Sou mal acostumada mesmo. Com a batedeira com gancho para pão, a balança para medir a quantidade certinha de fermento, a farinha mais forte e o forno regulado, todos os meus pães têm saído ótimos. Ah, nem vou me dar o trabalho de ser uma falsa modesta: ficam bons mesmo! Mas não é sempre que dá tempo ou bate aquela inspiração, aí o negócio é sair e comprar do melhor pão que conseguir encontrar nas redondezas. No meu caso, eu acabo indo ao Santa Luzia e comprando algum pão rústico, como um ciabatta, ou algum pão de campanha mais interessante (os preços são salgadinhos, no entanto). Ultimamente, o Pão-de-Açúcar (eca!) da região deu uma bela melhorada em sua padaria e os pães estão bons e mais em conta. Se tenho paciência, ando mais um quarteirão até a Pâtisserie do Le Vin, que faz um pão que é um absurdo de macio e gostoso, mas nem sempre tem: dependendo do horário, acabou faz um tempão.
Quando, porém, simplesmente esqueço de comprar pão para o café-da-manhã, acontece o que mais temo: Allex me aparece com algum pão-de-forma industrializado. Tá, os integrais, pretos, de centeio, vá lá: eu gosto, eu como, tudo bem. Mas pão-de-forma BRANCO da Panco, Wickbold, ou qualquer desses... Passa manteiga, passa requeijão, bota geléia, tosta, vira do avesso, e o pão continua sem gosto e sem textura. O desgraçado é feito para ser tão macio, que ao invés de desmanchar-se na língua, ele vira uma insuportável massaroca, que prende no dente e no céu-da-boca (sem falar no aparelho fixo, que eu uso na arcada inferior). Ô, diacho de pão ruim! Aí me dá vontade de sair correndo e comprar meu ciabatta fresquinho, cortá-lo em fatias grossas, tostar um dos lados na frigideira e colocar um nadinha de manteiga sem sal, que vai derreter no calor do pão quentinho, saboroso, de casca crocante e interior fofinho como uma nuvem.
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
quarta-feira, 22 de agosto de 2007
Tortinha de tomate
Lembrei-me da receita que vi no Chucrute, e resolvi aprontar um almoço muito rápido com algumas sobras que habitavam minha geladeira. Usei as sobras da massa da torta de ervilhas, que estavam ainda no freezer, para forrar duas forminhas de mini-quiche. Piquei um tomate orgânico bem maduro e perfumado, com o qual preenchi as bases de massa, espalhei pedacinhos pequenos de queijo Minas por cima, folhinhas de manjericão, salpiquei de pimenta-do-reino e temperei com um fio de azeite. Deixei no forno a 180ºC até que a massa ficasse firme e dourada. Como sugerido pela Fernanda, almocei as tortinhas com uma salada verde acompanhando. Perfeito!
terça-feira, 21 de agosto de 2007
Colher de Tacho
Caí sem querer nesse blog, Colher de Tacho, criador de uma idéia interessantíssima para blogs: a cada quinzena, um ingrediente é escolhido e todos os food-bloggers devem preparar um prato com o dito cujo e enviar o link para o post. No fim da quinzena, a melhor receita é premiada. Um ótimo jeito de juntar muita gente que só fala de comida, como eu.
Abóbora Gratinada
Certo, eu sei que essa não é das melhores fotos que já publiquei aqui. Mas definitivamente é preciso um profissional para fazer com que coisas gratinadas não pareçam uma massa amarela amorfa na foto.Bom, esse foi o primeiro uso de minhas abóboras orgânicas: abóbora gratinada. A receita é do livro Cook with Jamie, mas é quase um pecado dizer que ela É do Jamie Oliver, já que a combinação de ingredientes é clássica, e gratinar, gratina-se qualquer coisa. Apesar do Allex não ter nem encostado na coitada (ele tem horror a abóboras), ficou deliciosa. Fiz meia porção (pois minhas abóboras eram pequenas) para acompanhar o resto daquele arroz com feijão (não disse que sempre sobra?) e uma salada verde. Era para usar vinho, mas eu não tinha. Tinha meia lata de creme de leite, que diluí em um pouco de leite até dar a quantidade certa. E usei menos noz-moscada, que meia noz (que é o que ele pede) ficaria forte demais. A única desgraça foi descascar a maledetta. Segue a receita adaptada:
ABÓBORA GRATINADA
(adaptada do livro Cook with Jamie)
Tempo de preparo: 20 minutos + 40 minutos de forno
Rendimento: 4 porções pequenas
Ingredientes:
- 300g da abóbora de sua preferência, descascada, sem sementes, e cortada em fatias de 2cm ou cubos grandes
- 1/2 colh. (chá) de grãos de coentro moídos num pilão ou processador
- 1/2 colh. (chá) de pimenta calabreza seca
- alguns ramos de tomilho fresco, folhas tiradas dos galhos
- sal e pimenta-do-reino
- azeite
- 200ml de creme de leite + 100ml de leite
- noz-moscada
- 2 punhados de parmesão ralado
Preparo:
- Pré-aqueça o forno e 200ºC. Em uma tigela, coloque os pedaços de abóbora, o tomilho, a pimenta, o coentro, sal e pimenta-do-reino a gosto. Regue com um pouco de azeite e misture bem, para espalhar o tempero.
- Coloque a abóbora temperada em uma assadeira pequena ou refratário, deixando-a bem apertadinha, sem muito espaço entre os pedaços.
- Pegue um pedaço de papel manteiga, molhe na torneira e amasse. Desamasse novamente e cubra o refratário, prendendo bem as laterais. Leve ao forno por 30 minutos.
- Tire o papel e mantenha a abóbora no forno. Enquanto isso, misture rapidamente o creme, o leite, algumas passadas de noz-moscada, sal, pimenta-do-reino e metade do queijo. Despeje a mistura sobre a abóbora, polvilhe por cima o resto do parmesão e deixe no forno por mais 10 minutos ou até que a superfície borbulhe e doure.
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Esfihas do Rosima

Não, não é mérito meu. Essas esfihas foram compradas em um dos meus lugares favoritos: Rosima, um botequinho árabe que existe desde a minha infância, na Rua Pamplona. Para quem só come Habbib´s e acha que aquilo é esfiha, essas do Rosima são um choque. Massa deliciosa, um exagero de recheio e um sabor sensacional. A de ricotta é quase doce de tão fresquinha. A de vegetais é uma mistura de escarola refogada com alho e cebola, passas, nozes e pinolis. A de zátar foi o Allex quem comeu, e não deu nem tempo de experimentar. Nos meus áureos tempos carnívoros, eu devorava as esfihas de carne e os quibes gigantescos. Há uma miríade de pastinhas e quitutes árabes, todos muito frescos e muito, muito saborosos. Recomendo, recomendo, recomendo! (E eles fazem versões miniatura para festas, também!)Vai lá: Rosima — Rua Pamplona, 1738, Jardim Paulista, São Paulo. Abre todos os dias, inclusive de domingo, quando funciona até as 20h.
domingo, 19 de agosto de 2007
Moccaccino Muffins
Esses foram feitos tão na pressa, tão "vem gente em casa, e não tem nada para servir, vamos ver o que dá prá fazer rapidinho", que me surpreendeu o fato de terem ficado tão saborosos! Enquanto meus sogros não chegavam eu me segurava para não devorar um deles, tão intenso estava seu perfume.A receita pedia café solúvel em água quente, mas Nescafé não entra aqui em casa, então fiz um espresso na minha Bialetti individual e mandei bala. Também deveriam conter pistaches, mas dinheiro não nasce em árvore, então dobrei a quantidade de raspas de chocolate. Não preciso nem falar que cacau belga, chocolate bom e café de qualidade fazem toda a difereça! Também usei ovos, açúcar comum e mascavo orgânicos. Acho que deve dar uma boa variação fazer uma versão "cappuccino", com raspas ou gotas de chocolate branco pontuando toda essa maciez castanha.
Tá, eu sei que é um exagero a quantidade de receitas de muffins que eu coloco neste blog, mas eles são tão fáceis de fazer e tão gostosos... Com as forminhas de papel, então, não precisa nem perder tempo untando forma por forma...
MOCCACCINO MUFFINS
(ligeiramente adaptado do livro How to Be a Domestic Goddess)
Tempo de preparo: 15 min + 30 min de forno
Rendimento: 12 muffins
Ingredientes:
- 1 3/4 xic. farinha de trigo
- 1/2 xic. açúcar claro orgânico
- 1/2 xic. açúcar mascavo orgânico
- 3 colh. (chá) de cacau belga Callebaut
- 1 colh. (chá) bicarbonato de sódio
- 1 colh. (chá) fermento químico em pó
- 1/2 colh. (chá) sal
- 2 ovos grandes orgânicos
- 1/2 xíc. óleo vegetal
- 1/2 xic. creme de leite
- 1/4 xic. de café espresso
- 1 colh. (chá) essência de baunilha
- 2 xíc. de chocolate meio-amargo Callebaut picado ou gotas de chocolate de qualidade
Preparo:
- Aqueça o forno a 180ºC. Unte e enfarinhe as formas, ou coloque as forminhas de papel.
- Numa tigela, peneire a farinha, os dois açúcares, o cacau, o fermento, o bicarbonato e o sal.
- Em outra tigela, misture o café espresso, o creme de leite, o óleo, os ovos e a essência de baunilha e misture com um garfo até ficar homogêneo.
- Junte a mistura líquida à seca, mexendo com um garfo apenas até ficar homogêneo, sem se preocupar com grumos (são eles que deixam a massa leve).
- Junte o chocolate e misture rapidamente.
- Com uma colher, preencha cerca de 3/4 das forminhas com a massa e leve ao forno imediatamente por 25-30 minutos. Teste com um palito. Saindo limpo, os muffins estão prontos.
Para transformá-los numa sobremesa mais tchananans, você pode colocar raspas de chocolate a 70% de cacau (para ficarem menos doces), assá-los sem as forminhas de papel (para ficarem com cara de bolinhos mesmo), e servi-los acompanhados de chantilly caseiro.
sábado, 18 de agosto de 2007
Muito verde
Revistaiada
Eu ando bastante cansada das revistas brasileiras. Costumava comprar duas: Gula e Cláudia Cozinha. Eram muito interessantes de se folhear e arrecadar idéias para brincar na cozinha. Mas eventualmente me irritaram.A Gula, porque muitos de seus pratos exigem trocentos ingredientes para um único vinaigrette, o que acaba saindo caro, e porque com o passar do tempo, ela passou a ter mais textos e propagandas do que receitas em si. Seguindo a sazonalidade, começou a ficar repetitiva: toda Páscoa, a edição é de bacalhau e chocolate, todo natal tem peru, etc e tal. Sem falar na moda dos vinhos, que dominou metade de suas páginas.
Enquanto a Gula pecava pelo excesso de frufru, a Cláudia Cozinha pecava pelo excesso de Amélia. Todos os doces tinham gosto de maizena, porque nenhuma receita que deveria levar creme de confeiteiro de fato o levava, por ser considerado "trabalhoso". Seus pratos eram lindos nas fotos, mas na boca tinham aquele gosto meio nhanha, meio tudo misturado, sem sabores distintos. Que é algo que me dá nos nervos às vezes na cozinha caseira brasileira, e que tento evitar. Gosto de sentir os gostos dos ingredientes e saber de cara o motivo de eles estarem no meu prato. O que é para ser azedo, o que é para ser salgado. Não me venha com gororobas sem textura e com gosto de tempero pronto Maggi, que eu dou pití. Bom, a Cláudia Cozinha até que tentou ir na cola da Gula, mas deram com os burros n´água e voltaram a ser um suplemento da revista Cláudia (que não faz parte de minha lista de leituras).
Aconteceu então que de uma coleção enorme de revistas, eu guardei meia dúzia de recortes de coisas que de fato haviam dado certo e desencanei de comprar revistas. Até que (sempre tem um "até que") me deparei com as importadas. De assistir a Top Chef, conheci a Food & Wine Magazine, cujo site uso freqüentemente e recomendo: ótimas receitas à disposição. Resolvi comprar a revista, certa vez, e me deparei com outra, a La Cucina Italiana, que eu folheara durante minha viagem na Itália. Ela é praticamente um livro de receitas, com poucas propagandas e pouco texto. Dá boas releituras de pratos clássicos e regionais italianos, modernizados, com ingredientes fáceis de se encontrar por aqui, e uma área inteira só com técnicas de cozinha passo-a-passo, com fotografias. Para quem não lê italiano, existe a versão em inglês.
Depois passei para a Saveurs, revista francesa sem site, com uma espécie de versão em inglês, a Saveur (sem "s" no final), cujo site também é muito bom. Eu prefiro a versão francesa, que tem um pouco mais de textos, mas as receitas são super diversificadas, e muitas vêm em cartões destacáveis no fim da revista, com lindíssimas fotos. Alguns laticínios franceses são mais difíceis de achar, mas facilmente substituíveis, como foi o caso da torta de ervilhas com Fromage de Brebis, queijo de ovelha firme mas macio, que substituí por Peccorino não maturado, também de ovelha.
Hoje, comprei a Gourmet, americana. É um pouco mais fininha, mas também recheada de fotos e receitas. O interessante destas revistas importadas (além de serem mais baratas que livros de culinária, e você conseguir umas mais antigas a preços iguais aos de revistas brasileiras) é ter uma visão mais ampla da comida. Não é comida marroquina, de um livro marroquino. É comida marroquina sob o ponto de vista de um francês. É interessante ver o que um italiano faz com pedaço de alga Nori: risotto de polvo cru e alga, por incrível que pareça. Você se afasta um pouco dos clássicos e experimenta novos sabores e novas utilizações de ingredientes conhecidos. Mas claro, isso só vale para os que não têm preguiça de ler em outro idioma...
Prato especial
Parece piada, mas um prato assim é a maior raridade aqui em casa. Não me leve a mal, eu adoro arroz com feijão, mas quando a história é cozinhar para dois, é simplesmente trabalhoso DEMAIS preparar três ou quatro pratos diferentes em porções pequenininhas. Então sempre sobra, e, pessoalmente, eu não como com o mesmo gosto quando o prato está na minha mesa pela terceira refeição seguida.Desta vez havia na despensa uma última xícara de arroz, um tanto mais de feijão e couve orgânica na geladeira. O arroz e feijão foram feitos mais para acompanhar a couve refogada em alho do que qualquer outra coisa. E o ovinho frito para arrematar.
Meu feijão eu nunca faço igual, vou sempre variando as ervas frescas e as pimentas. Como não tenho panela de pressão (e nem quero, pois morro de medo delas), deixei o feijão de molho da noite anterior até a hora do almoço, lavei e coloquei na panela com bastante água, dois dentões de alho descascados, um ramo grande de alecrim e um de sálvia (plantados aqui em casa) e muita pimenta-do-reino. Nunca coloco sal, pois ele endurece a casca; sal é sempre no fim, quando o feijão já está pronto. Deixei uma hora e meia no fogo, completando com água para não queimar e tirando a espuma que se forma em cima com uma escumadeira de vez em quando. Antes de servir, no jantar, com meu arroz orgânico com salsinha e a couve, refoguei um pouco de cebola no azeite (às vezes coloco manteiga, para dar aquele gostinho de gordura animal e substituir o bacon), juntei o feijão, salguei, acertei a pimenta e pronto. Booooom... O Allex sempre dá risada quando faço arroz com feijão: "isso é normal demais para você..."
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