quinta-feira, 2 de agosto de 2007
Uma pausa...
ai, ai... Tarde ensolarada, parede da sala tingida de cor-de-laranja, cães latindo ao longe, uma motocicleta barulhenta descendo a rua acima do limite de velocidade. Ainda assim, há silêncio e calma. O apartamento está cheio de luz e um cheiro quente de pão saído do forno e brigadeiro. Eu olho em volta e percebo que tudo está exatamente como deveria estar. A perspectiva de colocar em dia amanhã todas as tarefas atrasadas pela falta de internet e falta de paciência não me assusta. Vou sentar no sofá quentinho e espremer a vista contra o sol poente para buscar nos meus livros o que fazer para o jantar. Preciso usar cebolinhas. Elas estão murchando na caneca de vidro sobre a bancada da cozinha. É muito bom por um momento não lembrar o que é pressa, stress, nervosismo, ou qualquer coisa diferente de paz.
sexta-feira, 27 de julho de 2007
Bolo fácil de amêndoas

Um potinho de amêndoas moídas estava dando sopa em minha geladeira havia já algum tempo e eu ainda não decidira o que fazer com ele. (Aliás, se você mantiver qualquer tipo de nozes, inteiras, em pedaços ou moídas, em sua geladeira, elas duram cerca de 4 meses.) Ontem à tarde, entediada e com vontade de mordiscar qualquer coisinha doce, resolvi fazer um bolo muito fácil, simples e suave, conhecido como génoise.
Génoise é uma massa leve e aerada, produzida pelo método da espuma. Como não há fermento, todo o crescimento se deve ao volume dos ovos batidos com o açúcar e a quantidade de ar incorporada durante o processo. Por isso a primeira etapa costuma ser feita em batedeira em alta velocidade, mas a segunda etapa — adição de farinha — costuma ser feita à mão, com uma espátula, rápida e cuidadosamente, para que nenhum ar e volume seja perdido. A génoise é perfeita para bolos em camadas e sua massa é bastante versátil, podendo apresentar sabores os mais diversos. Neste caso, transformei uma génoise comum em uma génoise de amêndoas, mas se você quiser, pode simplesmente substituir as amêndoas moídas (também vendidas como "amêndoas em pó" ou "farinha de amêndoas") pela mesma quantidade de quaisquer outras nozes. E pode também substituir o aroma de baunilha por aroma de limão, rum, nozes, avelãs, o que bem entender, criando sua combinação favorita. A cobertura é apenas chocolate derretido com um nadinha de leite, glucose e açúcar baunilhado, mas pode ser substituído por sua cobertura favorita ou simplesmente uma camada fina der açúcar de confeiteiro.
GÉNOISE DE AMÊNDOAS
Tempo de preparo: 20 min + 20 min no forno
Rendimento: 8 fatias
Ingredientes:
- 2 ovos extra-grandes orgânicos (110g) + 2 gemas (35g) em temperatura ambiente
- 110g de açúcar orgânico claro
- 1 pitada de sal
- 1/2 colh. (chá) de essência de baunilha ou limão
- 75g de farinha comum ou tipo 00
- 85g de amêndoas sem pele moídas
- 25g de manteiga sem sal
Preparo:
- Pré-aqueça o forno a 190ºC e unte com manteiga e farinha uma forma redonda de 20cm de diâmetro.
- Coloque os ovos, as gemas, o açúcar, o sal e a baunilha na tigela da batedeira e bata em velocidade alta até que os ovos fiquem amarelo esbranquiçados e muito fofos, duplicando ou até triplicando de volume. Pode levar 10 minutos. Enquanto isso, derreta a manteiga em uma frigideira, reservando, e peneire a farinha em outro pote, misturando com as amêndoas.
- Desligue a batedeira e, com uma espátula grande, junte 1/4 da mistura de farinha aos ovos, mexendo de baixo para cima, em movimentos circulares, incorporando bem um ao outro sem perder o volume dos ovos, até ficar homogêneo. Repita a operação até que não reste mais farinha e amêndoas.
- Junte a manteiga derretida já fria e misture bem, cuidadosamente.
- Despeje a massa na forma com cuidado, sem bater na forma, para que não se percam as bolhas de ar. A massa estará bem mole e clara, e assentará sozinha na forma. Coloque no forno por 20 minutos até que a superfície esteja ligeiramente dourada e um palito inserido em seu centro saia limpo. NÃO ABRA O FORNO ANTES DE 20 MINUTOS.
- Retire e deixe esfriar completamente antes de desenformar e aplicar sua cobertura de chocolate favorita.
quinta-feira, 26 de julho de 2007
Come torta!
Ainda morando na casa de meus pais, lembro-me do dia em que produzi minha primeira torta. Tratava-se de uma torta piemontesa de alho-poró; grande mas muito suave, com uma camada úmida do legume fatiado e salteado em muita manteiga e um segundo andar de uma mistura fofa e untuosa de ovos, creme e queijo parmesão, tudo cercado por altas paredes de massa seca e amanteigada que se desmanchava em farelos na boca. Lembro-me da sensação de completo sucesso que me envolveu ao desenformá-la e mostrá-la à família.Com um mínimo de prática e tentativa e erro, todo o processo começa a parecer bastante banal. Você percebe que, tendo os ingredientes na temperatura certa, o forno regulado e uma noção vaga da cara que deve ter cada etapa, qualquer criança produz um quiche decente. E, mesmo assim, nada o encherá de tamanha sensação de competência culinária.
De modo geral, tortas doces ou salgadas, abertas ou fechadas, são feitas com a mesma massa, chamada "pâte brisée", também conhecida como 3-2-1, devido à proporção dos ingredientes. Esse é talvez o ponto mais importante a se lembrar: a proporção entre farinha, gordura e água é crucial para a textura correta da massa, para que ela não fique dura demais, pálida demais, borrachuda demais, mole demais. Normalmente, usa-se farinha comum (ou para pâtisserie, se puder encontrá-la), manteiga sem sal e água gelada. Massas industriais costumam ser feitas com gordura hidrogenada no lugar de manteiga, razão pela qual você sente na língua uma camada oleosa persistente e desagradável — isso acontece porque, ao contrário da manteiga, a gordura hidrogenada não dissolve na saliva. Pode-se variar o tipo de farinha, pode-se trocar a água por leite e pode-se acrescentar ovos à massa para deixá-la mais dourada ou açúcar e baunilha para uma massa doce. Seja qual for a versão, a proporção entre os elementos precisa ser sempre 3-2-1: 3 partes de farinha, 2 de gordura e 1 de água, usando sempre o PESO como medida, inclusive para a água, razão pela qual é imprescindível ter-se uma balança de cozinha.
A torta acima (de ervilhas e queijo pecorino fresco) foi feita com a versão mais simples de massa: farinha de trigo comum, manteiga sem sal, água e sal marinho. Sua produção obedeceu a lei do mínimo esforço, resultando em uma massa muito leve e flocosa, muito semelhante a uma massa folhada. Por que lei do mínimo esforço? Porque, ao contrário de um pão, massas para tortas devem ser muito pouco elásticas (ou seja, devem ter seu glúten muito pouco desenvolvidos) ou elas encolherão demais no forno, fazendo com que o recheio não caiba ou — pior — vaze durante o cozimento.
Além da massa, os recheios também não costumam ser mais do que vegetais refogados ou cozidos (ou carnes e peixes) misturados a ovos, creme ou leite, e algum queijo, o que não necessita qualquer espécie de técnica ou malabarismo. Não há nada mais simples para servir num almoço de domingo e impressionar os amigos ou aquela tia que achava que você não sabia fazer nada. Sabendo fazer um quiche, você pode variá-lo à exaustão. E a mesma massa você pode usar para cobrir a torta, se quiser recriar aquela torta de palmito excelente que sua avó fazia.
E para os sem-tempo, a massa feita em casa pode ser guardada na geladeira em filme plástico por 2-3 dias ou no freezer por até 6 semanas, o que quer dizer que você pode aproveitar um sábado preguiçoso e fazer massa suficiente para tortas pelo resto do mês, que você precisará apenas rechear e assar em meia-hora com qualquer sobra que exista em sua geladeira.
A receita e modo de preparo, entretanto, deixo para depois. Como estou combinando com um amigo uma "aula de quiche" na semana que vem, tentarei fotografar as etapas para que ninguém tenha que confiar apenas em minhas instruções e em sua imaginação.
segunda-feira, 23 de julho de 2007
Panela véia da vovó
Um dos elementos que com certeza influenciavam positivamente no sucesso culinário de minha avó eram as panelas. Panela velha é que faz comida boa? Com certeza, se elas forem tão pesadas e de fundo tão grosso quanto as da vovó. É praticamente impossível fazer uma boa sopa de cebolas em uma panela leve e de fundo fino. Ao invés de cebolas caramelizadas, você terá cebolas queimadas. Por isso é imprescindível comprar panelas com cuidado, encarando-as como um investimento em sua alimentação. Eu espero que minhas panelas sejam herdadas por meus filhos, assim como minha mãe surrupiou as de minha avó, enormes e de ferro muito grosso, perfeitas para cozimentos longos.
Você pode escolher suas panelas por todo o aspecto técnico, qual material transfere calor de que maneira. Particularmente, eu me guio pelo aspecto prático, pois afinal conviverei com minhas panelas (imagino) por toda a minha vida, ao menos duas vezes por dia. Panelas de alumínio são excelentes condutoras de calor, mas por serem feitas de um metal “macio”, se não anodizadas ou tratadas, podem soltar partículas na comida quando uma colher raspá-la ao mexer a comida, e esta, por sua vez, pode adquirir uma coloração acinzentada. Panelas de ferro seguram bem o calor e o espalham uniformemente, mas exigem maiores cuidados para prevenir ferrugem, por exemplo. As de cobre são lindíssimas, transferem o calor muito rapidamente e por igual. São perfeitas para geléias, chocolates, ou preparados com grande quantidade de açúcar, mas para outros alimentos são preferíveis as revestidas internamente de outro metal macio, pois o contato direto com o cobre altera cor e consistência dos preparados. Estas, entretanto, requerem grande cuidado para que não se risque o revestimento. Como o cobre também perde a cor muito rapidamente, panelas desse material requerem mais esforço e tempo para serem preservadas.
As mais escolhidas ultimamente são aço inox e as não aderentes. Aço inox é sempre uma escolha prática, por sua durabilidade e fácil manutenção; mas a verdade é que ele é um condutor de calor comparativamente ruim. No entanto, por não reagir com a comida, ele garante que seu molho branco ou sua Vichyssoise continuem absolutamente brancas. Se você, no entanto, costuma ficar horrorizado com as quantidades de óleo ou manteiga que algumas receitas pedem, provavelmente se dará melhor com as antiaderentes, que requerem menos gordura para frituras e cozimentos. No entanto, é necessário muito cuidado em seu uso e limpeza para não riscar o revestimento, e exigem um pré-aquecimento a temperaturas muito altas para que de fato o alimento não grude, o que pode prejudicar determinadas receitas. Panelas de cerâmica ou pedra são excelentes para se ter apenas uma, para aqueles dias inspirados.
É ideal que se escolha o material pelo tipo de comida que você costuma fazer. Se não tem medo de gordura, talvez seja melhor que apenas uma ou duas frigideiras sejam antiaderentes. Caso a cozinha faça parte de sua rotina tanto quanto a minha, é preferível escolher praticidade em detrimento da condução de calor e ficar com as panelas de inox, com uma ou duas de ferro fundido (esmaltado ou não), e uma pequena de cobre para doces.
Tudo bem, mas quantas panelas são suficientes para começar a brincadeira? Depende do que você gosta de cozinhar, do tamanho de sua cozinha e do tamanho de seus eventos. Um amigo que mora sozinho e não costuma cozinhar muito tem um conjunto pequeno de panelas e uma única frigideira de cerca de 12 cm, com a qual eu provavelmente enlouqueceria. Para o básico, e para não perceber de última hora que nenhuma de suas panelas acomoda os ingredientes para seu jantar, tenha:
Lembre-se sempre do uso que fará delas no momento de escolhê-las e não compre nunca panelas leves demais. Boas panelas tem fundos grossos e pesados, que espalham melhor o calor e não queimam os alimentos. A única panela que recomendo que seja o mais porcaria possível, absolutamente leve, é um grande caldeirão para cozinhar massa para muita gente, para que não haja acidentes ao tentar erguer uma panela pesada demais e repleta de água fervente. Fora isso, não tenha medo de investir em qualidade, e boas compras!
Você pode escolher suas panelas por todo o aspecto técnico, qual material transfere calor de que maneira. Particularmente, eu me guio pelo aspecto prático, pois afinal conviverei com minhas panelas (imagino) por toda a minha vida, ao menos duas vezes por dia. Panelas de alumínio são excelentes condutoras de calor, mas por serem feitas de um metal “macio”, se não anodizadas ou tratadas, podem soltar partículas na comida quando uma colher raspá-la ao mexer a comida, e esta, por sua vez, pode adquirir uma coloração acinzentada. Panelas de ferro seguram bem o calor e o espalham uniformemente, mas exigem maiores cuidados para prevenir ferrugem, por exemplo. As de cobre são lindíssimas, transferem o calor muito rapidamente e por igual. São perfeitas para geléias, chocolates, ou preparados com grande quantidade de açúcar, mas para outros alimentos são preferíveis as revestidas internamente de outro metal macio, pois o contato direto com o cobre altera cor e consistência dos preparados. Estas, entretanto, requerem grande cuidado para que não se risque o revestimento. Como o cobre também perde a cor muito rapidamente, panelas desse material requerem mais esforço e tempo para serem preservadas.
As mais escolhidas ultimamente são aço inox e as não aderentes. Aço inox é sempre uma escolha prática, por sua durabilidade e fácil manutenção; mas a verdade é que ele é um condutor de calor comparativamente ruim. No entanto, por não reagir com a comida, ele garante que seu molho branco ou sua Vichyssoise continuem absolutamente brancas. Se você, no entanto, costuma ficar horrorizado com as quantidades de óleo ou manteiga que algumas receitas pedem, provavelmente se dará melhor com as antiaderentes, que requerem menos gordura para frituras e cozimentos. No entanto, é necessário muito cuidado em seu uso e limpeza para não riscar o revestimento, e exigem um pré-aquecimento a temperaturas muito altas para que de fato o alimento não grude, o que pode prejudicar determinadas receitas. Panelas de cerâmica ou pedra são excelentes para se ter apenas uma, para aqueles dias inspirados.
É ideal que se escolha o material pelo tipo de comida que você costuma fazer. Se não tem medo de gordura, talvez seja melhor que apenas uma ou duas frigideiras sejam antiaderentes. Caso a cozinha faça parte de sua rotina tanto quanto a minha, é preferível escolher praticidade em detrimento da condução de calor e ficar com as panelas de inox, com uma ou duas de ferro fundido (esmaltado ou não), e uma pequena de cobre para doces.
Tudo bem, mas quantas panelas são suficientes para começar a brincadeira? Depende do que você gosta de cozinhar, do tamanho de sua cozinha e do tamanho de seus eventos. Um amigo que mora sozinho e não costuma cozinhar muito tem um conjunto pequeno de panelas e uma única frigideira de cerca de 12 cm, com a qual eu provavelmente enlouqueceria. Para o básico, e para não perceber de última hora que nenhuma de suas panelas acomoda os ingredientes para seu jantar, tenha:
- uma frigideira grande e funda,
- uma média e uma pequena rasas(antiaderentes),
- uma caçarola pequena e uma média, de borda não muito baixa (podem ser de ferro),
- um caldeirão de mais ou menos 4 litros (ou você não conseguirá fazer spaghetti para mais de 5 pessoas),
- uma grelha (de ferro fundido ou antiaderente, mas se ela estiver muito quente, nada grudará, independente do material),
- uma panela pequena com cabo, para molhos, e uma igual de cobre, se você quiser, para doces.
Lembre-se sempre do uso que fará delas no momento de escolhê-las e não compre nunca panelas leves demais. Boas panelas tem fundos grossos e pesados, que espalham melhor o calor e não queimam os alimentos. A única panela que recomendo que seja o mais porcaria possível, absolutamente leve, é um grande caldeirão para cozinhar massa para muita gente, para que não haja acidentes ao tentar erguer uma panela pesada demais e repleta de água fervente. Fora isso, não tenha medo de investir em qualidade, e boas compras!
Restos da geladeira
quarta-feira, 11 de julho de 2007
Deu tudo errado

Tenho estado um pouco ausente nos últimos tempos, é verdade. Com uma boa quantidade de trabalho, a confusão do móvel da cozinha que não fica pronto, e o novo hóspede da casa (o cãozinho dos meus sogros, que ficará conosco até o fim de Julho), tenho tido pouco tempo para cozinhar pratos diferentes e tanto menos para escrever a respeito.
Além disso, andava bastante frustrada com minhas tentativas culinárias. Por algum motivo, nada mais funcionava. Meus bolos explodiam no forno, pães demoravam horas para assar, e eu estava bastante irritada com o desperdício de comida.
Comecei a pesquisar o que estava acontecendo de errado e meu primeiro palpite foi com relação ao forno. Tudo sempre demorou o dobro do tempo em meu forno. Talvez ele estivesse errado... Comprei um termômetro de forno, destes chineses de 30 reais e eis que sim, enquanto o marcador do fogão diz 180ºC, meu forno está nos meros 150ºC. Ta-nan! Mas os bolos continuavam a explodir. E quando digo explodir, quero dizer que a massa cresceu como num filme de ficção científica (apesar de fazer uma receita simples já repetida à exaustão), e derramou-se aos borbotões no chão do forno, provocando fumaça e cheiro de queimado suficientes para alertar os bombeiros da região.
O que poderia estar errado, então? Em meu livro de confeitaria, na tabela de "erros comuns" não há nada a respeito de bolos que crescem demais. Lembrei-me que, havia pouco tempo, deixara de comprar farinha Sol (comum) e começara a comprar a Cotrimaio (orgânica). Fui ao mercado e li ambas as embalagens, apenas para descobrir que havia uma diferença de 5 pontos percentuais na quantidade de proteína de uma e de outra. Ta-nan! A quantidade de proteína de uma farinha determina quanto glúten ela possui e quão "forte" ele é. Quanto mais proteína, mais glúten; quanto mais glúten, mais forte; quanto mais forte, mais a massa aguenta ser sovada e mais elástica ela fica; quanto mais elástica, mais ela cresce.
Para tirar a dúvida, fiz esses muffins, ainda com a Cotrimaio. Muffins, de modo geral, não podem ser muito movimentados, ou ficam pesados. Você deve misturá-los sem quase mexê-los. Ou seja, você não desenvolve o glúten da farinha. Não foi à toa que eles foram os únicos doces que deram certo com essa farinha, já que todos os outros bolos explodidos haviam sido feitos na batedeira, desenvolvendo o glúten de uma farinha forte até seu ponto máximo. Para tirar a prova mais uma vez, agora que meu forno estava regulado pelo termômetro, comprei farinha tipo 00 da Divella, que é a farinha mais "mole" do mercado; ou seja, com menos proteína. Fiz um bolo de chocolate ao Marsala na batedeira e voilà: perfeição.
Imagino que sejam esses momentos que façam as pessoas desistirem de cozinhar. Quantos já não devem ter tido desastres culinários e simplesmente acreditado que nada dava certo por falta de talento? Correr atrás de informação e tentar corrigir os erros é o que o tornará cada vez melhor, com certeza. E não deixo de comprar minha farinha orgânica. Afinal, sua alta quantidade de proteína a faz a farinha perfeita para pães de casca grossa.
sábado, 23 de junho de 2007
Sopa de Funcho e Batatas

Se existe um modo muito simples de experimentar novos sabores e combinações é através de sopas. Esta é tão rápida de ser feita, que não lhe resta desculpa a não ser experimentá-la. E se funcho (mais conhecido como erva-doce) não é seu vegetal favorito, ainda assim peço para que a experimente: o funcho, quando cozido ou refogado, perde boa parte de seu sabor de anis, ficando muito mais suave, como uma nota adocicada permeando o creme de batatas e leite. E para os que continuam comprando iogurtes que prometem levá-lo ao banheiro, o funcho tem fibras suficientes (que dissolvem na sopa) para regular o intestino mais preguiçoso.
SOPA DE FUNCHO E BATATAS
Tempo de preparo: 30 minutos
Rendimento: 4 porções como principal ou 6 como entrada
Ingredientes:
- 1 colher (sopa) cheia de manteiga sem sal
- 350g de batatas
- 300g de funcho (erva-doce) com os ramos — compre o mais arredondado, que tem mais sabor que o comprido
- 1/2 cebola grande ou 1 pequena
- 1 dente de alho grande ou 2 se quiser um sabor mais forte
- 1/4 de colher (chá) sementes de erva-doce
- 1 cubo de caldo de vegetais dissolvido em 500ml de água
- 500ml de leite integral
- sal e pimenta-do-reino branca a gosto
Preparo:
- Corte a batata em cubos pequenos e reserve. Pique bem a cebola, o alho e o funcho.
- Derreta a manteiga em uma panela de fundo grosso. Junte a cebola, alho e funcho picados e refogue em fogo mínimo, mexendo sempre com uma colher de pau, por 5-10 minutos, até que os vegetais fiquem muito macios e translúcidos. Não deixe que dourem ou queime, ou isso comprometerá o sabor delicado e a cor clara da sopa.
- Junte as batatas e as sementes de erva-doce e mexa bem por 1 minuto, para cobrir as batatas com os outros legumes.
- Acrescente a água com o cubo de caldo, mexa com a colher para que as batatas não grudem no fundo e aumente o fogo até comece a ferver. Então abaixe de novo o fogo para que a sopa fique em ebulição constante. Deixe por 15-20 minutos, mexendo de vez em quando, até que as batatas estejam cozidas.
- Desligue o fogo. Passe a sopa para o liqüidificador e bata até que vire um creme claro e homogêneo. MUITO CUIDADO ao bater líquidos quentes no liqüidificador: comece pulsando devagar e então deixe batendo, ou o líquido pode "explodir" com o vapor e queimá-lo seriamente. Como alternativa, deixe que a sopa esfrie um pouco antes de batê-la.
- Volte o creme para a panela e junte o leite, misturando bem. Ligue o fogo novamente apenas para reaquecer a sopa. Não deixe que ferva, ou o leite pode talhar. Experimente o tempero. Salgue e coloque pimenta a gosto.
- Sirva quente com as folhinhas de funcho como decoração ou guarde bem tampada na geladeira por até 2 dias e sirva gelada. Se quiser a sopa mais consistente, susbtitua metade do leite por creme de leite fresco.
quarta-feira, 20 de junho de 2007
Arroz de Festa
Não existe grão mais subestimado nesse país do que arroz. Ainda que faça parte de praticamente todas as refeições do brasileiro, em qualquer região, ele sofre pela não exploração de seu potencial. Nosso bom e velho arroz branco, muito simples mas muito bom, foi ainda rebaixado duas vezes: primeiro, quando deixaram de refogá-lo em bom óleo, alho e cebolas, por medo da gordura; segundo, quando taxaram-no de "carboidrato ruim".
Comecemos por aí: para quem acredita que engorda quando come arroz que foi refogado antes de ser cozido, digo que o que te engorda são provavelmente as sobremesas e o sedentarismo, e não a pobre meia colher de óleo vegetal que deu sabor ao seu prato. E para os defensores do arroz integral (muito bom, mas que considero muito difícil de absorver sabores), de fato, o arroz branco comum leva diversas substâncias duvidosas para deixá-lo como gostamos, mas por isso mesmo existe a versão orgânica da BlueVille, que é branqueado naturalmente, sem química. O grão é ligeiramente amarelado em relação ao branco comum, mas seu sabor e textura são iguais, senão melhores.
O interessante do arroz é que ele acabou virando um acompanhamento insosso à mesa: sempre branco, sempre simples, sempre afogado em feijão. Também é difícil vê-lo em pratos de cozinheiros de primeira viagem, que costumam fugir dele por não acertar seu ponto: arroz empapado ou queimado são inadmissíveis (e, claro, que já eu mesma produzi ambos). No entanto, como toda a ciência culinária, seguindo à risca algumas regrinhas, você produzirá sempre o melhor arroz como base para um sem número de variações sujeitas apenas à sua criatividade.
ARROZ PARA NUNCA MAIS ERRAR
Comecemos por aí: para quem acredita que engorda quando come arroz que foi refogado antes de ser cozido, digo que o que te engorda são provavelmente as sobremesas e o sedentarismo, e não a pobre meia colher de óleo vegetal que deu sabor ao seu prato. E para os defensores do arroz integral (muito bom, mas que considero muito difícil de absorver sabores), de fato, o arroz branco comum leva diversas substâncias duvidosas para deixá-lo como gostamos, mas por isso mesmo existe a versão orgânica da BlueVille, que é branqueado naturalmente, sem química. O grão é ligeiramente amarelado em relação ao branco comum, mas seu sabor e textura são iguais, senão melhores.
O interessante do arroz é que ele acabou virando um acompanhamento insosso à mesa: sempre branco, sempre simples, sempre afogado em feijão. Também é difícil vê-lo em pratos de cozinheiros de primeira viagem, que costumam fugir dele por não acertar seu ponto: arroz empapado ou queimado são inadmissíveis (e, claro, que já eu mesma produzi ambos). No entanto, como toda a ciência culinária, seguindo à risca algumas regrinhas, você produzirá sempre o melhor arroz como base para um sem número de variações sujeitas apenas à sua criatividade.
ARROZ PARA NUNCA MAIS ERRAR
- O método utilizado no Brasil para cozinhar o arroz branco é chamado na cozinha clássica de Pilaf, que é o modo mais simples de preparação.
- A proporção de líquido para grãos é sempre fixa, independente da quantidade preparada: 2 para 1. Ou seja, se você tem 1 xícara de arroz, precisa de duas de líquido. Líquido demais torna o arroz empapado, e de menos, não dá tempo suficiente para o arroz cozinhar perfeitamente, podendo queimá-lo.
- O líquido não precisa ser água, pode ser caldo vegetal, de carne, frango, peixe, cogumelos, etc...
- Normalmente refoga-se o arroz em óleo vegetal suave, como canola ou girassol, mas pode-se usar gorduras de sabor mais forte, como oliva, manteiga, etc.
- Para o arroz ficar saboroso, é necessário que você utilize, além dos temperos básicos como sal e pimenta, vegetais aromáticos, como cebola, alho, aipo, etc, podendo acrescentar ervas ao cozimento.
- O preparo é invariável:
- Aqueça o óleo em uma panela alta, em fogo médio-baixo, com tampa. De 1 a 3 colheres de gordura, sendo 3 suficientes para refogar 400g de arroz (10 porções). Enquanto isso, em outra panela, aqueça o líquido (água ou caldo). Aquecer o líquido antes de adicioná-lo ao arroz acelera o processo de cozimento.
- Os vegetais aromáticos escolhidos devem estar muito bem picados e razoavelmente uniformes, para que cozinhem por igual. Refogue-os no óleo quente, até que estejam muito moles, translúcidos e começando a amarelar, ou seu sabor não será tão doce e aromático. Quanto mais dourados estiverem seus vegetais, mais amarelo (e saboroso) ficará o arroz.
- Acrescente o arroz, mexendo vigorosamente com uma colher de pau, para recobri-lo totalmente com o sabor dos vegetais. Refogar o grão faz com que o amido comece a gelatinizar, encorajando os grãos a manterem-se separados após cozidos. Assim como quando se faz risotto, você ouvirá os grãos estalarem.
- Junte todo o líquido quente da outra panela. Mexa uma ou duas vezes antes que o líquido torne a ferver, para impedir que o arroz grude no fundo. Salgue (coloque menos sal caso esteja usando cubos de caldo, pois eles já são muito salgados). Se quiser, acrescente folhas de louro, tomilho, alecrim, ou outras ervas a sua escolha. Então abaixe o fogo para o mínimo e tampe bem a panela.
- O tempo de cozimento varia de acordo com sua panela, a intensidade da chama do seu fogão e a marca do seu arroz. O ideal é obedecer o tempo de cozimento descrito no pacote. Uma xícara do BlueVille orgânico costuma demorar aproximadamente 20 mintuos em uma panela de fundo muito grosso. Você saberá que ele está pronto pela regra que você aprendeu com sua mãe: o arroz parece seco e há furos fundos grandes em sua superfície.
- Desligue o fogo e mantenha tampado por 5-10 minutos. Isso permite que o arroz absorva qualquer líquido que possa ter restado no fundo da panela. Destampe, e, com um garfo, desmanche o arroz, separando os grãos. Ajuste o tempero.
- Para saber se seu pilaf de arroz deu certo, avalie as seguintes condições: o grão deve estar macio, mas com textura, sem desmanchar-se; os grãos devem separar-se facilmente, sem permanecerem em "bolinhos"; arroz que cozinhou além da conta tem gosto farinhento, de massa; arroz que não cozinhou o suficiente ou com pouco líquido são duros; não deve haver nenhum resquício de água no fundo da panela.
terça-feira, 19 de junho de 2007
Todo mundo erra
Nesse fim de semana, Allex pediu que eu preparasse duas dúzias de muffins para um café da manhã da empresa. Ok, sem problemas. Passei na casa de minha mãe para pegar emprestado um forma extra de muffins e, no domingo à noite, depois de um fim de semana bastante corrido, lá fui eu para a cozinha. Ele ficou ao meu lado, acompanhando o processo e tentando aprender alguma coisa e, quando a massa foi para as formas e estas ao forno, tudo parecia ir às mil maravilhas. Qual não foi a decepção ao retirar das formas 24 muffins achatados, pesados, farinhentos e assados desigualmente. Não preciso dizer que foram todos para o lixo.
Conto isso porque freqüentemente escuto a frase "tudo o que eu cozinho dá errado, então parei de tentar". Bom, pergunte à sua mãe, sua avó ou mesmo a qualquer bom chefe de cozinha: todo mundo erra. Muito. Mesmo gente com muita experiência ainda joga bolo no lixo. São tantas coisas que podem dar errado, desde a receita não testada, passando pelo forno diferente, até o fato de você simplesmente não estar no clima para cozinhar, que é uma grande bobagem concluir que o problema seja falta de talento.
É horrível desperdiçar tempo e comida, mas, fazer o quê?! Bola prá frente, tente de novo. Não jogue fora a receita. Compare sua base com outras semelhantes para verificar se a original contém erros de medidas, tempos, temperaturas ou ordem. Verifique se você de fato seguiu o passo-a-passo corretamente e se não infringiu nenhuma regrinha básica que possa ter arruinado seu almoço. Se a receita estiver errada, conserte-a ou jogue-a fora. Senão, dê uma outra chance. Num momento melhor, ela pode surpreendê-lo com bons resultados. Se o prato que você tentou fazer exigia alguma técnica nova para você, corra atrás e informações mais precisas, com fotografias, que possam guiá-lo mais detalhadamente numa próxima vez. Meu livro do Culinary Institute of America mostra até mesmo a cor a que devem chegar as cebolas em uma sopa de cebolas clássica francesa. É só comparar o que está na panela com a foto, e não há como errar nunca. Talvez, no entanto, você tenha sido apenas ambicioso demais. Comece com algo mais simples e vá complicando aos poucos.
O caso é, essa não será a última vez que prepararei muffins nem a última vez que eles irão para o lixo. Isso é normal, principalmente quando se começa a adaptar receitas para criar suas próprias. Ninguém acerta sempre.
Conto isso porque freqüentemente escuto a frase "tudo o que eu cozinho dá errado, então parei de tentar". Bom, pergunte à sua mãe, sua avó ou mesmo a qualquer bom chefe de cozinha: todo mundo erra. Muito. Mesmo gente com muita experiência ainda joga bolo no lixo. São tantas coisas que podem dar errado, desde a receita não testada, passando pelo forno diferente, até o fato de você simplesmente não estar no clima para cozinhar, que é uma grande bobagem concluir que o problema seja falta de talento.
É horrível desperdiçar tempo e comida, mas, fazer o quê?! Bola prá frente, tente de novo. Não jogue fora a receita. Compare sua base com outras semelhantes para verificar se a original contém erros de medidas, tempos, temperaturas ou ordem. Verifique se você de fato seguiu o passo-a-passo corretamente e se não infringiu nenhuma regrinha básica que possa ter arruinado seu almoço. Se a receita estiver errada, conserte-a ou jogue-a fora. Senão, dê uma outra chance. Num momento melhor, ela pode surpreendê-lo com bons resultados. Se o prato que você tentou fazer exigia alguma técnica nova para você, corra atrás e informações mais precisas, com fotografias, que possam guiá-lo mais detalhadamente numa próxima vez. Meu livro do Culinary Institute of America mostra até mesmo a cor a que devem chegar as cebolas em uma sopa de cebolas clássica francesa. É só comparar o que está na panela com a foto, e não há como errar nunca. Talvez, no entanto, você tenha sido apenas ambicioso demais. Comece com algo mais simples e vá complicando aos poucos.
O caso é, essa não será a última vez que prepararei muffins nem a última vez que eles irão para o lixo. Isso é normal, principalmente quando se começa a adaptar receitas para criar suas próprias. Ninguém acerta sempre.
quarta-feira, 13 de junho de 2007
Eu adoro feira!

Ufa! É sempre ótimo dizer que não tive tempo de escrever no blog, pois isso quer dizer que andei trabalhando um bocado, o que para um freelancer é o paraíso! Mas cá estou de volta. Desta vez tentando convencê-los a afastarem-se das estéreis geladeiras de seus supermercados e darem uma voltinha na feira semanal mais próxima de sua casa. Não, não adianta tentarem me enganar com a conversa da falta de tempo: existem feiras de domingo. A da Alameda Lorena, nos jardins, é minúscula, de um quarteirão só, mas excelente (ótimo pastel, por sinal).
Na última quarta, voltando da feira — praticamente arrastando meu sacolão vermelho até em casa — brinquei, dizendo que sou em uma feira livre como a maioria das mulheres é em uma liquidação de sapatos. Meus olhos não param quietos, tentando identificar nas barracas que parecem todas iguais, os melhores produtos da estação. Sou invasiva, quero encostar em tudo, apertar tudo, escolher cada tomate, cheirar as frutas, experimentar. Fico constantemente inebriada pela variedade de tons de verde no imenso paredão de hortaliças de minha banca favorita. Existe coisa mais linda que o rubi intenso de uma beterraba? E suas folhas, que mantém no talo o cor de vinho forte e esmaecem até um verde-bandeira lustroso. "É uma pena que eles vão para o lixo", você deve ter pensado. Ledo engano. Se você tem livros de culinária metidos a besta, deve já ter visto menção a uma folhagem deliciosa chamada "swiss chard". Tchanans: folhas de beterraba. Você as come como comeria espinafre, refogadas com alho e azeite, talos e tudo o mais, ou rapidamente cozidas (1 minuto apenas) em água fervente com sal, deixando os talos o dobro do tempo.
Outro dia fiquei em choque ao ouvir uma colega comentar que nunca vira folhagem de cenouras na vida a não ser em desenhos do Pernalonga. Bem, você pode comprar ramos maravilhosos de cenouras (com as folhas, que dão ótimos bolinhos) na feira. Assim como funcho (erva-doce), com lindos ramos de folhinhas verde-água minúsculas, com um delicioso perfume de anis. Estas folhinhas ficam ótimas em saladas, massas ou finalizando qualquer prato em que o funcho seja utilizado cozido, para evocar novamente o elemento fresco do bulbo.
Mas, e se eu não quiser comer esse monte de folha, você me pergunta, qual a vantagem? As folhagens de raízes e bulbos consomem a energia dos mesmos. Se não forem cortadas, as cenouras, por exemplo, murcharão. Mas sem os bulbos e raízes, são as folhas, por sua vez, que enfraquecem e morrem em pouco tempo. De modo que, ao comprar uma cenoura com a folhagem, você tem a garantia de estar comendo algo que foi colhido no dia anterior! Não poderia ser mais fresco do que isso! Isso também implica em uma durabilidade muito maior em sua geladeira do que a cenoura comprada no supermercado em bandejas de isopor. Sem contar toda a pataquada ecológica que eu adoro: usar as folhas das suas raízes e bulbos quer dizer maior aproveitamento do alimento e menor geração de lixo. Além do fato de que você estará levando dois vegetais pelo preço de um!!!
Vá à feira! As frutas fora da geladeira têm mais cheiro: você consegue diferenciar mais facilmente o que está bom do que não está. Pergunte ao feirante o que está na época, o que está bom, como preparar. Ele vai reponder com gosto. E se vier uma lagarta no meio da sua couve-flor, ou uma aranhinha no meio das suas uvas, comemore: o produto que você comprou tinha menos agrotóxicos (ou nenhum). Lembre-se de comprar vegetais menores: alho-poró mais fino, cenouras de no máximo 15 cm, funchos redondos e compactos; eles têm mais sabor do que seus irmãos super-crescidos. É importante também, assim que chegar em casa, separar as folhagens de suas respectivas raízes ou bulbos, e guardá-las em saquinhos. Use as folhas antes, pois o que fica embaixo da terra costuma durar mais.
Como queria adornar esse post com uma foto bonita de feira mas não tenho nenhuma local, vai aqui uma feira linda em Bolzano, na Itália. Aliás, culinária italiana é a melhor fonte de receitas de baixo orçamento para aproveitar cada pedacinho negligenciado de absolutamente qualquer vegetal.
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