O caminho da simplificação é um caminho sem volta. Quanto mais você simplifica sua vida, mais simples quer torná-la, mais coisas e hábitos você descobre que não são necessários para você. E, conforme vai ficando mais leve, de casa, de corpo, de rotina, de espírito, mais se pergunta o por quê de ter escolhido complicar por tanto tempo.
Esse post não é um desabafo, nem mesmo um "guia prático da simplicidade", mas o único modo que encontrei de fazer com que vocês, que aparecem por aqui há tantos anos, compreendam um pouco do que anda acontecendo em minha mente e em minha vida.
Desde que meu filho nasceu, meu bem mais preciso tem sido o tempo. Quem têm filhos e os cria sem ajuda especializada 24 horas por dia sabe do que estou falando. Assim que o bebê nasce você se dá conta de forma desesperadora de como o tempo passa rápido. De verdade. E, quando a primeira roupinha de recém-nascido vai para a gaveta do "não cabe mais", você se dá conta de que seu filho nunca mais será aquele bebezinho minúsculo de novo, e nunca, nunca em sua vida, você terá uma noção tão exata e dolorosa de que o tempo que passou simplesmente não volta mais.
Simultaneamente, você se vê enroscada numa rotina rígida e louca, completamente à mercê daquele serzinho cor-de-rosa, e, quando ele finalmente resolve dormir, você se vê num empasse: o que eu faço agora? Tomo banho? Entrego aquele trabalho atrasado? Pinto? Leio? Pego email? Durmo? Faço o jantar? Lavo a cozinha? Você terá uma hora exata para fazer algo. O quê, eu não sei. Algo. E depois dessa uma hora, o bebê requererá sua atenção total, então é bom que escolha a coisa certa. O que você precisa fazer primeiro? O que é mais importante para você?
Nesse momento, em que o tempo tão precioso não pode ser gasto levianamente, poderia ter enveredado por caminhos obscuros. Deus sabe que eles passaram pela minha cabeça. Quando, cansada demais, olhei no espelho, deprimida, e pensei: "F*da-se. F*da-se que eu estou gorda. Eu tive filho. Eu posso. Ninguém está me obrigando a ficar magra de novo, e eu estou simplesmente tão cansada. Eu posso. Eu quero ficar na cama e dormir mais meia hora. Ninguém pode me obrigar a ir correr. Eu nem lembro por que que eu gostava de correr, de qualquer forma. Então f*da-se." E imediatamente aquilo me assustou muito. Eu conseguia sentir o momento da virada. O instante trágico em que você desiste. E a roda gira. Para o lado errado.
Eu estava prestes a desistir. Exausta, quis abrir mão de tudo o que era importante para mim. Do meu trabalho, no qual estava quase impossível focar, da minha saúde, pois parecia difícil voltar ao pique que eu tinha antes, da minha cozinha, pois eu não tinha paciência nem para lavar alface, em suma, de mim.
Naquele momento, no espelho, vi nos meus olhos macilentos um lampejo do futuro, e não gostei do que vi. Eu não podia desistir. Mas também não podia continuar dando murro em ponta de faca, tentando uma rotina impossível com variáveis de difícil manipulação. Eu precisava mudar a base das coisas. Precisava simplificar o coração de cada atividade, para que pudesse executar uma manutenção mais rápida e fácil.
A COZINHA
Mudei minha forma de cozinhar. Continuei comprando a cesta orgânica, cerca de 2-3 vezes por mês, e voltando ao supermercado apenas para os básicos, como leite fresco, queijo parmesão, manteiga, café, farinha e algum grão. Mantive minha despensa minimamente estocada. Um cereal por vez. Um feijão por vez. Uma massa por vez. Se havia quinua, não comprava arroz. Se havia arroz, não comprava cevada. Se há spaghetti, nada de lasagne. Mantive a meta de tentar fazer o maior número de pratos sem precisar ir ao supermercado para novos ingredientes, o que acabou se tornando, ao invés de estressante, um interessante processo criativo, gerando pad thai vegetariano de repolho, stir fry de 7 grãos com talos de espinafre, arroz de forno com pepino refogado, e uma miríade de combinações bizarras mas que resultaram em jantares gostosos, baratos e nutritivos.
A restrição de ingredientes, que parecia opressora quando comecei, tornou-se libertadora, pois ainda me rendeu mais tempo, economizando as idas ao supermercado. Sem falar na economia financeira, uma vez que tenho conseguido alimentar 2 adultos e 3/4 (Thomas come 3/4 de porção de adulto) por menos do que antes eu gastava apenas com meu marido e eu.
Além disso, revi minha rotina. Vi-me muito tentada a voltar aos feijões em lata, caldo em cubo e outras praticidades, até inventar o "dia do processamento". Terça-feira, o dia em que a cesta chega, é oficialmente o dia de processar alimentos. Lavo tudo o que tem que ser lavado, separo raízes de folhas comestíveis, acondiciono tudo em potes devidamente fechados na geladeira, e separo as aparas. As aparas vão imediatamente para a panela com água e temperos para virarem caldo de legumes. Pouco, assim, 1 litro, que será congelado em 2 potes de 500ml, o suficiente para umas duas sopinhas ou um risotto da semana. Ao lado da panela do caldo, borbulha a panela do feijão. Qualquer feijão cujo saco inteiro eu tenha deixado de molho na noite anterior e agora cozinha por 1h30 com alguns temperos básicos. Todo o feijão será também congelado em potes equivalentes às latas de feijão, para serem usados quando der vontade. Maços de manjericão viram pesto congelado em potinhos pequenos. Frutas já maduras são descascadas e cortadas e acondicionadas em potes para os lanches do bebê. Abóbora vai para o forno e vira purê, também no freezer, para uso em doces, sopas, pães, o que for.
E assim que em uma manhã eu resolvo boa parte da cozinha da semana, se não do mês, em alguns casos. Dia do Processamento é intenso, mas vale a pena, pois tudo fica à mão, e minha família não perde em qualidade. Desta forma, sobra tempo para preparar um macarrão caseiro, pães (feitos sempre em dobro, para um deles ir ao freezer), bolos, e a pizza de sexta-feira.
A LIMPEZA
Quando Thomas começou a engatinhar, ficou claro, pelas manchas cinzentas de suas roupas, que não seria mais possível deixar a limpeza pesada apenas para o fim de semana. Mas o aspirador de pó me irritava um bocado, por seu peso, seu barulho, seus tubos desencaixando em baixo do sofá, seu fio enroscando nas pernas das cadeiras, seu plug precisando ser mudado de tomada três, quatro vezes. Aposentei-o, então. Troquei o aspirador pela boa e velha vassoura, silenciosa, rápida, não-dependente de energia elétrica, e vi que levava muito menos tempo para varrer a casa do que para aspirá-la. Além de tudo, economizava nos sacos de aspirador, sempre entupidos de pêlos de cachorro.
Mas apenas isso não bastava. Era chato tirar o pó. Era chato mover os objetos para passar pano no chão e nos móveis. Por quê? Porque as coisas estavam fora de lugar, e porque havia simplesmente... coisas demais.
Comecei um processo longo de limpeza dos armários e estantes, dentro e fora, doando e jogando fora sem dó itens sem uso, coisas que guardávamos para eventualidades ou porque alguém nos havia dado, papelada, livros, cds e dvds, materiais de arte, roupas, revistas, objetos decorativos, louças, produtos de limpeza, toalhas, o que fosse. Não foram poucas as vezes em que me deparei com objetos e pensei "Nossa, não sabia que eu tinha isso!". Aos poucos fui conseguindo mais superfícies limpas, ao guardar objetos importante dentro dos armários antes ocupados por tralha.
Esvaziei os arquivos de toda a papelada velha, de mais de 5 anos, e todos os manuais, notas e garantias de equipamentos que nem temos mais, ou cujas garantias já expiraram, tornando os arquivos da casa mais leves, limpos e organizados, facilitando seu uso.
Deixei no meu armário apenas minhas peças de roupa favoritas, em bom estado e que me servem. Hoje não tenho mais do que umas 10 blusas para o ano inteiro, 1 calça jeans, 2 vestidos de inverno e 2 de verão, 1 short jeans, 3 saias, 1 jaqueta e 2 casacos, 1 sapatilha, 1 sandália, 2 saltos altos, 1 coturno, 1 bota de trilha, 1 tênis de passeio e 2 tênis de corrida. Roupa de ginástica, que seca rápido, só o bastante para 1 semana. O armário ficou fácil de organizar, todas as roupas cabem dobradas com folga nas gavetas, eu sei exatamente o que tenho e visto minhas peças favoritas todos os dias. O processo de lavar roupa, pendurar, tirar do varal, dobrar e guardar, ficou mais simples agora que há menos peças. Eu já havia feito isso com toalhas e lençóis quando nos mudamos: apenas 2 peças; enquanto usamos uma, a outra está lavando.
Minha escrivaninha, agora, é uma bancada limpa, apenas com o computador, o scanner e três canecas com pincéis. Mal tenho de mover nada para limpá-la, o que torna o processo muito mais rápido. Isso foi acontecendo, devagar, com toda a casa. Para facilitar, antes de dormir, guardo os poucos brinquedos do Thomas dentro do chiqueirinho, recolho sapatos espalhados, levo copos para a cozinha, papéis no reciclável, enfim, guardo tudo o que deve ser guardado, para que no dia seguinte seja simples varrer e limpar em não mais que cinco minutos.
Minha casa nunca esteve tão limpa.
E minha mente nunca esteve tão leve.
A TECNOLOGIA
Quando Thomas dorme, corro para o computador para trabalhar enlouquecidamente. Com apenas dois cochilos por dia, é esse o tempo que tenho para trabalho focado: 2 horas. E é bom que eu aproveite esse tempo. Para não me distrair, desliguei o aviso sonoro de chegada de emails e nem abro meu navegador, Twitter incluso. Desligo meu celulgar. Deixo a secretária eletrônica atender os telefonemas de casa (que quase não existem, uma vez que as pessoas parecem só usar mensagens de texto de celulares para se comunicarem agora). E essas duas horas são mais produtivas do que dias inteiros de trabalho meu em outras épocas. E minha mente é focada e calma. E quando Thomas acorda, eu não me sinto exausta, mas pronta para lhe dar atenção, um lanche, um carinho, ensinar uma brincadeira e deixá-lo explorar o mundo de nosso apartamento enquanto faço o almoço ou penduro a roupa.
Então, enquanto ele saracoteia ao meu lado no quarto, derrubando meus livros da estante, eu ligo o email, o Twitter, o celular. E o que começa divertido fica irritante. Quero escrever um texto para o blog, e o celular toca. Levanto para apanhá-lo na sala. Número que eu não conheço. Não atendo. É sempre telemarketing. Volto para tentar escrever. Uma janelinha do Twitter aparece, com o update de alguém. Clico. Alguém comentando que está chovendo. Conversa de elevador. Um link para uma petição que as pessoas vão assinar sem ler, apenas para se sentirem engajadas. Uma foto de um gatinho de chapéu. Onde eu estava mesmo? Ah, é, escrevendo um texto. Deixe-me ler do começo, porque perdi minha linha de raciocínio. Mas antes, peraí, vou ver se o cliente mandou email. "Receber emails". Nada. "Receber emails". Nada. Deixe-me clicar de novo, vai que ele mandou agora. "Receber emails". Opa! Chegou um! Propaganda de relógio falsificado. Falando em relógio, deixa eu ver aquele outro blog tinha aquele texto que eu não terminei de ler ontem. Ó, interessante. Tem esse link aqui para outro texto de referência. Deixa eu abrir em outra aba. Ah, tem um video, também. Enquanto ele carrega, deixa eu ler esse outro. O que é que eu estava fazendo mesmo?
Chega.
Basta.
Se eu não consigo mais fazer meu trabalho sem um computador, que ele seja um mecanismo de produção, de criação, e não de distração. Distração sem sentido, sem foco. Meu tempo é precioso demais, e enquanto eu vejo fotos de gatinhos de chapéu, poderia estar lendo um livro, escrevendo um, pintando, cozinhando, brincando com meu filho, fazendo cafuné no cachorro. Todas atividades mais edificantes e satisfatórias do que comentar sobre a chuva no Twitter.
Voltei para o Twitter pois percebi que só tinha contato com determinadas pessoas através dele, e hoje me dou conta de que caí na mesma pegadinha do Facebook. Se você só tem contato com essas pessoas pelo Twitter, então elas NÃO SÃO SUAS AMIGAS. Amigo telefona. Amigo chama para uma pizza em casa. Amigo sai pra tomar cerveja. Amigo que mora fora visita quando vem pro Brasil. SEM EXCEÇÕES.
Fiquei preocupada quando uma amiga saiu de férias e twittou suas férias
inteiras, com fotos e filmes. Não acredito que ela tenha relaxado, tão
preocupada em mostrar para os outros o que estava fazendo o tempo todo. E fiquei preocupada quando me peguei em vários momentos do dia pensando "uau, preciso tuitar isso!"
Estou, novamente, e definitivamente, desativando o Twitter. Ele ocupa de forma besta um tempo que não volta. E faz você acreditar que está conectado a pessoas quando tudo o que você está fazendo é ficar sozinho olhando para uma tela luminosa, falando para o vazio, esperando aprovação alheia. Assim como todas as redes sociais.
Às vezes esqueço meu celular desligado. Por dias. Algumas pessoas costumavam reclamar disso, mas hoje percebo que as pessoas não telefonam mais. Meus amigos me ligam em casa, porque conhecem minha rotina. Nem cliente liga em celular; apenas emails. Fui ao parquinho com meu filho, pois ele gosta do balanço. Enquanto empurrava-o para frente e para trás, divertida com sua risada, vi um pai alguns balanços à direita, empurrando sua filha com uma mão, enquanto digitava em seu iPhone com a outra. Durante todo o tempo em que ele esteve com sua filha, o telefone recebeu mais atenção do que a criança. Enquanto eu estava no parquinho do clube, meu celular jazia imóvel no meu criado-mudo. Sua principal função, ultimamente, tem sido como meu despertador.
Desliguei minha TV a cabo. Era cara, os programas eram todos repetidos, e frequentemente eu me via abandonada no sofá, vendo o que eu não queria ver, e pensando "não tem nada passando na tv". Substituí a TV a cabo por uma assinatura de filmes entregues em casa. Assim, só assisto ao que eu de fato quero assistir. O resto do tempo, salvo alguma bobagem na MTV, a TV fica desligada. Economizando energia e tornando meu dia mais silencioso.
Menos tecnologia na minha vida tem sido equivalente a mais tempo de qualidade, tanto sozinha, quanto com minha família e meus amigos de verdade. Menos tralha tem tornado o trabalho da casa mais fácil. Menos ingredientes tem tornado a cozinha mais prazerosa. Escolher o "caminho analógico" e supostamente mais longo, na verdade, tem sido o segredo para uma semana mais tranquila e uma rotina menos estressante. E de repente eu tenho tempo novamente. Precioso tempo, para fazer o que é importante para mim.
Não sei onde o blog se encaixa nisso tudo. Ainda não. Tem sido complicado pensar nisso. Por um lado, às vezes me pego querendo dividir com alguém algo gostoso, uma técnica, uma dica. Por outro, não tenho tido vontade de fotografar, transcrever receitas, e tenho tido muito pouca inspiração para os textos. E quando me pego com tempo para escrever no blog, quase sempre acabo escolhendo usar esse tempo para outra coisa.
Se por um lado o feedback positivo é uma delícia e faz bem para o ego, por outro, a cobrança de gente com dedo em riste dizendo que devo me comportar assim ou assado na internet me faz pensar na exposição e no fato de que ninguém me obriga a aturar esse tipo de coisa. Para não ter essa encheção, basta parar o blog, ou bloquear os comentários. Então pego-me pensando que não posso parar o blog, pois tenho muita coisa a falar ainda. Então percebo que não. Não há nenhuma tecla a bater que não tenha sido exaustivamente esmurrada ao longo desses anos. Nas palavras de Michael Pollan: coma comida; coma pouco; principalmente vegetais. E não dá para ir muito além disso. Simplesmente falar da minha vida, do meu filho, do meu cachorro, e reproduzir receitas ipsis literis começou a parecer um mero exercício de exibicionismo e infração de direitos autorais. Não sei mais exatamente qual é o ponto disso tudo, uma vez que eu mesma parei de ler a maior parte dos blogs. Minha lista não tem mais de cinco, entre nacionais (um), internacionais, incluindo de cozinha, cinema e amenidades. Cansei de ler blogs com fotografias fantásticas de pessoas lindas morando em lugares incríveis, que só me fazem lembrar do fato de que a vista da minha janela é cinza e eu não posso comprar pão sourdough numa padaria à beira mar ou colher cerejas no quintal. Ou tentar me atualizar no último meme da semana, para poder rir junto no Twitter quando alguém fizer uma referência a ele.
Não faz sentido.
Tenho escolhido passar a maior parte do meu tempo desconectada, produzindo, observando, ensinando meu pequeno matador de dragões a andar, colocando a leitura em dia, fazendo pão e picolé de manga. Desacelerar minha vida tem sido minha prioridade e a melhor escolha que fiz nos últimos tempos. Correr, passear o cachorro, trabalhar, cuidar do pimpolho, ler, pintar, cozinhar, ver um filme, passar tempo com meu marido. Nenhuma atividade virtual é mais importante do que estas. E não deveria ser para ninguém.
Não quer dizer o fim do blog. Quer dizer uma pausa para reflexão. Minha, de vocês, o que for. Pode ser que alguns de vocês fiquem com raiva de mim e apaguem o blog de seus leitores RSS, de seus favoritos, e o que for. Façam isso. Não tem problema. Não fico ofendida. Podem ser que alguns de vocês se sintam traídos, abandonados. Também não tem problema. Se vocês estão aqui desde o começo e acompanharam toda a trajetória do blog, provavelmente aprenderam junto comigo, evoluíram junto comigo dentro da cozinha, desde o pão do homem elefante até hoje. Então já valeu a pena. Se o blog tinha alguma função, pelos emails e comentários que recebo de vocês, acho que ele já a cumpriu e com orgulho. Podem continuar mandando emails, que tentarei responder a eles da melhor forma possível.
De qualquer forma, recomendo a experiência de se desconectar um pouco a todos vocês. Dêem umas férias às redes sociais. Desligue o celular de vez em quando. Principalmente se for um smart phone ou um tablet, que não passam de mecanismos de stress constante. Não ligue o computador de fim de semana. Leia um livro ao invés de ver TV, mesmo que seja um bem porcaria. Dê um passeio à pé ao invés de pegar o carro. Faça sua massa de torta. Desligue o email enquanto trabalha. Olhe para fora. Olhe para cima. Procure um passarinho numa árvore. Leia menos blogs.
Ou não. Cada um sabe de si.
Caso prefira continuar mais um pouco na rede antes de fazer um chá, fiquem com boas referências para simplificar as coisas:
www.mnmlst.com
www.thezerowastehome.com
E este post específico:
http://inthelittleredhouse.blogspot.com/2012/01/small-start.html
Caso desejem se desconectar e ler um livro, recomendo qualquer um dos quatro (ou os quatro):
The Shallows - What The Internet Is Doing To Our Brains
Alone Together - Why We Expect More FRom Technology And Less From Each Other
The Omnivore's Dilemma - A Natural History Of Four Meals
In Defense Of Food - An Eater's Manifesto
Obrigada a todos. ^_^
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
domingo, 15 de janeiro de 2012
Minha nova massa de pizza favorita
Desde aquele pequeno desafio de ficar um mês em gastar dinheiro (recomendo muito), tenho feito pizza toda semana. De fato, gastar quase cinquenta reais numa pizza não me parece nem um pouco justo, muito menos comer uma pizza ruim só para economizar uns trocados. Fazê-la em casa, então, tornou-se a melhor opção, pois mesmo que você não tenha o gostinho do forno à lenha, o sabor da cobertura compensa, além de toda a questão financeira.
Toda sexta faço uma pizza margherita e uma outra de minha escolha, geralmente pura invencionice advinda do espólio da geladeira. Daí veio a pizza de catupiry com alho e alecrim, a de fontina com pimentão verde e azeitonas, e a de queijo prato com alcaparras e tapenade. Ah, sim, o queijo é uma constante, pois, segundo o marido: "se aparecer pizza de espinafre, eu ligo prá pizzaria e peço uma quatro queijos!" A pizza de espinafre já apareceu (espinafre refogado com ovos quebrados em cima, uma delícia), mas apenas eu comi, deixando a margherita inteira pro enjoado.
De todas as massas que testei, as de fermentação lenta são com certeza as mais deliciosas. Mas como nunca me lembro de começar a massa na quinta-feira, tenho avaliado receitas das mais rápidas. E esta, de um dos meus novos livros favoritos, The Italian Baker, é tiro-certo, principalmente se você tem uma pedra no forno (você pode fazer numa forma, mas não vai ter o mesmo efeito). Foi a primeira pizza que assei em forno convencional que não apenas ficou macia no centro, mas também dourada nas bordas. Uma delícia, e, para a felicidade do marido, ela comporta muito mais cobertura do que as outras receitas que eu vinha fazendo, o que faz dela (ironicamente) uma pizza mais brasileira que italiana.
Recomendo fazer 2 pizzas menores (de 4 pedaços grandes) ao invés de uma pizza de tamanho convencional (8 pedaços), por uma mera questão de praticidade: é bem mais fácil transferir a massa do balcão para a pá e dela pro forno, além de demorar metade do tempo para ficar pronta. Confesso que o hábito das duas pizzas é por pura gula e vontade de ter sobras de pizza na geladeira no dia seguinte, porque para nós, uma apenas já basta. Ou bastava, agora que o pequeno matador de dragões come uma fatia inteira sozinho. Dá pra imaginar quando esse moleque tiver 14 anos?? Tô f*dida. o_O
[E antes que venham me trolando dizendo que em Nápoles é assim ou assado, vamos lembrar que a receita é uma adaptação para forno convencional. Quer fazer como no original, abre na mão, assa em forno à lenha e não me encha os pacová. Com um bambino engatinhando e subindo nos móveis enquanto faço a pizza, ando bastante Nigellesca e não pedindo desculpas por fazer minha pizza na batedeira e meu pesto no processador. Pronto, falei. Se há uma coisa que ter filho fez comigo foi me dar uma incrível sensação de liberdade com relação à minha vida e minhas escolhas. Já plantei árvore, já escrevi livro, já tive filho, pago meus impostos, gosto da minha profissão. Então às favas com quem não gostar de mim. Fué pra você. :P E sim, meu bebê de 9 meses come pizza. Live with that.]
Toda sexta faço uma pizza margherita e uma outra de minha escolha, geralmente pura invencionice advinda do espólio da geladeira. Daí veio a pizza de catupiry com alho e alecrim, a de fontina com pimentão verde e azeitonas, e a de queijo prato com alcaparras e tapenade. Ah, sim, o queijo é uma constante, pois, segundo o marido: "se aparecer pizza de espinafre, eu ligo prá pizzaria e peço uma quatro queijos!" A pizza de espinafre já apareceu (espinafre refogado com ovos quebrados em cima, uma delícia), mas apenas eu comi, deixando a margherita inteira pro enjoado.
De todas as massas que testei, as de fermentação lenta são com certeza as mais deliciosas. Mas como nunca me lembro de começar a massa na quinta-feira, tenho avaliado receitas das mais rápidas. E esta, de um dos meus novos livros favoritos, The Italian Baker, é tiro-certo, principalmente se você tem uma pedra no forno (você pode fazer numa forma, mas não vai ter o mesmo efeito). Foi a primeira pizza que assei em forno convencional que não apenas ficou macia no centro, mas também dourada nas bordas. Uma delícia, e, para a felicidade do marido, ela comporta muito mais cobertura do que as outras receitas que eu vinha fazendo, o que faz dela (ironicamente) uma pizza mais brasileira que italiana.
Recomendo fazer 2 pizzas menores (de 4 pedaços grandes) ao invés de uma pizza de tamanho convencional (8 pedaços), por uma mera questão de praticidade: é bem mais fácil transferir a massa do balcão para a pá e dela pro forno, além de demorar metade do tempo para ficar pronta. Confesso que o hábito das duas pizzas é por pura gula e vontade de ter sobras de pizza na geladeira no dia seguinte, porque para nós, uma apenas já basta. Ou bastava, agora que o pequeno matador de dragões come uma fatia inteira sozinho. Dá pra imaginar quando esse moleque tiver 14 anos?? Tô f*dida. o_O
[E antes que venham me trolando dizendo que em Nápoles é assim ou assado, vamos lembrar que a receita é uma adaptação para forno convencional. Quer fazer como no original, abre na mão, assa em forno à lenha e não me encha os pacová. Com um bambino engatinhando e subindo nos móveis enquanto faço a pizza, ando bastante Nigellesca e não pedindo desculpas por fazer minha pizza na batedeira e meu pesto no processador. Pronto, falei. Se há uma coisa que ter filho fez comigo foi me dar uma incrível sensação de liberdade com relação à minha vida e minhas escolhas. Já plantei árvore, já escrevi livro, já tive filho, pago meus impostos, gosto da minha profissão. Então às favas com quem não gostar de mim. Fué pra você. :P E sim, meu bebê de 9 meses come pizza. Live with that.]
PIZZA ALLA NAPOLETANA
(do excelente livro The Italian Baker, the Carol Field)
Tempo de preparo: 2h
Rendimento: 1 pizza grande, 2 médias ou 5-6 individuais
Ingredientes:
- 1 3/4 colh. (chá) fermento ativo seco (5g)
- 1 pitada de açúcar
- 1 1/3 xic. água morna (abaixo de 60ºC) (320g)
- 1/4 xic. azeite de oliva (55g)
- 3 3/4 xic. farinha de trigo (500g), de preferência orgânica
- 1 1/2 colh. (chá) sal (7,5g)
Preparo:
- Para fazer à mão, misture o fermento, o açúcar e a água numa tigela grande e deixe quieto por 5 minutos, até espumar. Misture o azeite. Junte a farinha e o sal, uma xícara por vez, misturando até remover os pontos de farinha seca. Vire numa bancada levemente enfarinhada e sove até obter uma massa macia, acetinada, mas firme, cerca de 8 minutos. Para fazer na batedeira planetária, junte o fermento, o açúcar e a água na tigela e deixe por 5 minutos até espumar. Com a pá, misture o azeite, e em seguida a farinha e o sal, até a massa ficar coesa. Troque pelo gancho e sove por 3 minutos. Termine de sovar por 1 minuto na bancada levemente enfarinhada.
- Forme uma bola, coloque numa tigela grande untada com óleo, cubra com filme plástico e deixe fermentar até quase dobrar de tamanho, 45 minutos a 1 hora. Enquanto isso, coloque a pedra na grade inferior do forno e ligue no máximo.
- Sove a massa ligeiramente por 1 minuto e abra à mão ou com um rolo, ou divida nas porções desejadas e abra em superfície enfarinhada, até que fique com cerca de 0,5cm de altura, deixando uma borda de uns 2cm.
- Polvilhe uma superfície com farinha de milho, de arroz ou de trigo (as duas primeiras são melhores pois absorvem mias umidade) e coloque os discos de massa ali. Cubra com um pano de prato seco e deixe fermentar por não mais que trinta minutos.
- Passe a massa para a pá de pizza (eu uso um salva-bolos grande, mas você pode usar o fundo removível de uma forma bem grande) e coloque a cobertura desejada (cerca de 1/4 xic. de molho de tomate e uns 200g de cobertura, incluindo o queijo, ou a pizza pode ficar pesada demais para deslizar da pá). Deslize a pizza cuidadosamente para a pedra.
- Se a pizza for grande, coloque-a no forno sem o queijo, asse por uns 10-15 minutos, retire a pizza, distribua o queijo e volte-a por mais 10-15 minutos, para evitar que o queijo queime, assando num total de 25-30 minutos. Para pizzas médias, como a da foto, 15-20 minutos (a minha demorou 15). A pizza está pronta quando a borda está dourada e o queijo, borbulhante. (Cuidado ao comer, aliás, lembre-se de que a pizza está a 250ºC! :P )
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Mais um lapso vegetariano: crostini di fegato di pollo
Não, isso não será uma cena frequente nesse blog, mas eu precisava dar cabo dos miúdos que vieram com os frangos do Natal, e que eu congelara para uso posterior – mesmo porque o marido é bem mais vegetariano que eu, e seria muito difícil reincorporar frango ou outras carnes no meu dia-a-dia. Achei que seria uma ótima oportunidade para colocar em uso receitas que jamais poderia replicar substituindo a carne por qualquer outra coisa, e ao mesmo tempo trazer de volta mais um sabor de infância perdido.
Sim, fígado é um sabor de infância. Até dois dias antes de resolver parar de comer frango, há vários anos atrás, eu saboreara com frequência o patê de fígado de galinha de minha mãe. Sempre apreciei o sabor ligeiramente amargo daquele patê amanteigado, em colheradas gordas sobre pão amanhecido, a qualquer hora do dia.
Mas agora havia apenas dois pequeninos fígados, não o bastante para um patê, e tive de sair em busca de algo para fazer com eles. E lembrei-me de uma receita de crostini de um de meus livros favoritos de culinária toscana. Que maneira fantástica de usar não apenas o fígado de galinha, mas também o pão rústico e já amanhecido que eu preparara de um dos livros que ganhei de Natal de minha mãe: The Italian Baker, lindo, lindo!
O preparo não poderia ser mais simples. Prepare os crostini esfregando um dente de alho na superfície de algumas fatias de pão italiano e pincelando com azeite. Você pode colocar as fatias no forno a 200ºC até que dourem, mas sou totalmente a favor de uma versão rápida, passando-as numa frigideira esturricante, numa grelha ou sob o grill do forno.
Corte em quartos cerca de 100g de fígado de galinha (orgânico!). Derreta 20g de manteiga numa frigideira, junte algumas folhas de sálvia fresca e os pedaços de fígado, cozinhando-os apenas por alguns minutos, até que fiquem cozidos mas ainda cor-de-rosa por dentro (sem vestígios de sangue). Junte 1/2 colh. (sopa) de vinagre de vinho tinto, 1/2 colh. (sopa) de alcaparras pequenas e um punhado de salsinha picada, e deixe reduzir o líquido ligeiramente, tomando cuidado para não cozinhar a carne além da conta. Volte a carne para a tábua de corte e pique finamente. Distribua o fígado e as alcaparras sobre as fatias de pão douradas, despejando o líquido restante na frigideira e polvilhando com mais um pouco de salsinha. Esta porção é o bastante para duas pessoas como entrada, mas acabou se tornando meu almoço solitário enquanto o bebê não acorda.
Os crostini ficaram absolutamente deliciosos. O fígado macio e apenas um pouquinho amargo, amanteigado, equilibrado pelo vinagre e salgado apenas pelas alcaparras, derretendo na boca em contraste com o pão crocante e perfumado. Uma receita completamente diferente, mas que trouxe à tona muitas tardes de abrir geladeira e roubar patê com o pãozinho, antes do jantar, sem que minha mãe visse.
Sim, fígado é um sabor de infância. Até dois dias antes de resolver parar de comer frango, há vários anos atrás, eu saboreara com frequência o patê de fígado de galinha de minha mãe. Sempre apreciei o sabor ligeiramente amargo daquele patê amanteigado, em colheradas gordas sobre pão amanhecido, a qualquer hora do dia.
Mas agora havia apenas dois pequeninos fígados, não o bastante para um patê, e tive de sair em busca de algo para fazer com eles. E lembrei-me de uma receita de crostini de um de meus livros favoritos de culinária toscana. Que maneira fantástica de usar não apenas o fígado de galinha, mas também o pão rústico e já amanhecido que eu preparara de um dos livros que ganhei de Natal de minha mãe: The Italian Baker, lindo, lindo!
O preparo não poderia ser mais simples. Prepare os crostini esfregando um dente de alho na superfície de algumas fatias de pão italiano e pincelando com azeite. Você pode colocar as fatias no forno a 200ºC até que dourem, mas sou totalmente a favor de uma versão rápida, passando-as numa frigideira esturricante, numa grelha ou sob o grill do forno.
Corte em quartos cerca de 100g de fígado de galinha (orgânico!). Derreta 20g de manteiga numa frigideira, junte algumas folhas de sálvia fresca e os pedaços de fígado, cozinhando-os apenas por alguns minutos, até que fiquem cozidos mas ainda cor-de-rosa por dentro (sem vestígios de sangue). Junte 1/2 colh. (sopa) de vinagre de vinho tinto, 1/2 colh. (sopa) de alcaparras pequenas e um punhado de salsinha picada, e deixe reduzir o líquido ligeiramente, tomando cuidado para não cozinhar a carne além da conta. Volte a carne para a tábua de corte e pique finamente. Distribua o fígado e as alcaparras sobre as fatias de pão douradas, despejando o líquido restante na frigideira e polvilhando com mais um pouco de salsinha. Esta porção é o bastante para duas pessoas como entrada, mas acabou se tornando meu almoço solitário enquanto o bebê não acorda.
Os crostini ficaram absolutamente deliciosos. O fígado macio e apenas um pouquinho amargo, amanteigado, equilibrado pelo vinagre e salgado apenas pelas alcaparras, derretendo na boca em contraste com o pão crocante e perfumado. Uma receita completamente diferente, mas que trouxe à tona muitas tardes de abrir geladeira e roubar patê com o pãozinho, antes do jantar, sem que minha mãe visse.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Considerações sobre uma nova rotina e torta de palmito
E segunda-feira tudo começou novamente. Acabaram-se as férias do marido e ele voltou ao trabalho, assim como eu. Mas diferente. Pois quando o marido entrou em férias, no começo de dezembro, o pequeno matador de dragões tirava quatro deliciosos cochilos por dia, sempre antes das refeições, após uma hora intensa de brincadeira. Agora são apenas dois benditos e esperados momentos de descanso, duas horinhas por dia, uma de manhã e outra à tarde, em que o bebê dorme profundamente. Nessas horas, tenho corrido para o computador, focada, tentando dar cabo de tanto trabalho quanto possível, sem levantar nem mesmo para ir ao banheiro, sem pegar emails, sem olhar para outro lado. Pois quando o pequeno causador de caos e confusão acordar, precisarei ficar de olho nele, para que não suba onde não deve, não puxe o que não pode, não coma o que faz mal.
No entanto, sua recém-encontrada independência, desde que ligou o turbo ao engatinhar e tem subido nos móveis e dando seus primeiros passinhos solo, tem me deixado mais livre, uma vez que ele não parece mais querer saber de mãe – o que ele quer é explorar o mundo. Então aproveito os momentos em que ele saracoteia pela casa (devidamente arrumada para que ele não faça nenhum dos "não pode" acima citados), para dar cabo da louça, da roupa suja, varrer o pêlo de cachorro para que o bebê engatinhando não termine parecendo o Primo It, e, surpreendentemente, cozinhar pratos mais elaborados.
Pois desde a chegada do mini-distribuidor-de-risadas-fofas, almoço e jantar aqui em casa têm sido pratos mais simples, de preparo mais rápido, em grande parte feitos sem receita. Qualquer coisa mais complicada precisava esperar o fim-de-semana, quando Allex pudesse ficar de olho no rebento por mais tempo.
Qual não foi minha surpresa ao me ver, em plena segunda-feira, preparando macarrão caseiro. Massa de cacau com molho de ricotta e nozes, delícia (marido walnut-hater não achou). Abria a massa na máquina enquanto dava um mingau de aveia, canela e passas (lanche da tarde) ao pequeno, que olhava, boquiaberto e interessado, o movimento da massa e da manivela. No dia seguinte, dei-lhe uma colher de pau e um pote de inox e deixei-o sentado no chão da cozinha, bagunçando e fazendo barulho até que eu terminasse a polenta (40 minutos mexendo a panela) para os uova in purgatorio do jantar. [Tente: numa caçarola larga, aqueça um pouco do molho de tomate de sua preferência, e quebre um ovo por pessoa dentro; tampe a panela e deixe o ovo cozinhar no molho, cerca de 10 minutos; sirva o ovo e o molho sobre polenta cremosa!]
Hoje, o cardápio será pizzoccheri, porque tenho farinha de sarraceno no armário, algumas batatas, queijo e um pedaço de repolho sem destino com os quais eu preciso acabar, e enquanto eu puder fazer o macarrão, estou tentando não comprar. Ah, novas resoluções de ano novo. E há pão na bancada, fermentando.
Falei que estou mais produtiva do que nunca? Mesmo com quatro passeios de cachorro por dia, com bebê de 8kg no sling. Trabalhei mais nas duas horas focadas por dia do que nas quatro que tinha antes. E quando o bichinho acorda, ao invés de estressar porque tenho de voltar ao computador, simplesmente faço outras coisas enquanto brinco com ele, chamo-o para que me siga para outro quarto, faço-o interagir com o cachorro, dou-lhe objetos desconhecidos nas mãos para que se distraia enquanto penduro roupas, sovo pão ou dou atenção ao cãozinho.
E vamos indo. Numa loucura desenfreada, mas ainda assim gostosa. Fim do dia é exaustão, mas exaustão de missão cumprida.
E porque tanta gente pediu, aqui vai a torta de palmito do Natal. Feliz Ano Novo!
No entanto, sua recém-encontrada independência, desde que ligou o turbo ao engatinhar e tem subido nos móveis e dando seus primeiros passinhos solo, tem me deixado mais livre, uma vez que ele não parece mais querer saber de mãe – o que ele quer é explorar o mundo. Então aproveito os momentos em que ele saracoteia pela casa (devidamente arrumada para que ele não faça nenhum dos "não pode" acima citados), para dar cabo da louça, da roupa suja, varrer o pêlo de cachorro para que o bebê engatinhando não termine parecendo o Primo It, e, surpreendentemente, cozinhar pratos mais elaborados.
Pois desde a chegada do mini-distribuidor-de-risadas-fofas, almoço e jantar aqui em casa têm sido pratos mais simples, de preparo mais rápido, em grande parte feitos sem receita. Qualquer coisa mais complicada precisava esperar o fim-de-semana, quando Allex pudesse ficar de olho no rebento por mais tempo.
Qual não foi minha surpresa ao me ver, em plena segunda-feira, preparando macarrão caseiro. Massa de cacau com molho de ricotta e nozes, delícia (marido walnut-hater não achou). Abria a massa na máquina enquanto dava um mingau de aveia, canela e passas (lanche da tarde) ao pequeno, que olhava, boquiaberto e interessado, o movimento da massa e da manivela. No dia seguinte, dei-lhe uma colher de pau e um pote de inox e deixei-o sentado no chão da cozinha, bagunçando e fazendo barulho até que eu terminasse a polenta (40 minutos mexendo a panela) para os uova in purgatorio do jantar. [Tente: numa caçarola larga, aqueça um pouco do molho de tomate de sua preferência, e quebre um ovo por pessoa dentro; tampe a panela e deixe o ovo cozinhar no molho, cerca de 10 minutos; sirva o ovo e o molho sobre polenta cremosa!]
Hoje, o cardápio será pizzoccheri, porque tenho farinha de sarraceno no armário, algumas batatas, queijo e um pedaço de repolho sem destino com os quais eu preciso acabar, e enquanto eu puder fazer o macarrão, estou tentando não comprar. Ah, novas resoluções de ano novo. E há pão na bancada, fermentando.
Falei que estou mais produtiva do que nunca? Mesmo com quatro passeios de cachorro por dia, com bebê de 8kg no sling. Trabalhei mais nas duas horas focadas por dia do que nas quatro que tinha antes. E quando o bichinho acorda, ao invés de estressar porque tenho de voltar ao computador, simplesmente faço outras coisas enquanto brinco com ele, chamo-o para que me siga para outro quarto, faço-o interagir com o cachorro, dou-lhe objetos desconhecidos nas mãos para que se distraia enquanto penduro roupas, sovo pão ou dou atenção ao cãozinho.
E vamos indo. Numa loucura desenfreada, mas ainda assim gostosa. Fim do dia é exaustão, mas exaustão de missão cumprida.
E porque tanta gente pediu, aqui vai a torta de palmito do Natal. Feliz Ano Novo!
TORTA DE PALMITO
(Adaptado do livro Cozinhando para Amigos, de Heloísa Bacellar)
Ingredientes:
(massa)
- 300g farinha de trigo
- 200g manteiga sem sal gelada cortada em cubinhos
- 100g água gelada
- 1 colh. (chá) sal
- 1 ovo para pincelar
(recheio)
- 2 vidros de 600g palmito pupunha orgânico, escorrido e fatiado em rodelas finas
- 2 colh. (sopa) cheias de manteiga
- azeite de oliva
- 1 cebola, picada
- 1 dente de alho grande, picado
- 2 colh. (sopa) ketchup
- 1 colh. (sopa) amido de milho
- 2 xic. leite integral
- 1 punhado de salsinha fresca, picada
- sal e pimenta-do-reino
Preparo:
- Para a massa, coloque a farinha e a manteiga em um pote e esfregue com os dedos até obter uma farofa grossa. Dissolva o sal na água gelada e junte à farofa. misturando com um garfo até começar a formar uma massa. Junte os pedaços numa bola coesa de massa, embrulhe em filme-plástico ou papel-alumínio e leve à geladeira por pelo menos meia hora. Alternativamente, pulse a farinha e a manteiga no processador até obter a farofa, junte a água e o sal e pulse até a farofa formar bolas medianas. Junte com as mãos, embrulhe leve à geladeira.
- Para o recheio, derreta a manteiga e um fio de azeite numa panela grande e junte a cebola e o alho. Quando começar a dourar, junte o palmito e o ketchup.
- Dissolva a maisena no leite e junte ao palmito. Leve à fervura, mexendo sempre, e deixando engrossar.
- Quando o líquido estiver com textura de milshake grosso, tempere com sal e pimenta, a salsinha picada, e deixe esfriar completamente antes de rechear a torta. Pode ser feito de um dia para o outro.
- Separe uma forma de cerca de 30cm de diâmetro (a minha tinha 28cm), de fundo removível. Polvilhe generosamente a bancada com farinha e corte a bola de massa em duas, uma um pouco maior do que a outra.
- Abra o pedaço maior com um rolo, polvilhando um pouco de farinha se necessário, até que possa cobrir o fundo e as laterais da forma, com uns 2cm de sobra. Forre a forma, deixando as sobras de massa para fora.
- Distribua o recheio dentro da torta, nivelando bem. Abra o segundo pedaço de massa, até que forme um círculo um pouco maior que o diâmetro da forma. Cubra a torta. Corte qualquer excesso de massa que ultrapasse aqueles 2cm extras. Junte as duas abas de massa sobrando e dobre-as para baixo, para o lado da forma, e não para cima da torta, pinçando com os dedos, para grudá-las. Se houver mais sobra de massa, abra com o rolo novamente e corte com cortadores de biscoito no formato que quiser, para decorar a torta.
- Bata um ovo com um pouco de água ou leite, e pincele toda a superficície da torta. Posicione a decoração da torta e pincele os pedaços. Leve a torta à geladeira por 15 minutos enquanto o forno aquece a 200ºC.
- Leve a torta ao forno por 45 minutos, ou até que esteja bem dourada. Deixe descansar uns 10 minutos antes de servir, ou leve à geladeira e sirva no dia seguinte, reaquecendo no forno.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Frango assado???
Foram dezenas os domingos que passei na casa de minha avó materna, comendo frango assado com batatas, torta de palmito e gnocchi ou lasagne de tomate. A refeição era tão esperada e tão frequente, que me lembro da sensação da colher raspando o pratinho fundo de plástico cor-de-abóbora, do cheiro do molho de tomate se misturando à massa flocosa da torta, da casquinha crocante das batatas, de meu bumbum infantil afundado na almofada excessivamente macia do sofá antigo, pézinhos para cima, balançando de satisfação, da coca-cola choca no copo de vidro pesado, suando sobre o tampo de pedra da mesa de centro.
Desde os meus quinze anos, quando minha avó faleceu, vinha tentando recriar alguns dos meus momentos favoritos de infância que ela proporcionara, lidando com a dificuldade de não ter as receitas originais e de, eventualmente, ter parado de comer carne.
Este foi o primeiro Natal do pequeno matador de dragões, que minha avó teria amado tanto conhecer. Bom garfo como é, ter-se-ia imediatamente tornado mais um fã incondicional da cozinha sem pressa da bisavó, e teria sido sua vez de raspar o pratinho cor-de-abóbora e guardar na memória os gostos daquele amor em forma de comida.
Por isso, e por ter tantas saudades, achei apropriado usurpar o almoço de Natal para tentar recriar um dos cardápios mais tradicionais de meus domingos infantis: frango assado com batatas, lasagne de tomate, torta de palmito.
Preparar o frango (orgânico, claro) foi um prazer para o meu eu curioso, essa parte minha que quer preparar carnes para testar técnicas culinárias, apesar de não querer comê-las. Comprei dois frangos inteiros, que vieram com os miúdos (e ainda tenho de ver o que fazer com eles), e escolhi uma receita muito simples de Nigella: frango com limão. Apesar da receita não pedir para que se amarrassem os frangos, corri para o Professional Chef para saber como fazê-lo, e me atrapalhei um bocado tentando passar o barbante pelo frango já lambuzado de manteiga. O marido ria do meu lado, filmando a epopéia toda. "Mas onde você vai colocar esse limão?", perguntou ele, ao que respondi com um olhar maldoso.
Os bichinhos ficaram mais tempo no forno do que eu esperava, até que suas peles ficassem douradas e crocantes, e sua carne macia. Confesso que, nunca tendo assado um pedaço de carne antes, estava apavorada com a ideia de servir frango cru, sem gosto ou ressecado. No entanto, quando destrinchei as aves para levá-las à mesa, a coxa se desprendeu facilmente com um leve puxão dos dedos, e a carne estava toda assada, perfumada, úmida e incrivelmente macia. As batatas, cozidas primeiro antes de irem para a assadeira, estavam macias por dentro e com uma casquinha crocante que nunca consegui de outra forma, tendo absorvido o sabor da gordura do frango. O limão mal se sentia, ao contrário do que imaginava. O que ele faz é muito mais cortar o gosto da gordura e ressaltar o sabor da carne.
Nunca comi um frango como esse depois da morte de minha avó. Pronto, falei.
Queria ir até a Inglaterra e abraçar a Nigella. ;)
O cardápio foi aprovado por todos, e enquanto eu quisesse arrancar lágrimas dos meus pais, quem chorou fui eu ao levar o almoço à mesa. Pra você, vó.
Para o frango, pré-aqueça o forno e 220ºC. Escolha um frango orgânico (sempre) de cerca de 1,5kg, para 4 pessoas. Quando ele estiver em temperatura ambiente, lave-o e seque com papel-toalha. Coloque meio limão siciliano na cavidade e polvilhe um pouco de sal dentro e fora do frango. Esfregue com cerca de 25g de manteiga (1 colher generosa) toda a pele e coloque-o na assadeira. Se quiser, amarre o frango com um barbante, juntando as coxas e as asas mais para perto do corpo, para garantir que ele asse todo por igual e não perca muita umidade. Regue com um pouco de azeite e polvilhe pimenta-do-reino moída na hora.
Para as batatas, prepare tantas quanto couberem folgadamente no espaço restante da assadeira. Sem descascar, corte em pedaços iguais e cozinhe em água com sal até ficarem macias. Escorra e volte-as à panela para secarem um pouco. Então espalhe-as em volta do frango e regue com um pouco de azeite.
Leve a assadeira ao forno por 1h15m, ou até que o frango esteja dourado e muito macio. No caso de dois frangos, esse tempo aumenta consideravelmente. Quando estiver pronto, retire do forno e regue com o suco da outra metade do limão, temperando com mais um pouco de sal e pimenta. Deixe descansar uns 15 minutos antes de destrinchar e servir.
Receita de Nigella Lawson, do lindo livro Feast.
Espero que todos tenham tido um excelente Natal. ^_^
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Bolo de iogurte e, sim, especiarias de novo
Se não tem frutas secas ou especiarias, não é de Natal. Ou pelo menos não remete às minhas memórias de Natal. Então perdoem-me se a lista de ingredientes começa a soar repetitiva. Logo logo dezembro acaba.
Este é um bom bolo para se distribuir pedaços primeiro e descrevê-lo depois. Quando me perguntaram "o que tem no bolo?", a resposta foi muito longa: iogurte, nozes, canela, cacau, noz-moscasa, pimenta-do-reino, pimenta-da-jamaica, cravo, casca de tangerina e baunilha. E vi alguns narizes torcidos, receosos do excesso de informação. Gente que gosta de Chocottone. Eca.
Mas a verdade é que, como Flo Braker promete, os sabores do bolo são muito equilibrados, tornando-o suave, excelente para um café-da-manhã ou chá da tarde, acompanhado de frutas de verão, principalmente manga. Bem diferente dos bolos fortes que costumam levar todos esses temperos, esse você corre o risco de comer inteiro sozinha, tão leve.
Enquanto vou brincando com especiarias, meu já não tão pequeno matador de dragões engatinha aos meus pés, batendo colheres de pau no chão, segurando em meus joelhos para ficar de pé. Em uma semana apenas ele aprendeu tantas coisas novas, que às vezes é difícil acompanhar sua evolução. Minha mais importante lição, no entanto, foi me dar conta de que o pequeno não será um comedor de Chocottone, ainda bem. Adora frutas secas, passas, damascos, tâmaras, que apanha com as pontas dos dedos e leva à boca; e noutro dia, com pressa, dando-lhe alguns legumes apenas cozidos, ele os rejeitou. Uma colherada de pesto e um pouco de pimenta-do-reino e manha resolvida: raspou o prato. O menino sabe o que é bom e não aceita comida sem graça. ;)
Este é um bom bolo para se distribuir pedaços primeiro e descrevê-lo depois. Quando me perguntaram "o que tem no bolo?", a resposta foi muito longa: iogurte, nozes, canela, cacau, noz-moscasa, pimenta-do-reino, pimenta-da-jamaica, cravo, casca de tangerina e baunilha. E vi alguns narizes torcidos, receosos do excesso de informação. Gente que gosta de Chocottone. Eca.
Mas a verdade é que, como Flo Braker promete, os sabores do bolo são muito equilibrados, tornando-o suave, excelente para um café-da-manhã ou chá da tarde, acompanhado de frutas de verão, principalmente manga. Bem diferente dos bolos fortes que costumam levar todos esses temperos, esse você corre o risco de comer inteiro sozinha, tão leve.
Enquanto vou brincando com especiarias, meu já não tão pequeno matador de dragões engatinha aos meus pés, batendo colheres de pau no chão, segurando em meus joelhos para ficar de pé. Em uma semana apenas ele aprendeu tantas coisas novas, que às vezes é difícil acompanhar sua evolução. Minha mais importante lição, no entanto, foi me dar conta de que o pequeno não será um comedor de Chocottone, ainda bem. Adora frutas secas, passas, damascos, tâmaras, que apanha com as pontas dos dedos e leva à boca; e noutro dia, com pressa, dando-lhe alguns legumes apenas cozidos, ele os rejeitou. Uma colherada de pesto e um pouco de pimenta-do-reino e manha resolvida: raspou o prato. O menino sabe o que é bom e não aceita comida sem graça. ;)
BOLO DE IOGURTE E ESPECISARIAS
(do ótimo livro Baking For All Occasions, de Flo Braker)
Tempo de preparo: 1h30
Rendimento: 1 bolo médio
Ingredientes:
- 2 1/2 xic. farinha de trigo
- 1 colh. (chá) canela em pó
- 1 colh. (chá) fermento químico em pó
- 1 colh. (chá) cacau em pó
- 1/2 colh. (chá) pimenta-da-jamaica moída
- 1/2 colh. (chá) sal
- 1/8 colh. (chá) cravo moído
- 1/8 colh. (chá) noz moscada ralada na hora
- 1 colh. (chá) extrato natural de baunilha
- 1 xic. iogurte natural
- 225g manteiga sem sal, em temperatura ambiente
- 1/2 xic. açúcar cristal orgânico
- 1 xic. açúcar mascavo claro, apertado na xícara
- 4 ovos grandes, orgânicos, em temperatura ambiente, ligeiramente batidos
- 1 xic. nozes moídas finamente
- 1 colh. (sopa) casca de laranja ralada fina (usei tangerina)
Preparo:
- Pré-aqueça o forno a 180ºC. Escolha uma forma Bundt de 25cm de diâmetro por 7,5cm de altura, ou uma forma redonda com furo no meio de 25cm de diâmetro por 10cm de altura. Unte generosamente com manteiga, passe uma camada fina de óleo em spray por cima (se você tiver em casa) e polvilhe com farinha, batendo o excesso na pia.
- Em uma tigela grande, peneire a farinha, fermento, sal e especiarias.
- Em uma tigela pequena, misture a baunilha ao iogurte.
- Na tigela da batedeira, bata a manteiga em velocidade média até que fique cremosa, 30-45 segundos. Junte os açúcares de uma vez e bata por mais 3-5 minutos, até que fique clara e fofa. Pare a batedeira ocasionalmente para raspar as laterais da tigela com uma espátula.
- Junte os ovos batidos, umas 2 colheres de sopa por vez, misturando bem a cada adição, e ocasionalmente raspando as laterais com a espátula.
- Na velocidade baixa, junte as nozes moídas.
- Junte a farinha em quatro partes, alternando com o iogurte em três partes, começando e terminando com a farinha, e misturando apenas o suficiente para que esteja incorporada. Com a espátula, junte a casca de laranja.
- Despeje a massa na forma, espalhando de modo uniforme, e leve ao forno por 40-45 minutos, ou até que esteja dourado e você toque a superfície e ela volte para o lugar.
- Retire do forno e deixe esfriando sobre uma grade por 10 minutos. Incline a forma, dando leves tapinhas, para soltar o bolo, e inverta na grade, retirando a forma e deixando que esfrie completamente antes de servir.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Pão de trigo sarraceno, canela e passas
Sumi. Sumi não por não ter preparado nada, mas porque meu computador resolveu disparar a tecla Zero e o Shift virou R. Por quê? Boa pergunta. Um dia eu vou descobrir.
Mas estou de volta. De volta com um pão maçudo, perfumado de canela, de sabor forte de trigo sarraceno, e pontilhado de passas e nozes. Maravilhoso com uma passadela de cream cheese e uma colher de geleia caseira de maçã. Sabores natalinos para um café-da-manhã nutritivo para meu pequeno matador de dragões, que cata os pedacinhos de pão com as pontas dos dedos e leva a mão inteira à boca, para garantir que não perdeu nenhuma migalha. O pão é poderoso, uma fatia basta para um adulto, mas ele quis uma inteira também, o danado, Ogro-Saco-Sem-Fundo.
Mas estou de volta. De volta com um pão maçudo, perfumado de canela, de sabor forte de trigo sarraceno, e pontilhado de passas e nozes. Maravilhoso com uma passadela de cream cheese e uma colher de geleia caseira de maçã. Sabores natalinos para um café-da-manhã nutritivo para meu pequeno matador de dragões, que cata os pedacinhos de pão com as pontas dos dedos e leva a mão inteira à boca, para garantir que não perdeu nenhuma migalha. O pão é poderoso, uma fatia basta para um adulto, mas ele quis uma inteira também, o danado, Ogro-Saco-Sem-Fundo.
PÃO DE SARRACENO, CANELA E PASSAS
(adaptado do excelente livro Vegetarian Cooking for Everyone, de Deborah Madison)
Rendimento: 1 pão de forma
Tempo de preparo: cerca de 3h30
Ingredientes:
(esponja)
- 3/4 xic. água morna
- 2 1/4 colh. (chá) fermento biológico seco
- 1 1/3 xic. farinha de trigo
- 1/2 xic. iogurte natural
- 3 colh. (sopa) melado de cana
(pão)
- 2 colh. (sopa) óleo
- 1 3/4 colh. (chá) sal
- 1 1/2 xic. passas
- 2 colh. (chá) canela em pó
- 1 xic. nozes picadas
- 1 xic. farinha de trigo sarraceno
- 1 a 1 1/4 xic. farinha de trigo
Preparo:
- Misture todos os ingredientes da esponja, cubra e deixe em local fresco e morno por1 hora.
- Mexa a esponja com uma colher e adicione o óleo, o sal, as passas, a canela e as nozes.
- Junte a farinha de sarraceno e então tanta farinha de trigo quanto necessária para que a massa tome corpo.
- Vire numa bancada e sove a massa até que esteja macia e elástica, cerca de 6 minutos. Coloque em uma vasilha untada com óleo, cubra e deixe fermentar até que dobre de tamanho, cerca de 1 a 1h30.
- Abaixe a massa e molde. Coloque eu uma forma de pão-de-forma untada, cubra e deixe fermentar por mais 40 minutos. Nos últimos 15, ligue o forno a 190ºC.
- Pincele o pão com ovo batido com um pouco de água ou apenas polvilhe o pão com mais farinha de sarraceno e leve o pão ao forno. Asse por 45 minutos ou até que esteja bem dourado e se desprendendo da forma. Deixe esfriar completamente sobre uma grade antes de consumir. Fica ótimo com queijos, cream cheese ou geleia de maçã.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Chocolate Gingerbread, pôsters, quadros e cartões
Entrei numa onda de mega-produção de doces natalinos, mega-vontade de correr um monte (pra compensar a comilança de doces natalinos) e mega-loucura de desenhar (pra relaxar a cabeça do tempo na cozinha preparando os doces natalinos). Na minha correira, não achei que fosse dar tempo de produduzir mais nada pra a lojinha do Desenhoquê, muito menos antes do Natal. Mas enquanto comia desse Chocolate Gingerbread da Nigella, lambuzando os dedos de chocolate e gengibre, consegui dar conta de fazer o que eu queria.
Quanto ao Gingerbread, se eu disser que é fácil vocês vão começar a desconfiar, uma vez que tenho dito isso a respeito de tudo, ultimamente. Mas quão difícil é derreter manteiga e juntar todo o resto com uma colher? O bolo é muito, muito macio e úmido, beirando o impraticável comer sem prato e garfo. A cobertura é bastante doce, mas uma delícia, e o conjunto todo, repleto de especiarias, molinho, derretendo na boca, é ótimo para comer no sofá, no fim de um dia estressante de fim de ano, seguido de uma xícara de chá verde pra fingir que a coisa toda não foi direto para os seus quadris. Aviso aos navegantes, no entanto: a receita rende e o bolo fica alto; tenha alguém para quem dar um pedacinho, se não quiser que escolham você para se vestir de Papai-Noel esse ano. ;)
Para quem se interessar em presentear no Natal, estão disponíveis uma nova leva de pôsters Frutas e Verduras, ainda algumas unidades da série Monstros (que não será reimpressa) e, finalmente, as reproduções em papel especial da série Momentos Culinários, que participou daquela mini-exposição. Estes são pouquíssimas unidades e também não serão reimpressos. Ainda para quem só quiser uma coisinha fofa, produzi o cartãozinho de Natal para anexar aos presentes, tamanho pequenino, podendo ser comprado em jogos de 5. Tudo disponível AQUI para compra a partir da sexta-feira. :)
CHOCOLATE GINGERBREAD
(ligeiramente adaptado do livro Feast, de Nigella Lawson)
Tempo de preparo: 1 hora
Rendimento: 12 porções
Ingredientes:
(bolo)
- 175g manteiga sem sal
- 125g açúcar mascavo
- 2 colh. (sopa) açúcar cristal orgânico
- 200g mel
- 200g melado de cana
- 1/4 colh. (chá) cravos moídos
- 1 colh. (chá) canela em pó
- 2 colh. (chá) gengibre em pó
- 1 1/4 colh. (chá) bicarbonato de sódio
- 2 colh. (sopa) água quente
- 2 ovos orgânicos
- 250ml leite integral
- 275g farinha de trigo
- 40g cacau em pó
- 175g chocolate chips
(cobertura)
- 250g açúcar de confeiteiro
- 30g manteiga sem sal
- 1 colh. (sopa) cacau em pó
- 60ml água
- 1 colh. (chá) gengibre fresco ralado
Preparo:
- Pré-aqueça o forno a 170ºC. Forre o fundo e laterais de uma forma de 20x30cm, com 5cm de profundidade, com papel-manteiga.
- Em uma panela de tamanho médio, derreta a manteiga, o mel, o melado, os açúcares e as especiarias.
- Em um potinho, misture o bicarbonato com a água quente.
- Tire a panela do fogo quando tudo estiver homogêneo e dissolvido, e junte os ovos, um a um, mexendo rapidamente com um batedor de arame ou garfo, para que os ovos não cozinhem, ou você terá ovos mexidos no bolo.
- Junte o leite, e o bicarbonato dissolvido na água, e então a farinha e o cacau, mexendo bem com uma espátula.
- Junte os chips de chocolate e despeje na forma. Asse por 45 minutos, ou até que tenha crescido e esteja firme ao toque. Testando com um palito, a massa deve estar ainda um pouco úmida por baixo.
- Remova do forno e deixe esfriar na forma, sobre uma grade. Desenforme, retire o papel-manteiga e faça a cobertura.
- Para a cobertura, peneire o açúcar e reserve. Numa panela, derreta a manteiga, o cacau, a água e o gengibre, mexendo até que fique homogêneo. Retire do fogo e misture o açúcar com um batedor de arame. Aplique imediatamente a cobertura sobre o bolo. Fatie em 12 quadrados e sirva. O bolo aguenta bem por vários dias, se em um pote fechado.
domingo, 27 de novembro de 2011
Para minha avó: Panforte senese

Minha avó materna, de família veneta, nunca fez panforte na vida. Que eu saiba. Panforte é um doce senese, toscano, e, casada com outro veneto, não acredito que eles fossem se aventurar em culinária de outra região. No entanto, cresci comendo em sua casa um doce misterioso, denso, de sabor forte de especiarias e frutas secas, que, como tudo o que era gostoso na casa de minha avó, perdeu-se com sua morte, há mais de quinze anos. Já falei com minha mãe, meus tios, meus primos, e todos parecem se lembrar da textura, do gosto, mas não do nome, e muito menos da receita de muitas coisas boas que saíam de sua cozinha.Por isso, todas as vezes que preparo algo nesse tom, com esse gosto adulto de natal, minha mãe e eu imediatamente pensamos em minha avó, nos almoços de domingo. Talvez eu nunca descubra o que era aquele doce intenso que tanto gostava, mas em sua memória, preparo panforte. Para saborear aos bocadinhos em dezembro e contar ao meu pequeno matador de dragões histórias da bisavó que ele nunca conheceu.
Da primeira vez que preparei essa receita, de minha rainha da confeitaria, Alice Medrich, usei papel-manteiga, como indicado na receita. Apesar de muito bem untado, o panforte grudou de tal maneira no papel, que a solução foi aparar as laterais e o fundo do panforte com uma faca afiada. Daí o corte limpo do panforte das fotos, tiradas há dois anos atrás mas nunca publicadas aqui. Neste ano, para evitar o stress, usei papel-arroz sobre a forma untada: um círculo no fundo e tiras na lateral, tomando cuidado para não deixar nenhum buraquinho. Desta forma, o panforte grudou no papel-arroz, o que não é problema, já que ele é comestível, mas desenformou facilmente.
Assim que esfriou, embrulhei-o em papel-alumínio, e depois em papel-manteiga, amarrando com um barbante e guardando-o no armário, para ser aberto mais perto do Natal. Nesse tempo, ele desenvolverá sabores mais intensos.

PANFORTE
(do livro Pure Dessert, de Alice Medrich)
Rendimento: 1 panforte de 20cm
Tempo de preparo: 1h
Ingredientes:
- 1 xic. avelãs, tostadas e sem pele
- 3/4 xic. amêndoas inteiras com pele, tostadas
- 2/3 xic. farinha de trigo
- 2 colh. (sopa) cacau em pó
- 2 1/4 colh (chá) sementes de erva-doce ligeiramente moídas
- 1/2 colh. (chá) canela em pó
- 1/8 colh. (chá) cravo moído
- 1/4 colh. (chá) pimenta-do-reino branca em pó (eu usei metade da quantidade, pois achei muito forte da primeira vez)
- 1/4 colh. (chá) gengibre em pó
- 1/4 colh. (chá) sementes de coentro ligeiramente moídas
- 1/4 colh. (chá) noz-moscada ralada na hora
- casca ralada de 1 laranja, de preferência orgânica
- 225g figos secos, sem os cabinhos, cortados em fatias de 0,5cm
- 2/3 xic. mel
- 2/3 xic. açúcar cristal orgânico
- Açúcar de confeiteiro para polvilhar (opcional)
Preparo:
- Posicione a grade do forno no terço inferior e pré-aqueça a 150ºC.Unte uma forma redonda de 20cm com manteiga ou óleo em spray. Forre o fundo e as laterais com pape-manteiga (usei papel-arroz, para não me preocupar se grudar) e unte deliberadamente o papel.
- Numa tigela grande, misture as avelãs, amêndoas, farinha, cacau, especiarias, casca de laranja e figos.
- Numa panela média, leve o mel e o açúcar à fervura alta. Ferva por 15 segundos e desligue o fogo.
- Fora do fogo, despeje os outros ingredientes na panela, misturando bem e rapidamente, antes que o xarope esfrie.
- Raspe o conteúdo para a forma, alisando a superfície de forma uniforme e asse até que a massa borbulhe tanto nas bordas quanto no centro, cerca de 40-45 minutos. Retire a forma do forno e esfrie sobre uma grade completamente antes de desenformar.
- Inverta o panforte num prato e retire o papel-manteiga. Inverta novamente e polvilhe com açúcar de confeiteiro para servir. Bem embalado e guardado em local fresco, o panforte se conserva por meses.
sábado, 19 de novembro de 2011
Pfeffernüsse: se as lojas podem, também posso começar o Natal cedo
Ano passado, com a correria da mudança e do bebê que chegaria, não consegui preparar tantas guloseimas natalinas quantas gostaria. Agora, então, com o pequeno querendo minha constante atenção para ficar de pé e treinar seus passinhos desengonçados, ando vendo meu tempo de lazer na cozinha limitado aos fins de semana, quando posso deixar o matador de dragões nos braços do pai, enquanto este sim mata dragões no video-game.
Por isso, a comilança de Natal nessa casa está começando cedo, ainda em novembro. ;)
Nunca entendi muito bem essa mania americana de comer massa crua de biscoito, a ponto de existir até sabor de sorvete "raw cookie dough"; até preparar estas coisinhas alemãs deliciosas, e precisar me conter ao máximo para não ficar lambendo os dedos enquanto rolava a massa em bolinhas. Repletos de especiarias, eles têm uma casquinha ligeiramente crocante e um interior macio, quase como um pão de mel.
É sempre difícil agradar o marido quando o assunto são biscoitos alemães de Natal, uma vez que ele os comeu a vida toda preparados por... velhinhas alemãs. Hunf. Assim que ele os viu na cozinha, esfriando sobre a grade, já recobertos de açúcar, soltou uma interjeição de reconhecimento, dizendo que as velhinhas do clube alemão também vendiam Pfeffernüsse. Tremi na base, prevendo a inevitável comparação quando ele jogou um biscoito inteiro na boca, ainda morninho do forno.
"PHFFfffickou mnhuithfo bohnn...", disse, boca cheia, apanhando um segundo.
Além de gostosos, os Pfeffernüsse são também fáceis de serem feitos. A massa não precisa ficar resfriando na geladeira nem ser aberta com rolo, o que é ótimo para nós, brasileiros, que assamos biscoitos de Natal em plena passagem da primavera para o verão, com altas temperaturas na cozinha, enlouquecendo a cozinheira mais zen. Basta que manteiga e ovo estejam em temperatura ambiente, e o resto é alegria.
Por isso, a comilança de Natal nessa casa está começando cedo, ainda em novembro. ;)
Nunca entendi muito bem essa mania americana de comer massa crua de biscoito, a ponto de existir até sabor de sorvete "raw cookie dough"; até preparar estas coisinhas alemãs deliciosas, e precisar me conter ao máximo para não ficar lambendo os dedos enquanto rolava a massa em bolinhas. Repletos de especiarias, eles têm uma casquinha ligeiramente crocante e um interior macio, quase como um pão de mel.
É sempre difícil agradar o marido quando o assunto são biscoitos alemães de Natal, uma vez que ele os comeu a vida toda preparados por... velhinhas alemãs. Hunf. Assim que ele os viu na cozinha, esfriando sobre a grade, já recobertos de açúcar, soltou uma interjeição de reconhecimento, dizendo que as velhinhas do clube alemão também vendiam Pfeffernüsse. Tremi na base, prevendo a inevitável comparação quando ele jogou um biscoito inteiro na boca, ainda morninho do forno.
"PHFFfffickou mnhuithfo bohnn...", disse, boca cheia, apanhando um segundo.
Além de gostosos, os Pfeffernüsse são também fáceis de serem feitos. A massa não precisa ficar resfriando na geladeira nem ser aberta com rolo, o que é ótimo para nós, brasileiros, que assamos biscoitos de Natal em plena passagem da primavera para o verão, com altas temperaturas na cozinha, enlouquecendo a cozinheira mais zen. Basta que manteiga e ovo estejam em temperatura ambiente, e o resto é alegria.
PFEFFERNÜSSE
(do fantástico livro Bon Appétit Desserts)
Tempo de preparo: 1 hora
Rendimento: cerca de 30-35 biscoitos
Ingredientes:
- 2 1/4 xic. farinha de trigo
- 1/2 colh. (chá) sementes de anis moídas
- 1/2 colh. (chá) noz-moscada ralada na hora
- 1/2 colh. (chá) canela em pó
- 1/2 colh. (chá) sal
- 1/4 colh. (chá) bicarbonato de sódio
- 1/4 colh. (chá) pimenta-da-jamaica moída
- 1/4 colh. (chá) cravo moído
- 1/4 colh. (chá) pimenta-do-reino moída na hora
- 1/2 xic. manteiga sem sal, em temperatura ambiente (cerca de 115g)
- 3/4 xic. açúcar mascavo, apertado na xícara
- 1/4 xic. melaço de cana
- 1 ovo grande
- 2 xic. açúcar de confeiteiro (a quantidade é para facilitar, mas sobra um bocado, então guarde para a próxima leva de biscoitos)
Preparo:
- Pré-aqueça o forno a 180ºC. Forre duas assadeiras grandes com papel-manteiga ou silpats.
- Com um batedor de arame, misture a farinha, sal, bicarbonato e especiarias.
- Na tigela da batedeira, bata a manteiga, o açúcar e o melaço até que fique claro e fofo.
- Junte o ovo e misture bem.
- Misture em baixa velocidade a farinha, apenas até que fique incorporada.
- Com a ajuda de uma colher de sopa, faça bolinhas de massa e disponha na assadeira, distando 5cm entre elas. Leve a primeira assadeira ao forno por 15 minutos, ou até que os biscoitos estejam dourados na base e firmes ao toque. Enquanto isso, prepare a segunda assadeira.
- Retire os biscoitos do forno e deixe ainda na assadeira, sobre uma grade, por 5 minutos.
- Coloque o açúcar num saco de papel ou plástico e jogue 3 biscoitos ainda mornos dentro. Chacoalhe bem para recobri-los de açúcar e disponha-os em uma grade. Repita com o restante dos biscoitos.
- Sirva morno, em temperatura ambiente ou guarde em pote hermético por 2 dias.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Um bolo de morangos (antes que eles sumam até o ano que vem)
Havia muito tempo não entravam tantas frutas ao mesmo tempo nessa casa. Culpa do pequeno-matador-de-dragões-devorador-de-frutas. Um ogrinho, que assim que me vê picando comida estende os braços e começa a mastigar o vazio. Sim, porque num belo almoço, percebi que ele estava puxando a papinha grossa para a lateral da boca e amassando com as gengivas, boca aberta, como um camelo. Não tive dúvidas e parei imediatamente de moer sua comida. Ela agora é picadinha, em bocados pequeninos, de texturas diferentes, para que ele entenda como melhor mastigar.
O menino é já melhor garfo do que eu ou meu marido jamais fomos quando crianças, e come de absolutamente tudo, desde que dada uma segunda chance para provar. Quase sempre o que tem uma textura nova é ligeiramente rejeitado num dia, para ser devorado no dia seguinte. Nos momentos de rejeição, intercalar colheradas do prato com pedaços de banana, sua fruta favorita, é o melhor truque, e ele raspa o prato.
Fico encantada e orgulhosa com sua curiosidade e seu paladar, vedo-o comer soba com berinjela e manga, flan de cenoura e espinafre, couscous marroquino com tomate, abobrinha e queijo meia-cura, curry de abóbora, batata e tofu, e uma miríade de frutas, das quais até hoje não desgostou de praticamente nenhuma.
Depois de ele já ter comido sua cota de morangos, no entanto, guardei esse punhado para os adultos. Doces e suculentos – obviamente orgânicos –, andavam aparecendo à mesa apenas combinados a chantilly batido na hora, talvez com uma colherinha de vinagre balsâmico. Depois de concluir que já bastava da combinação, resolvi usá-los nesse bolo, cuja fotografia me havia hipnotizado no Smitten Kitchen, há algum tempo atrás.
Na falta de farinha de cevada, acabei preparando a receita original, de Martha Stewart. Fiquei receosa de que meu prato de torta de 9 polegadas fosse muito baixo (com 4,5cm de altura), e que a massa fosse crescer além da conta e se derramar no piso do forno. Mas o tamanho ficou perigosamente exato e o bolo ficou perfeito.
Delicioso era o perfume dele saído do forno, da baunilha e dos morangos quentes. Abri-o apenas no dia seguinte, na ocasião da visita de minha sogra, para descobrir que seu fundo formara uma casquinha açucarada como o bolo de cenoura de minha mãe. Um bolo simples e saboroso a ser repetido muitas vezes. Todos os anos, quando os morangos chegarem. Para mim, um pedaço enquanto o bebê dorme. Pois é agora impossível comer qualquer coisa em frente a ele, sem que aqueles bracinhos alcancem seu prato e as mãozinhas ávidas tentem sequestrar seu jantar.
A receita fica apenas em link para o site original, uma vez que não adaptei nada. FYI, usei açúcar cristal, farinha, ovos e morangos orgânicos, e extrato de baunilha caseiro. Arrisquei e usei uma forma de torta de vidro, de 9" (22-23cm), com 4,5cm de altura, mas como a foto mostra, a massa não vazou por sorte. Recomendo usar uma forma de torta de 10" (25-26cm) ou uma forma de mola de 22-23cm. Vamos evitar desastres e desperdício de morangos. Certo? ;)
O menino é já melhor garfo do que eu ou meu marido jamais fomos quando crianças, e come de absolutamente tudo, desde que dada uma segunda chance para provar. Quase sempre o que tem uma textura nova é ligeiramente rejeitado num dia, para ser devorado no dia seguinte. Nos momentos de rejeição, intercalar colheradas do prato com pedaços de banana, sua fruta favorita, é o melhor truque, e ele raspa o prato.
Fico encantada e orgulhosa com sua curiosidade e seu paladar, vedo-o comer soba com berinjela e manga, flan de cenoura e espinafre, couscous marroquino com tomate, abobrinha e queijo meia-cura, curry de abóbora, batata e tofu, e uma miríade de frutas, das quais até hoje não desgostou de praticamente nenhuma.
Depois de ele já ter comido sua cota de morangos, no entanto, guardei esse punhado para os adultos. Doces e suculentos – obviamente orgânicos –, andavam aparecendo à mesa apenas combinados a chantilly batido na hora, talvez com uma colherinha de vinagre balsâmico. Depois de concluir que já bastava da combinação, resolvi usá-los nesse bolo, cuja fotografia me havia hipnotizado no Smitten Kitchen, há algum tempo atrás.
Na falta de farinha de cevada, acabei preparando a receita original, de Martha Stewart. Fiquei receosa de que meu prato de torta de 9 polegadas fosse muito baixo (com 4,5cm de altura), e que a massa fosse crescer além da conta e se derramar no piso do forno. Mas o tamanho ficou perigosamente exato e o bolo ficou perfeito.
Delicioso era o perfume dele saído do forno, da baunilha e dos morangos quentes. Abri-o apenas no dia seguinte, na ocasião da visita de minha sogra, para descobrir que seu fundo formara uma casquinha açucarada como o bolo de cenoura de minha mãe. Um bolo simples e saboroso a ser repetido muitas vezes. Todos os anos, quando os morangos chegarem. Para mim, um pedaço enquanto o bebê dorme. Pois é agora impossível comer qualquer coisa em frente a ele, sem que aqueles bracinhos alcancem seu prato e as mãozinhas ávidas tentem sequestrar seu jantar.
A receita fica apenas em link para o site original, uma vez que não adaptei nada. FYI, usei açúcar cristal, farinha, ovos e morangos orgânicos, e extrato de baunilha caseiro. Arrisquei e usei uma forma de torta de vidro, de 9" (22-23cm), com 4,5cm de altura, mas como a foto mostra, a massa não vazou por sorte. Recomendo usar uma forma de torta de 10" (25-26cm) ou uma forma de mola de 22-23cm. Vamos evitar desastres e desperdício de morangos. Certo? ;)
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Uma sexta frugal: homemade ketchup
Ketchup é uma coisinha tão mandatória aqui em casa (e que frequentemente acaba enfeitando lasagne e tortas, o que me deixa cabreira), que toda vez que mencionava a vontade de preparar em casa, Allex torcia tanto o nariz que eu desistia. Mas os experimentos dos últimos meses têm amaciado o marido para homemade stuff, e quando o Heinz acabou, decidi que era o momento. Afinal, todos os ingredientes esperavam por mim na despensa. "Quero só testar", expliquei. "Se não ficar bom, a gente volta a comprar." Ele concordou.
De todas as receitas que constam em meus livros, foi a de Darina Allen que me chamou mais atenção, pelo uso de maçãs para melhorar o sabor e a textura. Como havia ainda uma batelada de miolos e cascas no meu freezer (metade fora usada para geleia), achei que poderia facilmente substituir as maçãs inteiras pelo mesmo peso em aparas. E sim! Funcionou maravilhosamente! De modo que, guardando as aparas das maçãs comidas no outono e inverno, você tem o bastante para preparar ketchup e geleia no verão e na primavera sem precisar comprar frutas fora de época.
Se eu soubesse que era tão fácil fazer ketchup, teria começado há muito tempo atrás. Usando tomates em lata e aparas de maçã congeladas, o único trabalho foi picar as cebolas e depois bater tudo. Se é mais barato? No meu caso, sim. Com os preços da minha região, e usando tomates pelados em lata, consegui, pelo preço de uma embalagem Heinz de 500g, produzir quase o dobro em volume de ketchup caseiro. Metade foi direto para a geladeira, e metade está em potes esterilizados, na parte escura da despensa. (Preciso dizer que mesmo saindo o mesmo preço, vale a pena ter ketchup cujos ingredientes você controla, e sem high fructose corn syrup? Não né?)
Por conta dos miolos das maçãs, tive de passar a mistura no passa-verdura para separar a polpa dos cabinhos e sementes. Deveria então ter batido tudo no liquidificador para deixar a textura bem lisa, mas me bateu uma preguiça imensa. Fica para a próxima. Porque quando perguntei ao Allex o que poderia fazer para melhorar o produto, sua resposta foi: "Só deixar mais lisinho, porque de gosto tá ótimo!"
Ok, agora até deixo o homem colocar ketchup na lasagne...
:D
De todas as receitas que constam em meus livros, foi a de Darina Allen que me chamou mais atenção, pelo uso de maçãs para melhorar o sabor e a textura. Como havia ainda uma batelada de miolos e cascas no meu freezer (metade fora usada para geleia), achei que poderia facilmente substituir as maçãs inteiras pelo mesmo peso em aparas. E sim! Funcionou maravilhosamente! De modo que, guardando as aparas das maçãs comidas no outono e inverno, você tem o bastante para preparar ketchup e geleia no verão e na primavera sem precisar comprar frutas fora de época.
Se eu soubesse que era tão fácil fazer ketchup, teria começado há muito tempo atrás. Usando tomates em lata e aparas de maçã congeladas, o único trabalho foi picar as cebolas e depois bater tudo. Se é mais barato? No meu caso, sim. Com os preços da minha região, e usando tomates pelados em lata, consegui, pelo preço de uma embalagem Heinz de 500g, produzir quase o dobro em volume de ketchup caseiro. Metade foi direto para a geladeira, e metade está em potes esterilizados, na parte escura da despensa. (Preciso dizer que mesmo saindo o mesmo preço, vale a pena ter ketchup cujos ingredientes você controla, e sem high fructose corn syrup? Não né?)
Por conta dos miolos das maçãs, tive de passar a mistura no passa-verdura para separar a polpa dos cabinhos e sementes. Deveria então ter batido tudo no liquidificador para deixar a textura bem lisa, mas me bateu uma preguiça imensa. Fica para a próxima. Porque quando perguntei ao Allex o que poderia fazer para melhorar o produto, sua resposta foi: "Só deixar mais lisinho, porque de gosto tá ótimo!"
Ok, agora até deixo o homem colocar ketchup na lasagne...
:D
KETCHUP CASEIRO (meia receita)
(Adaptado do livro lindo Forgotten Skills of Cooking, de Darina Allen)
Tempo de preparo: 1h30
Rendimento: 3-4 xícaras, dependendo do quanto apurar
Ingredientes:
- 750g de tomate sem pele e picado (fresco ou em lata)
- 250g de aparas de maçã (miolos e cascas, guardados no freezer ao longo da estação)
- 250g de cebolas picadas
- 1 xic. + 2 colh. (sopa) açúcar cristal orgânico
- 1 xic. vinagre de sidra*
- 1/2 colh. (sopa) sal
- 1/8 colh. (chá) pimenta caiena
- 3 grãos de pimenta-do-reino
- 3 grão de pimenta-da-jamaica
- 3 cravos
*(confesso que usei vinagre branco + vinagre de framboesa + vinagre de xerez, porque precisava acabar com eles)
Preparo:
- Coloque todos os ingredientes numa panela de inox de fundo grosso. Leve à fervura e ferva em fogo brando por cerca de 1 hora, mexendo regularmente com uma colher de pau para evitar que grude, até que tenha a consistência de ketchup.
- Deixe que esfrie por uns 5 minutos e passe a mistura no passa-verdura com o disco de furos menores, para separar os cabinhos e sementes da maçã. Descarte esses restos.
- Passe o purê restante no liquidificador e bata até que fique bem liso e homogêneo. Se ainda estiver com consistência muito líquida, volte à panela e continue fervendo em fogo baixo, mexendo, até que engrosse. Lembre-se de que o ketchup engrossa um pouco depois que esfria.
- Distribua em vidros esterilizados e guarde em local fresco, seco e escuro por 3 meses ou mais. (Na dúvida, guarde na geladeira.)
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Bebê sentado e bolo de mirtilos
"Bebê sentado é vida", disse-me uma amiga outro dia. Ri, mas logo compreendi. De fato, bebê que senta é igual à mãe com um pouco mais de vida de volta. Pimpolho fica ali, sentado sozinho no chiqueirinho, rindo à toa com sua bola de pelúcia, enquanto mamãe consegue alguns minutos extras para ler um email ou entregar um trabalho. Ou mesmo, quem sabe, maravilha das maravilhas, sentar no sofá e ler um livro sem equilibrar bebê no colo.
Nesses momentos de paz de bebê sentado, é bom também aproveitar e fazer um bolo. Tanto melhor um bolo fácil como esse. Já tive minhas cismas com esse livro da Magnolia Bakery, mas hoje percebo que eram mesmo isso: só cismas. O livro é de fato bom, e esse bolo ficou tão macio e saboroso, que ouso pensar em usar sua base com outras frutas, ou mesmo como um bolo de baunilha simples, sem fruta nenhuma. Meu glacê ficou moreninho porque usei açúcar cristal orgânico no lugar do de confeiteiro e fiquei misturando o bendito no fogo até dissolver no creme. Não tem problema. Combina com o bolo igualmente escurinho pela 1/2 xícara de farinha de trigo integral que tive de usar ao dar-me conta de que não havia farinha comum o suficiente na despensa. Coisas de quem tem que ficar de olho no bebê sentado.
OBS: minha lista de livros foi atualizada, agora separada por temas. Dêm uma olhada nas páginas lá em cima, logo abaixo do título do blog. :)
Nesses momentos de paz de bebê sentado, é bom também aproveitar e fazer um bolo. Tanto melhor um bolo fácil como esse. Já tive minhas cismas com esse livro da Magnolia Bakery, mas hoje percebo que eram mesmo isso: só cismas. O livro é de fato bom, e esse bolo ficou tão macio e saboroso, que ouso pensar em usar sua base com outras frutas, ou mesmo como um bolo de baunilha simples, sem fruta nenhuma. Meu glacê ficou moreninho porque usei açúcar cristal orgânico no lugar do de confeiteiro e fiquei misturando o bendito no fogo até dissolver no creme. Não tem problema. Combina com o bolo igualmente escurinho pela 1/2 xícara de farinha de trigo integral que tive de usar ao dar-me conta de que não havia farinha comum o suficiente na despensa. Coisas de quem tem que ficar de olho no bebê sentado.
OBS: minha lista de livros foi atualizada, agora separada por temas. Dêm uma olhada nas páginas lá em cima, logo abaixo do título do blog. :)
BOLO DE MIRTILOS COM GLACÊ DE BAUNILHA
(ligeiramente adaptado do livro More from Magnolia, de Allysa Torey)
Tempo de preparo: 1h30
Rendimento: 1 bolo de 26cm
Ingredientes:
(bolo)
- 1 1/2 xic. farinha de trigo
- 1/2 xic. farinha de trigo integral fina
- 2 colh. (chá) fermento químico em pó
- 1 colh. (chá) sal
- 2/3 xic. óleo vegetal (de preferência de canola)
- 1 xic. açúcar cristal orgânico
- 2 ovos grandes, em temperatura ambiente
- 1 xic. leite integral
- 1 colh. (chá) extrato natural de baunilha
- 1 1/2 xic. de mirtilos frescos ou congelados, passados ligeiramente na farinha
(glacê)
- 1 1/4 xic. açúcar cristal orgânico
- 1/2 xic. creme de leite fresco
- 1/2 colh. (chá) extrato natural de baunilha
Preparo
- Pré-aqueça o forno a 180ºC. Unte e enfarinhe uma forma de furo no meio, de 26cm de diâmetro.
- Numa tigela, peneire as farinhas, o sal e o fermento.
- Na tigela da batedeira, bata em velocidade média o óleo, os ovos e o açúcar, até que fique claro e espesso, cerca de 3 minutos.
- Junte os ingredientes secos em 3 partes, alternando com o leite misturado à baunilha. Bata a cada adição até que fique homogêneo.
- Misture os mirtilos com uma espátula. Derrame na forma e leve ao forno por 60-70 minutos, ou até que esteja dourado e um palito inserido no meio saia limpo.
- Retire o bolo do forno e deixe esfriar na forma por 1 hora. Desenforme e deixe esfriar completamente numa grade.
- Para fazer o glacê, misture os ingredientes numa panela pequena de fundo grosso (ou em banho-maria) e mexa em fogo baixo até o açúcar dissolver. Derrame sobre o bolo frio e espere 1 hora antes de fatiar o bolo.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Sexta Frugal de volta: Faça mostarda
Há coisas que valem a pena serem feitas em casa e outras que não. Há coisas que são mais baratas e mais gostosas feitas em casa, e outras, não. O que define isso é você. Pão, sorvete, iogurte, geleia, caldo de legumes, molho de tomate, massa folhada, bolo e biscoito, para mim, se encaixam na categoria "mais gostoso e mais barato". Queijos... hoje em dia são mais uma aventura ocasional. Para o meu dia-a-dia eles não compensam. Pizza entra na categoria apenas do "mais barato", pois apesar de adorar as feitas em casa, ainda sinto falta daquele gostinho do forno à lenha. Então, meu motivo para fazê-las em casa é puramente econômico, porque tem gente aqui no bairro achando normal pagar quarenta reais numa Margherita. Hein?? :P
Mostarda. Eu odeio a Unilever com todas as forças do meu ser. Bani a maldita da minha casa. E fiquei uma arara quando descobri que todas as mostardas de Dijon que vêm para meus mercados locais são da Unilever francesa. Parei de comprar a mostarda, mas tive uma baita dificuldade para continuar cozinhando, uma vez que mostarda é um dos meus ingredientes favoritos, principalmente em saladas.
Lembrei-me então de que alguns livros meus davam receitas de diversos tipos de mostarda, e fiquei de queixo caído quando vi como era fácil fazê-la em casa. Minha primeira tentativa foi uma receita de Heidi Swanson, que levava mostarda inglesa em pó e as sementes. Moer as sementes cruas no pilão foi uma chatice, pois elas pulam que nem pipoca. Mas a mostarda ficou deliciosa. "Forte, hein? Como mostardas boas têm que ser!", disse meu marido. A segunda tentativa foi com uma receita de Darina Allen, adaptada. Uma parte das sementes fica de molho no vinagre antes de serem esmagadas, o que facilita um bocado, mas quando vi que precisaria moer das secas de novo, omiti essa parte e substituí por mostarda inglesa em pó (que são as sementes moídas), até dar o sabor e a consisência que eu queria. Também fiz algumas experiências, e nessa última usei vinagre de framboesa para deixar as sementes de molho, daí sua cor mais escura. Ficou tão boa, picante, aromática, frutada... Delícia!
E mostarda se encaixa na maravilhosa categoria do "melhor e mais barato". Quando fui comprar os pacotinhos de sementes, a mostarda inglesa em pó e o vinagre, assustei com o preço. Tão caro! Mas daquela quantidade já saiu mais de meio litro de mostarda. Se eu tivesse comprado meio litro de potinhos importados, teria gasto pelo menos o dobro do que gastei com os ingredientes.
Daí que durmo em paz, mantendo a grande multinacional demoníaca banida, e comendo mostarda feita em casa, deliciosa e "personalizada". ;)
Recomendo que você experimente com diferentes vinagres ou mesmo que busque outras receitas pela internet, pois há várias. Para uma mostarda rápida, não integral, basta misturar a mostarda inglesa em pó com um pouco de água, olha que coisa fácil. Você nunca mais vai comprar potinhos caros importados ou mesmo as versões vagabundas em garrafinhas plásticas.
Mostarda. Eu odeio a Unilever com todas as forças do meu ser. Bani a maldita da minha casa. E fiquei uma arara quando descobri que todas as mostardas de Dijon que vêm para meus mercados locais são da Unilever francesa. Parei de comprar a mostarda, mas tive uma baita dificuldade para continuar cozinhando, uma vez que mostarda é um dos meus ingredientes favoritos, principalmente em saladas.
Lembrei-me então de que alguns livros meus davam receitas de diversos tipos de mostarda, e fiquei de queixo caído quando vi como era fácil fazê-la em casa. Minha primeira tentativa foi uma receita de Heidi Swanson, que levava mostarda inglesa em pó e as sementes. Moer as sementes cruas no pilão foi uma chatice, pois elas pulam que nem pipoca. Mas a mostarda ficou deliciosa. "Forte, hein? Como mostardas boas têm que ser!", disse meu marido. A segunda tentativa foi com uma receita de Darina Allen, adaptada. Uma parte das sementes fica de molho no vinagre antes de serem esmagadas, o que facilita um bocado, mas quando vi que precisaria moer das secas de novo, omiti essa parte e substituí por mostarda inglesa em pó (que são as sementes moídas), até dar o sabor e a consisência que eu queria. Também fiz algumas experiências, e nessa última usei vinagre de framboesa para deixar as sementes de molho, daí sua cor mais escura. Ficou tão boa, picante, aromática, frutada... Delícia!
E mostarda se encaixa na maravilhosa categoria do "melhor e mais barato". Quando fui comprar os pacotinhos de sementes, a mostarda inglesa em pó e o vinagre, assustei com o preço. Tão caro! Mas daquela quantidade já saiu mais de meio litro de mostarda. Se eu tivesse comprado meio litro de potinhos importados, teria gasto pelo menos o dobro do que gastei com os ingredientes.
Daí que durmo em paz, mantendo a grande multinacional demoníaca banida, e comendo mostarda feita em casa, deliciosa e "personalizada". ;)
Recomendo que você experimente com diferentes vinagres ou mesmo que busque outras receitas pela internet, pois há várias. Para uma mostarda rápida, não integral, basta misturar a mostarda inglesa em pó com um pouco de água, olha que coisa fácil. Você nunca mais vai comprar potinhos caros importados ou mesmo as versões vagabundas em garrafinhas plásticas.
MOSTARDA DE GRÃOS
(Adaptada do livro lindo Forgotten Skills of Cooking, de Darinna Allen)
Ingredientes:
- 2/3 xic. vinagre de vinho branco de qualidade (usei de framboesa)
- 6 colh. (sopa) sementes de mostarda amarelas e pretas
- 3-4 colh. (sopa) mostarda inglesa em pó
- 1/4 xic. vinagre de vinho branco (para uma mostarda mais suave, use vinagre de champagne)
- 2 colh. (sopa) mel
- 2 colh. (chá) sal
Preparo:
- Para facilitar, já faço a mistura inteira no pote de vidro onde vou armazenar a mostarda depois. Coloque as sementes dentro do pote e cubra com a primeira quantidade de vinagre. Misture, tampe, e deixe em temperatura ambiente por 3-5 dias. Quanto mais você deixar, mais forte será a mostarda.
- Passado esse tempo, abra o pote e, com o socador de um pilão, esmague as sementes no vinagre, tanto quanto conseguir. Acho mais fácil fazer isso no vidro alto do que no pilão baixo e largo, para evitar sujeira.
- Junte a mostarda em pó aos poucos, misturando bem para dissolver os grumos. Então junte a segunda quantidade de vinagre, o mel e o sal, misture bem, tampe e conserve na geladeira. Pode ser usado imediatamente. Faz um pouco mais de 1 xícara de mostarda.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
32 e um bolo
Trinta e dois anos.
*Suspiro*
É difícil não lembrar meus dezesseis anos e os anseios que tinha naquela época. Imaginava que depois dos trinta anos eu seria uma grande diretora de criação de uma mega agência de publicidade, dirigiria um carro fenomenal, teria um apartamento sensacional, um(ns) namorado(s) gostosérrimo(s) e seria uma daquelas mulheres poderosas e fod*nas que o mundo de hoje diz que precisamos ser para sermos felizes. Em momento nenhum passou pela minha mente adolescente que aos 32 anos eu estaria casada, com um bebê de 6 meses, um cão, trabalhando em casa como ilustradora e querendo para mim uma vida cada vez mais caseira e simples. Nada poderia estar tão distante da imagem que tinha do meu suposto futuro.
Então, nesse momento, poderia entrar o texto "mas estou feliz por como tudo acabou acontecendo". E não haveria nada de errado com essa frase, a não ser pela adversativa. "Mas" não se encaixa aqui. O que acho realmente interessante ao comparar o cenário fictício com o real, é o fato de que eu em momento nenhum "não consegui" ser a mulher que eu vislumbrava naquela época. Não há frustração nesse quesito. Ao contrário, todas as oportunidades se apresentaram para que seguisse aquele caminho. Interessante mesmo foi ver como, na hora de decidir o que de fato queria para mim, fui declinando essas oportunidades em detrimento dos meus princípios, que foram amadurecendo ao longo dos anos e me mostrando o que era de fato importante para minha felicidade.
Hoje não reconheço mais aquela pessoa que achava que seria "tudo" ter um Porsche. Mas adoro repensar o processo, os estopins de todas as mudanças em mim, e quase posso ouvir o som das engrenagens se movendo e das chaves estalando em meu cérebro, mudando meu raciocínio, evoluindo meus gostos e desgostos, fazendo novas escolhas.
E vejo como justamente hoje é tão mais fácil escolher. Escolher o simples. Escolher verde. Escolher família. Escolher silêncio. Conforme vou simplificando, eliminando o desnecessário, o extra, o entulho, o que importa se torna evidente e preenche todas as frestas inseguras de minha estrutura. Vou indo hoje a passos mais lentos, tentando não me cobrar tanto a perfeição absoluta – tão difícil –, mas vou mudando pequenos hábitos. Nunca pensei que cancelar a TV a cabo fizesse tanta diferença na minha interação familiar e no meu aproveitamento de tempo. Vendi meu computador para ficar apenas com o lap (não havia motivo para ter ambos, a não ser apego), e vi, surpresa, também minha conta de eletricidade despencar. Cancelei minha conta de todas as redes sociais e me vi cercada apenas de meus amigos de verdade e pessoas que sabem meu telefone. Parei de perder tempo na frente do computador e depois reclamar que não havia tempo para outras coisas, como brincar com o cachorro. Propus a meu marido que ficássemos 30 dias sem gastar dinheiro, inspirada no Extreme Frugality, e o resultado foi melhor do que eu esperava. Não apenas financeiro, mas percebemos como encontramos coisas para fazer juntos e aproveitar a companhia uns dos outros quando simplesmente "sair para gastar dinheiro" está fora da mesa. Como entulhamos nosso lar com tralhas inúteis por simples tédio – levante a mão quem dá um pulinho na Amazon quando não tem o que fazer. o/

Simplificar tem sido a melhor escolha que fiz nos últimos tempos. A vida vai ficando mais fácil e mais leve.
Agora, de simples e leve esse bolo não tem nada. Quatro camadas de um bolo intenso e úmido de chocolate, intercaladas com ganache, caramelo com flor de sal e amêndoas. Esse foi um exemplo do esforço oposto a simplificar, uma vez que, confesso, não foi nada fácil preparar e montar um bolo de camadas com um bebê requisitando minha atenção o dia todo. Encaixar as etapas nos cochilos do pequeno foi um exercício de planejamento não muito bem sucedido. Para quem tem uma tarde livre de interrupções, no entanto, ele é um passeio no parque.
BOLO DE CHOCOLATE COM ECHEIO DE CARAMELO SALGADO
(do livro Bon Appétit Desserts)
Ingredientes:
(caramelo)
- 1 xic. açúcar
- 1/4 xic. água
- 2 colh. (sopa) xarope de glucose
- 1/2 xic. creme de leite fresco
- 1/4 xic. manteiga sem sal, em cubos
- 1/4 xic. sour cream
- 1/2 colh. (chá) suco de limão
- Uma pitada grande de flor-de-sal e mais um adicional para a montagem do bolo
(ganache)
- 650g chocolate meio-amargo picado (não ultrapasse 61% de cacau)
- 3 xic. creme de leite fresco
(bolo)
- 2 xic. açúcar
- 1 3/4 xic. farinha de trigo
- 3/4 xic. cacau em pó
- 1 1/2 colh. (chá) fermento químico em pó
- 1 1/2 col. (chá) bicarbonato de sódio
- 1 colh. (chá) sal
- 1 xic. leite integral
- 2 ovos grandes
- 1/2 xic. manteiga sem sal, derretida e fria
- 1 xic. água quente
- 1 colh. (sopa) café instantâneo
- 1 1/4 xic. amêndoas sem sal, torradas e picadas grosseiramente
Preparo:
(caramelo)
- Misture o açúcar, 1/4 xic. água e o xarope de glucose numa panela média sobre fogo baixo até que o açúcar dissolva.
- Aumente o fogo para médio, cubra e cozinhe por 4 minutos.
- Retire a tampa, aumente o fogo para alto e ferva sem mexer até que esteja com uma cor âmbar intensa, cerca de 6 minutos.
- Retire do fogo. Adicione o creme (vai borbulhar vigorosamente). Com um batedor de arame, misture a manteiga, o suco de limão, o sour cream e uma pitada generosa de flor se sal. Deixe esfriar completamente. Pode ser feito até 3 dias antes. Deixe voltar à temperatura ambiente para usar.
(ganache)
- Coloque o chocolate numa tigela grande. Leve o creme à fervura e derrame-o sobre o chocolate. Deixe amolecer por 1 minuto e então misture até que esteja homogêneo. Deixe esfriar até que fique numa consistência firme o bastante para espalhar sobre o bolo. PPode ser feito até 3 dias antes. Deixe voltar à temperatura ambiente para usar.
(bolo)
- Preaqueça o forno a 180ºC. Unte 2 formas de 21-22cm de diâmetro, forre o fundo com papel-manteiga e unte o papel. Enfarinhe, retirando o excesso.
- Peneire o açúca, farinha, cacau, fermento, bicarbonato e sal numa tigela grande. Junte o leite, ovos e manteiga derretida e bata na batedeira em velocidade baixa até que esteja bem misturado. Aumente a velocidade e bata por 2 minutos.
- Misture o café em pó a 1 xic. de água quente até dissolver e junte à massa, batendo até que fique misturado. A massa será bastante líquida. Divida a massa entre as formas (cerca de 3 xic. cada) e asse até que um palito saia limpo ao ser inserido nos bolos, cerca de 32 minutos.
- Deixe esfriar numa grade por 10 minutos. Passe uma faca nas laterais para soltar os bolos, desenforme, retire o papel e deixe que esfriem completamente.
(montagem)
- Corte cada bolo ao meio. Coloque uma metade de baixo no prato. Espalhe 1/2 xic. de ganache sobre o bolo. Coloque 3/4 xic. de ganache num saco de confeitar com um bico redondo de 0,5cm. Faça um anel de ganache na beirada do bolo. Espalhe 1/4 xic. de caramelo dentro do anel. Polvilhe uma pitada de flor de sal e 1 colh. (sopa) amêndoas. Cubra com outra metade do bolo e repita as camadas, até a última metade. Espalhe o restante da ganache por todo o bolo e pressione as amêndoas picadas nas laterais do bolo. Pode ser feito 2 dias antes. Cubra com uma redoma e leve à geladeira. Retire 1 hora antes de servir.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Quinua com couve-flor assada
Ele faz sujeira. Ele quer segurar a colher. Quer pegar o pote. Quer comer direto do pote, enfiando a cara inteira no purê. Ele emite grunhidos de nhaum-nhaum-nhaum com a colher na boca. Ele mete os dedos no purê e os passa na orelha, nos cabelinhos ralos. As mangas da roupa, mesmo arregaçadas, já foram esfregadas na comida espalhada sobre a bandeja de sua cadeira. Ele inclina todo o corpo em direção à próxima colherada, bracinhos jogados para trás, e então ri, boca escancarada, cheia de comida.
Quando a papinha faz sucesso, ela acaba em quinze minutos. Quando nem tanto, o processo pode durar até uma hora. Os maiores sucessos foram sopa de espinafre com aveia e parmesão, e refogado de legumes (cenoura, couve e repolho) com crumble de tofu. As frutas nem têm mais graça, ele devora todas, mas se animou um bocado com a compota de pera e fava de baunilha e a de pera e cardamomo.
Tinha deixado separada uma sopa de lentilhas e maçã para ele. Mas quando o almoço ficou pronto, decidi que daria uma boa papinha. Como já havia temperado com pimenta, bati a quinua e a couve-flor com leite, para amenizar o apimentado e manter o sabor, além de melhorar a textura para ele. O pequeno raspou o prato e as lentilhas ficaram para amanhã. Orgulho desse moleque! :)
No que diz respeito aos adultos, esse prato era apenas uma salada quente de couve-flor, da revista do Jamie Oliver. Acrescentei quinua cozida para completar a refeição, que ficou muito saborosa. Adoro jeitos diferentes de se preparar couve-flor; principalmente uma que leva coentro, erva adorada aqui em casa.
Corte uma couve-flor média em floretes menores; mergulhe em água fervente com um pouco de sal pr um minuto ou dois, escorra e deixe sair um pouco o vapor antes de dispor em uma assadeira. Amasse no pilão 2 colh. (chá) sementes de cominho, 1/2 colh. (sopa) de coentro em grão e uma pitada de pimenta calabresa. Misture à couve-flor, regue com azeite, tempere com sal e pimenta, misture 2 colheres de semente de abóbora ou girassol e leve ao forno a 200ºC por 20 minutos. Enquanto isso, cozinhe um pouco de quinua segundo instruções da embalagem. Retire a couve-flor, junte coentro e cebolinha picadas, tempere com uma espremida de limão e sirva sobre a quinua. Serve 4 pessoas.
Quando a papinha faz sucesso, ela acaba em quinze minutos. Quando nem tanto, o processo pode durar até uma hora. Os maiores sucessos foram sopa de espinafre com aveia e parmesão, e refogado de legumes (cenoura, couve e repolho) com crumble de tofu. As frutas nem têm mais graça, ele devora todas, mas se animou um bocado com a compota de pera e fava de baunilha e a de pera e cardamomo.
Tinha deixado separada uma sopa de lentilhas e maçã para ele. Mas quando o almoço ficou pronto, decidi que daria uma boa papinha. Como já havia temperado com pimenta, bati a quinua e a couve-flor com leite, para amenizar o apimentado e manter o sabor, além de melhorar a textura para ele. O pequeno raspou o prato e as lentilhas ficaram para amanhã. Orgulho desse moleque! :)
No que diz respeito aos adultos, esse prato era apenas uma salada quente de couve-flor, da revista do Jamie Oliver. Acrescentei quinua cozida para completar a refeição, que ficou muito saborosa. Adoro jeitos diferentes de se preparar couve-flor; principalmente uma que leva coentro, erva adorada aqui em casa.
Corte uma couve-flor média em floretes menores; mergulhe em água fervente com um pouco de sal pr um minuto ou dois, escorra e deixe sair um pouco o vapor antes de dispor em uma assadeira. Amasse no pilão 2 colh. (chá) sementes de cominho, 1/2 colh. (sopa) de coentro em grão e uma pitada de pimenta calabresa. Misture à couve-flor, regue com azeite, tempere com sal e pimenta, misture 2 colheres de semente de abóbora ou girassol e leve ao forno a 200ºC por 20 minutos. Enquanto isso, cozinhe um pouco de quinua segundo instruções da embalagem. Retire a couve-flor, junte coentro e cebolinha picadas, tempere com uma espremida de limão e sirva sobre a quinua. Serve 4 pessoas.
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