terça-feira, 9 de junho de 2009

Gratinado de abóbora e batata-doce

E mais batata-doce, por que não? Afinal, elas estão tinindo esse mês. Alguns vão notar quantas abóboras andam surgindo em meus jantares, e estranharão, uma vez que já disse uma centena de vezes por aqui como meu marido odeia abóboras. É interessante ver que aquela teoria de que um ser humano precisa ser exposto de dez a doze vezes a um alimento até se habituar a ele parece ser verdade. Pois se antes o homem olhava para a abóbora no prato e ia direto esquentar água para o miojo, ontem ele torceu um pouco o nariz e hoje ele come numa boa, sem mais apontar para o fato de que o prato "está gostoso... apesar de ser abóbora". Não acredito que ele esteja 100% convertido, mas ao menos não preciso mais ficar reservando a abóbora para meus almoços solitários e posso dividir com ele todo esse delicioso e adocicado alaranjado.

GRATINADO DE ABÓBORA E BATATA-DOCE
(da revista Saveurs)
Tempo de preparo: 15min+40min (forno)
Rendimento: 4-6 porções


Ingredientes:
  • 400g abóbora (usei a japonesa)
  • 400g batata-doce
  • 1 cebola
  • 2 colh. (sopa) azeite
  • 2 ovos
  • 200ml creme de leite fresco
  • 20g manteiga
  • 1/2 colh. (chá) páprica doce
  • 1 pitada de noz moscada
  • 80g de queijo ralado grosso (usei Minas Padrão)
  • 2-3 ramos de salsinha
  • sal e pimenta-do-reino moída na hora

Preparo:
  1. Pré-aqueça o forno a 180ºC. Unte com manteiga uma travessa refratária média.
  2. Descasque a abóbora e as batatas. Corte-as em pedaços de uns 3-4cm.
  3. Pique a cebola e refogue-a no azeite, polvilhada de páprica, até que amacie.
  4. Junte a abóbora e as batatas e cozinhe por cerca de 10 minutos, mexendo de vez em quando. Os legumes devem manter-se ainda firmes. Tempere com sal e pimenta e transfira para a travessa.
  5. Numa tigela, bata os ovos, o creme e a noz moscada. Junte metade do queijo e tempere com sal e pimenta. Derrame a mistura sobre os legumes.
  6. Polvilhe com o restante do queijo. Pique a salsinha e a polvilhe por cima. Leve ao forno por 35-40 minutos até que esteja dourado e os legumes estejam macios.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Doce como torta doce de batata doce

Eu detestava batata-doce quando pequena. Provavelmente trauma de algum doce de festa junina mal feito. Certo dia, já mais velha e na casa de um amigo, este apareceu à mesa com uma enorme travessa de peixe assado e duas batatas: a comum e a (eca!) doce. Um dos presentes apanhou rapidamente a colher, serviu-se de peixe e, para a surpresa de todos, meticulosamente selecionou e tomou para si todas as batatas comuns da travessa, deixando os outros cinco presentes, inclusive o anfitrião, com as batatas-doces. Ficamos todos atônitos, e a situação foi tão constrangedora, que ninguém teve coragem de comentar coisa alguma. Respirei fundo e, já conformada, servi-me das rodelas macias e douradas de batatas-doces assadas.

Qual não foi minha surpresa, quando descobri que batata-doce era sim muito gostosa, e que minha cisma até então fora completamente infundada!

Desde então as batatas-doces têm aparecido com certa frequência em minha mesa, normalmente assadas inteiras, em papel alumínio, recobertas de temperos e abertas no prato, fumegantes, para serem recheadas com uma bela colherada de requeijão.

No entanto, essa semana fui à feira comprar batata-doce com outro intuito: estava com ideia fixa de fazer uma Sweet-Potato Pie, uma torta, segundo me consta, típica do sul dos Estados Unidos. Eu continuo não sendo lá muito fã do nosso doce de batata-doce, que sempre aparece nas festas juninas. Mas estava curiosíssima para experimentar a batata assim, em forma de torta.

A receita é da dona Martha, é muito fácil e eu gostei bastante do resultado. A torta fica surpreendentemente leve, pouco doce e com um gostinho levemente exótico que eu, particularmente, gosto. Já meu marido... Para quem está acostumado a comer apenas torta de limão ou de chocolate, acho que a de batata-doce é um desafio. Eu não prepararia esta torta para visitas desavisadas, por exemplo. Ela é para fãs de verdade do tubérculo.

Usei as batatas que encontrei primeiro, aquelas de polpa branca e casca cor-de-vinho, mas pela foto da revista e do site, acredito que a receita original utilize das batatas-doces de polpa cor-de-laranja, pois a torta tinha uma cor de caramelo que a minha não adquiriu.

Tive minhas reservas em comprar bolacha de pacote para usar na massa, e quase saí fazendo minhas próprias. Mas é preciso ter limites, e mesmo eu não sou tão louca assim. Ainda. Comprei um pacote de bolachas, moí tantas quanto necessário no meu mini-processadorzinho, e então olhei para o pacote pela metade. "O que eu faço com isso???" Não tive dúvidas: moí todo o resto, guardei num potinho de vidro (onde anotei a data de validade das bolachas) e coloquei na geladeira. Agora, na próxima vez que for fazer uma torta que peça uma "graham cracker crust", já tenho as bolachas moídas e prontas para o uso. Tchanans! Esse foi um momento Nigella. ;)

SWEET POTATO PIE
(da revista Everyday Food)
Tempo de preparo: 30 min. + 50 min. (forno) + 2h (geladeira)
Rendimento: 8 fatias


Ingredientes:
(massa)
  • 1 1/3 xíc. bolachas Maria ou similar, moídas
  • 3 colh. (sopa) açúcar cristal orgânico
  • 1/2 colh. (chá) gengibre em pó
  • 1 pitada de sal
  • 5 colh. (sopa) manteiga sem sal, derretida
(recheio)
  • 3 ovos grandes, orgânicos
  • 1/2 xíc. açúcar cristal orgânico
  • 1 3/4 xíc. purê de batata doce *
  • 1/2 xíc. de creme de leite
  • 1 colh. (sopa) suco de limão siciliano
  • 2 colh. (chá) essência de baunilha
  • 1 colh. (chá) sal
  • 1/4 colh. (chá) pimenta-da-jamaica moída

*Purê de batata-doce: descasque e corte em pedaços de 5cm 3 batatas-doces grandes. Coloque em uma panela com água bastante para cobri-las e leve à fervura, cozinhando até que um garfo as espete com facilidade (15 minutos). Escorra bem e transforme em purê.

Preparo:
  1. Pré-aqueça o forno a 180ºC, posicionando a grade do forno na parte mais baixa. Misture numa tigela as bolachas moídas, o açúcar, o gengibre e o sal, quebrando com um garfo os pedaços maiores de bolacha.
  2. Junte a manteiga derretida e misture bem, até obter uma aparência de areia molhada.
  3. Pressione a mistura no fundo e nas paredes de uma forma de 21-22cm de diâmetro.
  4. Em outra tigela, bata ligeiramente os ovos e o açúcar, até que fique homogêneo.
  5. Junte o purê de batata-doce, o creme de leite, suco de limão, sal, baunilha e pimenta-da-jamaica. Misture até que o creme esteja completamente sem grumos.
  6. Despeje sobre a massa da torta, alisando o topo se necessário e coloque a torta sobre uma assadeira. Leve essa assadeira ao forno por 40 a 50 minutos, até que o recheio pareça firme. NÃO teste com uma faca ou palito, pois quando a torta esfria, ela contrai, transformando o que era um furo imperceptível em uma cratera.
  7. Transfira para uma grade, para que esfrie completamente, e leve à geladeira por 2 horas ou até 1 dia antes de servir. Sirva fria ou em temperatura ambiente, com chantilly, se quiser.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Salada quente de batata e ervilha-torta com queijo de cabra e ovo poché

Quando a batata grande e fatiada com casca está quase cozida, acrescento à água fervente um punhado de ervilhas tortas. Enquanto isso, uma tigela grande aguarda com uma colher (sopa) de azeite, uma colher (chá) de vinagre branco, a mesma quantidade de mostarda de Dijon, algumas folhas de tomilho, um dentinho de alho pequenininho muito bem picadinho, pimenta-do-reino e uma pitada de sal. Escorro os legumes com cuidado para não quebrar (muito) as batatas e volto-as à panela ainda no fogo, apenas o suficiente para fazer evaporar seu excesso de água. Derrubo-as na tigela com o tempero e misturo tudo rapidamente e com cuidado, até que eu possa ver uma fina película de tempero sobre o verde vivo das ervilhas e o amarelo opaco das batatas.

A água da outra panela está fervendo, com uma pitada de sal e um pouco de vinagre. Derramo ali meu ovo e, nos três minutos em que ele cozinha, desfaço em pedaços sobre a salada quente uma fatia de queijo tipo Feta, para que ele derreta ligeiramente com o calor dos legumes.

Disponho a salada quente no centro de meu prato e apanho a espátula para retirar meu ovo poché. Num momento desajeitado, no entanto, minha gema explode, e eu corro para salvá-la e derrubá-la de qualquer jeito sobre a salada.

Jantar rápido e delicioso, mas a linda fotografia que eu planejava com o ovo poché partido ao meio foi arruinada.

É nisso que dá tomar vinho antes de fazer seu ovo poché. :P

quinta-feira, 4 de junho de 2009

O resultado da massa congelada: croissants

Se, como eu, você fez o dobro de massa para essa receita, e, como eu, embrulhou a metade excedente em filme plástico e deixou no freezer por, não sei, uma semana ou mais, pode fazer como eu novamente e tirar a massa do freezer, deixá-la durante algumas horas na geladeira apenas pelo tempo suficiente para que fique maleável, abri-la e transformá-la em mais cinnamon rolls ou em croissants. Para os croissants, basta abrir um retângulo comprido, cortar triângulos e enrolá-los, levando-os ao forno em uma assadeira sem untar, pelo mesmo tempo e temperatura que os cinnamon rolls. Meus croissants ficaram feinhos, coitados, porque ainda não sou mestre em moldá-los... No entanto, ficaram muito, muito gostosos, e a massa em nada perdeu com o congelamento. Os restinhos dela que sobraram do corte dos croissants e que guardei de volta na geladeira, no entanto, estragaram em poucos dias. :P

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Torta de folhas de cenoura

Como esta é uma ótima época para comprar cenoura com as folhas, escolho sempre um maço bem equilibrado entre lindas cenouras e folhas fresquinhas, bem verdes. Sempre faço bolinhos com elas, o que fica uma delícia, mas desta vez resolvi transformar os bolinhos em torta. O único segredo está em picar as folhas o mais fino possível, até com ajuda de um processador se for o caso. Pois as folhas de cenoura são durinhas e fibrosas, e comê-las em pedaços maiores pode ser desagradável. Para a massa, substituí metade da farinha por integral por mero impulso, mas você pode fazê-la inteira inteira com farinha comum. E chega de jogar folha de cenoura no lixo! ;)

TORTA DE FOLHAS DE CENOURA
Tempo de preparo: 10min + 30min de geladeira + 1 hora
Rendimento: 6-8 fatias


Ingredientes:
(Massa: a de sempre, ou a sua favorita.)
(Recheio)
  • 2 xíc. de folha de cenoura muito, mas muito bem picadas
  • 2 dentes de alho picados
  • 1/2 cebola picada
  • 1 punhado de salsinha picada
  • 3 ovos
  • 1/2 xíc. de creme de leite (normal, fresco, ou mesmo leite apenas)
  • 1/2 xíc. de parmesão ralado na hora
  • sal e pimenta-do-reino ralada na hora

Preparo:
  1. Prepare a massa, embrulhe em filme plástico e leve à geladeira por meia hora. Abra-a numa superfície ligeiramente enfarinhada e forre uma forma de uns 23-25cm. Espete com um garfo toda a superfície. Cubra com papel alumínio, encha a forma com feijões e leve ao forno pré-aquecido a 180ºC por 15 minutos. Retire os feijões e o papel alumínio e asse por mais 10-15 minutos, até que a massa pareça sequinha.
  2. Enquanto a massa pré-assa, faça o recheio, misturando todos os ingredientes menos o queijo em uma tigela e mexendo bem.
  3. Retire a massa assada do forno, espalhe o recheio de modo uniforme e polvilhe generosamente com o queijo ralado. Leve ao forno por mais 30-40 minutos, até que o recheio esteja firme e dourado. Sirva quente ou em temperatura ambiente.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Oh, my darling Clementine... cake.


Oh, yeah, eu ousei e fui direto no cliché no título!!! ;)
Bolo de tangerina da Nigella.

Desde que as danadas das mexericas (orgânicas) surgiram no mercado, eu estava pensando em bolo de mexerica. E sempre quis preparar este bolo bizarro de Nigella, que leva mexericas inteiras, com casca, fiozinhos brancos e tudo.

No entanto, como há ainda outras gostosuras na fila, não quis preparar o bolo inteiro, e resolvi cortar a receita pela metade e estrear minha pequenina forma de 16cm. De tudo absolutamente certo, não fosse eu abrir o forno antes do tempo (uma vez que eu não sabia quanto tempo demoraria para assar um bolo tão pequeno), o que fez com que ele afundasse um tantinho no meio.

Sem problemas, o bolo ficou delicioso mesmo assim. Perfumado de mexerica, úmido, macio e com aquele gostinho inconfundível de amêndoas. Ótimo bolo para quem não quiser usar farinha de trigo.

BOLO DE TANGERINA
(adaptado daqui)
Tempo de preparo: 2h + 1h
Rendimento: 6 fatias pequenas ou 4 generosas


Ingredientes:
  • 1-2 mexericas (±190g)
  • 3 ovos
  • 115g açúcar
  • 125g amêndoas moídas
  • 1/2 colh. (chá) fermento químico em pó
Preparo:
  1. Cubra a mexerica inteira com água, leve ao fogo, tampe e deixe cozinhar por 2 horas. Escorra, corte a fruta ao meio e retire as sementes. Bata o restante da fruta (polpa, fiapos, casca) no liquidificador até que fique um purê homogêneo.
  2. Pré-aqueça o forno a 190ºC. Unte com manteiga e forre com papel-manteiga uma forma redonda e alta, de 16cm de diâmetro.
  3. Bata os ovos na batedeira até que fiquem claros e fofos. Ainda batendo, adicione o açúcar, em seguida as amêndoas e o fermento.
  4. Com uma espátula, incorpore rápida mas delicadamente o purê de mexerica.
  5. Despeje a mistura na forma e leve ao forno por 30-35 minutos, até que esteja dourado e um palito inserido no centro do bolo saia limpo.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Crostini de rabanetes e salada quente de funcho e agrião

Não é porque está frio que eu vou sair correndo das saladas. Ah, não. Continuo adorando essa oportunidade diária de combinar uma série de legumes e verduras de modo fácil e rápido, deixando as horas de planejamento e execução na cozinha para momentos mais calmos.

Continuo firme e forte em minha resolução de comer apenas o sazonal, e apenas o forte do mês, e isso tem sido muito mais agradável e muito menos difícil do que imaginava que seria. A primeira boa surpresa é o aumento na variedade de verduras e legumes que ano consumindo. Porque se me deixar sozinha numa feira, eu volto com a sacola cheia das mesmas coisas: pimentões, alface romana, abobrinhas, escarola.

Ontem, apanhei minha listinha de maio/junho e fiquei horrorizada pela ausência das minhas verduras amargas favoritas. E agora? O que eu faço sem escarola? E catalogna? Vocês precisam entender: eu não consigo ficar mais de dois dias sem algo verde escuro no meu prato. Reli a lista, e eis que surge a salvação: agrião. Está aí uma verdura que eu nunca compro. Sempre ali, verdinha e picante, olhando para mim, e eu ignoro seu olhar pidão e apanho alguma outra favorita para levar para casa, como um cãozinho velho e sarnento numa petshop ao lado de filhotes dourados de labrador. [Preciso apenas explicar aqui que eu sou completamente maluca por cachorro velho e sarnento de rodoviária, no entanto. Quero levar todos para casa. Já o agrião, coitado...]

Desta vez, não tive escolha. Ok, agrião, chegou a sua vez. Vamolá! Você é o verde do meu prato no mês de junho. Campeão! Funcionário do mês!

Mas ainda que a geladeira esteja hoje recheada de coisinhas maravilhosas como funcho, abóbora, batata-doce, mostarda (ganhei do feirante um maço enoooooorme, porque ele ficou passado que eu nunca experimentara), cenouras com suas folhas, ervilhas-tortas e afins, eram os rabanetes que continuavam me açoitando com suas acusações de abandono.

*Suspiro*

Foi um misto de gula com falta de inspiração. Quero muito comer rabanetes de outra forma que não crus, mas confesso que desde que experimentei esse jeito de comê-los, não consigo pensar em mais nada. Quando li no Chez Panisse Vegetables sobre esses open-face sandwiches de rabanetes, manteiga e anchovas, pensei: "Íiiiiiiuuuuuuh! Não há meios de isso funcionar!" :P Quão errado pode estar um ser humano?? Eu estava muito, muito errada. Não apenas funciona, como é delicioso! Não importa quão insuportavelmente picantes estejam seus rabanetes. Alguma coisa acontece quando eles tocam a gordura doce da manteiga e a carne salgada das anchovas, e os três ingredientes se fundem num sabor só, completo e suculento sobre a baguette quente.

Sério.

Completamente viciante.

Para não comer uma baguette inteira, um tablete de manteiga, um vidro de anchovas e uns 17 rabanetes no almoço [ah, eu seria totalmente capaz disso], resolvi complementar meus três crostini com uma salada que criasse o mesmo efeito "amálgama de sabores". O agrião, picante como os rabanetes, foi coberto com uma camada de funcho quente, refogado em azeite e sementes de erva-doce, cozido até amaciar e quase caramelizar com um pouquinho de açúcar. No garfo, o agrião perde sua picância e a erva-doce não é assim tão doce, e o equilíbro me pareceu perfeito.

Vale dizer que como fã número 1 de funcho (erva-doce), estou extasiada por ele estar na época! Fiquei meio desconfiada quando vi o tamanhozinho dos bulbos, acostumada àqueles de supermercado, do tamanho da minha cabeça. "Pode levar", disse o feirante. "Este é pequenininho mesmo, mas olha só como são redondinhos! Estão muito saborosos, pode confiar. Toma, faço 6 pelo preço de 5." Confiei, e com razão. Estão mesmo uma delícia! Nada como um bom fornecedor! :)

CROSTINI DE RABANETES
(quase nada adaptado do livro Chez Panisse Vegetables, de Alice Waters)
Toste um pouco fatias de baguette no forno, sob o grill ou numa torradeira, e espalhe um pouco de manteiga sem sal sobre as fatias quentes. Cubra com um, dois ou três filés de anchova (dependendo do tamanho) e então com fatias finas de rabanetes. Tempere com pimenta-do-reino moída na hora.

SALADA QUENTE DE FUNCHO E AGRIÃO
(adaptado do livro Gordon Ramsay's Fast Food)
Fatie a parte branca de um bulbo pequeno de funcho (do tamanho de um punho) e reserve algumas folhinhas. Em um pilão, triture uma pitada de sementes de erva-doce com um pouco de sal grosso. Aqueça um fio de azeite numa frigideira e junte a erva-doce triturada, mexendo com uma colher até que exale aroma. Junte o funcho fatiado, tempere com sal, pimenta-do-reino e 1/2 colh. (chá) de açúcar e mexa, deixando que cozinhe em fogo baixo até que esteja macio e ligeiramente dourado. (Você pode deixar caramelizar mais se quiser.) Coloque um punhado de agrião lavado e seco em um prato, cubra com o funcho quente, tempere com azeite e mais sal e pimenta, se quiser, e as folhinhas reservadas. Serve 1.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Novo FAQ preguiçoso

Com a grande quantidade de emails que recebo perguntando a mesma coisa, ou mesmo perguntando coisas que já foram respondidas um zilhão de vezes no blog, criei uma espécie de FAQ com conversão de medidas e links para os posts que explicam coisas sobre farinhas, cremes de leite, técnicas de bolo e pães, etc. Para ajudar vocês e, confesso, me ajudar também. Pois conforme a coisa foi crescendo (ops!), estou cada vez mais atrapalhada para responder a todos os comentários e emails sem esquecer de ninguém (e eu já me esqueci de vários)...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Retorno com uma sopa de legumes

Depois de três semanas muito, mas MUITO, atribuladas, sinto que estou conseguindo retomar minha rotina. Rotina retomada quer dizer também abrir a geladeira e averiguar o estrago causado por dias sem fazer almoço ou jantar. O stress faz com que comamos muita porcaria, e tudo o que eu queria hoje era voltar aos meus adorados legumes. Quando vi o que sobrara na gaveta da geladeira, lembrei-me imediatamente desta sopa.

Coloquei em uma assadeira 4 cenouras médias cortadas em pedaços de 2cm, um bulbo pequeno de funcho sem as folhas, cortado em fatias grossas, 1 cebola roxa descascada, cortada em quartos e despedaçada com os dedos, 2 dentes de alho inteiros e na casca, 1 batata média cortada em cubos, com casca, alguns ramos de tomilho, pimenta-do-reino, sal e azeite de oliva bastante apenas para recobrir os legumes com uma fina película de óleo. Misturei tudo muito bem e levei ao forno médio (180º) até que os legumes estivessem macios e chamuscadinhos nas pontas (uns 35 minutos).

Retirei os ramos mais lenhosos do tomilho, jogando-os fora, espremi o alho para fora da casca e bati-o no liquidificador com todos os outros legumes e 2 1/2 xícaras de caldo de legumes. Coloquei em uma panela e aqueci, acertando o tempero e servindo com um fio de azeite e fatias de pão. Serve 3 porções.

Exatamente o que eu precisava. Só não sei o que fazer com o enorme ramo de rabanetes que continua na geladeira olhando para mim... :P

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Nunca confunda suas pimentas

Chamara minha mãe e minha irmã para um jantarzinho sossegado num domingo sem marido. Um macarrãozinho simples basta, pensamos. Vou para a cozinha, coloco água para ferver, separo o spaghetti, abro a lata de tomates pelados, corto cebola, alho, cato umas ervas nos vasos da sala. Então, ao abrir a geladeira para apanhar o queijo, vejo aquela bandejinha de pimentas sortidas que eu comprara há algum tempo ali, implorando por algum uso.

Veja bem: gosto de pimenta. A convivência com meu marido, que gosta de qualquer comida apimentada, fez com que eu me apaixonasse também pelas danadas. Algumas ali na bandejinha eram velhas conhecidas: dedo-de-moça, malagueta, pimenta-de-cheiro, jalapeño. Outras, bonitinhas e de formatos e cores variadas, eram interessantes desconhecidas despertando suaves dejà vus; já as havia visto em algum lugar.

Achando-me grande conhecedora, apanhei uma pequena, arredondada, enrugadinha, que me lembrava uma pequena abóbora disforme, e pensei: ah, é a cambuci, ela é docinha. Minha irmã não gosta muito de pimenta, então essa vai só dar uma aromatizadinha.

Abri-a com a faca e raspei fora suas sementes, ajudando um pouquinho com a ponta dos dedos. A intenção, como fizera com todas as outras pimentas da bandeja, era plantar aquelas sementes nos vasos da sala (a maioria já brotou, por sinal). Comecei a fatiar a pimenta, e senti seu aroma forte atingir meu nariz. Surgiu a dúvida. Nunca provara a cambuci antes. Talvez fosse melhor experimentá-la antes de colocá-la no molho, só para garantir.

Estiquei meu dedo e pressionei-o contra um pedacinho tão pequeno de pimenta, que tive justamente de apanhá-lo como se fosse um cisco na bochecha de alguém. Botei na boca.

...

Minha mãe correu da sala para a cozinha, tentando entender o que estava acontecendo. Eu arfava, meus olhos derramavam lágrimas grossas, e minha boca inteira parecia estar sendo consumida por um pedaço de carvão em brasa. Curvei-me bruscamente sobre a pia da cozinha, abri a torneira e comecei a lavar a boca com a água, o que, no entanto, só piorou a situação. Meus dedos, que haviam tocado as sementes, agora terminavam de contaminar meus lábios e minhas bochechas, de modo que todo o meu rosto começou a arder como se tivesse passado oito dias exposta ao sol de um deserto. Minha mãe olhava, desnorteada, enquanto minhas bochechas ficavam cada vez mais manchadas de vermelho vivo.

Lembrei-me de um episódio do MithBusters, em que concluíam que o melhor remédio para pimenta era leite. Eu detesto leite puro, e ainda assim tomei dois copos inteiros e, em total desespero, comecei a lavar minhas mãos e meu rosto com o leite. Confesso: melhorou um bocado.

Agora eu podia ao menos respirar com mais calma e explicar à minha mãe, horrorizada, o que havia acontecido.

"O que houve???", perguntou ela, finalmente, me vendo mais calma, ainda que a vermelhidão de meu rosto e o ardor nas pontas dos dedos, na boca e nas bochechas fosse durar até a hora de dormir.
"Confundi minhas pimentas", expliquei, ainda um tanto sem ar, olhos lacrimejando e vias aéreas provavelmente desentupidas até a próxima encarnação.
"Como assim?"
"Pensei que fosse uma cambuci. Mas era uma scotch bonnet."

[Scotch bonnet: parente da habanero, e uma das pimentas mais ardidas do mundo. Tirei ou não tirei a sorte grande...?]

Cozinhe isso também!

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