Outro dia mostrei ao Allex o blog Nordljus, da Keiko, sobre o qual já comentei por aqui. Como ele gosta de fotografia, achei que se interessaria. Algumas fotos, ok, eu tenho de concordar que são comuns. Comuns do tipo: qualquer foto de um vilarejo medieval cheio de flores numa manhã perfeita sem nuvens VAI sair maravilhosa, não importa se for tirada por um chimpanzé. Mas principalmente o que Allex chamou de "fotos de estúdio" é sensacional.
Perguntei-lhe como era possível que ela produzisse fotos assim bonitas e com tal controle de luz dentro de casa, sem um zilhão de holofotes e refletores. Reclamei que minhas fotos constantemente saíam ou azuladas ou amareladas, não importava o quanto eu ajustasse a luz na minha câmera e o quanto ficasse mexendo no obturador e na velocidade. Com o agravante de que detesto o flash da minha câmera (flashes embutidos são uma droga), então todas as fotos noturnas são tiradas em velocidade baixíssima, meio na unha mesmo, sem tremer. Estou ficando especializada em tirar fotos de comida segurando o obturador aberto na mão, por 1 segundo inteiro... Controle total!
"Você lembrou de mexer no ponto de branco da foto?", perguntou-me. Hein?? "Regula o branco antes de tirar a foto e a luz sai perfeita!". Ahn... Dã. De fato, eu notei uma melhora significativa em minhas fotografias gastronômicas, e espero que vocês tenham gostado dessa melhora. Vai então a dica idiota prá quem é desligada como eu mas gosta de ficar fotografando guloseimas...
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
Sorvete não exatamente de morango
Eu sempre sei o que eu faço de errado, até mesmo na hora em que estou fazendo. Na hora que eu jogo um ingrediente de improviso, eu sinto aquela vozinha me perturbando: vai dar porcaria. E dá. Sempre dá. Acontece que eu não dou ouvidos à vozinha tanto quanto deveria. Mas desta vez estou completamente perdida. Não sei o que aconteceu.Eu tinha uns morangos mais prá lá do que prá cá, e fazia tempo que queria fazer de novo aquele sorvete de morango da Nigella, que ficara sensacional. Estava tão confiante, que até usei uma fava inteira de baunilha ao invés de essência. Ao acrescentar os morangos, vi de cara que não era o suficiente, pois o sorvete ficara meio cor-de-pele, ao invés de cor-de-rosa. Ainda assim, o gosto estava excelente, principalmente por causa da perfumadíssima baunilha. (Aliás, a casa inteira ficou com o cheiro dela! Boooom...) Coloquei no freezer e começa a maratona: de uma em uma hora, tira do freezer e bate bem na batedeira para quebrar os cristais de gelo, umas 3 ou 4 vezes. Ai, como eu queria uma sorveteira!
Fiz tudo igualzinho ao que fizera da outra vez. Mas não teve jeito: o sorvete ficou com uma textura péssima, todo granulado de gelo, e com pouco gosto das frutas. Se deixá-lo derreter um pouquinho, fica comível. O que fazer, agora, com um pote inteiro de um sorvete meleta do qual EU SEI que o Allex e seu paladar exigente para sorvetes não vai nem chegar perto? Não quero jogar fora, então o jeito vai ser comer... hunf... A foto até que engana bem, não? Será que se eu chamar de "granita" ele come??
Obá!
Ontem saí para jantar com o Gui, e voltamos a um restaurante nas proximidades ao qual já havíamos ido uma vez: o Obá. O lugar é lindo, a decoração é bonita, rica em detalhes cheios de personalidade e bastante colorido. Eu poderia livrar-me das mesas e morar lá. O cardápio é uma estranha mas bem sucedida mistura de cozinha mexicana, brasileira e tailandesa, com opções para todos os gostos e uma variedade interessante de petiscos (poucos veggies) para quem quiser só bater papo e beber alguma coisa.Na primeira vez, pedi o robalo ao curry em folha de bananeira, apimentadíssimo e delicioso, com arroz jasmim, que eu adoro. A porção era bastante para mim e fiquei com dó de deixar alguma coisa no prato, pois havíamos pedido petiscos antes, e quando o peixe chegou, eu estava quase satisfeita. Desta vez não cometi o mesmo engano e fui direto para o principal: pedi um pad thai de camarão, um macarrãozinho frito com camarões e tofu. Estava muito bom, e apesar da tigela de massa ser bastante grande, comi tudo e lambi os dedos. De sobremesa, algo que eu adoro desde criança: arroz doce. Mas a versão tailandesa, com arroz preto, leite de coco e manga fatiada. Quando chegou, achei a porção pequena, principalmente em relação ao pastel de trés leches (bolo mexicano de leite) que o Gui pediu. Mas estava tão gostoso, docinho, al dente, perfumado, que eu comi às colheradinhas e nem pareceu tão pequeno.
Continuarei voltando ao Obá, e recomendo a quem quiser conhecer. Só as tortillas deles é que são engraçadas, e lembram um pouco fritopan...
Obá: Rua Melo Alves, 205, Jardins.
terça-feira, 4 de setembro de 2007
Mais um pão


Preciso começar a fazer pães integrais ou com farinhas diferentes. Mas como o objetivo era comer minha manteiga de amendoim com geléia, e eu tinha muita farinha branca orgânica, acabei me repetindo.
Para quem tem uma batedeira com gancho e uma balança, esse pão é feito com os pés nas costas. E ele é muito saboroso. O ideal é usar leite em pó desnatado, como está na receita, mas como eu não tinha, substituí uns 75ml de água por leite integral.
PÃO DE FORMA DE BATEDEIRA (MAIS UM)
Tempo de preparo: 10 min. + 2 horas de fermentação + 20 min. de forno
Rendimento: 1 pão de cerca de 1/2kg (uns 22cm)
Ingredientes:
- 300g de água
- 18g de fermento fresco ou 6g de fermento ativo seco instantâneo
- 500g de farinha de trigo tipo 1 orgânica
- 12g de sal marinho
- 18g de açúcar orgânico claro
- 25g de leite em pó desnatado
- 18g de manteiga sem sal
Preparo:
- Aqueça a água em fogo baixo por 1 minuto (se a água passar de 60ºC, matará o fermento). Coloque o fermento na tigela da batedeira planetária e junte cerca de 5 colh. (sopa) da água morna. Deixe dissolver e fermentar por 10 minutos.
- Coloque o restante dos ingredientes na tigela da batedeira, deixando o sal por último, para que não encoste no fermento (o sal também mata fermento). Ligue a batedeira com o gancho e deixe na velocidade 2 por 10 minutos. Se, faltando uns 2 minutos, a massa ainda parecer grudenta e não tiver desprendido das laterais e do fundo da tigela, acrescente mais uma colher de farinha.
- Tire a massa da tigela, forme uma bola e coloque em outra tigela grande, levemente enfarinhada, cobrindo com um pano úmido. Deixe por 1 hora e meia, até que dobre de tamanho.
- Soque a massa para tirar-lhe o ar, coloque em uma superfície levemente enfarinhada e abra a massa com as mãos num formato retangular. Divida mentalmente em 3 partes e dobre 1/3 sobre o outro e depois repita do outro lado (como na foto). Enrole como um rocambole apertado, na largura de sua forma. Sele muito bem a ponta.
- Unte uma forma de bolo inglês de uns 22cm com um pouco de óleo e coloque o pão com o lugar da ponta para baixo. Cubra com um pano e deixe por 1/2 hora. Enquanto isso, aqueça o forno a 200ºC.
- Se quiser, antes de levar ao forno, faça um corte superficial longitudinal no pão. Leve ao forno por cerca de 20 minutos, ou até que esteja bem dourado e soe oco ao bater-lhe com o nó do dedo.
Para fazer a versão integral (nunca fiz, mas morro de vontade), basta substituir 300g da farinha comum por integral. A receita é do livro Professional Baking.
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Diversão para uma tarde de chuva
Às vezes vida de freelancer é um tédio. Agosto foi um mês cheio de novas propostas de trabalho e boas perspectivas, mas nada foi finalizado, nada foi aprovado, e pareço ter trazido para setembro esse mesmo marasmo profissional. Tudo está parado, orçamentos e trabalhos em andamento estão congelados nos clientes, e enquanto isso eu fico olhando para frente, sem poder fazer nada a respeito, só esperando os trabalhos recomeçarem com os famosos prazos "prá ontem".Mas isso é normal. Já me acostumei a esses períodos em que o trabalho pára, o dinheiro não entra e você reza todas as noites para que a conta do cartão de crédito seja menor que seu saldo bancário. O importante é não entrar em pânico. Essa fase passa.
Enquanto isso, tudo que preciso são distrações. E hoje (enfim) chegaram duas pelas quais esperava ansiosamente. Os dois livros, na verdade, foram frutos de minhas leituras do Chucrute, que me deixaram salivando pelas receitas. Tive de buscar minha encomenda no correio — sempre compro livros pela Amazon, pois custam metade do preço das livrarias, mesmo com taxas de envio internacionais; não sei por quê, mas ultimamente eles não têm sido entregues diretamente em casa. Tomei um pouco de chuva na volta, o que foi refrescante e me estimulou a chegar em casa (fazer um cafuné no Gnocchi), tomar um banho, fazer um chá de limão com gengibre e me refestelar no sofá para ler meus bichinhos. Aliás, é o que eu vou fazer agora mesmo.
Almoço bom prá cachorro



Evandrus e Henriqueta queriam nos visitar para conhecer o cão, e aproveitei para chamá-los para almoçar conosco nesse domingo. Foi interessante montar o cardápio com o que havia em casa, sem pulos no supermercado. Não podia fazer meus clássicos — massas ou risotti — pois não havia mais Grana Padano ou manteiga, então seria impossível preparar um daqueles almoços "prato-único". Saí à caça de receitas em meus livros e revistas e, algumas adaptações depois, resolvi fazer um pão-bolo de azeitonas pretas e gengibre cristalizado, uma terrine de tomates (ambas da revista francesa Saveurs), uma salada de beterrabas, rúcula e gorgonzola (revista Gourmet, apesar de a salada original ter endívias e queijo de cabra), e um arroz com açafrão e abobrinha, que, na revista (Saveurs, também), era para ser um risotto, mas fiz com arroz comum e omiti o queijo e a manteiga. No fim ficou tudo muito gostoso, apesar de o arroz ter passado um tantinho do ponto e de eu ter esquecido de desligar o forno com a terrine dentro (que não inflou como achei que faria e acabou ficando achatadinha como uma omelette numa forma grande demais), queimando nas bordas. Como seria meio deprimente servir aquele fundinho de terrine dentro da forma gigante, desenformei, cortei em pedaços e servi fria, pois estava gostosa mesmo com os defeitinhos... Limonada fresquinha para acompanhar a comilança e sorvete de sobremesa.
No fim deu tudo certo, estava bem gostoso e o cão adorou a visita (e nós também). De quebra, ganhei esse lindo ramalhete de frésias, uma flor vibrante e perfumada que eu adoro. (As outras fotos são da salada — tirada hoje, então a rúcula está um pouco murchinha — e do pão de azeitonas).
sábado, 1 de setembro de 2007
Sobras deliciosas



Ao preparar o Tian para o jantar com minha tia, acabou restando um pouco de cada ingrediente, que não couberam na travessa. Hoje resolvi fazer o almoço com aquelas sobras. Dourei um dente de alho em azeite de oliva, juntei o pimentão vermelho e uma folha de louro, deixei amaciar, então acrescentei a berinjela e a abobrinha, sal e pimenta-do-reino e algumas folhas de manjericão e deixei amaciar. Quando o penne ficou pronto, juntei a massa aos legumes na frigideira, com mais um fio de azeite e um bom punhado de Grana Padano ralado. Simples e gostoso; perfeito para um almoço tardio num sábado de sol.
O melhor peixe
2004, Positano, Itália, almoço com pescadores napolitanos. Atum inteiro, o melhor que já comi. Pergunto a Lorenzo, o cozinheiro: "Como você temperou esse peixe? Está sensacional!". "Sal e pimenta", respondeu ele. "Não é possível", rebati. "Não é preciso colocar mais nada: o peixe estava nadando há 1 hora atrás."
Se inveja matasse...
Estou absolutamente impressionada e apaixonada pelo blog de Keiko, uma japonesa residente no Reino Unido. Nunca vi alguém tão confortável em experimentar com ingredientes novos e receitas trabalhosas, alguém tão incrivelmente caprichosa na apresentação dos pratos (mesmo que para ela mesma) e, principalmente, nunca vi fotografias mais lindas. Independente de você querer ler o blog em inglês ou não, é imperativo que dê uma olhada, ao menos nas fotos, que despertam complexo de inferioridade no chef mais experiente...
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