sábado, 1 de setembro de 2007

Se inveja matasse...

Estou absolutamente impressionada e apaixonada pelo blog de Keiko, uma japonesa residente no Reino Unido. Nunca vi alguém tão confortável em experimentar com ingredientes novos e receitas trabalhosas, alguém tão incrivelmente caprichosa na apresentação dos pratos (mesmo que para ela mesma) e, principalmente, nunca vi fotografias mais lindas. Independente de você querer ler o blog em inglês ou não, é imperativo que dê uma olhada, ao menos nas fotos, que despertam complexo de inferioridade no chef mais experiente...

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Jantar com titia


Ontem à noite minha tia veio jantar conosco. Fiquei feliz pois, no fim das contas, Allex conseguiu chegar a tempo de comer com a gente.

Tudo correu muito bem. Começamos com caipirinhas (estreando os copos dados pela tia do Allex), mas quase os quebramos tentando socar o limão com meu socador de pedra-sabão. Para acompanhar a bebedeira, comprei um pão sensacional na Pâtisserie do Le Vin, um patezinho de pimentão do Santa Luzia e azeitonas pretas chilenas.

Para jantar, resolvi ser a rainha da praticidade: cannelloni de abóbora e cenoura ao molho branco, que preparei no dia anterior e deixei para assar na hora, e tian de legumes (foto), do livro Cozinhando para Amigos, que montei à tarde e deixei quietinho até a hora de colocar no forno. Claro que a manobra só é possível porque meu forno é duplo.

O cannelloni é fácil: coloquei a abóbora inteira (depois de espetá-la algumas vezes com a ponta da faca) em uma assadeira com um dedinho d´água, e assei em forno médio até que um garfo entrasse fácil em sua casca (cerca de 40 minutos). Retirei a polpa com uma colher, e reservei. Tirei a água da assadeira e coloquei pedaços de 2,5cm de cenoura com dentes de alho inteiros e com casca, tomilho, sal, pimenta e azeite e assei por 20 minutos. Espremi o alho, misturando à abóbora, e amassei junto com a cenoura. Um punhado de queijo ralado, noz-moscada, sal e pimenta e uma folha de sálvia muito bem picada, e recheei as cascas dos cannelloni. Fiz um molho branco rápido, despejei uma parte no fundo de uma travessa untada, acomodei os cannelloni, despejei o resto do molho, queijo ralado, e forno por 20-30 minutos. Na verdade era para ser só de abóbora, mas ela não me forneceu recheio suficiente, então tive que improvisar com as cenouras que tinha (ambas são laranja e docinhas, o que poderia dar errado?), e ficou delicioso.

Para o tian, piquei uma cebola, 1/2 pimentão vermelho pequeno e dois dentes de alho, misturei com um pouco de manjericão, tomilho, sal e pimenta, e espalhei no fundo de uma travessa com azeite. Cortei uma berinjela e uma abobrinha em fatias de 0,5cm, e depois em meias-luas, e fiz fileiras intercalando com cerca de 4 tomates cortados em quartos, sem as sementes. Mais manjericão, mais tomilho, sal, pimenta e azeite, cobri com papel alumínio e coloquei no forno a 180ºC por 30 minutos. Tirei o papel e deixei mais 30. Servi quente, mas fica muito gostoso frio também.

Achei que fosse comida demais, mas como todo mundo repetiu (eu ADORO quando isso acontece), não sobrou nada! De sobremesa, depois de pratos razoavelmente substanciosos, achei melhor manter a simplicidade, então coloquei uma tigela cheia de morangos orgânicos, que apesar de meio pálidos, estavam deliciosos. Minha tia surpreendeu-se, e disse que na Califórnia, onde mora, os morangos são estupidamente vermelhos, mas completamente sem gosto. No fim, o jantar foi um sucesso, e eu estou muito feliz!

Mini-kit-cozinha

Dei esse mini-kit de cozinha de aniversário para minha irmã. Tem um fouet grande, colheres-medida e potinhos-medida. De aço-inox, bonitinho e fácil de lavar, melhor do que as melecas de plástico que ela tinha, que já estavam manchadas. O livro, Larousse da Cozinha Prática é ótimo para quem está começando, pois suas receitas são divididas por ingredientes principais em ordem alfabética; são todas receitas fáceis e rápidas e há toda uma sessão de técnicas de molhos e massas com fotografias passo-a-passo no final. Gostei também do fato de o começo ser recheado com dicas de compra e conservação de inúmeros ingredientes, de queijos a peixes. Agora é só esperar um convite para jantar... hehehe...

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Pimentas de comer, não de enfeitar...




Esse ano minhas pimentas estão indo muito bem, ainda mais pensando que estão num apartamento! Recorde de produção até agora...

Empórios orgânicos

Há muitas fontes de ingredientes em minha região: um Pão-de-Açúcar que detesto, o Santa Luzia que adoro, uma feira de quinta (mais barata) e uma feira de domingo (mais cara, com um pastel fantástico), um empório orgânico na minha rua e um a sete quarteirões, que faz uma espécie de feira no sábado de manhã. Hoje, minha tia vem jantar em casa. E, antes que eu soubesse que o Allex será abduzido no trabalho novamente, achava que apenas o cannelloni seria pouco, e resolvi sair para comprar mais comida. Ah, vou comprar tudo orgânico, pensei. Sabendo que no supermercado tudo é mais caro, resolvi apoiar o comércio local e visitar ambos os empórios.

Que decepção!

O da minha rua eu já visitara algumas vezes. Sempre entro, dou uma fuçada, pego a cestinha, olho para aquela escassa variedade de legumes embaladas em plástico e bandejas de isopor e me deprimo. Olho para a prateleira de laticínios e há um único pacote de mozzarella de búfala solitário no meio de outros pouquíssimos produtos abandonados. Um mar de produtos de quinoa, um mar de geléias caras demais, conservas que não imagino ninguém comendo (cenouras em conserva???) e coisinhas integrais e naturebas demais pro meu gosto, como proteína de soja texturizada. Acabo levando um suco, só de dó.

Um pouco cabisbaixa, caminhei os sete quarteirões até o segundo empório, mais antigo, na esperança de encontrar abobrinhas frescas e "a granel", se é que posso usar esse termo. O que me faz ir à feira ou pedir meus legumes e frutas na Caminhos da Roça é essa minha necessidade de pegar nos alimentos, sentir a textura da casca, sentir o cheiro. Dentro de plásticos e em geladeiras, nada tem cheiro, nada tem textura, tudo muda de consistência. Não que vá estar estragado quando eu abrir, nunca tive esse problema, mas acho fundamental a experiência de interagir com o ingrediente e escolher, literalmente, a dedo. Saber diferenciar um bom tomate de um tomate ruim é algo que cada vez menos gente sabe fazer.

Chegando lá, deparei-me com o mesmo fenômeno: um espaço enorme dedicado a um quase nada de produtos, prateleiras vazias, preços exorbitantes. A farinha da Cotrimaio, pela qual pago R$3,90 no Santa Luzia, estava por R$7,00 no Empório. Hein???? Achava que por ser um estabelecimento especializado, encontraria produtos diferentes dos basicões do supermercado, mas, aparentemente, ninguém por aqui tem melhor suprimento de orgânicos que o Santa Luzia...

Isso tudo me deixou muito nervosa. Esses Empórios deveriam ter como missão convencer os consumidores locais a ir trocando os produtos convencionais pelos orgânicos. Mas quando você vai comprar uma abobrinha e não a encontra, desencana do resto e vai para o mercado mesmo, onde sabe que achará tudo o que procura. Aproveitando-se da moda natureba e ecologista, eles incharam suas estruturas, com cafés, restaurantes, arquitetura cara em pontos mais caros ainda, e agora parecem tentar compensar a paspalhice explorando quem tem a boa intenção de comprar seus produtos.

Estou cada vez mais convencida a continuar pedindo minha cestinha, mais barata e confiável, com legumes e verduras ainda sujos da terra da fazenda. Os morangos orgânicos que pedi da fazenda Nata da Serra, também produtora de laticínios orgânicos, vieram lindos, inteiros (nenhum estragado, como geralmente acontece), gostosos e por metade do preço do supermercado, e serão a sobremesa de hoje à noite.

E o que não consigo comprar pela cesta, continuarei comprando no Santa Luzia. Porque, afinal, continua sendo um empório familiar, de ponto único, o que sossega a minha consciência que pede que eu apoie o comércio local em detrimento das grandes redes de supermercados.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Risotto de Beterraba

Duvido que alguém encontre por aí um risotto tão vermelho! Tudo o que fiz foi assar 3 beterrabas pequenas e orgânicas, com casca, cortadas ao meio, com um pouco de azeite, sal, pimenta e um nadinha de vinagre balsâmico, dentro de um pacotinho de papel alumínio muito bem fechado, por 40 minutos a 200ºC. Ao esfriar, descasquei-as e cortei-as em cubos bem pequenos. Fiz uma receita básica de risotto para 2 pessoas, acrescentando os cubos de beterraba logo antes do arroz. Juntei a manteiga e o queijo ralado no final, e, ao servir, salpiquei com gorgonzola em grumos. O resultado é essa vermelhidão vibrante, pontilhada de cubinhos de beterraba que parecem rubis; um suave adocicado contrastando com o queijo picante e salgado. Booooooom...

Pão que nada!

A Henriqueta deixou um comentário por aqui que me deu vontade de compartilhar uma tabelinha que tenho, do livro Professional Baking, que diz por que diabos aquela sua receita dummy-proof de pão não deu certo. Então, aqui vai: La Cucinetta faz aniversário mas quem ganha presente é você (slogan promocional de loja de quinquilharia, hein?)!

FORMATO
  • Pouco volume: sal demais / pouco fermento / pouco líquido / farinha fraca (pouco proteica) / pouca ou demasiada sova / forno muito quente.
  • Excesso de volume: pouco sal / muito fermento / 2ª fermentação muito longa.
  • Formato irregular: muito líquido / farinha fraca / molde impróprio / 1ª ou 2ª fermentação imprópria / muita umidade (vapor) no forno.
  • Falha, ou ruptura na casca: excesso de sova / fermentação não completa / molde impróprio (massa deixada com vincos ou vinco não deixado na parte de baixo) / calor desigual no forno / forno muito quente / umidade (vapor) insuficiente no forno.
SABOR
  • Gosto sem graça: pouco sal
  • Sem gosto: ingredientes inferiores ou deteriorados / falta de higiene na cozinha / fermentação muito curta ou muito longa.
TEXTURA E MIOLO
  • Muito denso ou pouco granulado: muito sal / pouco líquido / pouco fermento / 1ª ou 2ª fermentação não completas.
  • Muito aerado ou granulado: muito fermento / muito líquido / tempo incorreto de sova / fermentação imprópria / 2ª fermentação muito longa / forma ou assadeira muito grande.
  • Textura ruim ou farelenta: farinha muito fraca / pouco sal / 1ª fermentação muito curta ou muito longa / 2ª fermentação muito longa / forno muito frio.
  • Miolo cinzento: tempo de fermentação muito longa / temperatura do ambiente durante fermentação muito alta.
  • Miolo "listrado": sova imprópria / técnica de molde ruim / muita farinha usada para polvilhar.
CASCA
  • Muito escura: muito açúcar ou leite / 1ª fermentação não completa / forno muito quente / tempo demais no forno / umidade insuficiente no começo do tempo de forno.
  • Muito pálido: pouco açúcar ou leite / 1ª ou 2ª fermentação muito longa / Forno muito frio / pouco tempo no forno / umidade demais no forno.
  • Casca muito grossa: pouco açúcar ou gordura / fermentação imprópria / tempo demais no forno ou com temperatura errada / pouca umidade no forno.
  • Bolhas na casca: muito líquido / fermentação imprópria / formato impróprio do pão.

Primeiro aniversário

Hoje faz exatamente 1 ano que comecei este blog, e tenho adorado fotografar e escrever sobretudo o que acontece em minha cozinha. Muito obrigada a quem têm lido e comentado, e espero que continuem acompanhando minhas desventuras culinárias!

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Tarde cinza depois de um almoço farto

Brasil a gosto

Aniversário de minha irmã, tia de Los Angeles visitando, terça-feira... para mim todos são motivos válidos para se conhecer um restaurante novo. Hoje, descobrimos uma casa escondida numa ruela, travessinha da Barão de Capanema, nos Jardins, chamada Brasil a Gosto. O restaurante serve comida brasileira de todos os cantos, num ambiente muito bonito, claro e preocupado com detalhes charmosos.

O couvert foi manteiga comum, de alho e uma pastinha de legumes saborosíssima, passados sobre biscoito de polvilho, pãozinho de queijo, de abóbora, comum e com ervas. De entrada, pedimos bolinhos de arroz, deliciosos, crocantes, sequinhos por fora e desmanchando por dentro, que vêm com um molhinho vinaigrette e um de pimenta para os apaixonados por emoções fortes.

Pedi uma Pescada Cambucu com vatapá e acarajé dos Santos. O peixe, absolutamente no ponto, desmanchando no garfo, estava no centro de um purê laranjíssimo, e cercado de acarajés crocantes, do tamanho de azeitonas. Bonito para os olhos e bom para o paladar. Minha irmã pediu carne seca desfiada com batatas-doces douradas, e também raspou o prato com gosto. Titia desde cedo queria almoçar um filé, então quis o filé mignon com angu e legumes. Disse ela estar tudo à perfeição, e, de fato, havia muito tempo que eu não via legumes tão frescos e tão no ponto. Mesmo minha mãe, que não quis passar da saladinha verde, teceu inúmeros elogios ao molho da salada e ao frescor das folhas.

Satisfação total.

Apenas nas sobremesas a coisa derrapou um pouquinho. Mas parece que é tendência dos restaurantes desse tipo (desse preço, desse serviço, etc), pecar nas sobremesas pelo sem-gracismo ou pelo super-docismo. Foram ambos, nesse caso. A tortinha de massa de castanha de caju, recheada de chocolate e com geléia de cambuci parecia bom em teoria. Mas o chocolate matou o gosto das castanhas e era molenga demais para uma casca dura demais. A geléia que prometia refrescância terminou de deixar tudo simplesmente enjoativo. Minha irmã pediu a bananada (que era um purê de banana) com sorvete de natas e biscoitos, mas também não pareceu muito empolgada à primeira mordida. "É... nada demais...", disse ela.

Cafézinho excelente, no entanto.

No fim das contas, gostei e recomendo. Todo o cardápio (inclusive há uma parte especificamente vegetariana) parecia muito apetitoso. Voltarei com certeza. Mas vou deixar a sobremesa por conta da Häagen-Dazs da Oscar Freire.

:: Tudo isso mais bebida de cada um deu por volta de 60 reais por cabeça. ::

Cozinhe isso também!

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