quarta-feira, 4 de março de 2009

Salada mexicana de abacaxi e abacate

Ah, se você pensou que era sobremesa, pense de novo. Criei uma ideia fixa com essa salada depois de vê-la na última Gourmet. Parecia tão deliciosa, docinha, refrescante e leve, tão perfeita para as noites absolutamente quentes que andam fazendo... No entanto, ela levava jícama. Pesquisei, pesquisei, pesquisei, e não encontrei nada no mundo vegetal que pudesse substituir a tal de jícama. Portanto, não tive dúvidas e inseri nessa salada mexicana um de meus queijos favoritos, o feta. Sua textura e seu sabor ácido e salgado ficaram perfeitos com o abacaxi e o abacate se desmanchando de maduros.

Para prepará-la, apenas junte abacaxi, abacate e queijo feta cortados em cubos, cebola roxa fatiada bem fina, um pouco de coentro fresco picado e um vinaigrette de duas partes de azeite e uma parte de vinagre branco ou de champagne.

terça-feira, 3 de março de 2009

"Peach Melba" versão verão esturricante?

É como conter em uma tacinha de vidro um pedaço palpável de um pôr-do-sol de verão. Pêssegos maduros, grelhados na frigideira, quentes, sua pele felpuda incólume e sua carne amarelo-forte caramelizada em seu próprio açúcar, derretendo rapidamente essa mistura gelada, refrescante, azedinha-doce de leite, açúcar e framboesas, que ativa numa mordida algo elétrico que vai da ponta da língua até a nuca, fazendo-o fechar os olhos e sentir o cheiro do fim da tarde e o toque morno da luz dourada em seu rosto.

SORVETE DE FRAMBOESA
(do livro The Perfect Scoop)
Rendimento: 1 litro


Bata num liqüidificador 4 xíc.de framboesas congeladas (direto do freezer), 2 xíc. de leite integral gelado, 1 xíc. de açúcar e suco de meio limão, até que fique homogêneo. Passe numa peneira se quiser retirar as sementes (eu não fiz isso, e não me importo com as sementinhas). Como a mistura estará já muito gelada e com consistência de smoothie, pode ir direto à sorveteira, seguindo as instruções do fabricante.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Batatas, repolho e maçãs gratinadas. É, é isso mesmo.

Não aguentava mais olhar para aquele repolho. Comprado na feira, enorme, gigante, colossal, já figurara em saladas, sopas e cozidos, em quase todas as refeições da semana, e ele simplesmente se recusava a terminar. Cheguei a acreditar que ele fincara raízes na gaveta, assim, esquartejado, e ali permaneceria pelo resto de meus dias, botando ordem na bagunça dos outros legumes e criando um exército de vegetais que deixaria a geladeira à noite para fazer de mim ratatouille.

Um dia antes de viajarmos para a praia, entretanto, eu tinha uma missão: acabar com ele, com as batatas que já haviam visto dias melhores e as maçãs que comprara em excesso. Lembrei-me então de um gratin de batatas e maçãs que fizera certa vez, receita de um livro de cozinha vegetariana, e que ficara muito bom. E pensei: "what the hell?!" Batatas, maçãs e repolho: a tríade alemã [hehehe]; o que pode dar errado?!

Bem, aparentemente nada. [!!!] Fatiei as batatas (umas seis pequenas) sem me dar o trabalho de descascá-las, fatiei fino a última maçã verde que tinha, uma cebola, e cortei em tiras também finas o que sobrara do repolho (1/4 de repolho gigante ou 1 inteiro pequenininho). Untei uma travessa com manteiga, e comecei a fazer camadas intercaladas de batatas, cebolas, maçãs e repolho, temperando cada camada com sal, pimenta-do-reino e noz moscada, e um punhado ocasional de parmesão ralado grosso. Cobri com 1 xícara de creme de leite fresco, escondi tudo sob uma camada generosa de parmesão e levei ao forno a 180ºC até que a superfície estivesse bem dourada e um garfo atravessasse sem resistência todas as camadas. Deixa eu falar? Ficou muito bom.

[UPDATE: Quase que esqueci. Depois que postei essa receita, dei-me conta de que seria perfeita para o evento de aniversário do Beto. Então, aqui está...]


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Salada de figos e queijo de cabra por uma vida com mais atenção

Outro dia alguns amigos me escreveram pedindo dicas sobre pratos para um jantar especial. Ajudei no que pude, sabendo que eles não tinham muita (ou qualquer) experiência com as panelas, e, tendo resolvido o assunto, larguei o computador e fui à cozinha lavar as folhas que comprara para aquela semana.

Comecei devagar, separando os pés de alface, e então retirando delicadamente folha por folha, lavando-as e dispondo-as em uma tigela. O dia estava quente e barulhento, mas por um instante tudo o que me interessava era aquela pequena espiral de folhas claras, tenras e imaculadas que se revelavam para mim, o coração do alface, minha parte favorita e que sempre reservo para as saladas mais especiais, com indisfarçada ansiedade.

De repente me vi surpresa por meu grau de concentração naquela tarefa tão mundana, e pelo inegável carinho e atenção que dispensava àquela miniatura de folhas verde-claras e vivas em minha mão. Absorta naquela ação específica e hipnotizada por meus próprios planos para aquelas verduras, já não ouvia o barulho da rua ou sentia o calor sufocante que invadira minha cozinha minutos antes.

Então me dei conta de algo que me entristeceu um pouco.

Com a culinária tão na moda quanto um dia a ginástica aeróbica foi, são cada vez mais freqüentes os pedidos de amigos e conhecidos para que eu lhes ajude ou ensine a preparar um prato X ou Y para impressionar em um jantar especial. Mas conhecendo essas pessoas específicas, sei que elas não apenas não cozinham todos os dias, como também não sentem (e acreditam que não sentiriam) prazer em cozinhar todos os dias, apenas para si. Dei-me conta de que a moda da culinária, de modo geral, não estava produzindo nas pessoas uma renascença do amor pela cozinha, mas tão somente uma vontade de impressionar os outros com um prato de aparência trabalhosa, da mesma forma como, dias antes, fizeram com um celular ou carro novo.

Tinha ainda esse raciocínio corroendo minha mente quando me deparei com um programa de culinária qualquer que prometia ensinar "o segredo da autêntica cozinha italiana". O programa batia nas mesmas teclas de sempre, dos ingredientes sazonais e de qualidade, da pasta fresca, do Parmigiano-Reggiano... e eu estava prestes a desistir do programa quando eles mudaram a reportagem para uma dona de casa italiana colhendo ervas selvagens na beira da estrada e preparando uma refeição tradicional, com um sorriso que lhe rasgava o rosto e uma timidez típica de quem não vê segredo em sua arte. "Não sou nenhuma chef", dizia ela como quem se desculpa, "sono una mamma che cucina." Ela fazia questão de que a repórter sentisse o aroma penetrante de cada um dos temperos, e que aprendesse como preparar esta ou aquela verdura, como quem simplesmente não se conforma que alguém possa passar a vida sem saber preparar uma abobrinha.

Então percebi que era aquilo o que fascinava tanta gente na cozinha italiana, e o que anda faltando na vida de muitos, ouso dizer, até fora do âmbito da culinária. Dizer "cozinhar com amor" soa piegas e cliché. Mas falo de um amor que transcende a simples escolha dos melhores ingredientes, melhores utensílios e técnicas refinadas, e com certeza vai além de simplesmente colocar um prato bonito na mesa. É o amor pelos tomates que se têm nas mãos, seu cheiro, seu gosto, o sol contido neles e o desejo de honrar sua divindade com um destino que exalte suas melhores qualidades. É o amor pelo tempo que você dispensa ao preparo daquela comida, não encarando nunca aqueles minutos ou horas como tempo perdido, mas como o momento de paz, introspecção e dedicação que ele de fato é. Da mesma forma como a meditação requer exercícios prévios para acalmar a mente, também a refeição merece esse momento de calma e preparação. Aí entra também o amor pelo momento de desfrutar aquela comida, não importando se é apenas uma maçã cortada em pedaços, um sanduíche no meio do trabalho ou uma ceia completa entre amigos. Poucas frutas, na minha opinião, contém em sua polpa o sol que as banhou durante o tempo em que cresceram como as uvas o têm. Com um pouco de atenção você consegue sentir na explosão de seu interior suculento o calor do dia em que foram colhidas e o gosto de lugar onde cresceram. E se isso não merecer ao menos cinco minutos de seu dia, nada mais merecerá. Por fim, e acredito que seja o mais importante, há o amor pelos corpos que você alimentará com aquela comida, sabendo que aquele prato formará, reformará e gerará energia a cada célula sua e de quem dividir o jantar com você, e nada pode ser mais importante do que a qualidade do que você põe à mesa e cuidado com que foi aquilo foi preparado. Comida deve ser vista, preparada com e deve gerar alegria. Sempre.

Essa é a cozinha italiana como eu a entendo, como vi e experimentei, e aquela que considero autêntica. A cozinha cuidadosa de minhas avós, que não sabiam exprimir amor de outra forma a não ser através de seu prato favorito. O prazer no preparo caseiro de pratos considerados trabalhosos hoje em dia, e a maravilha de produzir seus próprios legumes, que aprendi com meu pai, ou as histórias de uma cozinha mais frugal e mais satisfatória de tempos mais simples, que ouvi de minha mãe.

Gostaria que junto com a moda da culinária e da gastronomia, tivesse vindo também o amor pelos corações de alface, pelos biscoitos caseiros recém saídos do forno e por um prato de tomates vermelhos de verão polvilhados de sal. Gostaria de ver de fato mais dedicação e cuidado do que apenas um prato "olha só o que eu fiz". Principalmente porque – e isso eu mesma demorei a perceber – a cozinha do "olha só o que eu fiz" é estressante e trabalha com ego e expectativas. Não há frustração quando seu objetivo não é impressionar, mas apenas nutrir, saborear, sentir, experimentar. Seu sanduíche no meio do trabalho pode ser seu oásis de tranquilidade e prazer se tiver sido preparado por você de manhã cedo ou um dia antes, com toda a atenção merecida e com aqueles lindos tomates que você você comprou especialmente para esse lanche.

Toda essa elocubração de uma tarde quente levou-me a essa salada muito simples, com uma das combinações de que mais gosto e que não tem nadinha de novidade: frutas quentes e queijo. Aqueça uma frigideira com um fio de azeite, polvilhe com folhas de tomilho fresco e coloque os figos com a carne para baixo, deixando que caramelizem ligeiramente, sem que queimem. Grelhar ou assar frutas é a melhor coisa a se fazer quando você dá o azar de comprar frutas que não estão lá tão saborosas (e todo mundo sabe que isso acontece às vezes): aquecê-las libera uma doçura antes oculta que faz valer a pena ter caído naquela promoção suspeita do supermercado. Arranje as folhas verdes de sua preferência no prato, distribua algumas fatias de queijo de cabra tipo Chabichou (ou outro queijo mole com casca) e coloque os figos quentes e qualquer caldo que tenha saído deles. Tempere com sal, pimenta, azeite e pinoli (ou nozes) tostados.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Sorvete de laranja sem gosto de pirulito

Há muito tempo atrás, antes da chegada da sorveteira aqui em casa, eu tentara preparar um sorvete de laranja de um livro que considero, na verdade, excelente para todos os sorvetes cremosos, e um desastre para tudo o que concerne às frutas. O livro garantia que o suco de laranja natural não iria bem com nenhum laticínio e que apenas o pasteurizado funcionaria, de modo que a receita levava suco de laranja concentrado. Lá fui eu fazer o bendito e bater na mão, hora após hora, apenas para descobrir, desconsolada, que o sorvete tinha gosto de pirulito. Claro, o que se podia esperar de suco de laranja concentrado??

Por isso demorei a me arriscar com essa receita de Lebovitz.

Porém, num dia desses de extremo calor e vontade de tomar algo refrescante, abri a geladeira e vi que possuía tudo de que precisava para fazer aquele sorvete: laranjas frescas, suculentas e perfumadas, licor de laranja... mas nada de sour cream. Mas agora já estava louca pelo tal sorvete de laranja, e foi aí que resolvi sair substituindo coisas sem pensar muito a respeito. Sour cream virou iogurte integral caseiro e half-and-half virou leite integral. Uma pitadinha de sal para garantir que tudo ia bem e... ficou ótimo.

Para fazer o sorvete, bata no liqüidificador 2/3 xíc. de açúcar, a casca ralada bem fina de 3 laranjas, 310ml de suco de laranja, 1 xíc. de iogurte integral, 1/2 xíc. de leite integral, 2 colh. (chá) de licor de laranja (usei Cointreau) e 1/4 colh. (chá) de sal. Bata bem até que esteja homogêneo e tudo bem dissolvido. Coloque para gelar na geladeira por algumas horas e então faça o sorvete na sorveteira.

Salada caprese do único jeito que me faz suspirar

É difícil compreender a simplicidade de uma salada caprese, a não ser que você já tenha tido em mãos tomates muito vermelhos e suculentos de verão, manjericão muito perfumado, um bom azeite extra-virgem e uma mozzarella de búfala delicada, saborosa e que derreta como manteiga em sua boca. De outra forma, tudo o que você tem é uma salada com gosto de água. Mas quando os planetas se alinham, tudo de que precisa é uma pitada de sal e um pouco de pimenta-do-reino. Qualquer alface, salsinha ou azeitona é uma mácula nessa combinação tão simplesmente perfeita. Uma fatia de um bom pão e uma taça de vinho, e você pode fechar seus olhos e fingir que nada mais existe.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

PADARIA DE DOMINGO 30: forma de pão de forma

Desde que comprara um livro que mencionava essa forma eu a queria. Não importa o quanto eu adore pães rústicos: meu marido é viciado em pão de forma, e se deixar ele compra os do supermercado, empacotados de gordura hidrogenada e outras porcarias. Tudo porque o homem gosta de fazer sanduíches no tostex. Até aí tudo bem já fiz algumas dezenas de pães de forma brancos, ainda que eu sempre arrume uma desculpa para preparar um integral... No entanto, os pães de forma caseiros ficam sempre com aquela superfície abaulada em cima, e essa barriguinha costuma dificultar as coisas na hora de encaixar o pão na sanduicheira quadrada.

Imagine minha felicidade quando encontrei a tal da forma de pão com tampa em uma dessas lojas mais tradicionais de cacarecos para cozinha! Preciso dizer que é um dos cacarecos mais legais para fazer pão, porque ele elimina a última desculpa de qualquer teimoso que não quer comer pão caseiro. A forma funciona maravilhosamente bem, e, untada com manteiga, o pão fica igualmente dourado dos quatro lados e deliciosamente quadradinho e perfeito. O pão também fica bastante úmido, uma vez que a tampa não deixa o vapor sair completamente.

No entanto, tive de fazer uma modificação na receita de pão de forma que mais uso. Isso porque para ficar quadradinho, o pão tem que crescer até alcançar a tampa e preencher todo o espaço. Nada de mais. Bastou refazer alguns cálculos.

Para o pão de forma quadradinho, use esta receita, mas com os ingredientes listados abaixo. Pré-aqueça o forno a 215ºC e, depois de moldar o pão, coloque-o na forma (untada com manteiga) e coloque a tampa (também untada), deixando um espaço de uns 2,5cm para respirar e deixe fermentar pela segunda vez, durante uma meia hora, até que o pão atinja uns 3/4 do tamanho da forma. Então feche-a completamente e leve ao forno por 50-60 minutos, ou até que o pão esteja bem douradinho por igual e tenha um som oco quando batido com os nós dos dedos na parte de baixo. Não se acanhe em tirar o pão da forma para testá-lo. É só colocá-lo de volta no forno, com a tampa fechada por mais 5 ou 10 minutos, ou até que fique pronto.

PÃO DE FORMA QUADRADINHO Rendimento: 1 pão de 650g Ingredientes:
  • 225g água
  • 15g fermento biológico fresco
  • 405g farinha de trigo para pães
  • 10g sal
  • 15g açúcar
  • 20g leite
  • 15g manteiga
Preparo:
Aqui.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Badejo assado com batatas e alcachofras

Já falei muito a respeito de todos os meus problemas com peixe aqui e aqui: sobre o cheiro da cozinha, sobre a confiança no supermercado, sobre o fato de não haver peixaria no meu bairro. Aliás, dado engraçado: acho que já contei uns quatro açougues no raio de cinco quarteirões da minha casa, sem contar os supermercados, e nenhuma peixaria no bairro todo, o que provavelmente diz muito a respeito dos hábitos de consumo do pessoal que mora por aqui.

Outro dia, reclamando a respeito do preço do peixe fresco no supermercado e de não aguentar mais comer atum em lata, um colega da corrida [que já trabalhou no Chez Panisse; imagina o que eu não adooooro conversar com ele!] me indicou uma peixaria fora do bairro que entregava em casa. Maravilha para uma pessoa cujo único meio de transporte é o próprio pé. Nessa semana, finalmente, resolvi testar a danada da peixaria e, assim que voltei do passeio com o cachorro, telefonei e encomendei um pouco de salmão e um pouco de badejo, tudo já devidamente limpo e filetado. Meio-dia em ponto o motoqueiro estava em casa com meu pacotinho de peixe fresco, parte do qual foi direto para a panela do almoço. Posso dizer o quanto estou feliz? Muito. Muito feliz. Estou contentíssima por ter encontrado um fornecedor de confiança.

Sei que se queria peixe fresco e barato, poderia ir ao Mercado Municipal, ao Mercado da Lapa ou ao Ceagesp. Mas pegar carro de mãe emprestado e me enfiar no trânsito apenas por dois filés de salmão? Hmmm... nada prático para alguém que ainda tem que trabalhar, cuidar da casa e passear o cachorro três vezes por dia.

Por essas e outras... aaaah, estou feliz por poder comer um peixinho de vez em quando sem ter que deixar o salário do mês no supermercado.

Hoje no almoço eu tinha esse último filé de badejo para usar, então apanhei como template uma receita de sea bass de Jamie Oliver e substituí os cogumelos por alcachofras, omitindo a manteiga e usando apenas a quantidade de azeite que me convinha. Apanhei meu filé e fiz alguns cortes em sua carne, colocando neles manjericão e salsinha bem picados. Temperei com sal, pimenta e umas gotinhas de limão e deixei de lado. Pré-aqueci o forno a 240ºC e fatiei bem fino duas batatas pequenas com casca e 1 dente de alho. Misturei as batatas com metade do alho, temperei com sal, pimenta e um fio de azeite e levei ao forno por 15 minutos, até que estivessem cozidas. Enquanto isso, apanhei uns 3 fundos de alcachofras congelados [prefiro alcachofra fresca, mas para uma cozinha mais rápida eu perco a paciência com aquela espinheira toda...], fatiei-os, esfreguei-lhes um pouco de limão, e salteei com o restante do alho em um fio de azeite, temperando com sal e pimenta. Retirei as batatas prontas, misturei as alcachofras a elas e coloquei o peixe por cima. Voltei ao forno por mais 15 minutos até que a carne estivesse opaca e pus tudo no prato com um fio de azeite. Ficou tão bom que pretendo comprar mais badejo na semana que vem para poder fazer no jantar, porque foi uma maldade guardar esse prato só para mim... E melhor de tudo: ficou pronto em meia hora. ;)

[P.S.: Aparentemente, sea bass é badejo mesmo. Mas posso manifestar aqui minha dificuldade atroz em descobrir que peixe é qual quando todas as minhas receitas têm os nomes em inglês e nenhum dicionário meu é amplo o suficiente??? Ô, desgraça...]

[UPDATED: Errei!! Sea bass é robalo!!! Nenhum problema. A receita original, então, era para ser feita com robalo, mas ficou sensacional com badejo. Então, faça com qualquer um dos dois...]

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O melhor sorvete de uva do mundo


Está bem, talvez seja um exagero. Mas por unanimidade foi votado aqui em casa o melhor sorvete de uva que Allex e eu já comemos. Muito provavelmente isso tenha a ver com o fato de ser feito... ahn... de uva. De verdade. E na época certa, o que faz com que ela esteja já incrivelmente doce e saborosa.

Há já alguns anos que esperamos ansiosamente pelo mês de fevereiro para encontrar daquela uva pretinha, redonda e doce que parece só existir nessa época. Tudo começou quando fomos passar as férias na casa de um amigo que mora próximo ao balneário de Camboriú, em Santa Catarina. Passeando por uma praia qualquer, resolvemos parar em um quiosque para tomar um suco, e enquanto todos pediam os básicos laranja, limão e abacaxi, um amigo levantou o dedo e pediu um suco de uva.

"Uva?? Mas suco de uva nunca é fresco!", reclamamos todos em uníssono, ao que ele respondeu dando de ombros. Os sucos chegaram, e ao primeiro gole o dono do suco de uva deu um berro.

"Meu Deus! O que é que é isso?? Que maravilha de suco!"
"Ah, vá, só porque tiramos com a sua cara...", provocamos, conhecendo-o o suficiente para saber que ele só poderia estar brincando.
"Sério! Mesmo! Experimenta aê!"

Passamos o copo de um para o outro e todos tiveram exatamente a mesma reação. Era suco de uva fresquinha, de um jeito que nunca havíamos experimentado antes, tão acostumados a suco concentrado ou de caixinha. "Um choque no cérebro", como disse nosso amigo. Não tivemos dúvida. Com nossos sucos ainda pela metade, pedimos também suco de uva. E quando acabamos, pedimos outro. E pediríamos o terceiro, se o dono do quiosque não tivesse vindo à mesa avisar que a uva havia acabado.

"Meu Deus! Que uva é essa? Precisamos fazer esse suco em casa!"
"Ah, só dá agora em fevereiro. Eu compro lá em Joinville...", explicou o senhor do quiosque. Infelizmente, no ano seguinte, quando nossos amigos voltaram ao quiosque, ele havia sido vendido e o novo dono não se dava mais ao trabalho de comprar frutas frescas.

Desde então, chega fevereiro e eu saio maluca vigiando todas as bancas de feira e supermercados atrás de alguma uva pretinha e redonda com a promessa de um suco tão doce. Como não tenho o nome da bendita, no entanto, fui indo na tentativa e erro, até descobrir que a uva mais parecida com aquela era a Isabel. Quando vi a bandejinha baratinha no supermercado esses dias, não tive dúvida e levei para casa. Mas nesse calorão, achei que seria uma ótima oportunidade para testar uma receita de sorvete simplíssima de Marcella Hazan, do livro Fundamentos da Cozinha Italiana Clássica. Não podia ter tomado melhor decisão.

Para fazer o sorvete, no entanto, você precisa de um passa-verdura. Só esse processador manual é que consegue arrancar a polpa das uvas e triturar-lhes parte da casca, mantendo, no entanto, as sementes intactas e separadas. Batendo no liqüidificador, você tritura as sementes e elas liberam um gosto adstringente desagradável. Talvez seja possível amassá-las contra uma peneira, mas acho que daria um trabalho fenomenal e espirraria suco cor-de-beterraba em toda a sua roupa. E suco de uva mancha que é uma beleza.

Para fazer o gelato de uvas pretas, lave as uvas Isabel (450-500g) e tire-as dos cabinhos. Coloque 2/3 xíc. de açúcar cristal orgânico e 1/2 xíc. de água em uma panela e leve ao fogo médio até que o açúcar esteja dissolvido. Coloque esse xarope ralo em uma tigela grande, apóie o passa-verdura (com o disco dos furos maiores) e triture as uvas, deixando que sua polpa caia sobre o xarope de açúcar. Recolha qualquer semente que tenha passado, e misture bem, deixando esfriar completamente. Então bata 1/4 de xíc. creme de leite fresco até quase o ponto de chantilly e adicione à mistura de uva, misturando bem. Apesar de não constar na receita, eu acrescentei uma pitada de sal. Leve à geladeira para resfriar um pouco e congele na sorveteira como ensina o fabricante.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Sexta-feira de pizzoccheri

Costumava precisar de massa para viver. Não sabe o que almoçar? Massa. Está com pressa? Massa. Muito criativa/nada criativa? Massa. Por isso surpreendi-me com a mudança de hábitos quando o macarrão foi banido da minha vida (temporariamente) pela nutri. Subitamente aquela caixa de fusilli começou a parecer não ter mais fim. A massa de todo dia foi trocada por feijões de vários tipos e uma infinidade de grãos integrais. A única exceção é sexta-feira à noite. Como tenho treino longo de corrida na manhã seguinte, o macarrão não apenas é permitido, como obrigatório. No fim das contas, é um hábito que pretendo levar para sempre, pois meu lado metódico gostou e muito de tornar sexta-feira o "dia do macarrão" em casa.

Claro que a nutri tinha em mente uma massinha com molhinho de tomate, bem levinho. Mas não tenho pudores em admitir que minha noite de massa é uma enfiada de pé na jaca. Quer queijo? Bota queijo. Quer manteiga? Taca manteiga. Quem se importa? Vou correr 12km no dia seguinte; tenho certeza que será tudo bem gasto.

Nesta sexta-feira, pude enfim preparar um de meus pratos favoritos: pizzoccheri. Já escrevi sobre ele por aqui. Havia muito tempo queria prepará-lo de novo, e o fato de meus sogros, retornados da Itália, terem nos presenteado com uma caixa de meio quilo da massa foi um sinal dos deuses.

Pena que nunca vi pizzoccheri para vender por aqui, nem em seções de importados. Mas se houver farinha de sarraceno no seu supermercado, não se acanhe em produzir sua própria massa. Vale cada minuto de trabalho. Esta receita com batatas, queijo e repolho, que pode ser tanto o branco quanto o crespo, mais verdinho, é a mais tradicional. Mas ele fica delicioso com abóbora e radicchio, e de outras inúmeras formas. É uma ótima massa para ir ao forno, pois é bem firme e não desmancha fácil, e seu sabor combina muito bem com queijos amarelos fortes e verduras amargas.

Enfim, só quero deixar claro que pizzoccheri é aparentemente "infotografável". Tinha esperanças de tirar uma foto à altura do prato para compensar a imagem horrorosa do primeiro post, mas não teve jeito. :P

Cozinhe isso também!

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