quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Spätzle de alcachofra para bebê comilão e família

Na esperança de que o bebê fofo distraia o povo da foto horrível de comida.
Um dia a frescura passa. Aí ela volta. Mas parece de fato ter passado. Aquela criança que catava salsinha do prato e jogava na mesa, com cara de nojo, tentando desvencilhar das pontinhas dos dedos os pedacinhos verdes, não existe mais. O Matador de Dragões agora experimenta. Pode não gostar. Pode não comer tudo. Mas fica curioso. Quer saber que gosto tem. Quase não preciso oferecer. É ver a mãe, o pai e a irmã comendo e, devagarinho, lá vai ele experimentar. Enchi-me de orgulho e alívio ao vê-lo matando uma pratada de salada de farro com tomate e pimentão-verde, e fritatta cheinha de couve, um pote inteiro de pepinos e cenouras, soba com gergelim, e até fundo de alcachofra, essa coisa cinza com cara de nada mas que é uma delícia. Quando se fala de criança enjoada para comer, agora fico quieta, porque o pequeno parece ter tomado jeito, movido talvez pelo ciúme da irmã, apesar de esse mesmo ciúme às vezes provocar birras à mesa.

Daí que eu preparara alcachofras, e sempre que limpo as danadas morro de dó de jogar todas aquelas folhas fora. E esse livrinho que eu adorei, de uma italiana louca com a coisa toda do desperdício de comida (e que tem um blog em inglês e um em italiano, que é mais atualizado), tinha justamente a solução – não uma solução simplesinha, convenhamos, mas uma que eu estava disposta a bancar: bastava apanhar as folhas e os talos das alcachofras e cozinhar por uns 40 minutos, até amaciarem um pouco e então passar aos pouquinhos pelo passa-verdura, para espremer a polpa para fora e separar das partes fibrosas [essa, por acaso, é a parte "não-simplesinha", porque haja braço para virar a manivela do passa-verdura...]. Fiz isso e consegui de aparas de 3 alcachofras um purê cinzento mas saboroso, equivalente a mais uns 3 fundos de alcachofra extras amassados. Havia ainda instruções para colocar as fibras no forno muito baixo (60ºC) por várias horas até secarem bem e então moer no processador para obter uma farinha de alcachofra, pela qual muito me interessei. Mas meu forno não mantém temperaturas tão baixas, e eu sabia que ia esturricar as fibras e gastar gás à toa. As fibras foram para o minhocário, alimentar minhocas felizes, para depois virarem adubo feliz para plantinhas felizes.

Congelei meu purezinho com intenção de usar num molho de macarrão, mas ele acabou virando receita do mesmo livro: Spätzle de alcachofra com sálvia. O livro (traduzido para o português) falava de usar uma "nhoqueira", mas eu sabia que ele se referia mesmo àquele utensílio engraçado de se fazer essa massinha alemã, e que já vi ser vendido no Brasil como se fosse um ralador (!!!). Não é um ralador. Eu tinha menos purê do que a receita pedia, e minha massa ficou muito espessa, e tive de acrescentar um nadinha de água só para dar o ponto.

Ficou uma delícia, sucesso com o pequeno guerreiro ítalo-germânico, pequena justiceira ítalo-germânica e com o marido... germânico. O fato de ter polvilhado com parmesão por cima foi o toque italiano, mas segundo os três germânicos da casa, tudo fica bom com parmesão por cima. ;)

Spätzle andou aparecendo bastante por aqui nos últimos meses, sempre na versão com espinafre na massa, rendendo bolotinhas muito verdes que eram sempre devoradas pelo meu filho numa época em que nem salsinha ele comia. Era o jeito de enfiar alguma folha verde em sua dieta. Toda vez que preparava, fotografava para publicar aqui, mas esse Spätzle de maquininha nunca fica bem na foto. Além de poder meter na massa verduras e legumes, ele ainda supre a necessidade de independência da pequena-gigante-Madame-Bochechas. Ela quer comer tudo sozinha, e as bolotinhas douradas na manteiga são perfeitas para seus dedinhos desajeitados.

Aliás, no post anterior me perguntaram sobre a alimentação da pequena, e a resposta ficou tão longa que achei mais fácil colocá-la aqui. Laura ficou pouco mais de um mês naquele esquema de papinhas mais simples, para apresentar os sabores diferentes do leite materno a um bebê que ainda mama. Mas logo que metade de suas refeições eram feitas conosco, comecei a preparar nosso jantar pensando nos elementos que eu queria em sua papinha. Comemos muito minestrone nesse inverno, com legumes, feijões, grãos, caldo caseiro, ervas, couves e queijo. Risotto também. Qualquer prato único onde eu pudesse colocar vários elementos e que ficasse bem transformado em papinha. E ela sempre comia o que nós comíamos. Ou o contrário.

Assim que seu primeiro dente nasceu, percebi que ela começava a fazer um movimentozinho de camelo com a mandíbula, tentando mastigar com as gengivas, levando a língua de um lado ao outro da boca. A partir desse dia parei de amassar sua comida e comecei a testar as texturas. Ela conseguia comer fritatta de legumes, ela deixava nacos de parmesão derreterem na boca, ela comia frutas moles em pedaços, e eventualmente aprendeu, como o irmão, a comer uma banana inteira sozinha. Ela come spaghetti que nem adulto [um adulto sem talheres e sem educação, que eventualmente acha graça em chacoalhar os fios de spaghetti no ar como uma cheerleader italiana louca e jogá-los no chão].

Tenho quase certeza de que ela descobriu Deus no dia em que comeu pão pela primeira vez, pois pãozinho em suas mãos (qualquer tipo) é felicidade instantânea, com direito a gritinhos agudos que sempre me lembram gatos brigando.  E come qualquer pão, até italiano, deixando a casquinha dura derreter na boca. Ela come soba com gergelim, acelga gratinada, queijo roquefort, salada de tomates, ovo frito e pizza feita em casa.

Ela tem 10 meses e já faz uns dois que eu simplesmente dou a ela um prato exatamente igual ao nosso (quase sempre com uma porção maior que a do irmão, cujo apetite diminuiu muito depois dos 2 anos, ainda que sempre haja espaço para sobremesa, o safado). Ainda bem, pois ela fica visivelmente brava quando estamos comendo algo diferente.

O que ela pode cortar ou amassar com as gengivas, dou em pedaços maiores. O que pode engasgá-la, corto em pedacinhos bem pequenos, principalmente folhas cozidas. Mas de vez em quando deixo que engasgue um pouquinho, e aprenda a não ser tão esganada. Ou que aprenda a desengasgar sozinha. Parece horrível, mas funciona. E eu nunca deixo ela sozinha comendo qualquer coisa que possa engasgá-la.

Nunca forcei meus filhos a comer feito adultos. Apenas fui observando e testando, observando e testando. Seguindo o ritmo deles. Isso foi ótimo, pois quão fácil é pensar num jantar único para dois adultos, uma criança e um bebê? Também nunca achei que fazia muito sentido ficar dando purê de berinjela sem tempero. Que ser humano come berinjela sem tempero? Se você sempre faz berinjela com missô na sua casa, quanto antes seu filho aprender a comer berinjela com missô, melhor.

Isso me facilitou muito com o Thomas, pois notei que, na fase mais chatinha dele, o que ele recusava não eram os sabores, mas a aparência da comida. Daí comer o Spätzle verde de espinafre mas não as folhas de espinafre, por exemplo.

Eventualmente Laura chegará na fase do não quero, não gosto. Mas agora estou mais escolada e já sei que vai rolar muito Späztle nesse época também. Ninguém reclama, pois é sempre uma delícia. Com ou sem alcachofra.

SPÄTZLE DE FOLHAS DE ALCACHOFRA
(do ótimo Cozinhando sem Desperdício, de Lisa Casali)
Rendimento: 3-4 porções pequenas

Ingredientes:
  • Folhas externas e talos de 4 alcachofras
  • 200g farinha de trigo
  • 2 ovos grandes
  • sal e noz-moscada a gosto
  • 100g manteiga
  • algumas folhas de sálvia
  • queijo parmesão ralado na hora, para polvilhar
  • pimenta-do-reino moída na hora

Preparo:
  1. Ferva as folhas e os talos das alcachofras em pouca água, na panela de pressão, por 20 minutos, contados a partir do momento em que a panela começar a chiar, ou em panela comum por 40 minutos. Escorra, e passe aos poucos por um passa-verdura, obtendo um purê (cerca de 1/2 xícara). 
  2. Coloque o purê numa tigela e adicione a farinha, os ovos, sal e noz moscada, e misture vigorosamente com uma espátula até obter uma mistura homogênea, com textura de massa de panqueca americana. Se ficar líquida demais, junte um pouquinho de farinha extra. Se ficar muito espessa, difícil de mexer, junte umas colheradinhas de água. 
  3. Ferva bastante água numa panela grande e cozinhe o spätzle com a ajuda da maquininha ou à mão, despejando um pouquinho de massa numa tábua e cortando fiozinhos com a faca, direto para dentro da panela
  4. Em uma frigideira grande, que comporte todo o Spätzle depois, derreta a manteiga com a sálvia. Conforme o Spätzle for ficando pronto, vá retirado uma escumadeira e jogando na frigideira, para que doure. 
  5. Distribua nos pratos e sirva com o parmesão e a pimenta por cima. 

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Soufflé de queijo para um dia qualquer (desde que tenham ovos)

Vamos começar usando a imaginação: pense num soufflé de queijo, clássico, douradinho, leve, uniformemente inflado, capa de revista. Foi isso que imaginei quando decidi preparar soufflé de queijo para o jantar. O resultado, no entanto, foi inesperado. [Inesperado? Mesmo? Sejamos sinceros: eu tinha certeza de que não sairia com cara de capa de revista.] Meu soufflé é o soufflé do homem-elefante: desproporcionalmente inflado, o danado vazou no forno por algum motivo e espalhou-se pelas laterais da tigela como um cogumelo nuclear. Bizarrice pura. Mas inacreditavelmente leve e gostoso, mesmo assim, e o Gnocchi adorou comer os pedaços que queimaram no chão do forno.

Então, vamos lá. Imagine um soufflé de revista, já que qualquer coisa que você imagine será melhor do que o objeto de minha fotografia. E, afinal, soufflés perfeitos são todos iguais e todo mundo já os viu. Agora imagine a textura macia, aerada, cremosa, com gostinho de ovos e queijo, dissolvendo na língua. Ok, estamos chegando em algum lugar agora.

A receita apanhei de um livro que adoro: I Know How To Cook, o "Dona Benta", o "Joy of Cooking" das mulheres francesas de várias gerações. Qualquer livro que me diga que escargot e soufflé é culinária caseira me deixa enfeitiçada. Mas por que não seria, afinal? Uma vez passado o terror das claras em neve que todo cozinheiro principiante tem, você se dá conta de que soufflé é na verdade um prato muito simples: molho béchamel grosso acrescido de gemas e claras em neve. E queijo, nesse caso. Mas poderia ser espinafre. Ou cenoura. Ou batata-doce. Ou o que quiser.

E lá vou eu adicionar mais um prato cheio de ovos ao meu repertório, só para tornar esse ingrediente ainda mais indispensável na minha cozinha do que já é. E noutro dia mesmo fiquei matutando, pois fizera essa lista uma vez, há muitos anos: as dez coisas sem as quais não sei o que fazer na cozinha.
E pensei se muita coisa havia mudado...


  1. Creme de leite fresco: vira doce, vira salgado, vira queijo, substitui molho branco, vira sour cream, crème fraîche, mascarpone, engrossa iogurte; não sei cozinhar sem um litro de creme na geladeira.
  2. Farinha de trigo: alguma, qualquer uma, branca ou integral. Passo até sem macarrão em casa, porque se tiver a dupla ovo e farinha, você faz macarrão, spätzle, massa de torta, panqueca, bolo, biscoito, qualquer coisa remotamente comestível. Ando buscando algum lugar que me venda farinha branca orgânica em sacas de 5 ou 10kg a um preço mais em conta, porque o que eu uso de farinha todo mês é um absurdo.
  3. Parmesão. Quem me dera fosse Parmigiano-Reggiano ou mesmo Grana Padano. Não dá pra ir à zona cerealista o tempo todo e não dá para comprar essas maravilhas no supermercado daqui. Então ando buscando alternativas de bom custo-benefício, nacionais ou importadas, pois eis outro item que vai de quilo aqui em casa, inclusive a casca, que, quando não está encerada (com aquela capa colorida ou qualquer película que você consiga descascar), congelo para colocar em sopas para dar sabor e corpo. Pode não ter nenhum outro tipo de queijo em casa o mês todo (raridade), mas parmesão, quando acaba, é um deus-nos-acuda.
  4. Manteiga sem sal: vai na torta, no pão, no bolo, no biscoito, e se pudesse comprar em blocos de 1 ou 2 quilos, como fazia quando morava em São Paulo, compraria. Fico louca com a quantidade de papelzinho metalizado não-reciclável que embala os parcos 200g de manteiga, então pelo menos ando dando uma de Nigella e guardando os papéis na geladeira para untar formas antes que vão irremediavelmente para o lixo comum. [Aliás, fiquem espertos na hora de comprar manteiga e leiam os ingredientes, que devem ser apenas "creme de leite" ou no máximo "creme de leite" e algum texto como "cultura láctea", o que quer dizer que o leite foi fermentado em algum momento, o que dá um sabor diferente (e gostoso) à manteiga. Mas há marcas famosinhas que andam metendo corantes na manteiga para deixá-la mais amarela, o que só me faz pensar que tipo de porcaria fizeram no produto para precisarem enganar o consumidor dessa forma. Pesquisando, descobri que a Pat Feldman já escreveu muito bem sobre isso aqui.]
  5. Ervas frescas. Começou quando conheci Jamie Oliver, há trocentos anos, e achei novidade aquilo de meter ervas em tudo, acostumada a essa cozinha PF de só temperar as coisas com sal. Desde então, virou prioridade ter sempre ervas frescas na cozinha (hoje tenho no quintal alecrim, sálvia, tomilho, estragão, três tipos de manjericão, cebolinha, salsinha, manjerona, hortelã e menta; coentro não vinga, não sei por quê). Acho estranho não meter uma erva fresca em alguma parte do preparo da comida e meu paladar sente falta quando não há nenhuma.
  6. Azeite. Poderia ser outro óleo, mas realmente prefiro o sabor do azeite para cozinhar e temperar saladas em geral. Ando menos chatinha com a coisa italiana, no entanto, e comprando alguns mais em conta, espanhóis e portugueses, muito gostosos. Mas ainda queria ir na zona cerealista e comprar de garrafão.
  7. Tomate. Já passei muita semana a pão com queijo quando mais nova, mas agora com crianças, a nutricionista-neurótica dentro de mim fica louca se não houver nada que tenha vindo da terra no prato dos pimpolhos. E com tomate, dá pra improvisar muita coisa. Como parei de comprar tomate em lata e comecei a congelar passata feita com os tomates orgânicos que compro na feira (que estão mais baratos que tomate italiano em lata), melhor ainda. Percebi como a gente para de tratar tomate como algo natural quando ele vem de uma latinha ou de um vidrinho.
  8. Café em grão. Porque eu não funciono sem café de manhã cedo, depois de ir dormir tarde e ser acordada às 6h pelo meu adorável Cavaleiro-Madrugador-Acorda-com-as-Galinhas-Ítalo-Germânico. E se eu não funciono, não cozinho.
  9. Pimenta-do-reino moída na hora. Admito, coloco em tudo e é bizarro quando vou pegar o moedor e ele está vazio.
  10. Ovos orgânicos, finalmente: agora com mais 2 glutões em casa, vão de 4-5 dúzias por mês, senão mais. Aquela fritatta de 6 ovos que costumava ser requentada no jantar agora vai toda num almoço só. Além disso, a comida preferida do Matador de Dragões é ovo frito.
É. As coisas não mudaram muito. Ficaram mais naturebas ainda do que já eram, e também mais simples, já que não considero mais arroz arbóreo e couscous marroquino uma prioridade absoluta na minha cozinha. Bom, mais simples a não ser na hora de comprar ovos, coisa que tenho de fazer em São Paulo, já que os supermercados daqui não vendem do orgânico e minha banquinha de feira está com o fornecimento interrompido. Do jeito que anda, pra manter a produção de soufflé de queijo, estou pensando seriamente em arranjar umas galinhas. o_O

SOUFFLÉ DE QUEIJO
(Do lindo lindo I Know How To Cook, de Ginette Mathiot)
Tempo de preparo: 25 minutos + 45 minutos de forno
Rendimento: serve 4 pessoas famintas ou 6 mais comedidas

Ingredientes:
  • 1/2 xic. manteiga sem sal + manteiga extra para untar a forma
  • 3/4 xic. farinha de trigo
  • 2 xic. leite integral
  • 1 xic. queijo tipo Gruyère ralado grosso
  • 5 ovos grandes, orgânicos
  • sal e pimenta-do-reino

Preparo:
  1. Pré-aqueça o forno a 180ºC. Unte generosamente com manteiga uma forma grande de soufflé ou 6 formas individuais. [Obs: a forma que eu uso tem 16cm de diâmetro, é daquelas branquinhas, de cerâmica, caneladinhas, paredes retas, forma de soufflé mesmo. Mas OBVIAMENTE é pequena para essa receita, que não menciona o tamanho da forma a ser usada, porque aparentemente qualquer pessoa francesa saberia que um soufflé para seis pessoas não cabe numa forma de 16cm. Então, use uma maior. Se eu tivesse uma, usaria uma de 20cm (tá na minha lista de itens desejados, junto com uma forma de bolo inglês de 25x12cm).]
  2. Faça um béchamel grosso: aqueça o leite numa panelinha e, em outra panela média, derreta a manteiga. Junte toda a farinha à manteiga e misture bem com uma colher de pau, em fogo baixo, até que você sinta um cheiro suave de nozes (2-3 minutos). Você pode fazer essa próxima parte com o fogo desligado se sua panela tiver o fundo muito fino: junte um pouquinho do leite (não mais que 1/4 de xícara). Misture bem com um fouet, para desfazer as pelotas. Só junte mais um pouco de leite (sempre pequena quantidade) quando todo o leite tiver sido absorvido pela farinha. Misture muito bem com o fouet. Vá fazendo isso até que todo o leite tiver sido incorporado. Até as últimas adições, você vai achar que está uma massaroca e que aquilo nunca vai virar um "molho". Mas vira. Quando tiver adicionado todo o leite, você terá um molho branco espesso e liso. Volte para o fogo baixo, tempere com sal e pimenta-do-reino e cozinhe, misturando, até que engrosse (tempo total de cozimento, incluindo o tempo que levou para acrescentar o leite, é de cerca de 10 minutos). Retire do fogo.
  3. Junte o queijo ralado ao béchamel quente e misture bem com uma colher de pau para que o queijo derreta. Deixe esfriar por alguns minutos. 
  4. Separe os ovos. Quando o béchamel estiver suficientemente morno para não cozinhar os ovos, junte as gemas, misturando bem e rapidamente. 
  5. Na batedeira, bata as claras até que estejam com picos firmes mas ainda brilhantes. Pegue algumas colheradas das claras em neve e junte ao béchamel, misturando bem com uma colher de pau, sem se importar em manter o ar das claras. A intenção aqui é apenas tornar o béchamel mais leve para facilitar a incorporação das claras em neve. Aliás, use essa técnica para bolos também. Então apanhe uma parte das claras e, com uma espátula, incorpore rápida mas delicadamente ao béchamel, girando a o recipiente e puxando a massa do fundo para o topo com a espátula. Vá juntando o restante das claras conforme forem sumindo na massa, e tenha certeza de não ver nenhum pedacinho de clara não misturada na massa. Acerte o tempero de sal e pimenta.
  6. Despeje a mistura na forma com cuidado, ajudando com a espátula, aproximando o mais possível a tigela ou panela da forma (despejar de uma altura grande destrói as bolhas de ar). Alise a superfície com a espátula (a forma deve estar cheia até quase o topo) e leve ao forno por 30 minutos. Suba a temperatura para 220ºC e asse por mais 15 minutos. (Se estiver usando formas individuais o tempo é de 10 minutos + 5-10 minutos na temperatura mais alta.) O soufflé deve estar inflado e dourado. Sirva imediatamente, acompanhado de uma salada.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Duas coisas beges com pontinhos brancos e pretos

Uma salgada e uma doce. Uma inspirada num livro do Alain Ducasse, cuja receita não quis seguir à risca, porque envolvia rechear as berinjelas – preguiça monstro – e a outra inspirada no último post da Pat, que tinha blondies apetitosíssimas, mas que levavam biscoito comprado, coisa que quase nunca tem por aqui, o que me fez ir atrás de outra receita.

Uma que ficou uma delícia e com a qual Madame Bochechas se refestelou e outra que também ficou uma delícia e com a qual o Matador de Dragões se esbaldou. Da coisa salgada, o Matador de Dragões comeu apenas um pedaço e decidiu que preferia jantar pepinos, tomate-cereja (assim, no singular, porque foi um só) e morangos. Da coisa doce, Madame Bochechas não comeu, porque eu até cedo e lhe dou um bolo de bananas de lanche quando não há fruta madura ou ela me olha de ares pidões ao ver o irmão comendo doce; mas doce pelo doce, sem nem uma frutinha dentro, aí acho demais para seus parcos dez meses e dois dentinhos.

Pois é. Dez meses. 

Logo logo minha menina bochechas de brioche e coxinhas de marshmallow faz um ano. Um ano inteiro. Ela já fala ma-ma (o que anda animando o irmão a soltar a língua, enfim), já come sozinha e sem que eu precise amassar nada, e quer ficar de pé o tempo todo. E logo logo ela estará correndo alucinada pela casa, e eu correndo atrás, dela e do irmão ao mesmo tempo, cachorro trançando nas pernas de todo mundo. 

Logo logo ela começará a fase do não quer comer isso ou aquilo, enquanto o irmão gradativamente deixa essa fase para trás – ele tem sido curioso e no mínimo experimentado o que coloco em seu prato, apesar de nem sempre continuar comendo.

Logo logo ela vai querer vestir cor-de-rosa e querer coisas de princesa, enquanto eu tento ensiná-la nomes de armas medievais e bandas de metal melódico. 

Enquanto isso, clafoutis de berinjela e queijo de cabra e blondies de dois chocolates e castanha-do-pará.

CLAFOUTIS DE BERINJELA E QUEIJO DE CABRA
(livremente adaptado do livro Nature, de Alain Ducasse)
 
Ingredientes:
  • 3 berinjelas pequenas ou duas médias, cortada em cubos de 1cm
  • 1 cebola grande, picada
  • 2 colh. (sopa) azeite
  • 1 dente de alho grande, picado
  • alguns ramos de manjerona fresca
  • 180g queijo de cabra fresco
  • 5 ovos grandes
  • 1/2 xic. creme de leite fresco
  • 3 colh. (sopa) farinha de trigo
  • sal e pimenta-do-reino moída na hora

Preparo:
  1. Pré-aqueça o forno a 205ºC. Unte um refratário grande com manteiga. 
  2. Esquente o azeite numa frigideira grande e refogue a cebola até que fique translúcida. Junte a berinjela e metade das folhas de manjerona, tempere com sal e pimenta e refogue em fogo médio, mexendo de vez em quando, até que a berinjela esteja cozida e ligeiramente dourada. Acerte o sal e a pimenta e espalhe a berinjela na travessa untada. 
  3. Numa tigela, bata com um fouet os ovos, o creme e a farinha, até que fique bem homogêneo. Tempere com sal e pimenta. 
  4. Despeje a mistura de ovos sobre a berinjela. Esmigalhe o queijo por cima, polvilhe com o alho picado e o resto das folhas de manjerona e tempere com mais um pouco de pimenta-do-reino. Leve ao forno por quarenta minutos ou até que esteja dourado nas bordas e uma faca inserida no meio saia limpa. (O tempo pode variar de acordo com o tamanho do refratário, se a mistura estiver mais espalhada ou mais espessa, então confira após meia hora de forno.) Sirva quente, acompanhado de uma salada. serve dois adultos e duas crianças tranquilamente.

BLONDIES DE DOIS CHOCOLATES E CASTANHA-DO-PARÁ

Ingredientes:
  • 1 xic. farinha de trigo
  • 1/2 colh. (chá) fermento químico em pó
  • 1/4 colh. (chá) sal
  • 120g manteiga sem sal
  • 3/4 xic. + 2 colh. (sopa) açúcar mascavo claro
  • 1 ovo grande
  • 1/2 colh. (chá) extrato natural de baunilha
  • 1 colh. (sopa) rum escuro
  • 2/3 xic. castanha-do-pará picada
  • 30g chocolate meio amargo picado ou em gotas (53%)
  • 30g chocolate branco picado ou em gotas

Preparo:
  1. Pré-aqueça o forno a 180ºC. Se sua forma quadrada de 20cm não tiver fundo removível, forre-a com papel alumínio. 
  2. Numa tigela, misture a farinha, o sal e o fermento. Reserve.
  3. Derreta a manteiga numa panela média em fogo baixo. Remova do fogo e junte o açúcar mascavo, misturando bem com uma colher de pau. Junte o ovo, a baunilha e o rum e misture bem.
  4. Junte a farinha, misture bem com a colher e então junte metade das castanhas picadas. 
  5. Despeje na forma, espalhando de forma uniforme. Polvilhe com o restante das castanhas e os dois chocolates.
  6. Leve ao forno por 20-25 minutos, até que esteja dourado em cima e se destacando das laterais. Não asse demais. 
  7. Retire do forno e deixe esfriar ainda na forma, sobre uma grade. Remova da forma e corte em 16 quadradinhos. Pode ser mantido em pote fechado por até 4 dias.
 

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Pão de beterraba em semana de gororoba ou de fermentador na geladeira

 Depois de um hiato ocasionado por problemas pessoais, voltamos a produzir cerveja em casa. Isso é ótimo, pois além de meu marido poder ter ele também essa sensação boa de produzir algo com as próprias mãos – o que é totalmente diferente de trabalhar no computador –, de quebra, diminuímos o custo da manguaça. Afinal, beber cerveja de milho já não dá mais; porém, cerveja que presta para consumo regular acaba saindo caro.

O único problema que vem com a produção de cerveja em casa é o que fazer com o diabo do fermentador quando ele precisa ficar uma semana na geladeira. Sem medir coisa nenhuma, pegamos um frigobar que minha irmã não queria mais, mas é claro que aquele baldão gigante não coube nele. Tudo bem, o frigobar virou a geladeira das bebidas, salvando espaço na principal para a comida. Mas agora, na nossa agenda cervejeira, praticamente uma semana por mês preciso retirar uma prateleira da geladeira e colocar o danado do fermentador lá dentro, me deixando, além da gaveta de legumes e da porta, apenas uma prateleira para acomodar a comida de 2  adultos e 3/4 (Thomas = 1/2, Laura = 1/4, se bem que em termos do que cada um come, deveria ser o contrário).

Lá vou eu replanejar todo o cardápio do mês e transferir a semana da gororoba para a semana do fermentador na geladeira. Lembrando: semana da gororoba é a semana em que não faço nem feira nem supermercado, para poder dar cabo do que anda esquecido na despensa e no freezer. Não fazer compras na semana do fermentador ajuda a liberar o espaço de que a adorada cerveja precisa.

Daí que resolvi apanhar as beterrabas assadas que ocupavam o precioso lugar da cerveja e resolvi usá-las num pão, pois Laura e Thomas já haviam comido tanta beterraba no almoço e jantar dos dias anteriores, que suas roupinhas babadas de comida pareciam fruto de um massacre.

Apanhei uma receita simples do Paul Hollywood e adaptei trocando a manteiga por azeite, e acrescentando as beterrabas em forma de purê. A massa ficou imediatamente vermelha e bastante úmida, e tive de sová-la à la Bertinet, daquele jeito que não se enfarinha a superfície e se trabalha a massa bem melequenta, incorporando ar até que fique com uma deliciosa textura macia e lisa como uma bexiga cheia d'água.

O dia estava quente e o pão fermentou bem rápido, e o assei na pedra. Mas tive problemas para deslizá-lo para ela, pois era grande e úmido e grudou em locais que não havia farinha, ficando um pouco torto em um dos lados. Na próxima vez vou fermentá-lo em um pote forrado e enfarinhado e apenas invertê-lo sobre a pedra, ou mesmo fermentá-lo direto na assadeira que irá ao forno.

De qualquer forma, ele ficou incrivelmente macio, de casca fininha e macia, e a beterraba, além de lhe conferir uma cor interessantíssima (esse rosa por fora e alaranjado por dentro), deu ao miolo um sabor entre o terroso e o adocicado bastante complexo e delicioso.  

Bom para comer torrado com manteiga e café e bom para comer com queijo e cerveja. :)

PÃO DE BETERRABA
Ingredientes:
  • 500g farinha
  • 10g fermento ativo seco instantâneo
  • 10g sal
  • 30g azeite
  • 1/3 xic. purê de beterraba assada ou cozida (sem nenhum tempero)
  • 320ml água em temperatura ambiente (ou morna de o dia estiver muito frio)
Preparo:
  1. Coloque a farinha numa tigela grande. Disponha o fermento num canto da tigela e o sal em outro. Junte o azeite, o purê de beterrabas e vá juntando a água aos poucos. misturando tudo com os dedos. A massa ficará bastante grudenta. 
  2. Derrame a massa sobre uma bancada não enfarinhada, tente apanhá-la por baixo com os dedos, puxe para cima a parte mais próxima de você e dobre-a sobre si mesma. Repita, virando a massa 90ºC. Vai parecer tarefa impossível, mas eventualmente a massa começará a tomar forma e ficar lisa e elástica, mas ainda ligeiramente grudenta, depois de cerca de 8-10 minutos. Povilhe com um pouco de farinha, forme uma bola e coloque numa tigela untada com azeite. Cubra com filme plástico e deixe fermentar por no mínimo 1 hora, até que dobre de tamanho. 
  3. Polvilhe a bancada e derrame ali a massa fermentada. Sove ligeiramente para retirar o ar e, com mãos enfarinhadas, forme uma bola novamente. Coloque sobre uma assadeira enfarinhada, polvilhe com farinha por cima e cubra com um pano. (Alternativamente, pode-se dividir a massa em dois pães menores.) Deixe fermentar por no mínimo 30 minutos, ou até que dobre de tamanho novamente. Enquanto isso, pré-aqueça o forno a  220ºC.. 
  4. Quando o pão tiver dobrado de tamanho, faça quatro cortes em cima, formando um quadrado, e leve ao forno por 40 minutos, ou até que produza um som oco ao bater na parte de baixo do pão com os nós dos dedos. Retire o pão da assadeira e deixe que esfrie completamente sobre uma grade. 

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O menor bolinho de quatro camadas do mundo: forever alone

Eu sempre gosto de fazer festa no meu aniversário: receber gente, planejar cardápio e, principalmente, fazer um bolo de camadas.

Este aniversário, no entanto, foi exceção. Estava sem energia para receber gente enquanto corro atrás de criança desfraldando, sem imaginação para um cardápio...  bom, vontade do bolo de camadas ainda havia. Mas bolo gigante de camadas para 2 pessoas e meia (Laura ainda não come doce) era coisa demais.

E lembrei do Miette, esse livro lindinho de páginas rendadinhas, com bolos e doces gostosos e pequerruchos. Estava esperando uma oportunidade de preparar um dos bolos pequeninos e essa era a ideal.

Escolhi um bolo simples, um butter cake de baunilha com cobertura de ganache de chocolate. Mas eu tinha apenas uma forma do tamanho certo, 15-16cm de diâmetro, e a receita fazia dois bolos. Resolvi arriscar e usei com imenso sucesso minha forma de soufflé para um dos bolos. Então já fica a dica: dá pra fazer esse bolo numa travessa funda de soufflé. O bolo foi fácil e ficou lindinho, é denso e fácil de cortar em quatro camadas, principalmente se tiver passado um tempinho na geladeira, embalado em filme plástico. A ganache foi uma revelação: normalmente tenho problemas com ganaches, algumas com gosto só de chocolate derretido, muito fortes, arranhando o céu da boca. Essa é a melhor que já provei: perfeitamente doce, derrete na boca, combina maravilhosamente com o bolo simples de baunilha.

Bolo pronto, olho para os lados.

Marido teve de sair cedo para trabalhar. Eu iria a São Paulo para meu curso de aquarela e voltaria apenas tarde da noite. As crianças não entendem o conceito de aniversário. O cachorro lambia o próprio rabo debaixo da mesa da cozinha.

Ninguém pra cantar parabéns. Forever Alone.

Um bolo de camadas minúsculo, perfeito para os solitários. Perfeito para quem esqueceu que bolo de aniversário, sem parabéns, é só bolo.

No fim, depois do curso, já bem tarde, crianças dormindo, minha mãe e minha irmã cantaram e cortamos o bolo. Não sem antes cuspir meus pulmões pra fora tentando apagar as velas, uma vez que minha mãe comprou um três e um quatro de uma variedade que não apaga fácil e eu ando com uma tosse que faria inveja a pintores tuberculosos do século XIX.

Em casa, o marido me esperava já pra lá de meia-noite, com um abraço e cerveja stout, minha favorita.

Hoje, Thomas levou de lanche na escola a menor fatia de bolo de quatro camadas do mundo.

BUMBLEBEE CAKE
(do lindinho Miette, de Meg Ray e Leslie Jonath)
Rendimento: 2 bolos, cobertura bastante para 1

Ingredientes
(bolo)
  • 1 2/3 xic. farinha de trigo
  • 2 colh. (chá) fermento químico em pó
  • 3/4 colh. (chá) sal
  • 200g manteiga sem sal em temperatura ambiente
  • 10 gemas de ovos grandes, em temperatura ambiente (congele as claras para fazer angel food cake depois!)
  • 2/3 xic. buttermilk (leite + 1 colh. vinagre, deixado em temperatura ambiente por meia hora)
  • 1 colh. (chá) extrato de baunilha
(xarope)
  • 1/4 xic. açúcar cristal orgânico
  • 1/4 xic. água
(ganache) 
  • 280g chocolate picado (60% ou o que preferir; usei uma mistura de 180g 54% e 100g 70%)
  • 2/3 xic. açúcar cristal orgânico
  • 3/4 xic. + 1 colh. (sopa) creme de leite fresco
  • 2 gemas de ovo grandes
  • 3 colh. (sopa) manteiga sem sal em temperatura ambiente

Preparo: 
  1. Unte generosamente com manteiga duas formas altas de 15-16cm de diâmetro (pode ser forma de soufflé). Polvilhe com farinha e bata fora o excesso. Pré-aqueça o forno a 180ºC.
  2. Peneire a farinha, sal e fermento numa tigela e reserve.
  3. Na batedeira, com a pá, se for planetária, bata a manteiga e o açúcar em velocidade média por cerca de 10-12 minutos, até que esteja bem fofa e clara.
  4. Junte as gemas em 3 adições, batendo bem a cada vez, para que a mistura não talhe e raspando as laterais com uma espátula a cada vez. Aumente a velocidade da batedeira por mais 30 segundos.
  5. Junte o buttermilk à baunilha numa tigela. Com a batedeira em velocidade baixa, junte 1/3 da farinha, batendo apenas até que esteja incorporado. Junte 1/2 do buttermilk, e continue adicionando a farinha e o buttermilk, terminando com a farinha.
  6. Raspe com uma espátula as laterais, para ter certeza de que a farinha está bem incorporada e distribua a massa nas formas, alisando com a espátula. Asse por 35-40 minutos, até que estejam dourados e um palito saia limpo ao ser inserido no centro dos bolos.
  7. Retire e deixe esfriar na forma, sobre uma grade, por vinte minutos. Então passe uma faquinha nas laterais, desenforme e deixe esfriar completamente. Embale em filme plástico e leve à geladeira por no mínimo 1 hora e no máximo 3 dias (fica mais fácil cortar o bolo gelado, e os sabores se desenvolvem). Se quiser congelar, embale numa segunda camada de plástico e congele por até 2 meses.
  8. Numa panela, misture o açúcar e a água do xarope. Leve à fervura e cozinhe até que o açúcar dissolva. Desligue o fogo e deixe esfriar. 
  9. Para a ganache, coloque numa tigela o chocolate e o açúcar. Coloque o creme em uma panela e leve ao fogo médio. Quando começar a ferver, retire do fogo e derrame sobre o chocolate, mexendo bem para ele comece a derreter. Coloque a tigela sobre uma panela com água em fervura branda e mexa o chocolate até que esteja derretido e homogêneo. 
  10. Retire a tigela do fogo. Bata as gemas numa tigela separada e junte aos poucos 1/2 xic. do chocolate quente, para temperar as gemas. Volte a mistura para a tigela principal e misture bem. Junte a manteiga e misture até que ela esteja incorporada e a mistura esteja homogênea e brilhante.
  11. Deixe esfriar até temperatura ambiente. Se não for usar na hora, pode levar à geladeira. Se firmar demais, coloque em banho-maria até ficar com consistência de manteiga mole. 
  12. Retire o bolo da geladeira e corte em 4 camadas iguais. Pincele as camadas com o xarope frio. Posicione a camada debaixo no prato e coloque 1/4 xic. de ganache no centro. Espalhe com uma espátula. Coloque a camada de cima e repita o processo até encaixar a última camada. Aplique um pouco da ganache nas laterais do bolo, passando a espátula sempre no mesmo sentido. Suba para a parte de cima e espalhe. Não use toda a ganache, apenas cubra mais ou menos a superfície do bolo. Leve à geladeira por uma hora. 
  13. Coloque o restante da ganache na batedeira e bata com a pá (alternativamente bata com a espátula; não use batedores de arame para não incorporar ar demais) até que fique cremosa, brilhante e um pouco mais clara. Espalhe nas laterais do bolo e então na parte de cima. Essa ganache é difícil de deixar lisinha; é mais fácil criar desenhos com a espátula. O bolo fica melhor servido em temperatura ambiente, ou a ganache fica firme. Conserve em geladeira, mas retire cerca de 4 horas antes de servir.
Observação: a receita dizia produzir 3 xic. de ganache, 2 das quais seriam usadas no bolo. Usei toda a ganache num bolo só.



terça-feira, 1 de outubro de 2013

Geleia de casca de laranja

Foto horrível que parece tirada de um livro dos anos 70.
Seguindo os últimos posts, os queridos leitores hão de acreditar que estou encolhida num canto num cobertor puído fazendo sopa de pedra para meus filhos. Bom, não é isso. Quem está aqui desde o começo conhece minha crescente cisma com desperdício. Ao longo dos anos houve experiências bem sucedidas, outras mais ou menos e um punhado que foram por água abaixo, como minha tentativa de reduzir minhas embalagens a zero. Algumas coisas você só consegue quando vive em países com gente que se importa, ou quando todos na casa embarcam na mesma loucura. Mas se há um desperdício que consigo garantir que não exista aqui em casa é o de comida.

Quando me mudei, comprei várias mudinhas e sementes para plantar toda sorte de alimentos no meu quintal, dando prioridade para variedades que não encontro no mercado, como manjericão tailandês, tomates de cores e formatos diferentes e tomatillo (parente da physalis, usado em culinária mexicana). Fiz tudo bonitinho, plantei em sementeiras, cuidei, reguei, adubei, etc. Morreu tudo. Um vento forte, uma queda de temperatura, chuva inesperada por um mês inteiro, e lá se foi todo meu dinheiro e trabalho. E eram só alguns vasinhos. Como poderia ser tão difícil cuidar de só alguns vasinhos??

Acredito que se todo mundo tivesse que plantar uma batata na vida não haveria tanto desperdício de comida. A noção do trabalho que dá fazer aquela uma batata crescer e dar mais batatas faz com que você pense duas vezes antes de deixar aquele saco de batatas na cozinha ficar verde e apodrecer. Faz você usar o que sobrou das batatas assadas de ontem. Porque minha mãe bem dizia que é pecado jogar comida fora, e, a parte qualquer referência religiosa, eu concordo. É um desrespeito com o universo, falando de forma mais holística. Um desrespeito, senão com a natureza, com você mesmo, com o tempo que você demorou para ganhar aquele dinheiro, ir à feira e transformar seu trabalho em salada de batata para o almoço. Esses nossos tempos em que basta ir ao corredor da empresa, meter uma notinha amassada de real numa máquina e ela te devolver um barrinha de cereal cujo ingrediente foi colhido por uma máquina, processado por uma máquina, embalado por uma máquina e transportado por uma máquina até a máquina que está lhe oferecendo lanchinhos infinitos e sem sazonalidade por uma quantia módica de moedinhas, faz com que percamos completamente a noção do valor real daquele cerealzinho dentro da barrinha. E quando a gente percebe que não estava, assim, com fome, era mais gula mesmo, mas o que eu queria era um pão de queijo, a barrinha vai pro lixo, metade ainda na embalagem metálica, como se outra fosse ser simplesmente conjurada na sua mão quando você estiver com vontade outra vez. E é isso o que fazemos quando compramos comida pronta: a comida é conjurada, surge de combustão expontânea, trocada por um valor virtual que você não vê saindo do seu cartão de crédito, um dinheiro que nunca efetivamente pesou na palma da sua mão.

Desconexão.

Desperdício.

Isso está na minha mente o tempo todo.

E sempre me incomodou aquele monte de casca de fruta indo para o lixo. Casca de abacaxi vira chá, que Thomas adora. De maçã, vira geleia (aliás, tem um inverno inteiro de casca de maçãs no meu freezer esperando justamente isso). E de laranja? Thomas adora suco de laranja, e eu detesto aquele volume todo de cascas espremidas no lixo.

Comecei a guardar as cascas numa vasilha na geladeria. Quando enchi a tigela, com cerca de 8-10 laranjas, resolvi adaptar uma receita de marmalade com gengibre que eu fizera uma vez, para usar apenas as cascas. E não só deu super certo como ficou uma delícia.

É imperativo que se usem laranjas orgânicas. As comuns são enceradas, e por mais que você esfregue, não vai conseguir tirar toda a cera impregnada nas reentrâncias da casca. E você com certeza não quer comer geleia de cera industrial. :P

Sempre que usar as laranjas, guarde as cascas num pote aberto na geladeira (com as sementes, inclusive). Elas podem ressecar um pouco, mas vão se manter ok por umas duas semanas até que você junte o bastante. Quando tiver umas 8-10 laranjas ali, coloque numa panela não reativa, cubra com água, coloque um pedaço de gengibre descascado do tamanho de um dedo da mão e leve à fervura. Tampe, desligue o fogo e deixe esfriar.

Retire as cascas, que devem estar bem molinhas, e o gengibre, reservando o líquido. Com a ajuda de uma colher, raspe a parte interna das cascas, retirando a parte branca, sementes e qualquer parte fibrosa. Coloque toda essa polpa num pano tipo musselina e amarre bem. Corte as cascas em fatias finas (as minhas ficaram grossas, que eu estava meio sem tempo) e pique o gengibre. Meça o líquido da panela e complete com água até dar 5 xícaras. Junte 1kg de açúcar cristal orgânico, e mexa até dissolver o açúcar. Coloque de volta o gengibre, as cascas e o pano fechado com a polpa retirada e leve à fervura. Cozinhe por 10 minutos, retire o pano com a polpa, que pode agora ser descartada, e continue mexendo, em fogo médio-alto até que suba alguma espuma, que deve ser retirada com uma escumadeira. Cozinhe, mexendo de vez em quando, em fogo médio, por mais uns 40 minutos, ou até que o líquido esteja brilhante e dando o ponto. Para testar o ponto: coloque um pires no freezer. Quando achar que a geleia está boa, retire o pires e despeje uma colher da geleia nele, voltando ao freezer por uns dois minutos. Retire novamente: a geleia deve ter formado uma película por cima e não deve estar líquida. Não apure demais, ou a geleia virará um caramelo que vai endurecer quando esfriar. Caso, depois de fria, tenha ficado muito líquida, basta voltar para a panela e cozinhar mais um pouco.

Envase em vidros esterilizados. Na dúvida, mantenha na geladeira. Rende 3 vidros como o da foto. 

Outras coisas boas para se fazer com casca de cítricos:
  • raspar a casca antes de usar a laranja para suco e juntar num pote separado de açúcar, para quando uma receita doce pedir por raspas e você não tiver a fruta em casa (o açúcar absorve a umidade das raspas como faz com a baunilha, e fica aromático e preserva a casca);
  • casca cristalizada (o processo é parecido, há muitas receitas pela net, e poupa uma grana na época de fazer os doces de natal;
  • multiuso.
Mais sugestões? ACEITO. :D

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Almoço e jantar na mesa da cozinha, legumes no forno e uma loja nova

Crostini de tomate, polenta e saladinhas diversas.
Daí que nisso de comida estar cara pra dedéu me impus um orçamento mensal do qual não pretendo fugir mais. E daí que nisso de comer coisinhas variadas na mesa da cozinha, muitos dos meus almoços tem tido mais ou menos essa cara. E daí que meus ovos acabaram, não tinha macarrão, e por dez segundos tive um surto psicótico, pois não sabia o que preparar; não havia polenta para um adulto, uma criança e um bebê, e não dava tempo de preparar mais. Também não havia sobrado mozzarelinha o bastante da saladinha de tomate da noite anterior para nada mais substancial. Então o restinho de polenta foi requentado, saladinhas foram montadas e temperadas, e o pão de transantontem, seco e esturricado, virou crostini com tomate bem maduro, alho e bastante azeite.

E esse esquema tem funcionado bem para que o pequeno matador de formigas coma seus legumes. Afinal, está ali, e ninguém o força a pegar, e afinal, papai e mamãe fazem sons de "hmmmm" ao comer rabanete, então rabanete deve ser bom. E come-se cenoura, e come-se rabanete, e come-se pepino, tudo bem temperadinho. Tomate, por algum motivo, não. Só no molho do macarrão. ¬_¬

E esse esquema tem funcionado também para manter o orçamento em dia e em dia também as pelancas da mamãe, que não aumentam com o sorvete de morango da sobremesa porque se entupiram de rabanete, pepino e cenoura antes. Quanto tempo vai durar o interesse pelo "bar de salada"? Vai saber. Mas enquanto durar, a criança [e os pais] come seus legumes.

E a pequena caçadora de rabo de cachorro? Come da mesma coisa. Polentinha, tomate bem picadinho, cenoura ralada fininho, mozzarelinha que derrete na boca. Mas sobremesa pra ela é pera, não sorvete.
Pra não falar que tenho favoritos, tá aqui a foto da Madame Bochechas se refestelando de pera.

Daí que no jantar o pequeno devorador de ovos de codorna está sempre meio sonado e birrento e quase nunca come alguma coisa direito. Então me dou o direito de preparar o que eu bem entender, já que vai ficar no prato mesmo. E de novo: o que é que eu faço sem ovos em casa?? Nunca pensei que ficaria tão perdida.

Bom, faço mais legumes. [Em tempo: não é que acabou o dinheiro para os ovos; é que sei que se for ao mercado comprar, vou acabar levando outra coisa junto pra aproveitar a viagem; e instituí que dia de supermercado é quinta, o mesmo da feira.]

A foto antes de ir ao forno é tão mais bonita...
Abobrinhas e tomates no forno e salada de beterraba e agrião.
A salada foi adaptada daqui, feita apenas sem o vinho e as folhas de beterraba, que já haviam sido consumidas em forma de macarrão na quinta passada. O outro prato é do sempre ótimo e prático I Know How To Cook, a "Dona Benta" francesa. Adoro esse livro pois os pratos levam sempre pouquíssimos ingredientes, e sempre fica bom. 

No caso desse prato específico, no entanto, recomendo apenas se seus tomates estiverem bem maduros e saborosos, pois o sabor do prato finalizado é bem suave, e com os tomates errados, pode beirar o insosso. Também por isso, recomendo carregar no tempero. 

Pode ser mais fácil? Fatie fino 2 abobrinhas médias e meio quilo de tomate, esses fatiados um pouco mais grossos que a abobrinha. Unte uma travessa refratária com azeite e arranje os legumes, alternando as fatias. Tempere generosamente com sal e pimenta-do-reino moída na hora e mais um belo fio de azeite. Salpique folhas de tomilho fresco e leve ao forno pré-aquecido a 190ºC por no mínimo 20 minutos (o tempo pode variar um bocado dependendo da espessura das fatias), até que os legumes estejam macios. Polvilhe com farinha de rosca e mais um fio de azeite e leve ao forno novamente para dourar, ou para baixo do grill, como eu fiz. Sirva quentinho. 

Esse jeito de cozinhar é infinitamente mais simples do que o que fiz nos últimos anos, ainda que eu goste de pratos mais elaborados. Mas além de colaborar para a comilança do pequeno, tem também me dado mais tempo para pintar. O que é ótimo, porque com o mercado de ilustração comercial à beira de um colapso, ando migrando cada vez mais para a venda direta de originais para pessoa física, encomenda ou não, coisa que me deixa muito mais feliz. Sei que quem compra uma aquarela minha vai emoldurar, pendurar e ter muito mais apreço pelo meu trabalho do que uma empresa que me contrata para ilustrar embalagem de biscoito. E satisfação no trabalho é que ando mais buscando.

Assim, remontei minha lojinha e, além das reproduções, estou vendendo mais originais. Ando pintando muitas paisagens e temas culinários, coisas que me agradam muito, e pretendo aumentar rapidamente o número de peças por lá. Gostaria de também colocar a venda novas reproduções, em quantidade limitada, como dessa peça aqui:
Aquarela à venda em http://anegg.iluria.com
Então, quem se interessa por esse tipo de trabalho e quiser ajudar essa pobre ilustradora a comprar ovos para as crianças, dê uma passada lá: 


Ah, e é claro que o Thomas não comeu nem os legumes nem a salada do jantar. ¬_¬


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Bolo de chocolate com beterraba e a saga da gastança de dinheiro

Noutro dia, tendo chegado cedo demais a um curso e tendo comido praticamente nada no café, resolvi, de estômago roncando, parar num desses cafés franqueados para um belisquinho e um chocolate quente, que a manhã estava de gelar os ossos. Sento a busanfa na cadeira, fico rabiscando meu caderno e beberico – de fato beberico, pois "beber" inferiria um ato mais longo possibilitado por uma quantidade maior de líquido – meus... 90ml? É, 90 ml de chocolate quente. Como meu pão-de-batata mal recheado com gosto de fui-feito-há-dois-dias-atrás-e-requentado-no-microondas. Levanto para pagar a conta.
"13,90, senhora", diz a mocinha do caixa, sem me olhar nos olhos.
"Hein?"
"13,90", repete ela, no mesmo tom, agora me olhando com assombrosa inexpressividade.
Era de se esperar que alguém que me cobrasse catorze reais por um mini-chocolate e um pãozim de batata mequetrefe, no mínimo estivesse tão inconformada quanto eu, mas aparentemente aquilo era normal para ela.
"Mas foi só um chocolate e um pão de batata", explico, certa de que foi um engano.
"Ah, sim, mas é que tem serviço."
Minha cabeça faz um cálculo que não fecha e concluo que, além de estar sendo roubada, não sei fazer cálculo de porcentagem de gorjeta ao contrário.
"Ahn... mas isso ainda quer dizer que o chocolate e o salgado custam mais de dez reais", tentei confirmar, incrédula.
Veja bem: era um cafezinho de rede; não desses de cafés moídos por mãos calejadas de freiras cegas, onde se espera pagar 5 reais por um espresso vagabundo com gosto de queimado apenas pelo prazer de sentar na mesa e mostrar pro mundo que você é um ser privilegiado que pode pagar 5 reais num espresso.
 "Ahn... isso", assentiu a moça, já ficando ressabiada, sem entender o por quê do meu sobressalto.
Tive vontade de perguntar se o chocolate era belga e se o pão de batata fora sovado pelas mesmas freiras cegas do café chique, mas desisti. Paguei minha conta decidida a levar um sanduíche de casa no sábado seguinte.

Fiquei matutando. Aquele estabelecimento perdera a noção de valor... ou fui eu?

Daí, noutra semana, finalmente olhando no espelho e acreditando que o corpo pós-parto já estabilizara o bastante e não tendo mais calça para usar – na calça jeans comprada pós-parto do Thomas cabe duas Anas e a calça preta virou cinza, rasgou na barra de tanto pisar em cima e está toda manchada de tinta – resolvi me comprar uma legging, que julguei que seria prática, simples e mais barata que um jeans novo.

Sem opções por aqui, fui a São Paulo bater perna. E bater perna eu bati. Um bocado.

"Tem legging preta?"
"Tem sim, moça, tá aqui."
"Hmmm... mas tem com elastiquinho normal? Sem ser essa cintura larga? Porque... sabe o que é? No meu corpo essa cintura larga não funciona. Dou dois passos com criança no colo e a calça vem parar no joelho e fico de bunda de fora."
"Impossível, moça. Essa cintura foi feita pra não escorregar."
"Ahn... mas escorrega. No meu corpo escorrega. Não tem daquela basiquinha? Elastiquinho mequetrefe? Algodão? Sem estampa? Sem logotipo?"
"Ahn... bom, tem essa."
"Serve. Quanto é?"
"Cento e cinquenta."

Silêncio.

"Cento e cinquenta", repete, achando que não ouvi.
"Obrigada."

Saio sem legging, pensando que R$150,00 era o que eu pretendia gastar num jeans. Eventualmente, encontrei minha legging mequetrefe por 1/3 do preço, numa lojinha de lingerie, e comprei morrendo de medo de estar levando meia-calça no lugar de calça. Mas a bunda está devidamente coberta, então ok. Agora, em dia de frio, alterno entre minha calça-jeans-meio-que-boyfriend-só-que-não e minha legging-preta-talvez-meia-calça.

E fiquei matutando. Aquele estabelecimento perdera a noção de valor... ou fui eu?

Talvez tenha sido eu. Leio outro dia uma reportagem de uma revista mostrando uma moça que gasta 1000 reais a cada seis meses em roupa como um ser humano frugal, e achei que se isso era frugalidade, eu havia realmente me tornado ponto fora da curva.

Ficar muito tempo sem trabalhar depois do nascimento dos pimpolhos me tornou mais muquirana que o normal. Nada te mete mais medo de gastar dinheiro em sapato do que ver sua conta no vermelho e ter de comprar banana para as crianças. Sair de São Paulo e me mudar para um lugar com poucas opções de compra, e onde as lojas não estão imediatamente no meio do seu caminho para tudo, me arrancou à força o hábito de ficar fuçando em vitrine e me arrumando necessidades inventadas. Morar num lugar sem bons restaurantes tornou o comer fora tão raro que virou passeio em família, saindo da categoria "alimentação" e indo para "lazer". Ficar tanto tempo usando a mesma meia dúzia de roupas durante gravidez, pós-parto, gravidez, pós-parto, porque era o que cabia e o que era prático, me fez perceber o que eu de fato uso e o que de fato preciso. Estar em paz com minhas pelancas me fez perder a necessidade de me vestir para passar uma impressão X ou Y para os outros.

E assim, que de repente, percebo que perdi o HÁBITO de gastar dinheiro. O dinheiro que eu gastava em livros quando estava entediada. O dinheiro que eu gastava em ingredientes especiais para o dia em que o Papa viesse jantar em casa. O dinheiro que eu gastava em roupas quando minha auto-estima estava baixa. O dinheiro que eu gastava num cafezinho só para matar o tempo.

De repente estou em paz com a comida mais simples, com o queijo nacional, com a calça jeans que cai sem cinto, mas cujo tecido continua ótimo, com o usar saia florida e blusa listrada não porque é "crash" de estampas, mas porque é isso o que tem limpo no armário hoje. E definitivamente não estou em paz com pagar catorze reais num café e um salgado ou cento e cinquenta numa legging de algodão de uma loja meia-boca, que EU SEI que vai durar seis meses se eu usar dia sim, dia não. Ando muito velhaca nesse sentido, falando da época em que se pagava R$1,50 no pão-de-batata e R$30,00 numa blusa super chique, de tecido bom, em loja estrangeira do shopping.

E fico matutando. É impressionante como gastar dinheiro não passa de hábito. Lembro daquele mês que fiquei sem gastar, levando ao clube térmica com cerveja e sanduíche, programando passeios gratuitos. Impressionante como a gastança de dinheiro que se exige de um ser humano participante da economia de hoje parece absurdo uma vez que você larga o hábito e começa a parar e pensar antes.

Antes de comprar uma mochila e lancheira para meu filho, vou ver se tem algo em casa que possa usar. Antes de ir ao supermercado para comprar o ingrediente que falta, vou ver se consigo substituir por outra coisa da despensa. Antes de comprar uma roupa nova, vou esmiuçar o armário e rever o que está lá dentro, as combinações, ver se de fato preciso daquela peça ou se dá pra reformar e continuar usando o que eu tenho. Antes de sair para comprar uma treliça para o pé de maracujá, vou ver se minha sogra tem arame na garagem dela.

Antes de sair para comprar um queijo caro para usar numa salada com as beterrabas que já estavam assadas na geladeira, vou usá-las na sobremesa e fazer salada de cenoura mesmo. Antes de sair para comprar um bolo, vou fazer um. Um bolo de chocolate e beterraba. Do lindo livro Tender, do Nigel Slater, que anda me dando cada vez mais vontade de repensar meu jardim e montar uma horta que preste. Mas antes de sair para comprar vasos imensos para isso, ando matutando para descobrir como reaproveitar outra coisa como jardineira.

Esse bolo está aqui a pedido da sogra, que adorou o bichinho. Eu teria deixado cinco minutos menos no forno, para que suas beiradas não tivessem ressecado e tivessem mantido a textura quase cremosa do centro. A beterraba nele é tão sutil que mal se sente, contribuindo mais para cor e textura e deixando uma mancha avermelhada no prato. O café serve apenas para ressaltar o sabor do chocolate. O chocolate, belga e chique, compro pela internet, em sacos grandes uma vez a cada ano e meio, saindo metade do preço do que se eu comprasse em pequenas quantidades no supermercado

[E se alguém ficar com dó da ilustradora que vos escreve e quiser colaborar com a compra de uma nova calça jeans, pode sempre ir na minha nova lojinha, dar vazão ao hábito de gastar dinheiro e comprar um de meus trabalhos. ;) A loja está em construção, estou colocando a venda mais originais, principalmente peças culinárias, e no próximo post falarei mais a respeito.]

BOLO DE CHOCOLATE E BETERRABA
Do lindo Tender, de Nigel Slater.
Tempo de preparo: 1h30, mais o tempo de cozinhar as beterrabas, se não estiverem prontas
Rendimento: 8-10 porções muito bem servidas, como sobremesa

Ingredientes:
  • 250g beterraba crua (usei duas médias que já estavam assadas e descascadas)
  • 200g chocolate amargo 70% de cacau
  • 4 colh. (sopa) café espresso ainda quente
  • 200g manteiga sem sal
  • 135g farinha de trigo
  • 1 colh. (chá) cheia de fermento químico em pó
  • 3 colh. (sopa) cacau em pó
  • 5 ovos, orgânicos
  • 190g açúcar cristal orgânico

Preparo:
  1. Unte uma forma de20cm com manteiga e forre o fundo com papel-manteiga. (Ele pede uma forma de fundo removível, mas usei uma comum e o bolo desenformou lindamente). Pré-aqueça o forno a 180ºC.
  2. Se não tiver beterrabas já cozidas ou assadas sobrando: cozinhe as beterrabas, inteiras e com casca em água fervente , até que estejam macias (cerca de 30-40 minutos). Escorra, deixe que esfriem um pouco, descasque e e transforme em um purê grosseiro no processador ou liquidificador.
  3. Coloque o chocolate numa tigela grande e coloque a tigela sobre uma panela com água em fervura branda e deixe derreter, sem mexer.
  4. Quando o chocolate estiver quase derretido, jogue o café quente sobre ele e mexa uma vez. Corte a manteiga em pedaços pequenos e misture ao chocolate e café. Deixe quieto, terminando de derreter enquanto você prossegue com o restante.
  5. Peneire numa tigela a farinha, o cacau e o fermento. Reserve.
  6. Remova a tigela de chocolate do fogo e misture bem com uma espátula, terminando de incorporar toda a manteiga. Deixe descansar por alguns minutos e enquanto isso, quebre os ovos, separando as claras das gemas. 
  7. Junte as gemas ao chocolate derretido, misturando rapidamente. Junte o purê de beterraba. 
  8. Bata as claras até obter picos firmes, e então incorpore o açúcar. Junte as claras ao chocolate, girando a tigela e movimentando a espátula do fundo para cima, tentando não perder muito o volume mas não deixando nenhum rastro de claras na mistura. Por último, fazendo o mesmo movimento, incorpore a mistura de farinha.
  9. Derrame a massa na forma e alise a superfície. Parece massa demais, mas não é. Leve ao forno e imediatamente abaixe a temperatura para 160ºC. Asse por 40 minutos, ou até que as laterais estejam firmes mas macias e o centro balance ligeiramente quando chacoalhado. 
  10. Retire do forno e deixe esfriar completamente sobre uma grade antes de desenformar (o centro vai afundar). Passe uma faca nas laterais e desenforme virando de ponta-cabeça numa grade, retirando o papel-manteiga e virando novamente no prato. Sirva com sour cream ou crème fraîche (faz diferença, vale a pena preparar uma porção de sour cream – creme de leite fresco com uma colher de vinagre, deixado por umas horas em temperatura ambiente – e deixar na geladeira enquanto ainda tiver bolo para comer) e, se tiver, sementes de papoula (as minhas ganhei de uma amiga que trouxe de fora).

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Bolo de pera. A vida é isso aí.

Porque a vida é um saco de velho... er... ops. Quer dizer. Esse texto é de outra pessoa. ;) Mas a vida não é moleza não. A vida é você passar o dia enrolando, escolhendo a dedo uma receita onde usar saborosíssimas peras orgânicas, encontrar uma que usa todos os ingredientes que você tem em casa (avelãs moídas, ameixas secas, açúcar mascavo, extrato natural de amêndoas), deixar a manteiga amolecer direitinho, seguir tudo a risca e obter uma massa linda numa forma cuidadosamente untada, cuidar do bolo no forno na temperatura exata... e ser apressadinha na hora de desenformar e f*der tudo. Aquele momento que te dá preguiça de dar dois passos para o lado e apanhar uma faquinha para cuidadosamente descolar o fundo do bolo, e você resolve que dar uma balangandinha na forma não vai fazer mal. E o bolo sai assim: rachado no meio e com o fundo colado na forma, de modo que uma única fatia não será tirada inteira. Um bolo perfumado, delicioso, completamente destruído por um gesto impensado.

Isso é a vida.

Não é aquele monte de blog que a gente lê que mostra crianças de dois anos de vestidinhos incólumes segurando nas mãozinhas em conchas um punhado de mirtilos frescos recém-colhidos do jardim. A vida é teu filho com o moletom sujo de terra e ranho, arrancando as flores do seu pé de mirtilo e decidindo que, melhor que comer o danado do mirtilo, é esmagá-lo na mão – BEM mais divertido.

A vida não é a casa de revista de decoração, é o rolo de pelo de cachorro passeando pela sala que você acabou de varrer, no melhor estilo bola de feno em filme de velho oeste – só que ao invés de uma cidade empoeirada, é sua sala empoeirada.

Mas a vida é também você dividir os problemas alimentares do seu filho com outras mães na porta da escola, e então o pimpolho chegar em casa e se servir sozinho de um pratão de quinua e salada de cenoura, deixando você com cara de tonta, pensando se havia de fato algum problema.

A vida é você dar morango com chantilly fresquinho para o seu filho mais velho e, ao sair e voltar da sala, dar de cara com a mais nova cheia de chantilly na cara, e o pimpolho feliz da vida por ter mostrado as alegrias do morango com chantilly para a irmã de 7 meses. ¬_¬

A vida é você catar os cacos de bolo do fundo da forma e tentar remontar a atrocidade no prato, e comê-lo assim mesmo, feio e destruído, porque comida está cara pra dedéu, e seu filho vai continuar achando o bolo gostoso mesmo assim.

A vida é seu marido que não gosta de bolos gostar justo desse.


BOLO DE AÇÚCAR MASCAVO, PERAS, AMEIXAS E AVELÃS
(do sempre ótimo Baking, From My Home do Yours, de Dorie Greenspan)

Ingredientes:

  • 2 1/4 xic. farinha de trigo
  • 1/2 xic. avelãs moídas ou nozes (ou 1/4 xic. farinha de trigo)
  • 1 colh. (chá) fermento químico em pó
  • 1/2 colh. (chá) bicarbonato de sódio
  • 1/4 colh. (chá) sal
  • 230g manteiga sem sal em temeperatura ambiente
  • 2 xic. açúcar mascavo claro, apertado na xícara
  • 3 ovos grandes, orgânicos, em temperatura ambiente
  • 1 1/2 colh. (chá) extrato natural da baunilha
  • 1/4 colh. (chá) extrato natural de amêndoas (apenas se estiver usando as avelãs ou nozes moídas)
  • 1 xic. buttermilk, em temperatura ambiente*
  • 2 peras médias, descascadas, sem os miolos e picadas em pedaços de 0,5cm
  • 1/2 xic. ameixas secas macias, sem caroço, picadas em pedaços de 0,5cm
* Buttermilk: junte 1 xic de leite a uma colherinha de vinagre, misture e deixe em temperatura ambiente enquanto a manteiga amolece. Nesse tempo, o leite vai talhar. Use a mistura no lugar do buttermilk. 

Preparo:
  1. Pré-aqueça o forno a 180ºC. Unte com manteiga e enfarinhe uma forma com furo no meio (Bundt ou comum) com capacidade de 12 xícaras. 
  2. Numa tigela, misture com o batedor de arame a farinha, avelãs, fermento, bicarbonato e sal.
  3. Na tigela da batedeira, bata a manteiga e o açúcar em velocidade média até que fique claro e fofo.
  4. Junte os ovos, um a um, batendo bem entre cada adição. 
  5. Junte a baunilha e o extrato de amêndoas, se estiver usando. Reduza a velocidade para baixa e adicione 1/3 da farinha, batendo apenas até que incorpore, então 1/2 do buttermilk, e prosseguindo até que tudo esteja incorporado, tomando cuidado para não bater demais.
  6. Com uma espátula, incorpore as peras e as ameixas e espalhe a massa na forma, alisando a superfície. 
  7. Asse por 60-65 minutos, ou até que esteja firme, dourado e um palito inserido nele saia seco. Transfira para uma grade e deixe que esfrie por 10 minutos antes de CUIDADOSAMENTE desenformar. ¬_¬ Se quiser, polvilhe com açúcar de confeiteiro. Bem coberto, o bolo se mantém fresquinho por uns 5 dias ou por 2 meses, se congelado.

(Ela sugere trocar as peras por maçãs e as ameixas por uvas passas, e já fiz isso, omitindo as nozes, mas essa combinação de avelãs, peras, ameixas e o extrato de amêndoas é muito mais saborosa.)

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Wraps de verdade e criança que come... alguma coisa, tipo o wrap de verdade

E o pequeno matador de dragões continuava empurrando o prato para longe. Incomodou-se ao ver a irmã sentada em seu cadeirão, e ficou curioso a respeito da papinha, e seu ciúme funcionou meras duas vezes como artifício, apenas tempo bastante para que enjoasse da textura da comida de bebê. A hora da refeição era infernal, com a alternância das crianças no cadeirão e o ciúme, e a correria em volta, e a recusa em comer aquele prato que mamãe tivera tanto trabalho e cuidado em preparar.

Então resolvi fazer um quebra-cabeça na cozinha e encaixar de volta a mesa que andara perdida na varanda e depois vagando pelo meu atelier. E aquela mesa foi uma mão na roda para mim, pois eu bem sentia falta daquele apoio extra para cozinhar. E num ímpeto curioso, em manhã de waffles com maçã caramelizada, Thomas subiu numa cadeira e quis ajudar a mexer a colher na tigela, e me dei conta de que aquela mesa era mais baixa do que a da sala, e que o pequeno guerreiro ítalo-germânico não era mais assim tão pequeno, e conseguia sentar-se em uma cadeira comum e comer àquela mesa sem problemas.

E Thomas cedeu seu cadeirão definitivamente à pequena-justiceira-bochechas-de-brioche. E consegui sentar os dois filhos ao mesmo tempo para comer e dar atenção a ambos simultaneamente. Desde que eu não estressasse com o fato de ele não comer, a hora da refeição galgara mais um degrau em direção ao "momento feliz". 

Então li um texto que falava sobre as expectativas dos pais em relação à alimentação da criança, e como aos dois anos os pequenos simplesmente não crescem tanto, não tem tanta fome e têm coisas mais interessantes a fazer além de comer. E como elas querem algum controle, e algum poder de escolha.

Como o texto sugeria, tentei, ao menos na hora do almoço, começar a colocar mais de um prato na mesa. Não como opções, substituindo o que ele negara, no pior jogo de "adivinha o que eu quero comer", mas como "partes de uma refeição completa". Quinua, couve refogada, cenoura glaceada, ovos cozidos. Num dia, Thomas é o grande-devorador-de-ovos-de-codorna. No outro, o abominável-catador-de-arroz-branco. Às vezes apanha dois ou três elementos para compor seu prato, às vezes come muito de uma coisa só. Mas come. Come contente. Comporta-se. Limpa a boca com o guardanapo. Pede água. Interage com a irmã que tenta falar "a-da-bu-brrrrrrrphsh..." enquanto come papinha, cuspindo brócolis moído na blusa branca da mamãe. Momento feliz.

A quinua, couve e cenoura que não quis num dia viram bolinho no dia seguinte, e, assim douradinhos, ele os come de bom grado, mergulhados no ketchup, sem saber que está sendo secretamente nutrido. E, sem o stress habitual, dou-me conta de que ele não tem mais separado os verdinhos da comida, quando antes a mera visão de uma micro-salsinha era o bastante para que rejeitasse o prato todo. Talvez o problema não fosse ele, mas a mãe neurótica que ficava bufando na orelha dele toda vez que ele começava a remexer a comida. A regra continua a mesma: tem que experimentar. Tem que comer ALGUMA coisa que está na mesa. Qualquer coisa e o quanto quiser. Senão não tem sobremesa. Mas de repente não há mais berros, não há mais mãe estressada e, principalmente, não há mais criança estressada.

Assim, fico mais tranquila para preparar o que eu quiser, e desde que haja um pedaço de queijo na mesa, não fico mais quebrando a cabeça para combinar o que eu quero comer, o que Laura pode comer e o que Thomas talvez, quem sabe, por ventura, venha a querer comer. Também me pego menos nutricionalmente histérica, e aceitando que pão com queijo é um jantar muito digno. Principalmente se o pão for feito em casa.

Claro, ainda tem o berro do "não brinca com a comida", o do "pára de correr em volta da mesa e senta essa busanfa na cadeira" e o do "não, só ganha sobremesa quando TODO MUNDO terminar de jantar". Mas, ainda assim, é menos berro.

Esse wrap parece pesado na foto, mas na verdade é fino, leve e maleável, além de delicioso. É chatinho pensar em abrir com rolo e depois passar na frigideira todos os pãezinhos, mas é algo que vale a pena ser feito em quantidade num dia de paciência, pois o pão pronto congela maravilhosamente bem, e descongela em segundos na frigideira quente, mantendo-se tão gostoso e macio quanto no dia em que foi feito. Perfeito para uma quarta-feira cansativa de pão com queijo.

A dica-master-blaster é não tentar abrir com rolo até os 20cm. Dez centímetros com o rolo são fáceis, e depois basta segurar delicadamente o disco de massa entre os dedos e ir girando, como quem segura uma direção de carro, deixando que o próprio peso da massa termine de abri-la até o tamanho apropriado, ficando mais massudinha nas bordas e praticamente transparente no centro. Outra dica é sobre o tempo de fermentação: Paul Hollywood sempre menciona um tempo mínimo e um máximo e já percebi que seus pães ficam infinitamente melhores se deixados fermentando pelo tempo máximo, principalmente se o dia estiver muito frio. Nesses casos, também tenho usado água morna, ao invés da fria que ele sugere, pois nesses dias em que a cozinha está a 13ºC, o fermento pode ficar praticamente inativo se mantido frio.

WRAPS
(do excelente How to Bake, de Paul Hollywood)
Tempo de preparo: 1-2 horas + 3 minutos de frigideira por wrap
Rendimento: 15-20, dependendo do tamanho

Ingredientes:
  • 500g farinha de trigo (de preferência orgânica, ou para pães)
  • 10g sal
  • 30g açúcar cristal orgânico
  • 10g fermento biológico seco instantâneo
  • 30g manteiga sem sal, amolecida
  • 320ml água (fria se o dia estiver quente, morna se o dia estiver com temperatura muito abaixo dos 21ºC)
  • um pouco de óleo para cozinhar

Preparo:
  1. Coloque a farinha numa tigela grande e deposite o sal e o açúcar num canto da tigela e o fermento no outro. Junte a manteiga e 3/4 da água e misture com as pontas dos dedos.Vá juntando o restante da água aos poucos, até que toda a farinha esteja úmida. Pode ser que você precise de um pouco mais de água ou que não use toda ela. O que você quer é uma massa úmida e macia, quase grudenta, mas não pegajosa.  
  2. Unte uma superfície com um pouco de óleo e despeje sua massa ali. Unte as mãos e sove a massa por 5-10 minutos, até que ela esteja bem macia, lisa e elástica (gosto de pensar na textura de uma bexiga cheia de água).  (Na receita original, Paul usa farinha na superfície, mas a massa estava numa textura tão boa, que achei melhor não correr o risco de ela ficar seca com a farinha extra. Então use farinha caso a massa esteja mais difícil de manipular.)
  3. Forme uma bola e coloque numa tigela untada com óleo. Cubra com filme plástico e deixe fermentar por pelo menos 1 hora (pode deixar por até 3 horas), até que a massa tenha dobrado de tamanho. 
  4. Despeje a massa numa superfície ligeiramente enfarinhada, amasse para tirar o ar e divida em bolinhas de mais ou menos 60g (um nada maiores que bolas de ping-pong).
  5. Abra cada bolinha com um rolo de madeira enfarinhado, sempre partindo do meio do círculo para as bordas, até obter um círculo de 20cm de diâmetro. 
  6. Aqueça uma frigideira grande (23-25cm) em fogo alto e derrame uma colh. (sopa) de óleo vegetal. Quando começar a sair fumaça, coloque um círculo de massa na frigideira e cozinhe por 2 minutos. Vire e cozinhe por mais 1 minuto. Você verá a massa inflando e depois desinflando, e terá pontos pretos por toda ela. Não deixe tempo demais, ou esses pontos pretos ficarão quebradiços ao invés de macios. Retire da frigideira e vá empilhando os pães num prato. O fato de ficarem empilhados faz com que o vapor e o calor os mantenha maleáveis quando esfriarem. (Coloque mais óleo na frigideira conforme necessário.)
  7. Use-os imediatamente ou embale-os em filme plástico, usando por até 24 horas. Também pode embalá-los colocando papel-manteiga entre os pães, para que não grudem uns nos outros, e congelá-los. Para descongelá-los, basta retirar do freezer e colocar alguns segundos na frigideira quente.




Cozinhe isso também!

Related Posts with Thumbnails