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sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Um aniversário simples mas não um simples aniversário + coxas de frango e um bolo de anos atrás

Princesa viking na neve brincando com boneca.


Agora que a fase das visitas passou, a vida voltou ao normal. Bem, até o clima voltou ao normal, mandando embora aquela onda de -30oC e trazendo de volta os agradáveis -10oC. Houve até uma semana inteira de temperaturas positivas, vejam só! Lembro da vida na Aldeia da Serrra, tilintando de frio no vento ao passear o cachorro, toda encapuzada, três blusas, gorro, cachecol, maldizendo aqueles 8oC. Ha. Ha. Ha. Vale dizer que depois de passar pelos -30oC, Laura e eu nos vimos andando no parque, cercadas de neve derretendo, sem gorro, sem luvas, sem cachecol, apenas camiseta e o casaco aberto para refrescar. Fazia 3oC nesse dia. TRÊS. O ar é totalmente diferente no seu rosto, quando a temperatura é positiva, mesmo que seja apenas um grau acima de zero. Referências. Ah, referências. Comecei a entender bem aquelas fotografias engraçadas de gringo de short em dia frio. É sempre muito interessente perceber como nosso corpo se adapta rápido.


Passou Natal, passou Reveillon, sogra foi embora, e rapidamente me dei conta de que o próximo grande evento da família estava logo ali: o aniversário da Laura.

Quando ela me perguntou se os amigos do Brasil viriam visitá-la no aniversário, confesso que meu coração afundou. É sempre difícil lidar com essas perguntas de forma sincera mas leve. Difícil explicar que não é simples para os amigos visitarem, que custa caro, e que... bem... os pais dos amigos precisam de fato quererem vir aqui. E, vamos combinar, amizade de jardim de infância só dura se as crianças continuam estudando juntos. Essa parte é bem, bem difícil. A saudade que tenho dos meus amigos é dura. As saudades que as crianças têm dos seus amigos me faz sofrer bem mais.
Minha pequena lenhadora num dia de -10oC.
Assim que eu expliquei a ela que não, ninguém viria do Brasil para o seu aniversário, ela imediatamente supôs que faríamos uma grande festa e chamaríamos seus trinta colegas de classe.

Respira no saquinho.

"Não, querida, os pais e mães ainda não se conhecem direito, ainda é seu primeiro ano aqui, a gente não sai fazendo festa grande assim logo de cara. Precisa conhecer melhor os amiguinhos antes de chamar em casa. Além disso, o apartamento é pequeno, não tem espaço para a festa grande."
"Tem sim! Ó, cabe ali do lado do sofá todo mundo!"
"Cabe não, Laura."
"Tá. E o que é que a gente faz então, mamãe? Que é que faz no aniversário aqui no Canadá?"
"A gente canta parabéns na escola e manda as lembrancinhas. Você me ajuda a fazer os gift bags?"
 "SIIIIIIIIIIIIIIIMMMM!!!!!"

Pronto, os olhinhos dela estavam iluminados de novo.

Quando Thomas nasceu, prometi a mim mesma que não me meteria nessa de festão de criança. Havia comparecido a suficientes aniversários de 1 ano em buffet para saber que isso era roubada. Eu não faria festa até a criança de fato pedir por uma, e quando fizesse seria simples e caseiro como foram os meus na minha infância, e não daria presentes aos meus filhos até eles terem idade para saberem o que é um aniversário.

Isso não funcionou muito bem. Nada te faz morder mais a língua do que maternidade.

Logo no primeiro aniversário do Thomas, eu despiroquei. Nós não faríamos nada, nada mesmo, só um bolinho para nós três. Mas enquanto eu preparava o bolo, tive um siricotico, e comecei a achar que eu era a pior mãe do mundo, que todo mundo se importava com festa de 1 ano menos eu, que algo deveria estar errado comigo. De uma hora para a outra chamamos umas vinte pessoas que podiam vir, passei 6 horas enfurnada na cozinha, e fizemos uma festa meio esquisita e improvisada, que claro, não aplacou essa minha sensação de ser a pior mãe do mundo. Nenhum dos nossos amigos tinha filho ainda, então Thomas era o único bebê ali, e meia hora depois dos convidados chegarem, ele teve de se retirar para sua soneca habitual.

ISSO NÃO FAZ SENTIDO NENHUM.

No ano seguinte, as coisas foram mais tranquilas. Thomas fez dois anos no início de seu primeiro ano de escola, e me lembro de ter apenas enviado um bolinho de chocolate para a escola e foi isso aí. Paz de espírito, criança feliz comendo chocolate sem saber exatamente por quê. Achei que tinha voltado ao meu eu habitual.

Mas não.

Começaram a aparecer os convites para as festinhas dos colegas. As "festinhas de criança" eram verdadeiros festões, bailes de debutante, principalmente quando o aniversário era de menina. Entretenimento, DJ, barracas de comida, garçons, pula-pula inflável do tamanho da minha casa, pais estressados reservando data de aniversário com todo mundo 6 meses antes, lembrancinhas mais caras do que o presente que meu filho levava.

Depois de meia dúzia destas festas, Thomas começou a criar sérias expectativas a respeito de seu próprio aniversário. Ele mal falava direito, mas já sabia pedir uma festa de aniversário com dragões e dinossauros e todos os seus amigos. >_< Então, aos três anos, Thomas ganhou sua primeira festa com os coleguinhas da sala, aquela fatídica em que ele teve estomatite e chorou porque não conseguia comer brigadeiro. Aquilo deveria ter sido interpretado como um sinal para largar mão e voltar ao meu plano original. Mas é impressionante como o ambiente mexe conosco, desequilibra, tira o foco. Eu já não tinha mais firmeza para insistir no que eu achava que era certo, porque já não tinha mais certeza de coisa nenhuma, desprovida de qualquer outra referência em que me apoiar. Depois de todo aquele frio de -30oC, eu estava achando que 3oC era verão. Eu era praticamente a única mãe que fazia festa para menos de 60 convidados com bolo feito em casa, então pensar em algo ainda menor, um bolo só com os avós, parecia impensável, uma enorme injustiça com a coitada da criança.

Laura era outro tipo de abacaxi: no Brasil, ela jamais teria o bolinho na escola, pois seu aniversário é em Janeiro. Então veio outro jogo de culpa, aquele comum nas mães, de tentar resolver problema antes de ele de fato ter aparecido. Na minha cabeça, Laura se perguntaria por que o irmão teve festa e ela não teve, por que tinha foto de um monte de gente e um monte de comida no primeiro ano dele, e no dela só tinha pai e mãe e um bolinho. Loucura total. E pronto, Laura teve festa no primeiro ano, com um dos melhores bolos que já fiz, bolo branco classicão de 1 tigela da Alice Medrich (aquele de fazer no processador) e a cobertura adaptada de mascarpone do bolo de Tiramisú da Dorie Greenspan do livro Baking From My Home To Yours, que eu nunca postei aqui porque estava meio que de férias do blog na época.
Lembra dessa bochecha???? Muito amor. Olha esse bolo. Nham!
O BOLO DE TIRAMISÚ DO PRIMEIRO ANO DA LAURA
Rendimento: esse bolo da foto, alimentou um monte de gente e o povo lambeu o prato.

Ingredientes: 
(bolos)
  • 2  xic. farinha de trigo
  • 2 1/2 colh. (chá) fermento
  • 6 ovos
  • 1 3/4 xic. açúcar
  • 1 colh (sopa) extrato de baunilha
  • 1/2 colh (chá) sal
  • 6 colh (sopa) manteiga sem sal, derretida
  • 2/3 xic. creme de leite fresco, em temperatura ambiente
(xarope de café)
  • 1 xicarazinha normal de café espresso ou café bem forte (tipo 60ml de café, e não uma xícara-medida)
  • 1/2 xic. água 
  • 1/3 xic. açúcar
  • 1 colh (sopa) de Marsala, outro vinho doce fortificado ou conhaque
(cobertura)
  • 1 pote de marcarpone (uns 250g) (qualquer marca que tenha apenas creme de leite e ácido cítrico na composição, sem gomas ou coisas estranhas)
  • 3/4 xic. creme de leite
  • 1/2 xic. açúcar de confeiteiro
  • 150g chocolate amargo picado
  • cacau para polvilhar

Preparo:
(bolos)
  1. Coloque a grade na parte inferior do forno e pré-aqueça a 180oC.Unte e enfarinhe duras formas redondas de 20cm. Forre o fundo com papel-manteiga. 
  2. No processador, coloque o açúcar, farinha, sal e fermento e pulse para misturar. Junte o creme e a manteiga epulse rapidamente, 8-10 vezes, até que os ingredientes estejam misturados.
  3. Junte os ovos e a baunilha de uma vez e pulse mais 5-6 vezes. Raspe as laterais da tigela de processador com uma espátula, tomando cuidado com a lâmina, e então pulse mais 5-6 vezes, até estar tudo homogêneo, não mais que isso.
  4. Divida a massa entre as formas, espalhando uniformemente, e asse por 30-35 minutos, até um palito inserido no meio sair limpo. Coloque o bolo para esfriar numa grade por 10 minutos antes de desenformar e retirar o papel de baixo do bolo. Deixe que esfrie completamente antes de embrulhar bem os bolos em filme plástico individualmente e levar à geladeira. É mais fácil decorar o bolo depois de um dia na geladeira.
(xarope)
  1. Coloque a água e o açúcar numa panela e aqueça apenas até que todo o o açúcar se dissolva e o líquido fique transparente outra vez. Desligue, junte o café e o Marsala. Deixe esfriar.
(cobertura)
  1. Na hora de decorar o bolo, numa tigela, misture o mascarpone e o açúcar até que fique homogêneo e bem cremoso. Na batedeira, bata o creme de leite em ponto de chantilly. Junte algumas colheradas ao mascarpone, misturando delicadamente com uma espátula para deixar a mistura mais leve e então incorpore o restante do creme batido, como você faria com claras em neve. Leve à geladeira até a hora de usar. 
  2. Desembrulhe um dos bolos, e, usando um pincel, pincele metade do xarope por cima. Cubra com algumas colheradas do creme de mascarpone, polvilhe com 1/3 do chocolate picado, e cubra com a outro bolo. Pincele com a outra metade do xarope. 
  3. Passe uma camada fina da cobertura de mascarpone por todo o bolo e leve à geladeira por umas duas horas. 
  4. Retire o bolo da geladeira e termine de espalhar toda a cobertura uniformemente. Polvilhe com cacau a parte de cima e o restante do chocolate picado.

E assim foi indo, ano após ano, eu tentando simplificar as festas, trocando pastelzinho de palmito por biscoito de polvilho e cupcake por fruta, achando que isso ia resolver, e mesmo assim enfiando o pé na jaca e me dando mal todo ano.

Até o ano passado.

Já sabíamos que viríamos para o Canadá. Não tínhamos data certa, mas viríamos. E enfiei na minha cabeça que, aquele sendo o último aniversário com os amigos do Brasil, eu precisava fazer uma festa. Afinal, Thomas tivera festa de 4 anos, era justo que ela tivesse também. De novo, mãe resolvendo problema que ainda não existe. Por que é que a gente se complica tanto??

Chama todos os amiguinhos da sala. Cada amiguinho da sala vem com pai, mãe, irmão, e alguns, até com primo e avó. MESMO. O que poderia ser uma festinha para vinte crianças, vira uma festa para sessenta pessoas. Eu tento manter a coisa simples, mas claro que me atrapalho com o excesso de expectativa da Laura. Gasto mais dinheiro do que posso, gasto mais tempo do que gostaria, cozinho mais do que pretendia. No dia da festa, cai uma tempestade, destas de escurecer o céu. Ficamos todos enfurnados dentro de casa. É um caos. Comida e suco por todos os lados, brinquedos dos meus filhos espalhados por todo canto, gente que eu de verdade não conheço abrindo minha geladeira para procurar mais cerveja, criança sendo extremamente mal educada comigo quando peço para não pular no sofá e pais vendo isso acontecer  e não fazendo nada. Na época não quis comentar nada disso aqui no blog, e só coloquei as fotinhos fofas da mesa. Mas de verdade, foi um trauma.

Canta-se parabéns. Minha família se despede. Meus amigos se despedem. Mas há todo um grupo ali que entra na cozinha, pega de volta a cerveja e os sanduíches que eu já havia tirado da mesa, e continua sua festinha particular na varanda, ignorando a anfitriã com o saco de lixo limpando a casa. Detalhe: já se haviam passado 2 horas do horário de término da festa avisado no convite. As mesmas crianças mal educadas brincam de virar copo com resto de suco, eu grito com elas e ninguém liga. Ninguém dá bronca.

Quando finalmente consigo pôr fim àquilo e ter minha casa de volta (ou o que sobrou dela), pergunto à Laura se ela gostou da festa.

"Não. A Celine não estava aqui."

Meu mundo caiu. A melhor amiga ficara presa na estrada por causa da tempestade e não pudera vir. Eu passara por tudo aquilo, gastara tempo e dinheiro, e no fim das contas, eu só precisava ter chamado a melhor amiga.

Quando chegou o aniversário do Thomas, usei aquilo de exemplo. Chamei os três melhores amigos para passarem o dia brincando com ele. E foi isso. Fiz macarrão para todo mundo, comemos brigadeiro, e mandei um bolo para a escola. Thomas adorou. Foi divertido para todo mundo, INCLUSIVE PARA MIM.

Vir para cá foi de certa forma uma libertação dos aniversários escalafobéticos. Por conta de alergias alimentares, não se pode mandar bolo de aniversário para a escola. Mas pode-se mandar lembrancinhas. Você vai numa loja de 1,99, enche a sacola de cacareco, do tipo canetinha colorida, balão, borrachinha de bichinho, adesivo e língua de sogra, no melhor estilo aniversário de antigamente. Gasta-se muito pouco. Bota num saquinho colorido (tem toda uma sessão de Gift Bags nas lojas), e manda a criança para a escola para distribuir aquilo para os amigos.

Só isso já acho positivo: é aniversário da criança, mas é ela que dá os presentinhos, ao invés de ficar esperando receber dezenas de brinquedos e tralhas.

Laura AMOU separar todos os cacarecos e arrumar nos saquinhos e foi para a escola toda orgulhosa. Depois que ela entendeu e aceitou que seríamos só nós quatro a cantar parabéns, ela olhou bem para mim e disse:"tá bom; mas eu quero um bolo de chocolate e quero brigadeiro e balões, ok?"

Ok.



Preparei o mesmo bolo de chocolate que eu fizera no meu aniversário, mas numa forma quadrada, para ficar mais fácil cortar em pedaços para mandar de lanche depois. Usei confeitos coloridos, bem porcaria e cheios de corante, que eu sei que ela adora, fiz uma porção de brigadeiros e enchi com as forças restantes dos meus pulmões de quase quarenta anos pelo menos uns vinte balões - e descobri que os balões canadenses são mais espessos que os brasileiros, e, portanto, mais difíceis de encher. Afe. Povo aqui adora cartões de todos os tipos, então lhe comprei um cartão de unicórnio.

O dia do seu aniversário amanheceu lindo. Um céu azul limpíssimo, uma temperatura agradável, e neve fresca e fofinha para brincar. Um presentão, disse a ela. Assim que acordou, foi imediatamente brincar com seu presente de aniversário: ela pedira uma mala de madeira com tintas em tubos, pincéis e papel duro como o da mamãe, e achei lindo quando ela dividiu o presente com o irmão. Pintaram lindas pinturas até a hora de ir para a escola, e ela fez questão de carregar sozinha a sacola das lembrancinhas. Quando fui buscá-la, levei o trenó e meu canecão térmico cheio de chocolate quente, e ficamos no parque brincando na neve até quase escurecer. Voltamos para casa, Allex chegou cedo, e cantamos parabéns, jantamos bolo e brigadeiro e comemos pão de queijo de sobremesa. É, nessa ordem mesmo. ;)

 

Eu morrendo de dor na bunda por ter caído no gelo, e a brincadeira das crianças é justamente escorregar nele e cair.

Eles foram tomar banho, e deixei que brincassem na banheira até cansarem. Lemos um milhão de histórias antes de dormir, e quando fui dar um beijo de boa noite, Laura me deu um abraço e disse: "Eu adorei meu aniversário, mamãe!".

Foi a primeira vez que ela disse isso. E vir assim, expontaneamente, sem a chatice da mãe buscando aprovação, perguntando se o filho gostou da festa... foi a cereja do bolo, a certeza de que tudo o que a gente precisa é se ouvir mais, ser mais fiel a si mesmo e aos nossos princípios. E que criança quer mesmo é passar tempo com a gente, tempo de qualidade, quer mesmo é brincar e comer brigadeiro, e não precisa de DJ, nem garçom, nem princesa.

Fico contente que as coisas aqui pareçam, de modo geral, um pouco mais tranquilas. Claro, é uma cidade de imigrantes, e as referências de festas de crianças são muitas, e tem de tudo. Mas por ter de tudo, não tem problema ser só um bolinho. Ou só chamar a melhor amiga para um playdate. Ou só passar a tarde depois da escola brincando na neve e tomando chocolate quente.

Declaro aqui o fim dos aniversários escalafobéticos e o início da minha paz de espírito. Recomendo muito a todos. Faz bem.

Agora Laura anda toda orgulhosa. Cinco anos. Meia década. Uma mão cheia. Uma menina grande. Minha Madame Bochechas que agora perdeu a carinha de nenê completamente.
"Agora que eu tenho 5 anos eu já posso dormir na parte de cima do beliche, não é?"

Ai, ai, ai.

...............................

O resto do mês de janeiro foi bem comum. Tão comum e nos eixos, que consegui voltar a pintar. E consegui remontar meu portfólio para buscar trabalhos de ilustração em Toronto: www.anaelisagranziera.com
Ainda faltam alguns ajustes, mas vamos lá que está indo bem.

  
A vida culinária por aqui continua relativamente simplificada. Tray bakes são ainda o modo mais simples de montar uma refeição: assei batatas com alhos e cebolas (batatas previamente cozidas por 10 minutos, para ficarem bem macias por dentro e crocantes por fora), e quando ficaram prontas, juntei ervilhas congeladas por alguns minutinhos e quebrei alguns ovos para meio que fritarem / assarem no calor residual do forno. Polvilhei de salsinha e cebolinha, e voilà: almoço de sábado.
Em outro dia, fiz parecido com abóboras.  A butternut squash, com seu gostinho amanteigado, está virando uma de minhas abóboras favoritas. Assei cubos dela com cebolas, e quando prontas, juntei grão-de-bico cozido para aquecer e couve (black kale) rasgada por uns 5 minutinhos, para que cozinhasse e ficasse crocante nas beiradas. Servi com um molhinho simples de iogurte, tahini, azeite, limão, sal e pimenta-do-reino (as proporções são a gosto, e depende do quão amargo é o tahini e do quão azedo é o iogurte, mas é sempre mais iogurte e azeite do que tahini e limão).  As sobras, no dia seguinte, reaqueci e completei com um ovo frito.

Ainda que se possa comer a casca da abóbora, o pessoal aqui em casa não aprecia muito a característica coreácea que a casca adquire depois de assada. Então o que fiz foi guardar no freezer a casca da abóbora para usar num caldo, como sempre fizera. Mas quando vi que tinha já num saco separado casca de 2 abóboras inteiras, resolvi testar outra coisa: cozinhei as cascas em água fervendo até ficarem bem macias, escorri (guardando a água para uma sopa ou um pão) e bati no processador as cascas cozidas até obter um purê bem homogêneo. Surpresa! Você vê esse purê cor-de-laranja e nem acredita que eram as cascas, parece mesmo purê de polpa de abórora. Congelei porções de duas xícaras  (cascas de 2 butternut squash com alguma polpa agarrada a elas renderam 4 xícaras de purê). Uma dessas porções virou ESSE BOLO DELICIOSO DE ABÓBORA com cobertura de cream cheese e mel.
Tinha sobrado grão de bico cozido e molho de tahini. Então piquei a couve crua, misturei a fatias finas de beterraba amarela, sementes de romã, cebolinha e comi acompanhado de uma frittata simples de batata e salsinha. Salada de couve crua é ótima para levar de almoço, pois ela não murcha já temperada. E as sobras ficam ótimas com fatias de queijo dentro de um sanduíche tipo wrapp.
 Janeiro foi também o mês em que o Papai Noel trouxe de presente atrasado uma máquina de waffles. Os primeiros waffles canadenses foram intensamente comemorados por todos aqui em casa. E eu imediatamente lembrei das receitas de waffles do Good to The Grain, da Kim Boyce, e me arrependi de ter vendido o livro. Quem comprou, cuida bem, tá? Muito amor por esse livrinho.

Então, no fim de janeiro, fiquei sozinha pela primeira vez desde que cheguei em Toronto: Allex foi viajar a trabalho. Aproveitei para mimar as crianças, pois Thomas vive me pedindo para fazer coxa de frango para ele comer com a mão, e nunca faço porque Allex detesta carne de aves. Dei vazão à minha curiosidade culinária e preparei essas coxas com molho agridoce da Tessa Kiros. E como o que estava em promoção no mercado eram rutabagas e não batatas, o acompanhamento foi purê de rutabaga. Ligeiramente adocicado, como um purê de batatas com maçãs. Mas muito bom. O que sobrou dele no dia seguinte, misturei a ovos e farinha e fermento até conseguir consistência de massa de panqueca, e fiz panquequinhas de rutabaga no forno com salada de alface, e as crianças gostaram tanto, que levaram de almoço na escola.
  

COXAS E ASAS DE FRANGO COM MOLHO AGRIDOCE DE LARANJA E TOMATE
(Do livro Apples for Jam, da Tessa Kiros)
Rendimento: 6 porções

Ingredientes:
  • 1 /2 xic. açúcar mascavo
  • 1 1/2 xic. suco de laranja fresco
  • 3/4 xic molho de tomate, de preferência caseiro (eu sempre tenho um pouco de molho pronto, sobra de quando faço pizza)
  • 1 1/2 colh (sopa) shoyu
  • 1 1/2 colh (sopa) molho inglês
  • 6 coxas de frango
  • 6 asas frango (fiz metade da receita do molho, omitindo as asas e usando só as coxas)

Preparo:
  1. Pré-aqueça o forno a 160oC. Coloque o açúcar, suco de laranja, molho de tomate, shoyu e molho inglês numa panela, leve à fervura, mexendo para dissolver o açúcar. Cozinhe em fervura branda por 5 minutos.
  2. Espalhe as peças de frango numa assadeira ou refratário de bordas altas em que as peças caibam numa camada única, mas encostando umas nas outras. Despeje o molho por cima. 
  3. Asse por 2 horas a 2 horas e meia, regando o frango com o molho de vez em quando e virando as peças, até que p frango esteja crocante e pegajoso, e o molho esteja espesso e brilhante. Sirva quente ou em temperatura ambiente.
Lembrei-me também de outra receita de livro perdido, um cake salée da Dorie Greenspan, cuja receita eu achei que havia anotado, mas não. Catei na internet (RECEITA DA VERSAO DE QUEIJO ORIGINAL AQUI)e fiz novamente, trocando o parte de queijo por bacon douradinho e figos secos e servindo com uma salada de alface com vinaigrete de bacon: você doura os pedacinhos de bacon (uma fatia por pessoa), retira da panela, deixando a gordura lá, com fogo apagado, mistura o vinagre e a salsinha ali na panela mesmo e cobre as folhas com o molho quente e o bacon. Delícia. De novo, as sobras do cake salée foram enviadas de almoço para as crianças. 



Estou pegando o jeito de novo. :)

SE VOCÊ É UM PURISTA DA COMIDA JASPONESA, POR FAVOR PULE ESSE PARÁGRAFO - estou prestes a assassinar a culinária japonesa. ;) Mesmo.

Num dia em que comprei uma marca diferente de arroz e ele empapou além da salvação, ao invés de fazer bolinhos, catei nori no armário (pimpolhada adora levar pedaços de nori de lanche), espalhei o arroz grudento, temperei com vinagre de maçã e uma pitada de açúcar (não tinha Mirin), recheei com cenouras coloridas cortadas em palitos, versões vermelha e amarela, e escataplá: "hosomaki vegetariano". Ficou bem sushi de posto de gasolina, segundo Thomas, mas deu bem para o gasto e os dois pediram para que eu fizesse de novo e mandasse de almoço. Logo, sucesso.

Sushi de cenoura de posto de gasolina. ;)

Spaghetti com molho de tomate de ontem, manda DO BRASIL, cenoura colorida, queijo e passas cobertas de iogurte.
Toda a coisa do lanche da escola anda bem mais descomplicada, mas vou deixar isso para o post seguinte. Uma coisa que anda aparecendo mais aqui é pão de queijo, a mesma receita do aniversário da Laura, passada a mim por minha melhor amiga, que me dá uma saudade imensa lá do Brasil. Eu amo receita fácil de lembrar, e essa é uma delícia de fácil.

PÃO DE QUEIJO DA MARINA
Rende: um monte

Ingredientes:
  • 1 xic. leite
  • 1 xic. óleo
  • 1 xic. água
  • 4 xic. de polvilho, tudo doce ou misturado com o azedo (no caso, o pacote inteiro que consigo comprar aqui, de 567g, que é doce - ainda não achei polvilho azedo - para quem mora fora do Brasil, eu compro o Bob´s Red Mill Tapioca Flour (Tapioca Starch), que se encontra em qualquer supermercado e é puramente polvilho doce, apesar do nome)
  • 1 ovo
  • 1 "prato" de queijo ralado grosso

Preparo:
Na panela, junte o óleo, o leite, a água e um pouco de sal, que vai depender do quão salgado é o queijo que você está usando. Leve à fervura. Desligue e junte o polvilho, de uma vez, mexendo sempre até amornar. Eu prefiro fazer isso na batedeira planetária, claro, então deixo o polvilho esperando na tigela da batedeira e despejo o líquido fervendo em cima. Bato por vários minutos em velocidade bem baixa, pois o grude é forte. Se sua batedeira for dessas de plástico, melhor quebrar o braço de cansaço mexendo com colher do que quebrar a batedeira. Quando estiver morno, misture o ovo até que esteja bem incorporado. Então misture o queijo e pronto. Forme montinhos com a colher, ou bolinhas com a mão, se não estiver grudando, e asse em forma sem untar, a 180oC por pelo menos 20 minutos, dependendo do tamanho ou até que estejam dourados embaixo e com pontinhos dourados em cima. Assei metade da massa e o resto congelei numa assadeira, depois transferindo as bolinhas cruas para um saco. Do freezer pro forno, demoraram uns 5-8 minutos a mais para ficarem prontos.
 
Ah, o que mais aconteceu em Janeiro? Claro, a placa-mãe do computador queimou, eu caí no gelo em cima do meu celular, que quebrou, razão pela qual quase não teve post em janeiro, a máquina de lavar roupa morreu... eh, laiá. Ainda bem que já é Fevereiro.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Caldo de abóbora japonesa, inhame e cogumelos com macarrão

Foto de improviso de um prato de improviso que ficou melhor que o planejado.
Você viu? Você viu como eu me safei no título? Não vou chamar de "sopa japonesa", porque sei que o original não é assim e não quero irritar ninguém hoje. O caso é que de vez em quando eu me empolgo na feira orgânica e levo para casa mais vegetais do que consigo consumir na semana, e então fico à procura, internet afora (incluindo o site que procura nos meus livros), algo que use a maior quantidade de qualquer coisa que eu tenha de uma vez só.

Quando caí nessa sopa, no site da Dona Martha, fui lendo os ingredientes e pirei. Tenho abóbora japonesa? Tenho. Tenho inhame? Tenho. Tenho cebolinha? Tenho. Tenho shoyu? E mirin? E kombu? E cogumelo shiitake seco? E cenoura? Tenho! Tenho! Tenho! Mas... nada de udon. O que eu tenho é um pacotão imenso de somen. E nada de nabo japonês. Ou acelga. Ou esse temperinho que mandam botar no final que não faço a mais tenra ideia do que seja. O mercado aqui do lado também não tinha. Aliás, fiquei triste de ouvir da funcionária que eles pararam de comprar nabo, porque não vendia. E eu sei que o inhame que eu tinha não era o japonês. Ou a cebolinha.

Resolvi trabalhar com o que tinha, pois era melhor meia sopa de um monte de coisa do que um monte de coisa estragando porque eu não quis usar em meia sopa. Principalmente os cogumelos, aliás, cujo sacão imenso comprei há muito tempo, para usar em várias receitas vegetarianas do livro do Mark Bittman, só para meu marido decidir, dois dias depois, que não gosta mais de cogumelos. Então, qualquer prato onde eu possa usá-los, mas que ele possa separar e não comer, está bom para mim. Preciso dar fim àquele sacolão.

Deixei os cogumelos de molho em água quente assim que voltei de deixar o Thomas na escola, e preparei todo o resto cerca de meia hora antes de buscá-lo. Como era muito caldo, resolvi cozinhar o macarrão em água separada. Assim, poderia requentar o caldo no dia seguinte ou congelá-lo, e só cozinhar mais macarrão na hora, direitinho, sem ter de catar fiozinho de macarrão desmanchando na panela.

Confesso que dessa vez olhei para o panelão e pensei: esses moleques não vão comer isso. O cheiro estava uma delícia, mas eu sei que forço a barra de vez em quando, que quando falo "macarrão", Thomas sempre espera molho de tomate por cima.

Para minha surpresa os dois atacaram seus potinhos sem pestanejarem. Laura, como sempre, usando as patinhas para catar tudo e levar à boca, o garfo às vezes numa das mãos como mero objeto de decoração. Thomas, pedindo ajuda com o somen escorregadio. Os dois comeram todos os legumes menos os cogumelos shiitake. E o menino pirou com a colher da sopa, principalmente quando disse que ele podia sorver o líquido fazendo barulhinho. Tomou tudo e pediu mais caldo.

O que eu achei? É tão gostoso, tão gostoso, que parei de comer e catei a câmera para tirar uma foto e postar aqui. Se essa meia sopa com macarrão errado ficou desse jeito, imagina com o udon e os legumes que faltaram? ^_^

Então, espero que os filhos e netos de japoneses por aqui não se ofendam com a adaptação. Aliás, até mesmo deixo aqui uma pergunta, pois, fora a espessura e textura das duas massas que são claramente diferentes, nunca entendi exatamente quando se usa o somen. Pois há pacotes de somen que mostram o macarrão sendo comido frio e outros que mostram dentro de uma sopinha quente. Se alguém souber, agradeço o esclarecimento. Pois no fim, eu uso quando a receita pede (não necessariamente uma receita japonesa), mas queria poder inventar em cima sem sentir as avós dos meus amigos japoneses revirando no túmulo.

Bom caldinho para vocês. A receita abaixo está completa e correta, apenas traduzida do site da Dona Martha, que por sua vez tirou do livro Japanese Hot Pots. Minha versão omitiu o nabo, a acelga, o shimeji fresco e usou inhame brasileiro (o pequeno) e somen no lugar de udon.

CALDO DE ABÓBORA JAPONESA, INHAME E COGUMELOS COM MACARRÃO
(Original aqui.)
Rendimento: 4 porções generosas

Ingredientes:

  • 8 cogumelos shiitake secos
  • 1/2 xic. shoyu
  • 1/2 xic. mirin
  • 2 pedaços de 13cm de kombu
  • 1/2 abóbora japonesa (kabocha) pequena (cerca de 500g), descascada, sem sementes, e cortada em pedaços pequenos
  • 115g nabo japonês, descascado, cortado ao meio no sentido do comprimento e cortado em fatias de 1cm
  • 3 inhames japoneses pequenos (cerca de 250g), descascados, cortados em quartos e em pedaços menores se forem mais longos que 5cm
  • 1 cenoura média (cerca de 115g), descascada, cortada ao meio no sentido do comprimento e cortada em fatias de 1cm
  • 1 cebolinha japonesa, fatiada na diagonal, em pedaços de 1cm
  • 115g acelga, fatiada
  • 100g cogumelos shimeji, separados
  • 225g udon
  • Shichimi togarashi, para guarnecer


Preparo:

  1. Coloque os cogumelos shiitake secos em uma tigela, cubra com 5 xic. de água (quente ou fervendo, se não tiver tanto tempo) e deixe por 5 horas em temperatura ambiente. 
  2. Retire os cogumelos, reservando o caldo. Ao caldo, acrescente o shoyu e o mirin. Os cogumelos, apare os talos, se houver, descartando, e corte os chapéus na metade ou em quartos se forem grandes.
  3. Em uma panela grande (de preferência barro ou ferro esmaltado), coloque o kombu, e então cubra com a abóbora, o nabo, o inhame, a cenoura, a cebolinha, a acelga e os cogumelos frescos e os secos hidratados e cortados.
  4. Cubra com o caldo reservado, tampe a panela e leve à fervura. Abaixe para fogo médio e cozinhe por 10 minutos. Destampe, junte o macarrão e cozinhe até que o macarrão esteja cozido. (No meu caso, cozinhei os legumes por vinte minutos, e o macarrão sozinho, para que tudo estivesse no ponto certo, já que somen cozinha mais rápido.) Sirva imediatamente, guarnecido de shichimi togarashi.


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Soba com berinjela e manga e picolé para arrematar (natal, pra quê?)

 O fim de ano do freelancer. Você entra naquela fantasia infantil, conforme dezembro se aproxima, de que sua falta de chefe propiciará controle sobre a própria agenda, e que, este ano – ah! este ano! – você conseguirá encerrar atividades no meio do mês e curtir duas semanas pré-natal descansando, lendo, cozinhando toda sorte de doces e biscoitos natalinos usando especiarias e frutas completamente em desacordo com a estação do ano do hemisfério Sul. Doce fantasia.

Aí aquele trabalho programado para a segunda-feira se arrasta em alterações até a semana seguinte, transformando aquele prazo mágico do cliente em mera sugestão descartada. Você se curva diante do computador até altas horas da noite, olhos ardendo de olhar para a tela, com a certeza de estar ganhando um atraente bico de papagaio nas costas, e uma tristezinha lenta por ter delegado seus filhos à sua mãe o dia todo, pelo décimo dia seguido. Queria ter preparado coisa melhor para o almoço, queria ter brincado lá fora com seu filho em meio às borboletas habitantes do pé de maracujá que cresce junto ao muro, queria ter construído aquele canteiro alto para a horta com as toras apanhadas de um terreno baldio há mais de um mês. Queria ter preparado torrone.

Mas respira fundo e agradece por ter trabalho para pagar a escola ano que vem, e continua no batente.

Último dia previsto de trabalho. O prazo não é mais mágico. Gráfica. Hoje. Acorda às dez pras seis com o choro da mais nova, depois de ter trabalhado até às duas da manhã na noite anterior. Faz um balde de café. Leva o mais velho pra escola, passeia o cachorro, arruma as camas, lava louça, pendura roupa que lavou durante a noite, prepara a massa na focaccia que o filhote vai levar pro piquenique da escola no dia seguinte. Faz outro balde de café. Liga pro cliente. Mais alterações de última hora. Bota a pequena pra cochilar e senta no computador. Trabalha, trabalha. Chove lá fora. Acaba a luz. O no-break permite que eu trabalhe mais vinte minutos e puft. Sem computador, sem internet. Gráfica. Hoje. Liga pro cliente. Explica a situação. Sente uma úlcera formando na boca do estômago. Arruma as coisas da casa que estão fora do lugar. Pega a pequena que acordou no berço, troca fralda, bota no cadeirão pra comer uma banana. Faz mais um balde de café. Liga pro cliente pra dizer que nada mudou, tudo ficou no lugar. Sem previsão da luz voltar. Gráfica. Hoje. Sente um aneurisma estourando atrás da orelha esquerda. Pensa em catar a pequena, o mais velho na escola e ir pra São Paulo trabalhar na mãe, que lá tem luz, tem internet e mais café. Mas lembra que o arquivo incompleto está dentro do computador desligado. Pensa em arrancar o arquivo de lá de dentro à la Zoolander. Melhor não. Pensa no almoço. Restô dontê. Tira da geladeira escura e desligada um grande pote com soba de manga e berinjela, um pedaço de fritatta de feijão branco e dente de leão colhido do jardim, pepinos fatiados finos e tomates cereja bem doces e deixa sobre a mesa. Pensa em deixar os pratos postos, mas lembra que talvez o pequeno queira fazer isso.

Pega a pimpolha, bota na cadeirinha do carro, dirige até a escola, tira a pimpolha da cadeirinha, anda na chuva fina até a porta da escola. Espera. "Você também está sem luz?" "Estou." "Tem previsão pra voltar?" "Não tem não." Entra na escola, anda até a sala, veste a mochila nas costas, enfia a alça da térmica no braço que segura a pimpolha, pega o outro pimpolho no outro braço, subindo-o no colo com uma mão só. Sente uma hérnia estourando em algum lugar perto dos rins. Leva as duas crianças na chuva até o carro. Pimpolho número 1 na cadeira. Pimpolha número 2 na cadeira. Mochila jogada no banco. Dirige de volta com a esperança vã de entrar em casa e ver ligadas as luzinhas de natal. Neh. Tira pimpolha da cadeira e bota no cadeirão. Pega pimpolho, leva pro quarto, tira o uniforme, bota roupa de brincar, leva pra fazer xixi e lavar a mão. Chama pra comer. Drama. Chama pra ajudar a pegar os pratos. Drama. Pega os pratos. Mexe na massa da focaccia e liga o forno no máximo. Pimpolho vem ver o que tem pra comer. Drama. Não quer soba. Gosta de soba, mas não quer soba. Os molares estão nascendo e rasgando as gengivas e o vinagre do molho faz arder. E a manga, queria manga doce, não manga salgada. A pequena come tudo. O pequeno come pepinos e tomates cereja e um pedaço minúsculo de fritatta.

Pega a picolé pros dois. Picolé de banana, iogurte caseiro, mel e canela. A pequena se refestela. O pequeno come sem fazer sujeira. Pede mais. Não. Biscoito. Não. Biscoooooito. NÃO. Drama.  
Manda brincar. Não quer brincar, quer biscoito. Não. Biscoito. Não. Quer desenho. Não tem desenho, não tem luz. Drama. Dente maldito, nasce logo, que você está deixando meu filho um chato. Manda mensagem pro cliente. Dá um jeito aí, usa a última versão, não sei quando entrego isso não. Lava a pimpolha imunda de picolé. Bota na sala com uma caixa de peças grandes de montar. O pequeno esquece o biscoito e vai brincar junto. Alívio. Lava louça. Limpa o chão da cozinha, imundo de soba, manga, berinjela, picolé, fritatta. Faz um balde de café e promete que esse é o último. Bota pequena pra cochilar.

A luz volta. Aleluia, aleluia, milagre de natal! Bota desenho pro pequeno ver e corre pro computador. Espera o arquivo imenso abrir. Espera. Espera. Faz as alterações. Manda achatar a imagem. Trava. Faz de novo. Trava. Volta. Achata a p*rra da imagem. Foi. Salva. Espera o arquivo imenso salvar. Manda mensagem feliz e reconfortante para o cliente. Vai subir o arquivo. Sua conta do xyz upload qualquer expirou. Faz o cadastro de novo. Um script não deixa seu arquivo subir. GRÁFICA. HOJE. O pequeno, que tinha dormido vendo desenho, acorda chorando. A pequena, que estava cochilando no berço, acorda chorando. O timer toca avisando que é pra colocar a focaccia no forno. Vai colocar a focaccia no forno e descobre que o gás acabou. Isso te vem à mente:


Pega a pimpolha aos berros no berço, bota no cadeirão e dá uma banana. Pega o pimpolho aos berros e dá um biscoito. Maldito biscoito. Desliga o gás, tira o botijão velho, bota o botijão novo, liga o gás, liga o forno no máximo, checa a focaccia. Corre para o computador, para o upload travado, procura outro site, faz outro cadastro, sim aceito os termos e condições, clica no link recebido no email, não, não quero promover minha conta gratuita para uma muito melhor só que paga, sobe o arquivo. Arquivo "subido". Liga pro cliente. Tudo certo. Tira pimpolha do cadeirão, lava a cara de banana, bota pra brincar de andar pela casa, segurando as mãozinhas. Pimpolho te chama na cozinha. Biscoito. Não. Biscoito. Não. BISCOITO. NÃO, P•RRA, ESPERA O JANTAR. Bota desenho. Bota pimpolha no cercadinho. Corre pra atender celular. Gráfica. Imprime assim. É. Esse tamanho. Responde email. Dobra roupa limpa. Separa. Guarda nas gavetas. Bota focaccia no forno. Parou de chover, bota o cachorro no quintal pra fazer xixi. Dá biscoito pro cachorro. Criança vem pedir biscoito. FOME. Quer macarrão? Quer. Jantar mais cedo. Bota nenê no cadeirão. Faz molho de alho, tomate cereja, e alcaparras. Rala parmesão. Pimpolho vem pedir queijo. Dá queijo. Cozinha macarrão. Tira focaccia do forno. Grudou nas laterais. Cata espátula para desgrudar. Queima o dedo. Queima o dedo de novo. Pimpolho está impaciente com o macarrão. Cadê o macarrão? Fome. Bate embaixo da focaccia. Não está pronta. Volta pro forno. Escorre o macarrão. Serve.

Observa tranquilamente enquanto as crianças comem. Respira.
Retira focaccia do forno. Bota na grade pra esfriar.

Bota as crianças no banho. Laura, senta. Senta, Laura, não pode ficar de pé na banheira. Thomas, para de jogar água no rosto da sua irmã! Tira a pequena, bota roupa, bota no chão do quarto. Vai pegar o outro. Pequena prende o dedo na gaveta enquanto isso. Volta correndo pra soltar o dedo e dar bronca. Dá um brinquedo na mão pra se distrair e não prender o dedo na gaveta de novo e vai pegar o outro. Bota pijama e manda ir brincar e esperar o papai chegar. Bota pequena no cercadinho na sala. Lava louça. Bota o cachorro pra fazer xixi de novo. Papai chega. Pega email. Deu tudo certo. Vai tomar banho. Nina a pequena, bota no berço. Pega o mais velho. Escova os dentes. Faz xixi. Vai pra cama. Conta história. Vai pra sala. Abre a geladeira. Apanha o pote do que sobrou de soba com berinjela e manga e leva pra sala. Volta pra geladeira, apanha uma Guinness. Senta no sofá. Respira.

É por isso que não tem uma série de natal esse ano aqui no blog.

SOBA DE MANGA E BERINJELA
(do lindo Plenty, de Yotam Ottolenghi)
Rendimento: 6 porções

Ingredientes:
  • 1/2 xic. vinagre de arroz
  • 3 colh. (sopa) açúcar
  • 1/2 colh. (chá) sal
  • 2 dentes de alho, amassados
  • 1/2 pimenta vermelha fresca, picada finamente
  • 1 colh. (chá) óleo de gergelim
  • casca ralada e suco de 1 limão tahiti
  • 1 xic. óleo de girassol
  • 2 berinjelas médias, cortadas em cubos de 1,5cm ou tiras de 0,5cm de espessura
  • 220-250g soba
  • 1 manga grande e madura, cortada em cubos pequenos ou fatias finas
  • 1 2/3 xic. manjericão fresco, picado
  • 2 1/2 xic. coentro fresco, picado
  • 1/2 cebola vermelha, fatiada finamente

Preparo:
  1. Numa panela pequena, aqueça gentilmente o vinagre, açúcar e sal por um minuto, apenas para dissolver o açúcar. Remova do fogo e junte o alho, pimenta e óleo de gergelim. Deixe esfriar e junte as raspas de limão e o suco. 
  2. Numa frigideira grande, aqueça o óleo e frite a berinjela em três ou quatro levas. Uma vez douradas, remova para um escorredor e polvilhe com sal, deixando escorrer.
  3. Cozinhe o soba em abundante água fervente, mexendo ocasionalmente. Escorra enquanto estiver ainda al dente e passe sob água fria. Tente tirar todo o excesso de água. Reserve.
  4. Numa tigela grande, misture o soba, o molho, a manga e a berinjela, mais metade das ervas e metade da cebola. Você pode deixar o prato assim, em temperatura ambiente, por 1 ou 2 horas, se quiser. Quando quiser servir, junte o resto das ervas e cebola e misture bem.

Obs1: Fritei as berinjelas em apenas um fio de óleo e ficou muito bom também. Não tinha coentro e usei bem menos manjericão, e ficou igualmente gostoso. Fica tudo bem bom mesmo depois de um dia de geladeira e a vantagem é que não precisa requentar. ;)

Obs2: Os picolés, fiz no olho, misturando mais ou menos 1 1/2 xic. de iogurte caseiro, 4 bananas, uma ou duas colheres de sopa de mel e uma pitada de canela. Bati tudo no liquidificador e coloquei em forminhas de picolé por uma noite toda antes de servir.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Kimchi para melhorar aquele seu queijo-quente nhanha

Eu ouvira falar muito pouco a respeito de kimchi em algum programa de TV antigo, que mencionava o condimento como um gosto adquirido, algo apimentado e particularmente fedido. Foi com algum receio que, muitos anos depois, em um restaurante coreano do bairro da Aclimação, onde um amigo – também coreano – me levara, que experimentei kimchi pela primeira vez.

Apimentado, sim. Mas não tinha nada de fedido. Pelo menos não para mim. Era sim um condimento delicioso, um excelente complemento a todos aqueles pratos diferentes que eu jamais havia provado.

Passou-se muito tempo até que eu começasse a me aventurar no mundinho mágico do faça-você-mesmo e das conservas, e resolvesse tentar preparar kimchi pela primeira vez. O que outrora me parecera um preparado complexo feito apenas por mãos coreanas, revelou-se extremamente simples. Uma mera questão de juntar num pote uma série de ingredientes e deixar que a natureza faça seu trabalho, fermentando aquela lindeza toda.

Meu primeiro kimchi preparei há um ano, ainda grávida da Madame Bochechas, e enfrentei o problema que sempre enfrento quando resolvo lidar com fermentação (de pão, de cerveja, o que for): temperatura. Parece que é só resolver fermentar algo para o clima enlouquecer. Fermentação é sempre boa em temperaturas mais amenas, algo que não passe de 21ºC. É fechar o pote que lá vem os 30ºC fazendo meus potinhos borbulharem feito refrigerante. Nota para mim mesma: preparar kimchi no inverno.

Meu segundo problema foi com o acondicionamento nos potes. Enchi-os até a boca, como se fossem geleia, sem me dar conta de que as verduras, na salmoura, soltariam líquido, e que a fermentação produziria gases, aumentando o volume do preparado. Alguns dias depois, o líquido vermelho da salmoura vazava loucamente por baixo das tampas, criando poças imensas na bancada. Lá fui eu redistribuir tudo em mais potes, pensando que talvez tivesse arruinado minha conserva com tanta manipulação.

Três semanas depois, achei que o cheiro e o aspecto estavam já bons o bastante (considerando a vaga lembrança da única vez que experimentara aquilo anos antes)  e coloquei o kimchi na geladeira para desacelerar e interromper a fermentação. E chegara a hora de provar.

E o medo? E a intoxicação alimentar? E o pobre bebezinho na minha barriga que não escolhera comer kimchi caseiro possivelmente contaminado? Cada pote parecia diferente, um com um cheiro mais forte, outro menos, um com mais bolhas, outro sem nenhuma.

Pesquisa, pesquisa, pesquisa. Fóruns. Perguntas e respostas. Aparentemente eu não morreria com kimchi ruim, apenas teria uma tremenda dor de barriga. Manda ver. Delícia. Todo mundo sobreviveu. ;)

Daí que o kimchi foi parar no arroz, com cebolinhas e ovo frito, e virou kimchi noodle soup, e meu favorito de todos, responsável por terminar com três potes imensos durante esse ano praticamente sozinha: sanduíche de queijo.

Pense seu queijo-quente, pau pra toda obra. Agora pense nele apimentado e complexo, com um molhinho que encharca o pão e pedacinhos ainda crocantes de vegetais ali no meio. Pense até uma versão mais elaborada, com pão de centeio caseiro e algum queijo mais forte, como ementhal ou gruyère. Mas mesmo pão francês e queijo prato.

Meu
Sanduíche
Favorito.

Foi uma tristeza quando meu último vidro de kimchi acabou.

Hora de fazer mais. Assim que as acelgas apareceram na banca de orgânicos, apanhei uma do tamanho da minha filha e levei para casa com mais cenouras, gengibre e cebolinhas. Cortei a acelga, deixei de molho durante a noite e no dia seguinte cortei e preparei todos os outros vegetais e temperos. Faltava apenas a pimenta coreana em pó no pote.

E...

Ela estava mofada. Quase caí para trás. Tudo pronto, meio da semana, lotada de trabalho, fora de São Paulo, e meu pacote inteiro de pimenta parecia a parte interna de um aspirador de pó depois de limpar uma pilha de carpetes velhos usados como cama de cachorros peludos.

Depois de maldizer a natureza, que uma hora ajuda e noutra atrapalha, prossegui. Joguei o pacote de pimenta fora e fiz o kimchi sem ela. Afinal, a pimenta não era necessária para a fermentação. O bichinho poderia começar o processo sem ela. E o kimchi dera certo da primeira vez mesmo tendo que manipulá-lo e reacondicioná-lo no meio do processo, então eu poderia bem meter a pimenta ali depois. E foi o que eu fiz. Minha mãe foi extremamente gentil em ir até a Liberdade e comprar um novo saco para mim e trazer alguns dias depois. Quando abri o pote, o cheiro já era característico, fazendo minha boca salivar, e o kimchi chiava e borbulhava como uma garrafa de refrigerante. Lá foi a pimenta; mistura, mistura, bota em potes menores. Agora resta esperar mais um tempinho até a coisa estar bem curtida.

E nham! Kimchi Grilled Cheese Sandwich por mais um ano! :D

KIMCHI
(Do livro de conservas Tart and Sweet, de Kelly Geary e Jessie Knadler)
Tempo de preparo: 20 minutos + 3-4 semanas de fermentação
Rendimento: cerca de 4 litros

Ingredientes:
  • 2-3 acelgas médias
  • 1/4-1/2 xic. sal marinho*
  • 2 maços de cebolinhas fatiadas fino
  • 2 xic. cenouras cortadas em palitinhos bem finos
  • algumas fatias grossas de galangal (se você encontrar; eu não usei)
  • 1 1/2 xic. pimenta em pó coreana (um pó vermelho forte, vendida em sacos de 500g na Liberdade ou pela internet)
  • 1/4 xic. molho de peixe (nam pla)
  • 1/4 xic. alho picado finamente
  • 1/4 xic. gengibre fresco ralado
  • 2 colh. (sopa) shouyu

*Na primeira vez que preparei, usei 1/2 xic, e a acelga demorou mais tempo para começar a fermentar; agora, com 1/4 xic, em 3 dias ela já fermentava loucamente. Use o bom senso ou experimente.

Preparo:
  1. Corte a acelga em quartos no sentido do comprimento, retire a parte central dura e descarte, e corte as folhas em tiras de 5cm de largura. Lave para tirar qualquer resquício de terra ou sujeira e coloque em uma tigela grande. Polvilhe o sal por cima, misture bem e cubra com água filtrada. Coloque um prato por cima, para garantir que todas as folhas estejam submersas e deixe em temperatura ambiente durante a noite.
  2. No dia seguinte, escorra a acelga, reservando o líquido da salmoura, que será usado depois. 
  3. Numa tigela bem grande, junte a acelga, a cenoura, o galangal (se estiver usando e misture bem. 
  4. Numa tigela pequena, misture a pimenta, o nam pla, o alho, o gengibre e o shoyu até virar uma pasta. Junte isso à acelga e misture bem com as mãos, para que tudo fique recoberto. 
  5. Divida a mistura em potes de vidro limpos, não preenchendo mais que 2/3 da capacidade, e apertando bem as verduras no fundo. Cubra com o líquido da salmoura, novamente, não enchendo mais que 2/3 ou 3/4 da capacidade do vidro.
  6. Limpe as bordas e tampe e deixe em temperatura ambiente por 3-4 semanas. (Por segurança, deixe os potes dentro de uma travessa com bordas ou assadeira, para o caso de algum pote transbordar.) Depois de alguns dias, comece a checar diariamente, e empurre com o dedo qualquer vegetal que esteja para fora do líquido. Experimente todos os dias. O gosto tem que ser apimentado, salgado, asiático, os legumes mantém alguma crocância. Não pode haver espuma, bolor, ou gosto ácido. Mas é fedido, tem cheiro forte de repolho fermentado. Para quem gosta de sauerkraut, é um cheiro reconhecível no meio dos temperos fortes. Assim que estiver suficientemente fermentado para você (isso pode acontecer até antes de 3 semanas), coloque os potes na geladeira. Ali, eles ficam indefinidamente, sem prazo de validade.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Bolinhos de cenoura, o sucesso dos pepinos e a imprevisibilidade do paladar infantil

Já escrevi aqui algumas "dicas anti-stress" para alimentar uma criança pequena (ou pelo menos a MINHA criança pequena). Mas faltou uma. Uma boa para mãe que gosta de cozinhar mas não gosta de comer todo dia a mesma coisa: nunca presumo de antemão que o pequeno caçador de formigas vai recusar a comida que estou fazendo.

Porque é fácil fazer isso. Você, com uma vontade imensa de comer ensopado francês de peixe, imagina a criança lidando com aquele creme, os pedaços do peixe e frutos do mar, as texturas e temperos diferentes, a dificuldade com a colher, e repensa o jantar. E faz macarrão com molho de tomate, que é mais fácil. No dia seguinte, querendo soba com berinjela e manga, aparecem as mesmas inseguranças, seu dia foi cansativo, não está com o menor saco de lidar com criança birrenta... macarrão com molho de tomate. Pro pimpolho, apenas. Depois que ele vai dormir, você prepara seu soba para matar vontade.

Claro que às vezes eu caio nessa. Mas ando tentando não mais entrar na pegadinha da "comida fácil de criança". Principalmente quando Thomas me surpreende ao tomar um copo inteiro de lassi com água de rosas, chá de jasmim sem açúcar nenhum ou castanhas de caju crocantes e cheias de pimenta caiena. Nessas horas me lembro de que simplesmente não dá para prever o que uma criança vai gostar de comer ou recusar.

Tanto que, querendo ainda apresentar alimentos crus ao pimpolho, preparei essa raita? tzatziki? esse... pepino com iogurte para acompanhar os bolinhos de cenoura do Bill Granger. Presumi que ele comeria os bolinhos, pois bolinhos sempre fazem sucesso, e que talvez, se eu desse sorte, se interessasse em experimentar os pepinos, uma vez que estavam envoltos em iogurte e ele adora chuchar comida em molhos de qualquer espécie.

Surpresa: nem tocou nos bolinhos; comeu todo o pepino. o_O

Vai entender.

Fica a dica: não presuma nunca que o pimpolho vai ou não vai comer xis coisa baseado em experiências prévias. Lembra o vício em bananas do pequeno? Sumiu. Anda deixando bananas pela metade. Mas experimente deixar uma caixa de morangos à disposição. Tadinho, vai sofrer quando eles pararem de aparecer na banca orgânica.

Mesmo sem pimpolhos, no entanto, esse é um almocinho leve e muito gostoso. Apesar das inúmeras receitas, acabo fazendo os pepinos meio que sempre da mesma forma: fatiando fino, salgando e deixando numa tigela por um tempo, para sorarem. Espremo e descarto o líquido e misturo os pepinos a iogurte caseiro, um dente de alho bem picadinho, menta seca, cebolinha picada, pimenta-do-reino, um fio de azeite e mais sal, se julgar necessário.

Para os bolinhos, do ótimo livro Bill's Open Kitchen, de Bill Granger, misture numa tigela:
  • 60g (1/2 xic.) farinha de trigo
  • 125ml (1/2 xic.) de água com gás ou tônica
  • 1 ovo
  • 1/4 colh. (chá) de cominho moído
  • 1/4 colh. (chá) de sementes de coentro moídas
  • 1/4 colh. (chá) de cúrcuma
  • 1 colh. (chá) açúcar
  • 1 colh. (chá) de sal
  • 1 pimenta dedo-de-moça sem sementes e picada (ou a gosto)
  • 235g (1 1/2 xic.) cenoura ralada grosso
  • 8 talos de cebolinha picados
  • 25g (1/2 xic.) de coentro fresco picado
Aqueça uns 60ml de óleo numa frigideira grande e frite os bolinhos em porções de 2 colh. (sopa) cada, sem encher demais a frigideira. Frite por uns 2 minutos cada lado, até que dourem, escorra em papel-toalha e sirva quente, com um molhinho de iogurte à sua escolha ou os pepinos. Faz cerca de 12 bolinhos.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Panquecas de legumes para meu filho que eu apertei até quase explodir

Voltei de viagem para descobrir que meu pequeno causador de confusões tinha crescido um bocado. Um belo bocado. Durante nossa ausência, ele esticou mais um tanto bastante para perder uma meia dúzia de roupas, passou a não mais andar, mas correr por aí, outros dois dentinhos seus apareceram, e suas mãozinhas parecem patinhas de filhote de labrador, grandes e gordinhas, indicando que mais uma espichada de tamanho está por vir.

Não apenas isso. Num dia em que minha mãe descascava uma maçã para cortá-la em pedacinhos pequeninos, ele surrupiou a fruta de sua mão, deu-lhe uma dentada e saiu andando por aí, comendo maçã feito adulto. Espanto. o_O

Aparentemente, os únicos que ficaram choramingando de saudades fomos nós, pois ele se divertiu e aprontou com as duas avós e sequer nos procurou. Talvez tenha sido de fato bom não deixá-lo voltar ao apartamento vazio, e ficar apenas nessa rotina nova. Não houve nenhuma "ansiedade de separação", a não ser pela mãe bobona que chorou no táxi para o aeroporto. ¬_¬

"Ele é muito independente!", disse minha mãe.

Aliás, foi ela quem teve a presença de espírito de lembrar que nossa geladeira estava completamente vazia, e foi um doce ao estocá-la com algumas frutas e verduras, pão e leite um dia antes de nossa chegada. Fui buscar o pequeno na casa da avó e enquanto ele saracoteava pela casa, redescobrindo os brinquedos que não levara com ele, resolvi preparar o jantar.

Sabia que não queria preparar nada italiano. O sabor da comida de férias deveria perdurar por mais um tempo, e era melhor buscar inspiração em outro lugar. Havia cenouras e abobrinhas e ovos na geladeira, então antes que fizesse mais uma fritatta, abri meu atual livro favorito, How to Cook Everything Vegetarian, e dei de cara com essas panquecas "estilo coreano". Bingo! Além de poder usar tudo o que tinha em mãos, era rápido de preparar e Thomas comeria tranquilamente com as mãos, o que é sempre uma garantia de refeição sem balbúrdia e frustração.

Usei 100% farinha de trigo, pois a farinha de arroz acabara (o livro indica 50% de cada uma), e uma cebola comum bem miudinha (quase uma echalota) no lugar das cebolinhas que não tinha. Apenas quando a massa estava pronta e os legumes ralados, dei-me conta de que apesar do sono e da luz cinzenta vinda lá de fora, ainda eram quatro da tarde. Ah, o fuso horário. Fechei tudo em potes, meti-os na geladeira e fui apertar mais uma vez meu pimpolho gostoso, de quem senti tantas saudades.

Na hora do jantar, foi apenas uma questão de juntar os legumes à massa de panqueca (que não leva fermento, então pode ficar até de um dia para o outro na geladeira) e cozinhar os grandes discos até ficarem dourados e macios. Cortei-as em triângulos e, se Thomas fosse mais velho, deixaria que os mergulhasse no shoyu um a um antes de saboreá-los. Como não sou boba nem nada, temperei as panquecas ainda bem quentes com o shoyu e deixei que elas absorvessem o molho antes de dar os bocados a ele. O pequeno raspou o prato e foi brincar, e de repente eu estava de volta à minha antiga rotina. Mas agora revigorada e morrendo ainda mais de amores pelo meu cavaleiro ítalo-germânico comedor de maçãs.

PANQUECAS DE LEGUMES
(ligeiramente adaptadas do How to Cook Everything Vegetarian, de Mark Bittman)
Tempo de preparo: 30 minutos
Rendimento: 6-8 porções como apetitivo ou entrada, e 3-4 porções como prato principal.

Ingredientes:
  • 2 xic. de farinha de trigo branca orgânica
  • 2 ovos grandes, orgânicos
  • 1 colh. (sopa) óleo vegetal (mais um pouco para fritar)
  • 1 1/2 xic. água
  • 2 cenouras médias, raladas grosso
  • 1 abobrinha pequena, ralada grosso
  • 1/4 xic. cebola picada
  • shoyu para servir
Preparo:
  1. Junte numa tigela a farinha, os ovos, o óleo e a água e misture com um batedor de arame até que fique homogêneo. Deixe descansar por cerca de meia hora. Se deixar de um dia para o outro, pode ser que seja preciso acrescentar mais uma ou duas colheres de água para que a textura volte ao normal (como massa de panqueca comum, nem muito líquida nem muito firme).
  2. Junte os legumes à massa.
  3. Aqueça um fio de óleo em uma frigideira grande. Quando estiver bem quente, derrame 1/4 da massa na frigideira, espalhando para formar um círculo grande, de cerca de 20cm. Deixe em fogo médio até que doure de um lado e as laterais pareçam sequinhas, e então vire a panqueca com uma espátula, dourando o outro lado. Repita com o restante da massa. 
  4. Corte em triângulos e sirva quente, com shoyu para mergulhar.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Somen, acelga e tofu para um almoço tranquilo

O bebê segue meus movimentos com seus olhinhos alertas e azul-acinzentados. Ele parece gostar dos sons da cozinha, e apesar do tilintar de louças, da batida ritmada da faca contra a tábua de madeira e do burburinho da água da torneira sobre a pia de inox, ele adormece.

Abro a geladeira para apanhar meus ingredientes: molho de ostra, shoyu (ambos sem glutamato monossódico), mirin, um toco de tofu orgânico e uma linda e enorme acelga orgânica. Da despensa, apanho uma porção de somen. Tenho consciência de que somen costuma ser comido frio, mas em minha tentativa de trabalhar com o que tenho em mãos, o somen hoje será servido quente.

Coloco água para ferver numa panela pequena e aqueço um fio de óleo em uma frigideira. Corto o toco de tofu em pedaços menores e atiro-os ao óleo quente, dourando-os dos dois lados. Enquanto isso, misturo numa tigela um pouco de mirin, shoyu e cebolinhas picadas. No olho, a gosto. Aqueço outra frigideirinha pequena, onde tosto sementes de gergelim e junto-as ao molho. Assim que o tofu está pronto, ele vai para a tigela, para absorver os sabores. A frigideira grande continua no fogo enquanto mergulho algumas folhas de acelga fatiadas fino na água fervente. Um minutinho apenas. Então, com a ajuda de um pegador de metal, retiro as folhas amolecidas e verde-vivo da água e jogo-as na frigideira ainda com um pouco de óleo pelando. Muito barulho e uma nuvem de vapor branco. Junto uma colherada de molho de ostra e mexo bem, desligando o fogo. Na água ainda fervente vai o somen, por poucos minutos. Escorro-o e junto à acelga e ao molho com tofu, misturando tudo muito bem.

Levo minha tigela fumegante para a sala e vou buscar o bebê adormecido. Sento-me no sofá ao lado do cão peludo, quentinho e ligeiramente carente. Ele repousa sua cabeça em meu colo quando cruzo as pernas. O bebê dorme profundamente em sua cadeirinha, enrolado no xale de lã, e sei que ainda poderei cochilar por meia hora antes que ele acorde para mamar novamente.

terça-feira, 15 de março de 2011

Soba de chá verde com pepinos apimentados e cogumelos

Dizem que comida apimentada faz você entrar em trabalho de parto. Considerando a quantidade de vezes que comi esse prato nos últimos meses, mais toda a comida mexicana e asiática que andei preparando e comendo fora desde o início da gravidez, vou precisar engolir uma Scotch-Bonnet inteira para o expulsar o menino da barriga. O bebê já vai nascer pedindo pra botar Tabasco no leite.

A primeira vez em que preparei esse soba muito rápido e fácil, usei a quantidade inteira de pimenta calabresa pedida na receita (2 colheres de chá!). O marido, que come molho de pimenta brava de colher, lacrimejava a cada garfada. Então resolvi substituir as "colheres" de pimenta em flocos por "pitadas". E, mesmo assim, dependendo do tamanho da sua pitada, os pepinos absorvem o fogo da pimenta como uns loucos e você pode acabar exagerando na picância do prato.

Mas... vai do gosto do freguês. Gosto do apimentado que não mascara o sabor dos outros ingredientes. E você não vai querer mascarar os cogumelos no molho de ostra, a refrescância dos pepinos e o sabor interessantíssimo desse soba aromatizado com chá verde. O soba – que é uma massa feita de trigo sarraceno – pode ser encontrado na gôndola de produtos asiáticos dos bons mercados e empórios ou nos mercados da Liberdade, assim como essa variação com chá verde, que torna os fios esverdeados e seu sabor ligeiramente amargo. Mas, caso só encontre o soba comum, acho que o prato deve ficar igualmente bom.

Também troquei o caldo de legumes por água, não me importei em descascar ou retirar as sementes do pepino e já variei um bocado o tipo de cogumelos usado (shiitake, shimeji, enoki, às vezes misturado, às vezes um tipo só...), e sempre fica bom.

Fiquei feliz por ter encontrado no mercado um molho de ostra sem glutamato monossódico, um negócio que eu abomino e que me dá dor de cabeça. Na primeira vez em que fiz o prato, fiquei com preguiça de comprar o molho, pois estava de mudança e achei bobagem levar de um apartamento para o outro uma garrafa de molho de ostra recém-aberto. E preparei o soba com shoyu no lugar. Bem, o molho fez falta. Ele tem um sabor interessante e diferente e é bastante salgado, então nem se incomode em salgar o prato.

Aliás, se você gosta de pratos com um toque asiático, ter esses ingredientes em casa (mirin, molho de ostra, shoyu, nam pla, óleo de gergelim, soba e outras massas) é uma mão na roda para as noites sem tempo, pois há uma infinidade de receitas deliciosas que podem ser feitas em vinte minutos ou menos. :)


[A porção da foto é praticamente para duas pessoas; porção de mulher grávida de 38 semanas, urrando de fome...]

SOBA DE CHÁ VERDE COM PEPINOS APIMENTADOS E COGUMELOS
(ligeiramente adaptado da revista Donna Hay)
Tempo de preparo: 10 minutos (com o mis-en-place)
Rendimento: 4 porções

Ingredientes:
  • 1/4 xic. mirin (sake culinário, vinagre de arroz)
  • 1 colh. (sopa) suco de limão
  • 1 pitada generosa de pimenta calabresa em flocos
  • 1 colh. (sopa) sementes de gergelim, tostadas
  • 2 pepinos fatiados fino
  • 1 colh. (sopa) óleo de gergelim
  • 400g cogumelos (shiitake, shimeji, enoki, nameko, pleurotus...), fatiados, se necessário
  • 1/2 xic. molho de ostra (o do Panda é uma boa marca)
  • 1/2 xic. água
  • 270g soba de chá verde
  • 1 xic. folhas de hortelã
  • 3 talos de cebolinha grandes, picadas

Preparo:
  1. Cozinhe o soba conforme as instruções na embalagem, escorra e reserve. 
  2. Numa tigela, misture os pepinos fatiados, a pimenta, as sementes de gergelim, o mirin e o suco de limão. Reserve.
  3. Aqueça o óleo de gergelim numa frigideira grande e junte os cogumelos, cozinhando por 1-2 minutos em fogo alto. 
  4. Junte o molho de ostra, a água e o soba cozido e mexa bem por 1 minuto, ou até que a massa esteja coberta de molho. Desligue o fogo e junte os pepinos e seu líquido, a hortelã e a cebolinha. Misture bem e sirva. 

quarta-feira, 10 de março de 2010

Udon é bom e eu gosto

Jantarzim de ontem e almocim de hoje. Beleza isso de ter kombu dashi (caldo de kombu) congelado no freezer, em porções de 2 xícaras, pronto para virar coisinhas gostosas como udon. Nunca experimentara o shiitake seco, e o danado é também sensacional, carnudo, algo de defumado, mais complexo do que sua versão fresca.

A receita original pedia daikon (nabo japonês) e shiso, além das sementes de gergelim que simplesmente esqueci de acrescentar. Não tinha nenhum dos dois vegetais, mas tinha três lindos pés de couve chinesa orgânica na geladeira. Como sei que ela vai maravilhosamente bem em sopas e caldos, acrescentei-a sem dó. E ficou ótimo!

Fiz o caldo ontem, mas só preparei udon suficiente para as porções do jantar, guardando o resto do caldo na geladeira. Hoje, requentei-o, cozinhei mais udon e pronto: udon no almoço. Pena que não tinha taaaaanto caldo quanto ontem, razão pela qual na foto ele quase não aparece, com toda a massa e cogumelos flutuando por cima... ;)

UDON EM CALDO DE COGUMELOS
(Adaptado do livro Essentials of Asian Cuisine, de Corinne Trang)
Tempo de preparo: 30 minutos (cogumelos) + 15 minutos

Rendimento: 4-6 porções


Ingredientes:
  • 12 cogumelos shiitake secos
  • 6 xic. kombu dashi*
  • 1/3 xic. mirin (saquê específico de cozinha)
  • 1/3 xic. molho shoyu
  • 4 cebolinhas grandes, metade picada fina, metade em pedaços de uns 2-3cm (parte branca inclusa)
  • 230g udon
  • 50g gengibre fresco, descascado e ralado
  • 4-5 folhas de couve chinesa cortadas em fatias largas
*Kombu Dashi: use uns 30g de kombu para cada litro de água. Não lave o kombu; limpe-o com um pano úmido, se necessário. Coloque o kombu seco na água fria e deixe marinando (na geladeira, se preferir) por no mínimo 12 horas ou durante a noite. Retire a alga e guarde o caldo.

Preparo:
  1. Limpe bem o shiitake. Coloque-o de molho em 3 xíc. de água quente, tampe para não deixar o vapor escapar, e deixe amaciando por 30 minutos.
  2. Retire os cogumelos, aperte-os nas mãos para retirar todo o líquido, apare os caulezinhos duros e corte os chapéus em tiras. Filtre o líquido de molho dos cogumelos em um papel toalha e reserve o líquido.
  3. Coloque em uma panela o kombu dashi, o líquido dos cogumelos, os cogumelos fatiados, as cebolinhas em pedaços grandes, o mirin, o shoyu e a couve chinesa e leve à fervura. Abaixe o fogo e deixe no mínimo até a hora de servir.
  4. Enquanto isso, esquente água em outra panela. Quando ferver, acrescente o udon, mexendo um pouco para não grudar. Cozinhe por 3-5 minutos.
  5. Escorra bem o udon e distribua a massa entre as cumbucas. Distribua o caldo sobre as porções de massa, tendo certeza de que todos têm quantidades iguais de cogumelos e couve. Guarneça com a cebolinha picada fina e o gengibre ralado e sirva.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Cozido rápido de milho e abobrinha em leite de coco

Um dia vou conseguir tratar minha personalidade obsessiva. Pois não importa que as anotações ao meu lado me indiquem que já comprei comida para o mês inteiro e que estou prestes a estourar meu orçamento novamente. Ia até a cozinha, olhava para a geladeira repleta, e não conseguia pensar em outra coisa senão esse cozido. Nada mais parecia tão perfeito para aquela noite. Outra parte de mim reclamava, argumentando que havia bastantes ingredientes para que eu pudesse inventar qualquer outra coisa; você não precisa sair para comprar tofu, leite de coco e coentro; faça milho cozido, refogue a abobrinha em alho e pronto. Neh. Não é isso que quero comer. Quero um cozido apimentado, adocicado, colorido, sobre arroz basmati. Diga-me se não tem cara de verão, esse caldo perfumado, de pedaços verde-e-amarelos, pontilhado de vermelho! Faça com arroz comum! Tem arroz agulhinha na prateleira! Não, mas não fica a mesma coisa. O basmati é mais fininho, ele absorve esses cozidos caudalosos de um jeito diferente. Mas... mas... mas... Ah, fique quieta. Você bem sabe que se eu fizer qualquer outra coisa, ela será feita de má vontade. E ninguém quer comer comida feita com má vontade. Desculpa esfarrapada, hein? Quando você provar o cozido, vai parar de reclamar. Hunf! Duvido.

MILHO E ABOBRINHA COZIDOS EM LEITE DE COCO
(ligeiramente adaptado do livro Local Flavors - Cooking and Eating from America's Farmers' Markets, de Deborah Madison)
Tempo de preparo: 20 minutos
Rendimento: 4 porções


Ingredientes:
  • 1 colh. (sopa) óleo de amendoim
  • 300g tofu orgânico firme seco em papel toalha e cortado em cubos de 1cm
  • 2 abobrinhas médias cortadas em cubos de 1cm
  • sal e pimenta-do-reino moída na hora
  • 2 espigas de milho grandes
  • 1 pimenta vermelha
  • 1 colh. (sopa) cheia de coentro fresco picado
  • 1 colh. (sopa) cheia de manjericão picado (o original pedia manjericão tailandês)
  • 1 maço de cebolinhas (partes verdes e brancas) cortadas em pedaços de 0,5cm
  • 400ml leite de coco
  • 1 colh. (chá) shoyu
  • arroz basmati cozido
  • coentro e manjericão fresco para guarnecer

Preparo:
  1. Aqueça o óleo em uma frigideira bem grande em fogo médio-alto. Junte o tofu e a abobrinha e polvilhe 1/4 colh (chá) sal. Cozinhe por 8-10 minutos, mexendo de vez em quando para não grudar, dourando o tofu (esqueci de secar o tofu no papel, então ele não dourou, pois ainda tinha muita água).
  2. Enquanto o tofu está cozinhando, retire os grãos de milho das espigas com uma faca. Pique o coentro, manjericão e a pimenta.
  3. Junte à panela o milho, o centro, manjericão pimenta e cebolinha e mexa. Junte o leite de coco, dê uma passada de água no vidro para recolher o restinho do leite de coco e junte também à panela.
  4. Misture o shoyu e mais 1/2 colh. (chá) sal e um pouco de pimenta-do-reino. Misture bem e deixe em fervura branda por 3-5 minutos, até que o milho esteja cozido. Acerte o sal e sirva sobre arroz basmati cozido e com mais ervas salpicadas por cima.

Cozinhe isso também!

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