quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Empórios orgânicos

Há muitas fontes de ingredientes em minha região: um Pão-de-Açúcar que detesto, o Santa Luzia que adoro, uma feira de quinta (mais barata) e uma feira de domingo (mais cara, com um pastel fantástico), um empório orgânico na minha rua e um a sete quarteirões, que faz uma espécie de feira no sábado de manhã. Hoje, minha tia vem jantar em casa. E, antes que eu soubesse que o Allex será abduzido no trabalho novamente, achava que apenas o cannelloni seria pouco, e resolvi sair para comprar mais comida. Ah, vou comprar tudo orgânico, pensei. Sabendo que no supermercado tudo é mais caro, resolvi apoiar o comércio local e visitar ambos os empórios.

Que decepção!

O da minha rua eu já visitara algumas vezes. Sempre entro, dou uma fuçada, pego a cestinha, olho para aquela escassa variedade de legumes embaladas em plástico e bandejas de isopor e me deprimo. Olho para a prateleira de laticínios e há um único pacote de mozzarella de búfala solitário no meio de outros pouquíssimos produtos abandonados. Um mar de produtos de quinoa, um mar de geléias caras demais, conservas que não imagino ninguém comendo (cenouras em conserva???) e coisinhas integrais e naturebas demais pro meu gosto, como proteína de soja texturizada. Acabo levando um suco, só de dó.

Um pouco cabisbaixa, caminhei os sete quarteirões até o segundo empório, mais antigo, na esperança de encontrar abobrinhas frescas e "a granel", se é que posso usar esse termo. O que me faz ir à feira ou pedir meus legumes e frutas na Caminhos da Roça é essa minha necessidade de pegar nos alimentos, sentir a textura da casca, sentir o cheiro. Dentro de plásticos e em geladeiras, nada tem cheiro, nada tem textura, tudo muda de consistência. Não que vá estar estragado quando eu abrir, nunca tive esse problema, mas acho fundamental a experiência de interagir com o ingrediente e escolher, literalmente, a dedo. Saber diferenciar um bom tomate de um tomate ruim é algo que cada vez menos gente sabe fazer.

Chegando lá, deparei-me com o mesmo fenômeno: um espaço enorme dedicado a um quase nada de produtos, prateleiras vazias, preços exorbitantes. A farinha da Cotrimaio, pela qual pago R$3,90 no Santa Luzia, estava por R$7,00 no Empório. Hein???? Achava que por ser um estabelecimento especializado, encontraria produtos diferentes dos basicões do supermercado, mas, aparentemente, ninguém por aqui tem melhor suprimento de orgânicos que o Santa Luzia...

Isso tudo me deixou muito nervosa. Esses Empórios deveriam ter como missão convencer os consumidores locais a ir trocando os produtos convencionais pelos orgânicos. Mas quando você vai comprar uma abobrinha e não a encontra, desencana do resto e vai para o mercado mesmo, onde sabe que achará tudo o que procura. Aproveitando-se da moda natureba e ecologista, eles incharam suas estruturas, com cafés, restaurantes, arquitetura cara em pontos mais caros ainda, e agora parecem tentar compensar a paspalhice explorando quem tem a boa intenção de comprar seus produtos.

Estou cada vez mais convencida a continuar pedindo minha cestinha, mais barata e confiável, com legumes e verduras ainda sujos da terra da fazenda. Os morangos orgânicos que pedi da fazenda Nata da Serra, também produtora de laticínios orgânicos, vieram lindos, inteiros (nenhum estragado, como geralmente acontece), gostosos e por metade do preço do supermercado, e serão a sobremesa de hoje à noite.

E o que não consigo comprar pela cesta, continuarei comprando no Santa Luzia. Porque, afinal, continua sendo um empório familiar, de ponto único, o que sossega a minha consciência que pede que eu apoie o comércio local em detrimento das grandes redes de supermercados.

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