda assim. Talvez seja o silêncio que acompanha as tarefas. Talvez seja a rotina, que, quase imutável, dá ordem ao caos de infindáveis trabalhos.

A verdade é que nunca disciplina foi tão importante para mim e nunca ela me ajudou tanto. Quando parece que há coisas demais a fazer, ainda assim elas são feitas, e de repente não era nada tão grave, e me vejo contente por ter dado cabo de mais uma pilha de afazeres e sei que nesse tempo que restou posso relaxar de verdade, sem me preocupar, abrir uma cerveja e ver Arrested Development com meu marido. Aprendi a duras penas que procrastinação é a pior coisa do mundo. E ainda que às vezes eu seja acusada de não saber gerir meu tempo, pois não consigo largar tudo e ir dormir quando os outros acham que eu deveria, acho que é justamente o contrário: eu priorizo sempre o que PRECISA ser feito em detrimento do que eu QUERO fazer. Uma vez feito tudo aquilo que precisa ser feito, todo o tempo restante é dedicado ao que eu quero. E uma vez que as tarefas que precisam ser feitas são incorporadas na sua rotina, uma vez que você tenha disciplina para sempre priorizá-las, elas deixam de ser um fardo, pois você elimina a escolha, o dilema entre fazê-las agora ou depois. A resposta é sempre: faça agora, tire da frente, não deixe para depois. Acordo às 6h da manhã todo dia, e antes das 8h30, todos já tomaram café, estão vestidos, criança está na escola, já fui à feira, varri a casa, lavei a louça e botei roupa para lavar. Mato tudo o que é tarefa de rotina o mais cedo possível no meu dia, para que no restante do tempo possa intercalar as tarefas extraordinárias com as necessidades das crianças. É menos estressante simplesmente abdicar do tempo para mim enquanto elas estão acordadas. Como Thomas dorme muito cedo (antes das 19h), tenho a noite para relaxar completamente, ler, ver um filme, descansar. Lutar contra as coisas que você precisa fazer, aprendi, é a maior fonte de stress de todas, e totalmente evitável.

Para que tudo funcione bem, e consiga encaixar na rotina as refeições da família, planejamento é sempre essencial. E minha resposta pronta a quem vira para mim e diz que não tem tempo de cozinhar por conta de uma rotina corrida. Se eu tenho tempo, você que tem empregada para lavar sua louça também tem. O que faltou a você foi um planejamento básico. Descobri isso quando um amigo reclamou que não cozinhava porque não tinha paciência para sair do trabalho e passar no supermercado antes de ir para casa para então chegar e cozinhar alguma coisa.

Sejamos francos: sempre que espero sentir fome para decidir o que cozinhar, acabo fazendo um queijo-quente.

Ao contrário do que eu fazia quando morava nos Jardins, atualmente vou à feira (no caminho de volta de deixar Thomas na escola) e ao supermercado uma vez por semana apenas. Antes de fazer essas compras, abro a geladeira e a despensa e faço um inventário mental do que há lá dentro e do que está para estragar e precisa ser consumido mais rapidamente. Uso o eat your books ou uma busca em blogs para rapidamente encontrar algumas receitas rápidas para preparar o que tenho em casa e, se falta algum ingrediente específico ou algo básico de despensa (como leite, manteiga e farinha) já anoto numa lista para dar cabo disso nessa uma visita ao mercado e à feira. Deixo anotadas as receitas da semana, e as leio para ter certeza de que não há nada a ser preparado com antecedência, como deixar feijões de molho. O que posso adiantar num momento de calmaria, adianto (como cozinhar feijões num domingo entediado e deixar congelado em porções menores). Também já me planejo para reaproveitar restos de ontem, como o risotto ou o arroz com legumes feito em maior quantidade para virar arroz de forno amanhã, ou o macarrão para virar fritatta, etc. Dessa forma consigo cozinhar todos os dias e não jogar nada fora. E quando há tempo livre, simplesmente porque curto cozinhar, é quando sai um bolo, um biscoito, um pãozinho, um sorvete, geralmente à tarde, com a ajuda do pimpolho, para distraí-lo.

No fim, a tranquilidade talvez venha da satisfação em cuidar do meu próprio nariz e de minha família, sem depender de ninguém. Ou do fato de ocupar tanto meu tempo com atividades manuais, que têm um ritmo mais tranquilo e contemplativo que ficar no computador, mesmo quando são frenéticas.

A verdade é que sem disciplina, provavelmente iria à loucura. E a disciplina tem me ajudado não apenas a manter a cozinha andando, mas a reincorporar um hábito do qual andava sentindo uma falta brutal: correr. Comecei no domingo, incentivada pelo marido, e agora tenho corrido um pouquinho, dia sim, dia não, à noite, quando ele chega em casa para ficar com as crianças. É um momento bom, de espairecer a cabeça e colocar o corpo para se mexer de outro jeito que não seja carregando criança ou varrendo quintal, e também um momento engraçado da minha rotina, pois correr, assim como cozinhar, é a união perfeita entre uma tarefa que precisa ser feita e algo que quero fazer.

Essas favas brancas com tomate são o exemplo perfeito de uma deliciosa refeição que pode ser feita com antecedência, em várias etapas, para ser reaquecida durante uma semana corrida. Num dia pode deixar de molho as favas e cozinhá-las, congelando para uso posterior. Em outro, pode preparar o molho e deixar o prato montado na geladeira, esperando apenas ir ao forno. Tenho certeza de que pode mesmo ser congelado já quase pronto, indo ao forno apenas para reaquecer e dourar.

FAVAS BRANCAS ASSADAS COM TOMATES
(De um dos meus livros favoritos: Falling Cloudberries, de Tessa Kiros)
Rendimento: 8 como acompanhamento, 6 como principal

Ingredientes:
  • 3 xic. favas brancas, deixadas de molho na noite anterior
  • 1 folha de louro
  • 1/2 xic. azeite de oliva
  • 2 cebolas pequenas, picadas
  • 2 talos de aipo com as folhas mais claras e macias, picados
  • 3 dentes de alho picados
  • 1 lata e meia de tomates sem pele
  • 4 colh. (sopa) salsinha picada
  • 3 colh. (sopa) migalhas de pão amanhecido ou farinha de rosca

Preparo:
  1. Escorra as favas. Coloque-as numa panela com a folha de louro e cubra generosamente com água fria. Leve à fervura. Retire com uma escumadeira qualquer espuma branca que suba à superfície. Abaixe o fogo e cozinhe por cerca de 1 hora e meia, ou até que estejam muito macias. Tempere com sal no fim do cozimento.
  2. Pré-aqueça o forno a 180ºC. Escorra as favas, reservando 1 1/2 xicara da água de cozimento (o restante, pode congelar para usar em caldo de legumes), e coloque-as numa travessa refratária ou assadeira (usei uma panela rasa com tampa que pode ir ao forno). 
  3. Aqueça 2 colh. (sopa) de azeite numa frigideira e refogue as cebolas até que estejam ligeiramente douradas, mexendo para que não grudem. Remova do fogo e junte o aipo, o alho, tomates, salsinha e o restante do azeite. Tempere com sal e pimenta.
  4. Junte a água de cozimento reservada, derrame tudo sobre as favas e misture bem. Cubra com papel alumínio e asse por 45 minutos. Remova o papel alumínio, mexa as favas com uma colher, adicionando um pouco de água se parecer muito seco. Polvilhe com as migalhas de pão e retorne ao forno, sem cobrir, por mais 30 minutos. As favas devem estar muito macias, dourada em cima, e ainda com algum molho. Sirva quente, com um pouco de azeite extra.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Pão de batata da família de molho

Toda família tem uma ou várias histórias sobre o momento fatídico em que todos ficam doentes mais ou menos ao mesmo tempo. Acho que é ritual de passagem, e você talvez só se torne uma família de fato quando todos os seres vivos da sua casa estão expulsando fluidos corporais por orifícios diversos simultaneamente. Todos menos um: a pequena Madame Bochechas, graças a deus, não pegou nada, apesar de ter mantido a expulsão de fluidos corporais como é de costume dos bebês. ;)

Daí que meu remédio para estômagos incomodados sempre foi purê de batata. Às vezes parece que é só isso que desce. Isso e Coca-Cola, mas confesso que não bebia refrigerante há tanto tempo, que mesmo com oito pedras de gelo, não consegui beber meia lata. Sentia-me mastigando um torrão de açúcar. Thomas, que foi o menos afetado, continuou sem saber o que é aquele troço preto da lata vermelha (é coisa de adulto, a gente diz, como pro café e pra cerveja, e ele se afasta rapidinho, balançando o dedinho no ar indicando "não, não").

Mas quando nem o purê era neutro o bastante para o pobre marido, vi-me com uma panela de purê de batata frio, sem destino. E purê de batata requentado do dia anterior não rola. Como não consigo jogar nada fora, no entanto, guardei num potinho na geladeira e, no dia seguinte, já me sentindo melhor, corri a pesquisar o que poderia fazer com o danado.

Pão de batata. Gênio.

Esse pão fica extremamente saboroso e macio além da conta. Você reconhece a batata nele, e o fato de ter usado as cascas faz com que você se lembre remotamente de batata assada. Deliciosa recomepensa depois de dias estressantes.

PÃO RÚSTICO DE BATATA
(do interessante Macrina Bakery and Café Cookbook, de Leslie Mackie)
Tempo de preparo: cerca de 4 horas
Rendimento: 1 pão grande

Ingredientes:
  • 550g batatas (usei 450g de purê que já estava pronto: apenas batatas e sal, amassadas com casca)
  • 1 colh. (sopa) sal (apenas 2 colh. (chá), se estiver usando purê já pronto)
  • 1 1/2 colh. (chá)  fermento biológico seco instantâneo
  • 2 colh. (sopa) azeite de oliva extra-virgem
  • 3 xic. farinha de trigo branca, preferencialmente orgânica

Preparo:
  1. Se não tiver purê dando sopa na geladeira, esfregue e limpe as batatas, corte em pedaços pequenos e cozinhe em água com 1 colh. (chá) de sal até que as batatas estejam macias. Reserve 1/2 xic. da água do cozimento das batatas. Escorra e deixe que esfriem um pouco e sequem por alguns minutos.
  2. Misture a água morna das batatas reservada ao fermento e deixe descansar por 5 minutos. (Se estiver usando o purê da geladeira, misture o fermento à 1/2 xic. de água filtrada, morna). 
  3. Coloque as batatas e o azeite em uma tigela grande e amasse, fazendo um purê, com seu apetrecho de costume. Use as cascas, pois elas dão sabor e textura ao pão.
  4. Junte a água com fermento e misture com uma colher de pau  até que tudo esteja combinado.
  5. Junte a farinha e 2 colh. (chá) de sal e misture bem com a colher. Sove com as mãos por cerca de 10-15 minutos. No início a massa parecerá muito firme, mas ficará mais úmida conforme for trabalhando. Só junte um pouquinho de farinha se a massa estiver tão grudenta que você não consiga manipulá-la com mãos enfarinhadas. Um pouco grudenta está ok. A massa está pronta quando estiver elástica a ponto de você puxar uma parte dela e ela poder ser esticada uns 5cm sem arrebentar.
  6. Coloque a massa numa superfície enfarinhada e forme uma bola. Coloque-a numa tigela untada com óloe, cubra com filme plástico e deixe fermentar por 45 minutos (um pouco mais, se o purê usado estiver muito gelado) até que a massa quase dobre de tamanho.
  7. Devolva a massa a uma superfície enfarinhada e achate-a com as mãos, formando um retângulo. Começando pelo lado mais curto, enrole-a como um rocambole, apertando bem. Pare de rolar quando faltar apenas uma aba estreita. Enfarinhe essa aba e termine de rolar. Isso vai fazer com que essa aba não grude e a massa abra um pouco na hora de assar. Enfarinhe muito bem um pano de prato ou um grande pedaço oy guardanapo de linho (o linho não gruda na massa) e coloque a massa com a aba para baixo. Termine de embrulhar o pão no pano e deixe fermentar em local sem vento por mais 45 minutos.
  8. Coloque a pedra no forno e pré-aqueça a 205ºC durante a fermentação.
  9. Cuidadosamente desembrulhe o pão e role-o para uma assadeira virada ao contrário ou uma pá de pizza muito bem enfarinhada, deixando aquela aba da massa agora para cima. Transfira rapidamente para a pedra quente no forno. Pulverize o forno com água, feche o forno e asse por 5 minutos. Pulverize novamente e asse por mais 40 minutos ou até que esteja dourado e o fundo produza um som oco quando você lhe bater os nós dos dedos. Deixe esfriar numa grade por meia hora antes de consumir.



quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Muffins de painço garantindo que meus filhos vão me odiar um dia

Como alguém que gosta só um pouquinho de cozinhar, é claro que eu fantasiava ansiosamente com lanchinhos de escola. [Doida de pedra.]

Corri atrás de uma garrafinha térmica que fosse de inox por dentro, uma vez que plástico absorve cheiros e sabores e engordura, e alumínio é reativo, e limitaria o uso de ingredientes ácidos nos sucos e chás, a não ser que quisesse meu filho consumindo doses diárias de alumínio em sua limonada. Hmmm... não, obrigada. No fim, minha boa intenção voltou pra me morder na bunda, e ainda que a térmica seja ótima (mantém o chá gelado até o fim do dia, o que a torna excelente pra levar coisas como iogurte), ela vaza quando chacoalhada em qualquer posição que não de pé. :P Então eu que estava sendo muquirana e usando a bolsinha térmica de bebê como lancheira e minha mochila de ataque como mochila dele, agora vou atrás de uma mochilinha infantil que tenha um compartimento pra manter a danada da térmica em pé. Fazer o quê? Pelo menos os potinhos de inox com tampinha plástica para levar os quitutes têm funcionado lindamente.

No quesito "cardápio", as escolhas têm sido bem simples, pois Thomas não é um morto-de-fome de manhã; quando mando qualquer coisa maior que dois biscoitos, alguma comida retorna intacta. Isso na verdade tem facilitado minha vida, pois não tenho que seguir o enorme cardápio de lanche que mais parece almoço recomendado pela escola: sanduíche, biscoito, fruta e suco de caixinha. Sou só eu, ou isso lhes parece coisa demais para uma criança no meio da manhã?

De qualquer forma, mando sempre um potinho com algum quitute que ele já tenha comido em casa e gostado, e a térmica com limonada azedinha, laranjada (1 laranja + água), lassi, chá de erva-cidreira, capim-limão, hortelã, vermelho, preto com limão e canela, etc... O que ele não toma na escola, bebe no almoço ou à tarde, uma vez que a temperatura é bem conservada.

Na primeira semana, mandei biscoitos de aveia e passas (da Alice Medrich), uva, manga, barrinhas de cereais caseiras (do Bill Granger) e muffin integral de gengibre e pêssego (da Kim Boyce). Preparei pãezinhos de queijo e congelei (da revista Menu, da qual tenho gostado um bocado), para assar noutro dia quando não tiver tempo de preparar outra coisa, e hoje estou preparando uns pãezinhos de beterraba (da revista Casa e Comida) para fazer sanduichinhos com Catupiry. Ainda tenho um pão de cevada congelado e manteiga com rabanetes congelada para futuros sanduichinhos, e tenho toda uma lista mental de pãezinhos, muffins, biscoitos, barrinhas e bolos para ele levar. Por enquanto estou deixando as frutas de lado, pois ele as come toda tarde em casa, e quero mais é que, nesse período de adaptação, ele associe a escola a suas coisas favoritas.


Não costumo ser paranoica com comida integral e "saudável" no sentido "nutricional" da coisa. Para mim, sendo feito em casa com itens pouco processados, é saudável e ponto, mesmo que seja feito de açúcar, farinha branca e frito. Um doughnut feito em casa é infinitamente menos doce, gorduroso e porcaria do que um comprado pronto, e meu filho não vai comer uma caixa com 9, ele vai comer apenas um. No entanto, tenho fases em que me interesso um bocado por farinhas integrais ou diferentes. Daí que virei piada em casa. E quando digo ao meu marido que Thomas vai levar de lanche lassi de água de rosas e muffin integral de painço, ele imediatamente começa a cantar Killing me Softly e eu tenho certeza de que meus filhos vão me detestar um dia. Com suas térmicas de inox que não são do Bob Esponja, suas mochilas genéricas, seus cabelos cortados em casa e seus muffins integrais de painço. ¬_¬

Este muffin é de um dos meus livros favoritos, Super Natural Everyday, e eles são pouco doces, macios, com o pontilhado crocante de painço. Gostosos assim simples, melhores com manteiga e geleia. Perfeitos para os mais naturebas, pois são integrais e adoçados apenas com mel. Quando disse ao moleque que ele precisaria esperar que esfriassem para comê-los, ele sentou-se na cozinha e pôs-se a esperar, ansiosamente. :)

MUFFIN INTEGRAL DE PAINÇO
(do livro Super Natural Everyday, de Heidi Swanson)
Tempo de preparo: 30 min
Rendimento: 12 muffins

Ingredientes:
  • 2 1/4 xic. (280g) farinha integral fina
  • 1/3 xic. (30g) painço descascado cru
  • 1 colh. (chá) fermento químico em pó
  • 1 colh. (chá) bicarbonato de sódio
  • 1/2 colh. (chá) sal
  • 1 xic. (225g) iogurte integral caseiro
  • 2 ovos grandes, orgânicos
  • 1/2 xic. manteiga derretida, ainda quente
  • 1/2 xic. mel
  • casca ralada de 1 limão siciliano
  • 2 colh. (sopa) suco de limão siciliano

Preparo:
  1. Pré-aqueça o forno a 205ºC e unte 12 cavidades de uma forma de muffins com manteiga (alternativamente, use forminhas de papel, sem untar). 
  2. Misture os ingredientes secos com um batedor de arame numa tigela grande. Em outra tigela, misture todos os ingredientes líquidos até que fique homogêneo.
  3. Misture os líquidos aos secos com uma espátula, apenas até que não se veja mais farinha. 
  4. Divida a massa entre as forminhas, preenchendo praticamente toda a cavidade. Leve imediatamente ao forno por cerca de 15 minutos, ou até que estejam dourados. 
  5. Deixe que esfriem na forma por 5 minutos, então desenforme com a ajuda de um talher e deixe que terminem de esfriar apoiados na diagonal nas próprias cavidades (como na foto); isso ajuda a manter a parte de baixo dos muffins ligeiramente crocantinha. 

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Pesto de couve para comer coisas verdes

Para quem torcia contra e estava ansiosamente esperando o momento em que meu devorador de tudo o que parece comida (e outras coisas que não parecem) entrasse na fase do não gosto e não quero, saiba que esse momento chegou. Na verdade há já algum tempo, bem uns dois meses, quando começou a recusar todos os seus pratos favoritos (menos macarrão com molho de tomate) e desenvolveu uma cisma com tudo o que é verde. Se ele visse qualquer pedacinho maior de salsinha grudada no seu arroz, lá iam seus dedinhos cuidadosos separar a erva ofensiva do seu jantar, jogando-a para fora do prato com muito alarde.

Mesmo o truque de picar muito bem coisas como espinafre não estava dando certo. Foram muitos almoços frustrantes, muita birra e muita comida jogada fora (ou para o cachorro, que adorou a fase sem apetite do pequeno).

Qual não foi minha surpresa então quando, depois de recusar arroz com tomate e ervilha (super kid friendly), ele raspou seu prato de crepe de beterraba com recheio de espinafre e mozzarella! Eu tinha certeza de que, no máximo, ele comeria os cubinhos de queijo e a massinha cor-de-rosa, e nunca imaginei que chegaria perto daquele emaranhado de enormes e inteiras folhas de espinafre refogado, aquele recheio verde-escuro e totalmente vegetal para o qual mesmo alguns adultos estragados olhariam torto.

Mas comeu. Com gosto.

Ele anda recusando o pãozinho com manteiga de manhã. Não quer saber de banana. Detesta batata cozida. Mas chamei-o para ligar o botão do processador enquanto fazia pesto de couve, o que sempre o deixa contente, e, de farra, dei-lhe a espátula cheia de pesto para lamber, como se fosse massa de bolo. Para meu espanto, ele lambeu, roubou a espátula de minha mão e ficou emitinho "hummmms" e "nham-nhams" enquanto devorava o resto. No macarrão, ele raspou o prato. E essa foi a primeira vez em que ele comeu couve, sempre recusada por sua aparência e textura.

É preciso lembrar de que se por um lado os pimpolhos decidem não gostar mais de algo que adoravam, nos deixando loucas, por outro, podem começar a gostar de algo que detestavam, o que é ótimo e me faz acreditar que realmente é bom continuar colocando no prato deles mesmo os itens que eles nunca comem. Um dia, quem sabe, eles decidem comer o espinafre e gostar de couve. Também me dei conta de que só porque ele não gosta da aparência ou da textura de algo, não quer dizer que não vá apreciar o sabor. E, por fim, que criança é movida à novidade (e quem não?), e ele provavelmente estava mais do que entediado pela miríade de fritattas e stir-fries que eu andava servido a ele. Tanto, que a quiche de milho e alho-poró foi devorada, assim como o soufflé de cenoura e cominho. E a manga e a uva no lugar da banana de sempre.

E eis que tenho de volta meu cavaleiro devorador, mas agora devorador de coisas verdes. ^_^

Ainda falta o alface, no entanto. :P

Este pesto de couve encontrei num blog lindo que sempre me dá vontade de correr para a cozinha: A Cozy Kitchen. Ele é fácil e delicioso; o gosto da couve não fica mascarado pelos outros ingredientes, mas tenho certeza de que se pode substituir o pistache, tão caro por essas bandas, por outra castanha mais em conta, sem grandes prejuízos.

FUSILLI COM PESTO DE COUVE-MANTEIGA
(daqui: http://acozykitchen.com/kale-pesto/)
Tempo de preparo: 20 minutos
Rendimento: cerca de 1 xícara (suficiente para 4-6 porções)

Ingredientes:
  • 250-300g couve manteiga, sem os talos, picada
  • 1 dente de alho
  • 1/3 xic. pistache sem sal, sem a casca e ligeiramente tostado na frigideira
  • suco de 1 limão pequeno (tahiti ou siciliano)
  • 1/3 xic. queijo parmesão ralado
  • 1 pitada de pimenta calabreza seca
  • 1/4 xic. azeite de oliva
  • sal
  • 1/2 xic. água do cozimento do macarrão
  • Fusilli (100g por pessoa)

Preparo:
  1. Cozinhe a couve em água salgada fervente por alguns minutos, até que esteja macia. Escorra, deixe esfriar um pouco e seque em panos de prato ou num secador de saladas, para retirar bem o excesso de água. 
  2. No processador (ou no pilão), bata o alho e o pistache até formar uma farofa fina. Junte o suco de limão e a couve, e processe novamente até que a couve esteja moída bem miudinha. Junte o queijo e a pimenta e processe mais uma vez. 
  3. Acrescente o azeite aos poucos, processando até formar uma pasta mais ou menos homogênea. Tempere com sal a gosto, se necessário.
  4. Cozinhe o macarrão (preferencialmente fusilli), que aderem melhor ao molho pesto). Reserve 1/2 xic. da água com o amido da massa e junte ao pesto, diluindo-o.  Escorra a massa e junte ao molho, misturando bem. Sirva imediatamente.


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Biscoito com doce de buriti pra mãe de dois

Você sabe que é mãe de duas crianças quando:
  • Passa 45 minutos brincando com o mais velho de fazer um trenzinho de fricção passar debaixo de duas cadeirinhas infantis verde-limão, enquanto equilibra um bebê de uma semana no ombro. 
  • Pega seu mais velho no colo, sente a blusa encharcar e percebe que não é ele fazendo xixi em você, mas você vazando leite nele.
  • Passa 6 horas ininterruptas com dois choros de timbres diferentes, às vezes intercalados, às vezes em uníssono.
  • Começa a confiar que seu mais velho não vai comer pedras se brincar cinco minutos sem supervisão no quintal, enquanto você dá banho na mais nova.
  • Fica mais flexível com horários e deixa o mais velho ir dormir às 8h da noite, só pra ficar junto da irmã mamando e não ficar com ciúmes. 
  • Se desapega da fantasia de dar de mamar tranquilamente na poltrona enquanto coloca a leitura em dia.
  • Depois de ficar de ombro direito torto de carregar o mais velho de 15kg no colo, fica com o ombro esquerdo torto de colocar a menor, de 4kg, para arrotar, desenvolvendo uma linda postura perfeita e igualmente torta dos dois lados. 
  • Têm a oportunidade de, quando os dois acordam chorando ao mesmo tempo, escolher quem pega no colo primeiro – ganha normalmente quem tem histórico de ser acalmado mais rápido ou quem tem potencial para criar mais problemas caso seja deixado chorando.
  • Calcula 1 hora de trajeto Aldeia – São Paulo, mais 30 minutos de trânsito em potencial, mas esquece dos 45 minutos que levam para trocar as fraldas dos dois, montar malinha com muda de roupas, brinquedo pra distrair, uma banana, garrafa com água, travesseirinho pro carro, agasalho pro caso de esfriar, última mamada de reforço antes de sair e colocar os dois pimpolhos nas cadeirinhas. Não sem antes sair do carro e voltar pra casa três outras vezes pra desligar o gás, fechar a porta da cozinha e pegar a carteira que ficou em cima da mesa. 
  • As duas crianças estão cochilando e você abdica do direito de dormir (enfim) em detrimento de atividades que colocam sua cabeça no lugar e a fazem feliz, como assar biscoitos. (Louca?)
  • Escreve posts de biscoito catando milho no teclado com uma mão só enquanto segura o bebê com a outra e tenta impedir que o mais velho aperte repetidamente o botão de liga-desliga do scanner.
Maternidade, essa coisa linda.

Estes thumbprint cookies ficaram deliciosamente saborosos, com uma textura de derreter na boca. Ao invés da geleia, tradicional, resolvi derreter com um nadinha de água o que sobrara do gostoso doce de buriti enviado pela Cynthia, leitora querida. A combinação ficou perfeita, algo que me lembrou doce-de-leite, mas azedinho, e precisei esconder o pote de biscoitos do Thomas, que cavocava o doce, lambendo os dedos, e comia o biscoito depois. Pode-se usar qualquer outro doce (goiabada?) derretido com um nadinha de água, só para dar consistência de pasta ou geleia firme, ou usar a geleia de sua preferência, ou lemon curd, por exemplo. A massa é bem molinha e derrete rápido nas mãos ao fazer as bolinhas, então sugiro que, assim que começar a ficar cheia de manteiga nas mãos, volte a massa para a geladeira. Pois os biscoitos que fiz primeiro, com a massa ainda gelada, ficaram com o formato mais bonito, enquanto as outras espalharam mais.

THUMBPRINT COOKIES COM DOCE DE BURITI
(do ótimo e fofo Miette, de Meg Ray)
Rendimento: a receita diz fazer 36 biscoitos de 5cm, mas consegui mais do que isso. 

Ingredientes:
  • 1 1/2 xic. farinha de trigo
  • 1.4 colh (chá) fermento químico em pó
  • 1/4 colh. (chá) sal
  • 3/4 xic. (170g) manteiga sem sal, em temperatura ambiente
  • 1/2 xic. açúcar cristal orgânico
  • 2 colh. (chá) extrato natural de baunilha
  • 1/4 colh. (chá) extrato natural de amêndoas (ou licor de amêndoas)
  • 1 ovo grande, orgânico
  • 1/2 xic. doce de buriti derretido com algumas colheres de água, com consistência de pasta, oua geleia sem sementes de sua preferência

Preparo:
  1. Peneire numa tigela a farinha, o fermento e o sal.
  2. Na tigela da batedeira, bata a manteiga, o açúcar e os extratos em velocidade média até que fique pálida e fofa, cerca de 5 minutos. Pare a batedeira e raspe as laterais com uma espátula. 
  3. Junte o ovo e bata em velocidade média até que esteja bem misturado.
  4. Junte os ingredientes secos e bata em velocidade baixa apenas até que não se veja mais farinha. Leve a massa à geladeira, embalada em filme plástico, por no mínimo 1 hora e no máximo 2 dias. 
  5. Pré-aqueça o forno a 180ºC. Forre duas assadeiras grandes com papel-manteiga ou silpats. Use uma colher de chá para retirar bocados de massa e forme bolinhas do tamanho de uma bola de gude grande. É melhor que as bolas fiquem mais altas que largas. Coloque-as nas assadeiras, com 5cm de espaço entre elas. (Se a massa estiver mole, volte-a à geladeira antes de assar.)
  6. Asse por 12-14 minutos, ou até que estejam ligeiramente douradas.
  7. Imediatamente use a parte de trás do cabo de uma colher de pau, ou qualquer outro instrumento, para pressionar buracos sobre os biscoitos ainda quentes, para acomodar o recheio. Imediatamente recheie com 1/4 colh. (chá) em cada biscoito.
  8. Transfira para uma grade para que terminem de esfriar por pelo menos 30 minutos. Uma vez frios, podem ser guardados em pote fechado por até 2 semanas.


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Torta de milho e tomate e o segundo filho é mais fácil

O segundo filho é sim mais fácil. Tanto que jamais pensei que estaria postando uma receita de torta tão rápido após o nascimento de Madame Bochechas. Parecia-me que seria mais fácil simplesmente por você já saber o que fazer, mas ao mesmo tempo isso me soava estranho, uma vez que crianças são diferentes e nem tudo o que funcionou com o primeiro funciona com o segundo, de modo que você vive um dia desafiador e misterioso depois do outro de qualquer forma.

A verdade é que o desafio é mesmo cuidar de uma criança de 1 ano e 10 meses. Eles correm alucinadamente, fazem bagunça, birra, gritam, riem, brincam, choram, querem ver o que você está fazendo, querem participar, querem eventualmente fazer também o que você está fazendo, e exigem muito mais força física, disposição e disponibilidade de tempo e paciência do que um recém-nascido. Ainda na maternidade ficava olhando para a pequena, completamente embasbacada com o fato de que bastaria dar de mamar e trocar fralda, que o resto do tempo ela estaria dormindo.

"É isso mesmo?", perguntei ao meu marido, desconfiada. "Parece tão simples..."

É engraçado como essa simplicidade pareceu o fim do mundo quando foi a vez do Thomas. Comparativamente, também, olho para o pimpolho e vejo já um adolescente. Tão grandes suas mãos, seus pés, tão comprido ao vê-lo dormindo em sua cama, tão incrivelmente pesado ao pegá-lo no colo, depois de 3 dias de hospital apenas apanhando meus quase 4kg de bochechas de nenê. Quanto Thomas está pesando? 13kg? 15kg? Parecem 50kg, depois de ficar com Laura no colo por meia hora, tão levinha.

Mas por enquanto as coisas estão razoavelmente tranquilas, e meu único problema é mesmo o sono. Pois, como já comentei por aqui, posso ficar sem comida numa boa (por incrível que pareça), mas privação de sono me torna a pessoa mais explosiva e ranzinza da face da Terra. Quando colocada para dormir, Laura embarca um sono longo e profundo. Mas justamente na mamada da noite, ela parece querer fazer pirraça: mama um peito, adormece; coloca para arrotar, acorda, mama o segundo peito, arrota e faz cocô; você troca a fralda, e ela faz xixi no trocador e molha a roupinha; você limpa, troca, e nisso ela já está completamente desperta – sem chorar, apenas acordadíssima – e no que você tenta colocá-la para dormir, ela se recusa – quer mamar de novo; você dá de mamar, ela adormece no seu colo; assim que coloca no berço, você ouve o distinto som de ela sujando as fraldas de novo. ¬_¬

O processo de colocá-la para dormir à noite tem durado cerca de duas horas e meia. Quando ela não resolve fazer esse circo todo de madrugada também. E o pimpolho número 1 continua acordando às 6 horas da manhã.

Benzadeus que durante o dia as coisas mais ou menos se acalmam, mas ainda não consegui a tão sonhada intersecção de sonecas dos dois filhos para que eu também possa dormir de dia. Logo, mato meu tempo de soneca de nenê e desenho animado de criança escrevendo post de torta de milho e tomate. Para não surtar de sono.

Essa torta é ainda mais fácil que o segundo filho, tem gostinho de verão, e tem sido ótimo fazer esse tipo de prato com a ajuda do filhote, que fica extasiado de ligar o processador para misturar a massa, juntar os pedacinhos com as mãos e abrir com rolo. Fica experimentando da massinha crua e ajudando a polvilhar farinha sobre a bancada, e nisso mamãe consegue preparar o jantar sem precisar colocar mais um dvd pro rapaz assistir. De quebra, participando do processo todo, de abrir a massa a colocar e tirar a torta do forno, ele consegue entender exatamente o que é aquela comida colocada em seu pratinho, e já vi que o interesse dele pela refeição aumenta exponencialmente.

TORTA DE MILHO E TOMATE
(adaptada da falecida revista Gourmet)
Rendimento: 8 fatias

Ingredientes:
(massa)
  • 240g farinha de trigo
  • 160g manteiga sem sal, gelada
  • 80g água gelada
  • 1/2 colh. (chá) sal
  • pimenta-do-reino moída na hora
(recheio)
  • 1 1/2 xic. grãos de milho verde (de 3 espigas)
  • 2-3 tomates para salada, não muito maduros
  • 1/3 xic. maionese, preferencialmente caseira
  • 2 colh. (sopa) suco de limão tahiti ou siciliano
  • 1/4 xic. de folhas de manjericão fresco
  • alguns talos de cebolinha, picados
  • 1 3/4 xic. queijo ralado de sua preferência (já usei até fatias de queijo prato, com sucesso)
  • sal
  • pimenta-do-reino moída na hora

Preparo:
  1. Prepare a massa à mão ou no processador, como pâte brisée, embrulhe em filme plástico e leve à geladeria por pelo menos meia hora.
  2. Abra metade da massa com o rolo e forre o fundo e as laterais de uma forma de torta de 22cm, deixando uma sobra de massa para fora. 
  3. Fatie os tomates e disponha metade das fatias no fundo da forma. Polvilhe com metade dos grãos de milho e metade das folhas de manjericão e da cebolinha. Tempere com sal e pimenta. Repita as camadas.
  4. Cubra com metade do queijo. Misture o suco de limão à maionese e espalhe o creme sobre o queijo. Cubra com o restante do queijo. 
  5. Abra a outra metade da massa e cubra a forma. Pince as duas partes da massa para que grudem e dobre para baixo. Finalize pinçando decorativamente com os dedos ou pressionando com os dentes de um garfo. Faça 4 cortes pequenos na superfície da torta, para liberar o vapor.
  6. Leve ao forno pré-aquecido a 205ºC por 30-35 minutos, ou até que a torta esteja dourada e sequinha.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Não tão pequena Madame Bochechas

E é isso aí. Dia 16 chegou minha não muito pequena Laura: 3,8kg, parto normal (afe!). As bochechas da ilustração não fazem justiça ao tamanho real das duas maçãs que ela carrega no rosto e que eu quero apertar e beijar o dia todo. Ela logo se mostra diferente do irmão, que chorava muito – Laura fica acordada, olhos abertos (espremidos pelas bochechas), atenta a tudo, mas surpreendentemente quieta. Mama como se não houvesse amanhã e, depois de ser posta para dormir por um pai muito paciente, capota por horas a fio. Nisso, puxou o matador de dragões.

Hoje é meu primeiro dia completamente sozinha com os dois pimpolhos. Pela folga em escrever esse post, é visível que as coisas estão (por enquanto) mais tranquilas do que eu esperava. Bebê no sling é vida, principalmente quando o cachorro, carente de atenção, quer brincar, e o filho de 1 ano e 10 meses, também carente de atenção, também quer brincar.

O que torna tudo mais doce e o sono tolerável, é meu também não tão pequeno cavaleiro ítalo-germânico, que agora, em comparação à irmã caçula, parece já um adolescente, tão grande, tão indepentente. Levado pelos avós à maternidade, sem que ninguém lhe dissesse nada a respeito do que aconteceria ou de quem iria enfim conhecer, surpreendeu a todos quando caminhou em minha direção, bracinhos esticados para frente, tocou a cabeça da irmãzinha e lhe deu um beijo e um afago. E desde então, sempre que a vê no meu colo, quer brincar também de segurar essa coisinha pequena, e senta-se comportado no sofá ou no chão, estica os braços e pede para segurá-la. Um vez em seu colo, abraça a pequena desajeitadamente, tasca-lhe um beijo e sossega. É curioso para vê-la dormir no berço, e já aprendeu a fazer o sinal de silêncio quando ela dorme, levando o dedo indicador em riste contra os lábios.

Agora é criar alguma rotina  novamente, e descobrir como fazer tudo com os dois mais o cão, como ir ao mercado, como arrumar a casa, como, eventualmente, pintar. Enquanto isso, o blog fica aqui um pouco paradinho, pois da cozinha só sai gororoba rápida. Volto em breve. Obrigada a todos pelos votos de uma boa hora e por todo o carinho com relação ao assunto "maternidade solitária". Com certeza sinto-me incrivelmente bem acompanhada por todos vocês. :)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Quibe de ricotta e malte e uma cabeça bagunçada

Escrevi e apaguei o texto desse post um milhão de vezes. Um texto de introdução para um quibe vegetariano. Pode? Pode. Minha cabeça está em outro lugar. Totalmente.

Está na pimpolha agitada dentro de mim, pronta para vir, só esperando começar a ser espremida para fora. Porque me disseram que pode vir uma semana antes, e eu fiquei ansiosa. Porque me disseram que as contrações podem ser mais leves na segunda vez, e eu, que estava até agora tranquila esperando as mesmas dores do Thomas, agora fico confundindo contração com indigestão.

Está no pimpolho que mês que vem começa a escola pela primeira vez, e eu fico paranóica achando que a pequena nascerá antes que eu possa ir comprar o uniforme, e que não há nada pronto, e que ainda não achei a térmica que eu queria para ele levar o lanche, e que não sei como será ter outro ser humano, fora de minha família direta, cuidando da minha cria.

Está na minha dificuldade de encontrar com quem trocar figurinhas, porque maternidade virou essa competição louca de quem está certa e quem está errada, e não existe mais uma troca saudável de experiências diferentes, e não existe mais meio termo. Ou você é totalmente moderninha ou totalmente natureba. E parece que estamos todas nos esgoelando para estarmos certas, seguirmos as técnicas corretas, mostrarmos que nossos filhos serão melhores que os dos outros porque nós fazemos escolhas melhores, ao invés de simplesmente seguirmos nosso instinto e fazermos o melhor possível para aproveitar cada fase das crianças enquanto elas ainda são crianças. E trocarmos figurinhas. E abrirmos nossa mente para outras opções e possibilidades que podem advir de uma conversa saudável com pessoas que fazem diferente de você. Foi libertador dar o braço a torcer durante esses quase dois anos de maternidade, e ver que as teorias que eu tinha firmes em mim nem sempre estavam certas. Pelo menos não para mim e não para o meu filho. E eu dei açúcar ao Thomas antes dos dois anos, e ele usou fraldas descartáveis, chupou chupeta, vê desenhos animados para eu poder trabalhar, come ketchup Heinz com sua fritatta orgânica de talos de espinafre e está indo à escola antes dos três anos.

Sinto que, de modo geral, as mães hoje em dia estão muito radicais e muito na defensiva. E isso só torna a experiência de ser mãe uma coisa extremamente solitária. Principalmente para alguém como eu, cuja irmã, cunhada e amigos mais próximos ainda não têm filhos. E eu já estou no segundo. E acabo tentando trocar figurinhas internet afora ou com mães de parquinho, e me vejo com medo de contar qualquer coisa, dividir qualquer dificuldade ou sucesso, medo de ser massacrada.

E minha cabeça não pensa no quibe vegetariano, pensa nisso. Pensa que serei mãe de dois agora. E que queria companhia para o chá com bolo, como vi minha mãe fazer com as amigas durante minha infância, para dividir sem ser (muito) julgada, para compartilhar informações e, de repente, mudar de ideia, ajudar ou ser ajudada.

Para quem também é mãe e já deu uma olhada feia para outra mãe coitada, fica o apelo: sejamos mais companheiras. Lembremos que somos mulheres diferentes, criando seres humanos diferentes em circunstâncias diferentes, e que não há um jeito certo de fazer as coisas que seja certo para todo mundo em todas as instâncias. Sejamos mais tolerantes umas com as outras e não ilhas de sabedoria suprema.

Foi nesse esquema de divisão de informações durante um cafezinho que essa receita de quibe vegetariano caiu nas mãos de minha mãe, há muitos anos atrás, quando eu era estritamente vegetariana e nem peixe comia, o que a enlouqueceu um pouco, pois não sabia o que cozinhar para mim. Fiz apenas duas adaptações à receita: a original levava um pacote de sopa de cebola, que substituí por 1 colher (chá) de assafétida (opcional), algumas alteraçõezinhas para facilitar a medida da receita, e usei o bagaço de malte da minha cerveja no lugar do trigo para quibe, por sugestão de minha sogra, que fez o mesmo com uma receita de quibre tradicional, com carne. Tanto com o malte como com o trigo esse quibe fica delicioso, muito perfumado de especiarias, e acho até que se fosse servido a um carnívoro, ele não notaria que não há carne na receita. (Também acho que pode ser moldado como quibezinhos para serem fritos.)

Pimpolho devorou sua porção. E enquanto ele comia, "nham-nham", eu já não pensava no quibe, mas na pimpolha por vir, se ela terá o mesmo delicioso apetite, se será risonha, se será sapeca, se vai saber o que fazer com um giz de cera, ao contrário do irmão, que apanha os pedaços coloridos e brinca de jogar embaixo dos móveis. E penso na escola, no muffin de milho que será provavelmente o primeiro lanche do Thomas, se a professora vai ajudar a colocar o chá no copo, se ele vai desembestar a falar, finalmente. E penso nas mães da escola, se haverá alguma com quem eu me dê melhor, se poderei tomar chá com bolo com ela enquanto nossos filhos brincam juntos.

QUIBE DE RICOTTA
Tempo de preparo: 20 min. + 30 min. de forno
Rendimento: 6 porções

Ingredientes:
  • 1 xic. trigo para quibe (ou 2 xic. de bagaço de malte)
  • 3 batatas médias
  • 1 colh. (sopa) manteiga
  • 500g ricotta fresca sem sal
  • 1 cebola grande picada
  • 1/2 xic. folhas de hortelã fresca, picadas
  • 1/2 xic. folhas de salsinha, picadas
  • 1 colh. (chá) orégano
  • 1 colh.(chá) canela em pó
  • 1 colh. (chá) noz moscada ralada na hora
  • 1 colh. (chá) assafétida (opcional)
  • 1/4 colh. (chá) pimenta-da-jamaica moída
  • 1/4 colh. (chá) cravos moídos
  • sal a gosto
  • pimenta-do-reino a gosto

Preparo:
  1. Se estiver usando o trigo, coloque-o de molho em água por 1 hora. Escorra e reserve. No caso do bagaço de malte, apenas esprema numa peneira para retirar o excesso de líquido.
  2. Cozinhe as batatas até que fiquem bem macias. Amasse com um garfo (com casca mesmo), até virar purê, e junte a manteiga, mexendo até que ela derreta.
  3. Junte a ricotta, a cebola, as ervas frescas e os temperos e misture bem. Junte o trigo ou bagaço de malte, misture bem e acerte o tempero. 
  4. Despeje numa travessa refratária untada com azeite, passe um garfo na superfície, criando listras, e leve ao forno pré-aquecido a 180ºC por 30 minutos, ou até que a superfície esteja bem dourada.

 

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Panettone e arrego


Chegando à reta final do barrigão gigante. Duas? Três? Quatro semanas? Ninguém sabe, pois ao que tudo indica minha pequena justiceira é apressadinha, além de hiperativa (puxou a mãe?). Apesar de, graças aos deuses, não ter inchado ou engordado como no fim da primeira gravidez (benzadeus pela filha ogra, que sugou toda a gordura que pus pra dentro), a pança anda pesando um bocado, uma mão saindo pelo umbigo, outra empurrando minha bexiga, um pé no externo e outro nos meus pulmões. Não tenho fôlego mais para coisa nenhuma, e meu marido frequentemente olha para mim com ares de piedade, ao me ver ofegante e suspirante durante o simples ato de abaixar para catar um brinquedo do chão.

É isso. ARREGUEI.
Olha o tamanho da melancia.
E o cabelo bicolor-água-de-salsicha, que não vejo a hora de pintar de castanho de novo.
(Grávida com cara de psicopata, segundo meu marido.)
Por isso, nesse Natal, "delarguei" a ceia. Zero condições de ficar três dias com umbigo no fogão como fiz nos outros anos. Disponibilizei casa e bebida, e comida foi toda trazida pela mãe e pela sogra. E foi uma delícia.

No entanto, agora o tempo chuvoso trouxe temperaturas mais amenas, eu oficialmente entrei em "pré-licença maternidade" [não vou pegar nenhuma encomenda de trabalho, mas continuarei vendendo o que estiver disponível na LOJA] e a pressão da data-limite 25 de dezembro passou. O que restou agora foi a vontade de produzir todos os quitutes que ignorei em dezembro. E se o supermercado pode vender panettone em setembro, por que não posso prepará-lo depois do Natal? (E torrone em janeiro? E panforte em julho? Quem se importa?)

Esse foi uma adaptaçãozinha de nada de uma receita da tia Martha Stewart, e, depois de experimentar essa textura de nuvem, decidi que é esse meu panettone oficial a partir de agora. Se você também não se importa em fazer panettone depois do Natal, faça esse.

Enquanto como minhas fatias (e divido com o pimpolho, fã de frutas secas como a mãe, e que descobriu o figo seco e o tem comido como se fosse chocolate), fico esperando a chegada da pequena ginasta de barriga, e fantasiando com minhas margaritas, meus vestidos de cintura marcada, minha soneca de bruços...

PANETTONE
(ligeiramente do ótimo livro Martha Stewart Baking Handbook)
Rendimento: 1 panettone

Ingredientes:
  • 1 xic. frutas secas (usei uma mistura de frutas cristalizadas, passas escuras e claras)
  • 80ml suco de laranja
  • 80ml  suco de limão siciliano
  • 40ml rum escuro
  • 1/8 colh. (chá) noz moscada ralada na hora
  • 40ml água morna
  • 2 1/4 colh. (chá) fermento biológico seco
  • pouco mais de 2 xícaras de farinha branca orgânica (295g)
  • 1/4 xic. leite integral morno
  • 1/3 xic. açúcar cristal orgânico
  • 2 ovos grandes, orgânicos, + 2 gemas pequenas (ou 1 bem grande)
  • 1/2 colh. (chá) extrato natural de baunilha
  • 90g manteiga sem sal, gelada, cortada em cubinhos (e mais para pincelar)
  • 1/2 colh. (chá) sal cheia
  • 1/2 colh. (sopa) creme de leite fresco

Preparo:
  1. Misture as frutas, os sucos, o rum e a noz moscada, cubra e deixe macerar enquanto prepara o panettone.
  2. Numa tigela pequena, junte a água morna e metade do fermento e deixe descansar por 5 minutos até que espume. Junte 1/4 da farinha, misture e cubra com filme plástico, deixando que fermente e dobre de tamanho por 30 minutos.
  3. Coloque o leite morno numa tigela média e polvilhe o restante do fermento. Deixe descansar por 5 minutos até que espume. Enquanto isso, numa tigela média, bata os ovos, as gemas, o açúcar e a baunilha até que fique homogêneo. Junte a mistura de leite.
  4. Na tigela da batedeira planetária, bata a manteiga gelada, o sal e o restante da farinha, usando a pá, até que forme uma farofa grossa. (Alternativamente, faça isso com as pontas dos dedos numa tigela grande.)
  5. Com a batedeira em velocidade baixa, junte a mistura de ovos e bata em velocidade média até que fique uniforme. (Alternativamente, bata com uma colher de pau.)
  6. Junte a massinha de farinha e fermento e bata vigorosamente até que fique grudenta e elástica, e forme longos fios quando esticada, cerca de 9 minutos. Pode parecer que aquilo nunca vai virar massa, mas vai sim. 
  7. Escorra as frutas cristalizadas, descartando o líquido, e junte-as à massa, sovando para incorporar bem. Coloque a massa numa tigela grande, untada com manteiga, e cubra com filme plástico. Deixe fermentar por cerca de 2 horas.
  8. Unte generosamente uma forma de panettone de 16cm de diâmetro. Alternativamente, use a forma de papel, sem untar, ou faça como eu: use uma forma de bolo de 16cm, unte, e crie as paredes altas com camada dupla ou tripla de papel alumínio bem untado. Coloque a forma numa assadeira. 
  9. Coloque a massa numa superfície ligeiramente enfarinhada e sove um pouco. Forme uma bola e coloque dentro da forma. Cubra com um pano ou filme plástico e deixe fermentar por mais 45-60 minutos. Enquanto isso, pré-aqueça o forno a 205ºC, com a grade na posição mais baixa. 
  10. Pincele a superfície do panettone com creme de leite e, usando uma tesoura de cozinha, faça dois cortes no topo, fazendo um X. Asse por 15 minutos. Reduza a temperatura para 180ºC e continue assando, até que esteja dourado escuro e um palito inserido no meio saia limpo, cerca de 45 minutos. (Fique atento a qualquer cheiro de queimado, para que o fundo não queime. E se a parte de cima dourar rápido demais, cubra com papel alumínio soltinho.)
  11. Transfira a assadeira para uma grade e deixe esfriar por 15-20 minutos. Desenforme o panettone e deixe esfriar completamente. Dura 3 dias bem embrulhado em filme plástico.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Torta com crosta de batata para um dia nhanha

Adoraria postar aqui toda uma linda série de doces e quitutes natalinos. Mas a verdade é que meu cérebro anda focado em simplesmente colocar comida na mesa. No calorão de fim de ano, e por mais uma mão cheia de motivos, ando pensando mais em sorvete que em panetone; mais em salada que em cardápio de ceia.

E daí que num dia cansado, barrigão parecendo querer explodir com bebê fazendo alongamento lá dentro, precisava dar cabo de meio pote de ricotta fresca que iria estragar e batatas que já davam sinal de que brotariam. Benzadeus pelo Eat Your Books, pois o pequeno explorador de lareiras não parou quieto tempo o bastante para que eu pudesse sentar e folhear tranquilamente meus livros em busca de uma receita.

Quando caí nessa torta de abobrinha e ricotta com crosta de batata, fiquei ressabiada. Parecia mais trabalhoso do que eu gostaria e por algum motivo achava que não daria certo. Mas na falta de outra possibilidade, e com medo de deixar que a preguiça botasse a perder bons ingredientes, pus a mão na massa.

A verdade é que foi mais fácil que qualquer espécie de torta que já tenha preparado em minha vida. Em cinco minutos a crosta estava no forno, e enquanto assava, refoguei as abobrinhas. Crosta dourada, foi questão de misturar abobrinhas, queijo, ovo e leite e colocar tudo no forno. Em pouco tempo havia um jantar delicioso e principalmente reconfortante na mesa.

Esse não é um prato para visitas. Pois as batatas tendem a grudar um pouco na forma e você acaba tirando porções meio que despedaçadas, e não lindas fatias. Quero testar novamente, untando com manteiga no lugar de azeite, que acredito que vá tornar a soltura mais fácil. No entanto, mesmo despedaçado, esse é um jantar fantástico: as batatas ficam crocantes e com aquele gostinho de casquinha de batata assada, e o recheio ficou leve, macio e saboroso. Prato que pretendo repetir infinitas vezes.

A receita vem do ótimo livro How To Cook Everything Vegetarian, de Mark Bittman. Recomendadíssimo por conta das boas receitas rápidas para todo dia. Um dos livros que mais uso numa terça à noite depois de muito trabalho. Acabei adaptando pouca coisa do recheio para usar o que tinha em casa: a receita pedia 1 ovo, 1 gema e creme de leite, que substituí por dois ovos inteiros e leite integral; e ao invés de apenas refogar abobrinha, refoguei-a num enorme dente de alho, o que com certeza contribuiu e muito no sabor. Via de regra, uma vez tendo a crosta de batata, tão simples e deliciosa, você pode inventar o que quiser por cima, seguir com seu recheio usual de quiche, apenas reduzindo a quantidade.

Para a crosta, apanhe cerca de 3-4 batatas pequenas (que caibam numa mão entreaberta), lave, descasque e rale na parte grossa do ralador. Esprema e escorra bem o excesso de líquido delas e tempere bem com sal e pimenta-do-reino. Aperte as batatas raladas contra uma forma de torta de cerca de 21cm, untada generosamente com manteiga ou azeite. A camada de batatas deve ser razoavelmente fina. E leve ao forno a 190ºC por 30-40 minutos, até que as batatas pareçam sequinhas e douradas. Então é só colocar o recheio e voltar ao forno por 20-30 minutos, ou até que o recheio pareça firme em volta e balançando ainda ligeiramente no centro. Formas de vidro funcionam melhor, pois você pode ver se as batatas estão queimando ou ainda estão apenas deliciosamente douradas.

Para este recheio específico, refoguei 1 abobrinha pequena, fatiada fino, em alho e azeite, até dourar ligeiramente. Temperei com sal e pimenta e folhas frescas de manjericão. Juntei a 2 ovos, 1 1/2 xic. de ricotta fresca e cerca de 1/4 xic. de leite (meio a olho, pois essa ricotta era bem úmida; a quantidade de leite ou creme vai depender de quanto líquido tem o queijo que você está usando ou o legume). Misturei bem com um garfo, temperei com sal e pimenta e assei na crosta de batata.

Você pode usar o legume que quiser, pode usar leite, creme de leite fresco, qualquer erva e qualquer queijo. Tão bom ter na manga mais uma coisinha gostosa pra fazer rápido e poder botar no forno enquanto saio atrás do pimpolho antes que ele apronte mais uma.


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Pão de leite, forma de pão e menino na cadeira

Antes de qualquer coisa, preciso agradecer a todos que comentaram no post anterior. As experiências diferentes de todos me fizeram analisar e entender melhor o comportamento do pequeno escalador de poltronas. Os pitís continuam, mas ando tentando lidar com eles de formas diferentes e ver o que funciona e o que não funciona. Ter filho é fácil. Criar é outra história.

Porém, não importa quantas duas horas e meia seu filho passe gritando no seu ouvido – você esquece os maus momentos quando o pimpolho vem se agarrar à sua perna, pedindo colo para poder enxergar o que você está preparando de interessante na cozinha. E esquece as birras quando ele se diverte ao ser colocado de pé em uma cadeira para ajudá-la a abrir a massa de torta com o rolo ou sovar pão. E ri ao tentar impedir que o moleque coma toda a massa crua enquanto brinca com ela.

Dá mais trabalho preparar o jantar segurando um garoto desse tamanho equilibrado num barrigão grávido, mas é com certeza mais divertido: vou lhe dizendo os nomes dos ingredientes e contando o que faremos com eles, e ele mantém os olhinhos atentos, as mãozinhas ávidas querendo alcançar cada cenourinha ralada, pedaço de queijo ou mesmo dentes de alho. Mergulha o dedo no sour cream, no leite de coco, na pasta de curry. Vai experimentando de tudo um pouco, se enchendo de orgulho quando mamãe diz que ele está ajudando. E, de quebra, come mais interessado a refeição que "ele preparou".

Mas das suas reações que mais me encantam, minha favorita é ao pão fresco. O pão saindo do forno, exalando aromas, e ele entra apressado na cozinha, sorridente, inspira fundo de um jeito caricato, fazendo careta e barulho, e solta um delicioso e melódico "hmmmmmmmm". E quando vê o pão esfriando sobre a grade, quer tocá-lo. Mamãe diz que está quente, e ele encosta com cuidado na casca dourada, retraindo rápido a mão e dizendo "au!". E repete o gesto, até sentir o calor confortável do pão nas palmas. E inspira novamente, absorvendo o perfume. E se esbalda quando finalmente ganha uma fatia fresquinha com manteiga derretendo por cima.

Esse é mais um bom pão de forma para iniciantes, fácil, perfumado, delicioso, macio mas firme o bastante para aguentar passadelas de manteiga ainda gelada ou recheios de sanduíche mais úmidos. A receita vem de um livro que tenho usado muito, e que foi presente de uma grande amiga que entende por que nunca se pode ter livros demais sobre panificação. ;)

Para quem sempre comenta a respeito da altura do pão, fica a dica da forma: quase sempre que faço pães de forma, uso a chamada "pullman pan", ou forma de "pan de mie" ou pão de miga. Trata-se de uma forma de alumínio mais bojuda, mais curta que uma forma de bolo inglês, mas com quase o dobro da altura. Isso garante que os pães fiquem mais altos, de um melhor tamanho para fatiar e montar sanduíches. Ela também vem com uma tampa, que você pode ou não usar segundo a receita, para que o pão asse exatamente quadrado. A minha comprei fora, durante uma viagem, mas é certeza de que se encontra dela em lojas especializadas ou que abastecem restaurantes. No mais, a boa e velha forma de bolo inglês serve muito bem.

PÃO DE LEITE
(do ótimo How to Bake, de Paul Hollywood)
Tempo de preparo: 3-4 horas
Rendimento: 1 pão

Ingredientes:

  • 500g farinha branca orgânica ou para pães (use farinha comum se não encontrar das outras)
  • 10g sal
  • 25g açúcar cristal orgânico
  • 10g fermento ativo seco
  • 30g manteiga sem sal, amolecida
  • 320ml leite integral morno
  • azeite para sovar

Preparo: 
  1. Coloque a farinha numa tigela grande. Coloque o sal e o açúcar num canto dela e o fermento em outro, para que o fermento não toque o sal diretamente. Junte a manteiga e 3/4 do leite morno. Misture gentilmente com os dedos. Continue acrescentando o leite, um pouco por vez, até que toda a farinha esteja umedecida e você tenha formado uma espécie de massa. Dependendo da umidade do ar no dia, pode ser que você não use todo o leite, ou que precise acrescentar mais – você quer uma massa úmida, mas não enxarcada. Raspe bem com os dedos as laterais da tigela e sove um pouco a massa dentro dela até que forme uma massa macia e rasoavelmente coesa.
  2. Unte ligeiramente a bancada com um fio de azeite e despeje a massa ali. Sove por cerca de 5-10 minutos, até que a massa esteja elástica e com a superfície bem uniforme. Quando a textura da massa parecer macia e sedosa, forma uma bola e coloque numa tigela grande untada. Cubra com um pano de prato e deixe fermentar até que dobre de tamanho, no mínimo 1 hora, no máximo 3, dependendo da temperatura da sua cozinha (menos tempo em dias bem quentes, mais tempo em dias mais frios, sempre tendo 21ºC como temperatura ideal como base de comparação).  
  3. Unte uma forma de pão ou bolo inglês funda com óleo ou manteiga. Retire a massa da tigela, achate-a ligeiramente com os punhos em forma de retângulo e dobre-a como se fizesse um avião de papel, trazendo a metade da direita para o centro, a metade da esquerda para o centro e dobrando uma sobre a outra, sempre selando bem as bordas para que não haja fendas. Role sob as palmas para que fique do tamanho da forma e coloque a massa dentro dela, com a fenda para baixo. Polvilhe com farinha e faça um corte na superfície da massa, no sentido do comprimento. 
  4. Cbra com um pano e deixe fermentar por mais 1 hora, ou até que tenha no mínimo dobrado de tamanho. Enquanto isso, pré-aqueça o forno a 210ºC.
  5. Asse por 25 minutos, ou até que o pão esteja dourado e soe oco quando retirado da forma e batido na parte debaixo com os nós dos dedos. Deixe esfriar completamente sobre uma grade, fora da forma, antes de fatiar.


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

London Cheesecake, dando o braço a torcer

Aí eu estou na cozinha ralando queijo para o macarrão e ouço passinhos saracoteando à minha volta. Na tentativa de não ralar as pontas dos dedos, continuei olhando para o queijo, ignorando a movimentação atrás de mim, envolta de mim, o puxar de mãozinhas na barra do meu vestido. É então que me surpreendo com um sonzinho doce e inconformado vindo debaixo de mim:

"mmm...M-Ma-maaaaaaaaa!!"

E eis que o pequeno devorador de qualquer espécie de queijo finalmente resolveu começar a falar (pouco, mas começou). Numa fase em que ele anda incrivelmente birrento e voluntarioso, com mudanças de humor dignas de Dr. Jeckyll e Mr. Hyde, dando todos os sinais de que já desenvolveu ciúmes da irmã que nem nasceu [isso é possível?? Você que teve o segundo filho enquanto o primeiro tinha menos de 2 anos, por favor me elucide se isso é possível], jamais esperaria que ele resolvesse dar um passinho para frente. Quando muito, sua preguiça vocal era para mim mais um sinal de revolta pelas mudanças por vir, além daquelas que já haviam ocorrido. Afinal, mudar de casa, de cidade, ver menos gente, ver menos a avó, mudar do berço para a cama, e agora ficar sem chupeta (que ele rasgou com os dentes) apesar de todas as coisas boas de sol e quintal e silêncio, foi um baque tão grande que até o penico, que ele usava diariamente no apartamento, ele recusou e ainda não aceitou de volta, até hoje.

O pai que anda ressabiado, pois o moleque entra na cozinha, aponta a geladeira, o cadeirão, o prato de bolo ou qualquer comida que eu esteja preparando para o almoço e solta sonoros "pa-pa! pa-pa!"O que é engraçado, pois nunca nos referimos à comer como "papar", mas já antes de nos mudarmos, ele andava usando essas sílabas sempre que lhe mostrava comida.

Mas a coisa vem em ondas. Há dias falantes e dias de grunhido. Mas a birra, especificamente na hora da soneca da manhã, está sempre lá (falta da chupeta nessa hora, certeza). E quem tem filho que faz birra das feias sabe como isso drena sua energia. Como quando finalmente a criança acalma, você quer dormir, se isolar, recompor os nervos.

Some a isso o barrigão gigante. Gigante, porque a pequena futura justiceira não é tão pequena assim: tudo indica que ela puxou a mãe e pretende nascer já grandalhona e espevitada. Junte mais uma pitada de calor de 31ºC desde as 8 da manhã lá fora.

Não dá. É preciso dar o braço a torcer. É preciso olhar o jardim lá fora, com mato batendo no meu joelho e admitir que não consigo mais podar aquilo com a tesoura, e chamar um tiozinho para fazê-lo por mim. É preciso admitir que entrei na fase grávida-dondoca e chamar minha mãe para vir me ajudar um pouco, com o Thomas, com os passeios do cão, enquanto boto para cima os pés querendo começar a inchar.

É preciso olhar para aquela ladeira até o supermercado, embaixo do sol, e desistir da possibilidade de ir até a loja apenas para um ingrediente faltante. É preciso fazer o que dá, do melhor jeito possível e admitir que não dá para fazer tudo sozinha agora, e não dá para fazer qualquer cheesecake. É preciso fazer o cheesecake que dá, com o que tenho.

E assim busquei alucinadamente uma receita que levasse "apenas" 600g de cream cheese, pois era o que eu tinha, e deus me livre ir até o mercado comprar mais naquele calorão. A limitação, no entanto, mais uma vez mostrou-se frutífera, pois me levou a esse London Cheesecake da Nigella, de um livro que tenho há séculos, mas que vez ou outra acaba esquecido. E agora me pergunto o por quê de nunca tê-lo preparado antes, pois ele é incrivelmente cremoso e delicioso, leva metade do cream cheese das receitas americanas, e ainda por cima converteu o marido, que nunca gostou de cheesecake (razão pela qual não preparo o tempo todo – haja ancas para acomodar um cheesecake inteiro sozinha).

Na hora de acrescentar o sour cream, ao fim do cozimento, a superfície do cheesecake rachou (provavelmente pelo choque térmico, pois o creme estava gelado), fazendo com que o sour cream vazasse para dentro. O bichinho ficou feio, mas o universo é bom comigo e o "acidente" criou bolsões de creme dentro da massa cozida, deixando tudo ainda mais gostoso. Então, se acontecer com você, não se preocupe e não peça desculpas.

Ah, melhor de tudo, esse cheesecake não precisa ficar gelando de um dia para o outro ou por horas a fio para firmar. Pegou temperatura de geladeira, pode comer. Ótimo para grávidas com desejo imediato de cheesecake. ;)

LONDON CHEESECAKE
(Do "antigo" mas sempre excelente How To Be a Domestic Goddess, de Nigella Lawson)
Tempo de preparo: 1h30 + tempo de esfriar e gelar
Rendimento: 1 cheesecake de 20cm (8 porções)

Ingredientes:
(base)
  • 1/2 xic. + 2 colh. (sopa) biscoitos digestivos ou maizena (cerca de 140g)
  • 6 colh. (sopa) manteiga sem sal, derretida ou muito mole
(recheio)
  • 600g cream cheese
  • 1/2 xic. + 2 colh. (sopa) açúcar cristal orgânico
  • 3 ovos grandes, orgânicos
  • 3 gemas grandes, orgânicas (congele as claras para outro uso)
  • 1 1/2  colh. (sopa) extrato natural de baunilha
  • 1 1/2 colh. (sopa) suco de limão (siciliano ou tahiti)
(cobertura)
  • 3/4 xic. sour cream (coloque quase os 3/4 xic. de creme de leite e complete o restante com um splash de vinagre branco ou suco de limão e deixe em temperatura ambiente por pelo menos meia hora)
  • 1 colh. (sopa) açúcar cristal orgânico
  • 1/2 colh. (chá) extrato natural de baunilha

Preparo:
  1. Pulse os biscoitos no processador (ou coloque dentro de um saco fechado e amasse com o rolo de madeira, transferindo depois para uma tigela) até que virem uma farofa fina. Junte a manteiga e misture (no processador ou com um garfo) até que os biscoitos estejam umedecidos.
  2. Transfira a mistura para uma forma de mola ou fundo removível de 20cm e aperte a farofa contra o fundo da forma, usando os dedos ou o fundo de um copo. Leve à geladeira enquanto você pré-aquece o forno a 180ºC e prepara o recheio.
  3. Na batedeira (com a pá, se for planetária), bata o cream cheese até que fique molinho e junte o açúcar. Misture mais um pouco e então junte os ovos e as gemas, batendo mais um pouco e por fim, a baunilha e o limão. Evite bater por muito tempo, para não incorporar ar demais à massa. Você quer apenas que a mistura fique homogênea. 
  4. Retire a forma da geladeira e forre por fora com duas camadas de papel-alumínio, subindo pelas laterais até as bordas. Isso vai evitar que a água do banho-maria entre na forma.
  5. Transfira o recheio para dentro da forma e disponha a forma forrada em uma assadeira de bordas altas. Encha de água fervente a assadeira, chegando até metade da altura da forma e leve ao forno por 50 minutos. 
  6. O cheesecake deve estar com aparência de firme por cima, mas não duro (sequinho ao toque leve do dedo, por exemplo). Apenas o bastante para que você tenha certeza de que a cobertura não vá simplesmente afundar na massa. 
  7. Misture com um batedor de arame o sour cream, o açúcar e a baunilha. Retire a assadeira com o cheesecake do forno e derrame o sour cream por cima. Volte o conjunto ao forno por mais 10 minutos. 
  8. Retire a assadeira do forno e, com cuidado, retire a forma de dentro da água, colocando-a numa grade para esfriar. Quando tiver esfriado completamente, leve à geladeira. Quando estiver gelado, pode desenformar.


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Spekulatius de infância

Estava totalmente sem inspiração para os docinhos de Natal, mas com o primeiro domingo de advento, baixou o santo biscoiteiro e fiquei com vontade de tentar mais uma vez Spekulatius. Há anos que busco uma receita "definitiva", pois todos os anos o veredito é sempre o mesmo por parte do marido: "ficaram ok, mas não ficaram iguais àqueles das velhinhas alemãs". Num ponto em que eu já vinha desistindo, e assando biscoitos diferentes nessa época do ano, só para evitar a comparação, e sabendo que, de qualquer forma, ganhamos vários pacotinhos dos mesmos no dia de Nikolaus.

Sequer tinha intenção de postar essa receita aqui, pois abrir e cortar a massa foi uma chateação nesse calor, e os biscoitos não ficaram com aquela "perfeição bloguesca". Mas quando seu marido larga o video-game e levanta do sofá para abraçá-la e agradecê-la por reviver um gosto de Natal de infância, acho que é um sucesso que merece ser dividido. Pela primeira vez na história dos Spekulatius da minha casa, esse não só foi aprovado como repetido e pedido para que seja a receita definitiva de todos os anos.

Vontade de ir até o Brooklin, em New York, e abraçar os caras da Baked, que colocaram a receita no livro. ^_^

Não a preparei ipsis literis, no entanto. Estava sem açúcar mascavo, e substituí pela mesma quantidade de demerara mais uma colher de chá de melaço, para compensar pela umidade do mascavo e também trazer mais à tona aquela acidez e sabor ligeiramente queimado do mascavo. A substituição funcionou bem para mim, pois já havia feito várias receitas com açúcar mascavo e achado que havia algo de forte nessa acidez e nesse queimado que dominava demais. Além disso, o demerara contribuiu para um biscoito final mais crocante, apesar de ter tornado a massa mais frágil na hora de abrir.

Também, por conta do calor e da preguiça suprema, usei o processador ao invés dos dedos para fazer a massa. Da mesma forma como faço com massas de torta, já que o processo é o mesmo: batendo pouco, em pulsos breves, para não mexer demais no glúten da farinha.

Apesar de na hora de espalharem no forno, eles terem ficado meio tortinhos, craquelados onde a massa não estava uniforme, os biscoitos saíram de um belo dourado escuro, bastante crocantes, e de um perfume tão bom de especiarias e laranja, que no dia seguinte a cozinha ainda estava deliciosamente impregnada dele.

(Obs: próxima vez, vou tentá-los como "slice and bake", formando um rolo com a massa e fatiando a massa ainda fria, em dias excessivamente quentes, ao invés de abrir com o rolo de madeira.)

SPEKULATIUS (ou Speculaas)
(Adaptado do livro Baked Explorations, de Matt Lewis e Renato Poliafito)
Tempo de preparo: 10 min + 1 hora de geladeira + 15 minutos de forno
Rendimento: de 24 a 36 biscoitos, dependendo do tamanho e formato dos cortadores

Ingredientes:
  • 1 3/4 xic. farinha de trigo
  • 1 xic. açúcar demerara apertado na xícara
  • 1/2 colh. (chá) bicarbonato de sódio
  • 1 1/2 colh. (sopa) canela em pó
  • 1/2 colh. (chá) noz moscada ralada na hora
  • 1/2 colh. (chá) cravos em pó ou moídos na hora, no pilão
  • 1/2 colh. (chá) gengibre em pó
  • 1/2 colh. (chá) sal
  • 150g manteiga sem sal, gelada, cortada em pedaços pequenos
  • 1 ovo
  • 1 colh. (chá) casca de laranja ralada
  • 1 colh. (chá) melaço de cana
  • açúcar cristal para polvilhar

Preparo:
  1. Coloque no processador a farinha, o açúcar demerara, o bicarbonato, as especiarias e o sal e pulse para misturar. (Se estiver fazendo a mão, misture tudo numa tigela com um batedor de arame.)
  2. Junte a manteiga e pulse algumas vezes (ou esfregue com a ponta dos dedos) até formar uma farofa que pareça areia grossa. 
  3. Numa tigelinha, bata ligeiramente o ovo, a casca de laranja e o melaço. Junte à farofa e pulse novamente (ou misture com as mãos), apenas até que a farofa esteja umedecida e começando a formar uma massa grosseira. Junte as migalhas de massa com as mãos. A massa deve estar razoavelmente pegajosa, separando-se fácil em pedaços, mas sem de fato grudar nas mãos. Embrulhe em filme plástico e deixe na geladeira por pelo menos 1 hora.
  4. Forre duas assadeiras grandes com papel-manteiga (eu usei silpat) e pré-aqueça o forno a 180ºC. 
  5. Desembrulhe a massa, divida em duas partes e volte uma das partes, embrulhada, à geladeira. Enfarinhe uma superfície e, com a ajuda do rolo enfarinhado, abra a massa numa espessura de cerca de 6mm. Caso a massa esteja ainda muito dura e quebradiça da geladeira, use suas mãos para achatá-la mais e torná-la mais maleável, e termine com o rolo. Pince de volta com os dedos qualquer pedaço que se separar e polvilhe um pouco de farinha sobre a massa, se o rolo estiver grudando muito.
  6. Escolha cortadores de cerca de 5cm e corte os biscoitos, retirando da bancada com a ajuda de uma espátula e dispondo nas assadeiras, com cerca de 2,5cm de distância entre eles. Junte as rebarbas numa massa só e abra de novo (deixando um tempo na geladeira antes, se necessário), para conseguir mais biscoitos. Polvilhe os biscoitos com açúcar cristal.
  7. Leve a assadeira cheia à geladeira, se o dia estiver muito quente, enquanto abre a outra porção de massa. Asse uma assadeira por vez (a outra espera na geladeira), por 15 minutos, ou até que os biscoitos pareçam sequinhos na superfície e estejam dourado-escuros, girando a assadeira no forno no meio do tempo, para garantir que todos assem por igual. Retire a assadeira do forno e deixe sobre uma grade por 5 minutos antes de retirar os biscoitos com uma espátula e deixar que eterminem de esfriar diretamente sobre a grade. Em pote fechado, os biscoitos sem conservam por 5 dias.
 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Pão de mosto de cerveja (update: bagaço de malte, e não mosto))

Nada como contaminar os outros com sua chatice do faça-você-mesmo.

Dei de presente a meu marido um curso de fabricação artesanal de cerveja, e o homem surtou. Menos de um mês depois, o equipamento cervejeiro jaz aqui em casa e estamos apenas esperando a entrega dos maltes faltantes para iniciar nossa humilde produção. Engraçado é vê-lo agora tendo em relação à cerveja, as mesmas reações que tenho com comida. Certeza de que agora ele me compreende bem melhor.

Ao fim do curso, perguntaram se alguém desejava levar o mosto bagaço do malte, aquela massa de grãos moídos e fervidos de cevada e lúpulo para casa, para fazer pão. Adivinha quem prontamente levantou os dois braços.

Em casa, congelei o mosto bagaço em porções de 2 xícaras cada e saí em busca de alguma receita adaptável. Queria que fosse um pão integral. E era melhor que já tivesse na receita original uma certa quantidade de grãos inteiros, para que eu tivesse noção de quanto mosto bagaço inserir na massa. Acabei encontrando um pão integral de grãos no livro da Kitchen Aid, e foi esse mesmo que adaptei.

O pão finalizado fica muito saboroso, complexo, cheio de texturas, mas ainda assim bastante macio. Perfeito para um sanduichinho de queijo. O pequeno colecionador de folhas secas emitiu um sonoro "hmmmmmmmm" ao sentir o perfume do pão quentinho, e adorou umas fatias com manteiga no café da manhã. Bom mesmo. Porque se o pai se empolgar na cervejaria caseira, sanduichinho com pão de mosto malte vai ser figurinha fácil no lanchinho da escola. ;)

Se você não tiver nenhum amigo fazendo cerveja que possa lhe dar um pouco do mosto bagaço, substitua a mesma quantidade em outros grãos muito bem cozidos (no caso da cevada, ela foi grosseiramente moída antes de ser fervida, então provavelmente grãos em forma de farelo grosso funcionem melhor).

PÃO INTEGRAL COM MOSTO BAGAÇO DE MALTE
(Livremente adaptado do livro Kitchen Aid Best Loved Recipes)
Tempo de preparo: 4 horas
Rendimento: 2 pães de forma

Ingredientes:
  • 1 1/4 xic. água
  • 1/3 xic. mel
  • 1 colh. (sopa) sal
  • 2 colh. (sopa) óleo vegetal
  • 4 1/2 colh. (chá) fermento ativo seco 
  • 1/4 xic. água morna
  • 2 1/2 a 4 xíc. farinha de trigo integral fina
  • 1 xic. farinha de trigo branca (de preferência orgânica)
  • 2 xic. mosto bagaço de malte restante da fabricação de cerveja (ainda úmido)
  • manteiga para untar a forma

Preparo:
  1. Em uma panela, aqueça um pouco a primeira quantidade de água, o mel, o sal e o óleo, mexendo até dissolver. Desligue o fogo. Em outra tigela, ou na tigela da batedeira planetária, dissolva o fermento na segunda quantidade de água morna e deixe descansar 5 minutos até que espume.
  2. Junte os dois líquidos, e acrescente a farinha branca e 1 xic. de farinha integral. Sove com o gancho da batedeira por 2 minutos, ou mexa com uma espátula, até começar a formar uma massa. 
  3. Junte o mosto bagaço. Dependendo da quantidade de água ainda presente no mosto bagaço, você precisará acrescentar mais ou menos farinha integral. Continue sovando com a batedeira em velocidade baixa por 7-10 minutos (ou misturando com uma colher de pau ou espátula), acrescentando mais meia xícara de farinha integral por vez. Assim que a massa esteja remotamente manipulável, pare de juntar farinha. O ideal é que ela esteja mais para o lado grudento do que para o sequinho, ou o pão pode ficar pesado depois de assado. Mesmo que ainda esteja meio dificil de sovar na mão, evite colocar mais farinha: depois da primeira fermentação, o trigo termina de absorver a água extra e a massa fica mais fácil de manipular.
  4. Passe a massa para uma superfície ligeiramente untada de óleo (não enfarinhe). Unte suas mãos de óleo e termine de sovar a massa por um ou dois minutos, formando uma bola. Volte para uma tigela untada, cubra com filme plástico, e deixe fermentar por cerca de 2 horas em temperatura ambiente, até que dobre de tamanho. 
  5. Unte duas formas de bolo inglês com manteiga (o pão solta mais fácil, a meu ver, do que com óleo). Sove a massa na bancada untada para retirar o ar e divida a massa ao meio. Para moldar, forme um retângulo com a massa e dobre uma aba em direção ao meio, como quem faz um aviãozinho de papel. Dobre a outra aba, e depois uma sobre a outra, sempre apertando bem com os dedos as fendas. Feche bem as bordinhas e as pontas e role até que fique no comprimento da forma. 
  6. Coloque os pães nas formas, cubra com um pano ou filme plástico, e deixe que fermentem por mais 1 hora. Faltando um pouco para dar o tempo, pré-aqueça o forno a 190ºC. Polvilhe as superfícies com farinha e faça um corte nas crostas. Leve ao forno por 35-45 minutos, ou até que estejam dourados e, ao serem retirados das formas, façam um som oco ao bater-lhes os nós dos dedos. Retire das formas e deixe que esfriem completamente em uma grade antes de comer ou guardar.

Cozinhe isso também!

Related Posts with Thumbnails