São 4 horas da tarde e, como era de se esperar, sobe de uma origem misteriosa um cheiro de caramelo queimado que invade meu apartamento e se instala por ao menos uma hora inteira. Quando me mudei para cá, costumava sair esbaforida pela casa buscando algum ponto em chamas, ou correndo para a cozinha para verificar se esquecera alguma panela no fogo (o que já fiz algumas vezes, pois apesar de ser neurótica e perfeccionista na cozinha, sou também incrivelmente desligada). Hoje já não ligo muito, sei que o cheiro forte vem de fora, mas ainda assim vez ou outra me pego dando uma espiadela no fogão. Só para ter certeza.
As teorias para a "puzza" são muitas... No começo, acreditava ter algum vizinho inimigo da cozinha, que não conseguia usar uma panela sem estragar alguma coisa. Principalmente porque não foram poucos os dias em que minha cozinha fedeu a cebolas queimadas e carne refogada com prazo de validade vencido, odores igualmente vindos do além. Depois veio a teoria da chapa. Alguém sugeriu que a esfiharia em frente ou o boteco ao lado estaria limpando a chapa suja. Mas isso também não convenceu.
A teoria que vingou por mais tempo foi a do café. Como há um café todo chique logo em frente, que nos incomoda com o ruído constante de seu aparelho de ar condicionado todas as noites, meu marido concluiu que o cheiro de queimado só poderia vir da torra do café, na imensa máquina que eles têm lá nos fundos. Mas não sei se eles torram mesmo o próprio café... De qualquer forma, o fato de o fedor ter hora marcada serviu de apoio para a hipótese.
Anteontem, no entanto, resolvi tirar o lixo exatamente na hora do cheiro
e qual não foi minha surpresa ao senti-lo vindo escadaria acima, de dentro do prédio! E cá estou eu novamente, ligeiramente enjoada pelo odor pungente de queimado e matutando feito uma velha fofoqueira, tentanto descobrir o que diabos meus vizinhos de baixo tanto queimam... hehehe...
sábado, 4 de agosto de 2007
Restos de geladeira 2
Ao fazer os cannelloni de brócolis, sobrara cerca de 1 xícara de recheio, que acabei guardando na geladeira com dó de jogar fora. Ontem à noite o recheio virou molho. Como o brócoli havia virado um purê bem molinho, resolvi transformá-lo em pesto. Juntei um punhado de parmesão ralado, boas doses de azeite e acertei o sal e a pimenta, até ficar com a carinha que todo molho pesto tem. A verdade é que eu até poderia ter preparado o brócoli e amassado no pilão com o resto, direitinho, ignorando minha intenção prévia de fazer o cannelloni. Cozinhei 200g de fusilli (2 porções), juntei o pesto de brócoli, uma mozzarella de búfala em pedacinhos e umas folhinhas de manjericão. Aprovadíssimo!
Já hoje, mantendo o tema dos restos, após uma sessão de arrumação e limpeza semanal de casa, perguntei ao Allex o que ele gostaria de comer. Couscous, ele disse. Refoguei na manteiga rapidamente duas cebolinhas perdidas com uma pimenta dedo-de-moça e uma pitada de cominho, juntei meia xícara de água com 1 colher de chá de sal e deixei ferver. Desilguei o fogo, juntei meia xícara de couscous (tudo o que restara na embalagem), tampei e deixei descansar. Enquanto isso, piquei meia dúzia de tomatinhos-cereja que já estavam muito murchinhos para uma salada e escorri uma lata de grãos-de-bico. Afofei o couscous com um garfo e mais uma colher de manteiga, juntei os tomates e os grãos-de-bico e, para finalizar, juntei um punhado de salsinha picada. Ficou muito gostoso. "Era exatamente esse sabor e essa textura que eu queria nesse almoço", disse ele. Que bom!
Já hoje, mantendo o tema dos restos, após uma sessão de arrumação e limpeza semanal de casa, perguntei ao Allex o que ele gostaria de comer. Couscous, ele disse. Refoguei na manteiga rapidamente duas cebolinhas perdidas com uma pimenta dedo-de-moça e uma pitada de cominho, juntei meia xícara de água com 1 colher de chá de sal e deixei ferver. Desilguei o fogo, juntei meia xícara de couscous (tudo o que restara na embalagem), tampei e deixei descansar. Enquanto isso, piquei meia dúzia de tomatinhos-cereja que já estavam muito murchinhos para uma salada e escorri uma lata de grãos-de-bico. Afofei o couscous com um garfo e mais uma colher de manteiga, juntei os tomates e os grãos-de-bico e, para finalizar, juntei um punhado de salsinha picada. Ficou muito gostoso. "Era exatamente esse sabor e essa textura que eu queria nesse almoço", disse ele. Que bom!
sexta-feira, 3 de agosto de 2007
Couscous de Maçã ao Curry

Isso parece absolutamente revoltante, mas demonstrou-se incrivelmente gostoso! Eu juro que esse é o último post do dia, já que tive de tirar o atraso de uma semana inteira sem meu computador ligado à internet.
Ontem, usando o laptop do Allex para pegar meus e-mails de trabalho, comecei a fuçar em outros blogs, buscando uma informação a respeito de crème fraîche. Acabei caindo no blog de outra natureba louca por comida, uma jornalista brasileira residente na California com muitas histórias de cozinha para contar. Adorei seu blog, Chucrute com Salsicha, e um post seu acabou me levando a um segundo, chamado 101 Cookbooks, de uma autora igualmente natureba mas sem medo de manteiga. Como eu disse em outro post, eu procurava àquela tarde qualquer coisa para fazer com minhas cebolinhas, e então me deparei com essa estranhíssima receita, que usava tudo aquilo que eu tinha em casa: couscous marroquino, maçãs, curry, cebolinhas, hortelã, manteiga e castanhas de caju (que usei em lugar dos pinolis sugeridos na receita).
O resultado foi completamente inesperado. Acreditava que teria um prato agridoce para paladares acostumados, mas em lugar disso, tive um couscous de sabores marcantes, envolventes e combinando maravilhosamente entre si. Deu-me uma vontade incrível de comprar o livro da moçoila, chamado Super Natural Cooking: Five Ways to Incorporate Whole and Natural Ingredients into Your Cooking. O interessante de suas receitas é que não são natureba-radicais, do tipo que bane manteiga e açúcar. Trata-se mais de banir industrializados e processados e buscar usar elementos cada vez mais frescos em seu dia-a-dia.
O link para a receita original em inglês está aqui. Como eu sei que nem todo mundo curte receita em outra língua, eu traduzo...
COUSCOUS DE MAÇÃ AO CURRY
Rendimento: 3-4 porções como prato único, ao contrário das 6 que ela indica
Tempo de preparo: 20 minutos
Ingredientes:
- 4 colh. (sopa) de manteiga sem sal
- 1 colh. (sopa) de curry em pó
- 1 maçã média com casca, cortada em cubos
- 3 cebolinhas picadas
- 1 xic. couscous marroquino integral ou comum
- 1 3/4 xic. água
- 1 colh. (chá) de sal marinho
- 1/2 xic. de pinolis ou castanhas de caju (sem sal) torradas
- Um punhado de folhas de hortelã picadas
- Numa panela, sobre fogo médio-alto, derreta 3 colh. (sopa) da manteiga e junte o curry e pitadas generosas de sal, cozinhando por um minuto até que o arom se desprenda.
- Misture a maçã e cozinhe por 3 minutos, para que a fruta amacie um pouco e absorva os temperos. Retire da panela e reserve.
- Na mesma panela, sobre fogo médio-alto, coloque o restante da manteiga e refogue brevemente as cebolinhas, até que elas murchem um pouco, e junte a água e o sal. Levante fervura, despeje o couscous, cubra e desligue o fogo. Deixe quieto por 5 a 10 minutos, até que o couscous tenha absorvido toda a água.
- Afofe o couscous com um garfo, para desfazer pelotas, junte a maçã, castanhas e hortelã. Tempere com mais sal e curry se necessário.
Pão quentinho


Há alguns posts atrás, eu escrevi sobre cheiro de pão quentinho na casa. Bom, esse trambolhinho dourado é o culpado. Agora que tenho uma bancada decente, um termômetro de forno, uma farinha mais adequada, e a batedeira com gancho para pães, dá vontade de fazer pão o dia todo. É claro, muito antes de ter a bancada, antes de comprar o termômetro, quando ainda usava farinha comum e antes da aquisição da batedeira, eu já havia feito esse pão algumas vezes, do livro Biscuits et Petits Gâteaux, e ele dá certo sempre, pois é muito fácil.
Basta aquecer um pouco 300ml de água. Metade disso, você junta a 7g de fermento ativo seco instantâneo (aquele de envelope) e 1 colh. (sopa) de açúcar e deixa quietinho por 10 minutos, para formar uma espuma. Então você junta isso ao resto da água e coloca no meio da farinha (450g) com 1 colh. (chá) de sal na batedeira com gancho ou em uma tigela grande. Na batedeira, aciona a velocidade 2 por 2 minutos e baixa para a 1 por 10 minutos até a massa desgrudar da tigela. À mão, basta ir misturando com os dedos até formar uma massa e depois sovar na mesa ou na pia levemente enfarinhada por 10 minutos. Faça uma bola em que não se enxergue vincos, coloque em uma tigela bem grande untada com óleo, cubra com um pano umedecido e deixe quieto por 1 hora. Depois disso, ela dobrará de tamanho, como na segunda foto. Afunde-a com as mãos, tirando o ar, e forme uma bola, colocando em uma assadeira grande untada com óleo. Cubra com o pano e deixe por 30 minutos. Pré-aqueça o forno a 190ºC e, dados os 30 minutos, tire o pano e coloque o pão no forno por 40 minutos ou até que doure e faça um som oco quando você bater com os nós dos dedos embaixo dele.
A louca das batatas
Cannelloni de Brócolis

Adorei descobrir em meu supermercado a massa pronta para cannelloni da Barilla (marca de massas em que mais confio, tendo a DeCecco em 2º lugar). Ainda que eu me vanglorie às vezes por fazer massa em casa, eu também sou filha de Deus e mereço algumas facilidades da vida moderna. Nada melhor do que ter os tubinhos de massa de ovos prontinhos para inserir o recheio, colocar molho por cima e levar ao forno!
Esses cannelloni são ligeiramente adaptados de uma receita de Jamie Oliver, de um programa que começará semana que vem no GNT (Jamie at Home, que também virará livro) mas que há já algum tempo eu seguia na internet. A receita original levava também brócoli romanesco e couve-flor e usava crème fraîche ao invés de molho branco. Esses cannelloni são fáceis de fazer mas exigem algumas etapas que podem soar trabalhosas...
CANNELLONI DE BRÓCOLIS
(adaptado do programa Jamie at Home)
Rendimento: 4 porções generosas ou 3 monstruosas
Tempo de preparo: 1 hora + 40 minutos no forno
Ingredientes:
- 2 colh. (sopa) de azeite de oliva
- 2-3 dentes de alho fatiados fino
- 2-3 filés de anchova de qualidade
- 1/2 colh. (chá) de pimenta calabreza seca
- 1 brócoli inteiro e grande, bem verde e bonito, de florzinhas bem fechadas
- 1 xic. passata di pomodoro Raiola ou Annalisa (polpa de tomate peneirada, sem tempero, sem sal e sem conservante)
- 1 colh. (chá) de vinagre de vinho tinto
- 1 colh. (sopa) bem cheia de manteiga sem sal
- 1 colh. (sopa) de farinha de trigo
- 1 xic. leite integral
- pimenta-do-reino moída na hora
- sal marinho
- queijo parmesão ralado
- 1 bola média de mozzarella de búfala (opcional)
- 1/2 pacote de cannelloni Barilla (cerca de 10 a 12 tubos)
Preparo:
- Coloque uma panela bem grande com bastante água para ferver. Enquanto isso, lave o brócoli para tirar qualquer sujeira ou bicho e quebre-o em pedaços menores. Pique os talos mais duros. Quando a água ferver, coloque 1 colh. (sopa) de sal e o brócoli e tampe. Conte uns 6 minutos a partir do momento em que a água voltar a ferver. Escorra e reserve.
- Seque a panela, aqueça nela o azeite em fogo médio e refogue o alho. Quando ele começar a dourar, junte as anchovas, com cuidado pois elas espirrarão o óleo.
- Junte a pimenta e misture com uma colher de pau para desmanchar as anchovas. Junte o brócolis escorrido e misture bem para cobri-lo com o tempero. Abaixe o fogo e tampe. Deixe cozinhando até que ele se desmanche, mexendo de vez em quando para não queimar. Se começar a pegar no fundo, acrescente um pouquinho de água e tampe. Demorará de 20-30 minutos, dependendo da sua panela, da intensidade da chama do seu fogão e do tamanho dos pedaços de brócoli.
- Vá amassando com a colher, e quando tiver virado um purê verde claro, tire do fogo e espalhe em uma assadeira grande, para que esfrie mais rápido. Enquanto isso, faça os molhos.
- Misture o vinagre com a passata e tempere com sal a gosto, despejando no fundo de uma travessa refratária. Reserve.
- Coloque o leite em uma panela e aqueça em fogo baixo. Enquanto isso, derreta a manteiga em outra panela pequena e junte a farinha, mexendo rapidamente com uma colher, até que vire uma massinha amarela.
- Continue mexendo em fogo baixo, até que o amarelo escureça um pouco, então derrame um poquinho do leite quente (cerca de uma colher) e misture rápido com um garfo para quebrar os grumos.
- Vá repetindo isso até clarear a mistura, parecendo-se mais com o molho branco. Então vá derramando quantidades maiores de leite, sempre mexendo muito para que não se formem grumos. Mexendo ainda, deixe que o molho branco engrosse até que cubra com uma película grossa as costas de uma colher.
- Desligue o fogo, tempere com sal e pimenta-do-reino a gosto e junte um punhado generoso de parmesão ralado. Experimente. Acerte as quantidades.
- Pré-aqueça o forno em temperatura média (190ºC). Preencha os tubos com o brócoli já morno (com uma colher de chá ou um saco de confeiteiro improvisado*), e disponha-os na travessa sobre o molho de tomate. Salpique um pouco de pimenta-do-reino e derrame o molho branco por cima. Coloque mais um bom punhado de queijo ralado e, se quiser, pedaços da mozzarella. Leve ao forno por 30-40 minutos, até que esteja dourado em cima e a massa dos cannelloni esteja macia (teste com um garfo).
Batatas ao curry

Se eu me deixar tomar pela preguiça culinária, não farei nada além de macarrão todos os dias. E geralmente é o que acontece no final do mês, quando acredito já ter gasto uma fortuna com supermercado e tento usar o que há na despensa sem comprar mais nada, nada. Os ingredientes frescos são os primeiros a serem consumidos, e eu acabo com muitas massas, latas de tomate e queijo. O que faz com que você deseje ardentemente começar o mês com qualquer coisa que não tenha sotaque italiano.
As batatas estavam sentadas em minha mesa havia já um tempo, e eu não me inspirava a fazer nada com elas, quando me lembrei de uma receita muito fácil que eu fizera um dia. A receita original pedia batatas bolinha com casca e era bastante comedida nos temperos, resultando num prato um pouco sem graça de batatas que não haviam absorvido o molho. Resolvi pegar então minhas batatonas Asterix, que têm uma linda casca rosa e são excelentes para fazer gnocchi, e fatiá-las, com casca mesmo, para que absorvessem melhor o tempero. Fui generosa com o curry em pó e especialmente exagerada com o gengibre ralado. Passas e leite de coco eu tinha na despensa, mas nada de coentro fresco. Dá-lhe salsinha mesmo, para não me obrigar a ir ao supermercado e gastar mais dinheiro. Para acompanhar, cozinhei um pouco de arroz de jasmim, um arroz branco muito aromático vastamente utilizado na culinária asiática. Se perfume é tão característico, que ele costuma ser cozido assim, apenas na água, sem nem mesmo sal. E nada combina melhor com um prato cremoso e apimentado como este. Claro, ele não é obrigatório. Você pode servir o curry com arroz comum, refogado em cebola, salgado normalmente.
BATATAS AO CURRY
Rendimento: 2 porções
Tempo de preparo: 40 minutos
Ingredientes:
- 2 colh. (sopa) de óleo vegetal
- 1/2 cebola picada
- 2 dentes de alho pequenos ou 1 grande picados
- 1 colh. (sopa) de gengibre fresco ralado
- 1 colh. (sopa) bem cheia de curry em pó
- 350-400 gramas de batatas com casca, em fatias grossas (1 cm)
- 1 cubo de caldo de legumes dissolvido em 1 e 1/2 xic. de água
- 1/2 xic. de leite de coco
- 2 colh. (sopa) farinha de trigo
- sal a gosto
- 1/2 xic. de passas escuras sem caroço
- Um punhado de salsinha picada
Preparo:
- Dissolva a farinha de trigo no leite de coco e reserve.
- Refogue em fogo médio a cebola e o alho no óleo em uma panela que que possa conter as batatas depois, até amaciar a cebola. Não deixe o alho queimar. Junte o gengibre e misture bem por 1 minuto.
- Junte as batatas e o curry e misture bem, para cobrir as batatas nos temperos. Despeje a água com o cubo de caldo e o leite de coco. Misture bem e deixe ferver. Abaixe um pouco o fogo e tampe, cozinhando por cerca de 20 minutos, ou até que as batatas estejam cozidas mas não desmanchando.
- Desligue o fogo. Experimente e acerte o sal. Misture as passas e sirva com a salsinha picada por cima.
A saga do móvel da cozinha

Enfim, após longa espera e várias mudanças de humor e opinião, chegou o móvel novo de minha cozinha! Aqueles que já foram à minha casa (e que seguem o blog desde o começo) sabem que muitas foram as soluções improvisadas em minha cozinha para acomodar todas as quinquilharias, devido, principalmente, ao fato de não termos espaço para um escritório.
Começamos com a mesa de jantar na cozinha, o que era ótimo para preparar comida e péssimo para desfrutá-la entre convidados. Trocamos a mesa de jantar, então, pela escrivaninha do computador, menor, ainda bom para cozinhar, mas trabalhoso para receber gente em casa, pois tínhamos de desmontar os computadores para usar a mesa na sala. Com um pouco de quebra-cabeça, descobri que a escrivaninha com os computadores e a mesa de jantar caberiam sim na mesma sala, tornando o ambiente perfeito para jantares com os amigos, mas minha cozinha ficou vazia e minha pobre batedeira ficou sobre uma cadeira solitária. Durante dois meses, fiquei completamente sem paciência para cozinhar, pois nem mesmo minha tábua de corte cabe em minha pia. Era preciso fazer todos os preparativos na mesa da sala e sair carregando mãos cheias de ingredientes cozinha à dentro. Quando de fato conseguia cozinhar decentemente, era devido à inspiração divina.
Meu móvel chegou perfeito: com tamanho suficiente para comportar toda a minha louça e mais presentes ainda guardados em caixas, altura perfeita para fatiar e picar (ao contrário da mesa, muito baixa), um tampo de granito lisinho, lisinho, bom para sovar meus pães e abrir minhas massas, ganchos para pendurar os utensílios de uso freqüente, e uma madeira que não fere minha consciência: Pinus Eliotti de reflorestamento, tingido como Imbuia. E aproveitei toda a rearrumação de tranqueiras culinárias para instalar um rack magnético para minhas facas. Além de tudo estar muito bem organizado e de haver finalmente um espaço adequado para cozinhar, também pude trazer para a cozinha a despensa que ficava na área de serviço, liberando espaço também lá. Allex não parava de rir de minha expressão de absoluta satisfação e felicidade ao ver a cozinha em ordem e como eu sempre quisera.
Para quem quiser também igual felicidade, o projeto de móvel foi feito por minha irmã, Giuliana, dona da GPG Engenharia & Arquitetura, cujo site estou construindo, mas o contato é giulianagg@gpg-ea.com.br. A marcenaria foi executada por Reinaldo de Godoi Mendes.
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
Uma pausa...
ai, ai... Tarde ensolarada, parede da sala tingida de cor-de-laranja, cães latindo ao longe, uma motocicleta barulhenta descendo a rua acima do limite de velocidade. Ainda assim, há silêncio e calma. O apartamento está cheio de luz e um cheiro quente de pão saído do forno e brigadeiro. Eu olho em volta e percebo que tudo está exatamente como deveria estar. A perspectiva de colocar em dia amanhã todas as tarefas atrasadas pela falta de internet e falta de paciência não me assusta. Vou sentar no sofá quentinho e espremer a vista contra o sol poente para buscar nos meus livros o que fazer para o jantar. Preciso usar cebolinhas. Elas estão murchando na caneca de vidro sobre a bancada da cozinha. É muito bom por um momento não lembrar o que é pressa, stress, nervosismo, ou qualquer coisa diferente de paz.
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