sábado, 4 de agosto de 2007

Puzza di bruciato

São 4 horas da tarde e, como era de se esperar, sobe de uma origem misteriosa um cheiro de caramelo queimado que invade meu apartamento e se instala por ao menos uma hora inteira. Quando me mudei para cá, costumava sair esbaforida pela casa buscando algum ponto em chamas, ou correndo para a cozinha para verificar se esquecera alguma panela no fogo (o que já fiz algumas vezes, pois apesar de ser neurótica e perfeccionista na cozinha, sou também incrivelmente desligada). Hoje já não ligo muito, sei que o cheiro forte vem de fora, mas ainda assim vez ou outra me pego dando uma espiadela no fogão. Só para ter certeza.

As teorias para a "puzza" são muitas... No começo, acreditava ter algum vizinho inimigo da cozinha, que não conseguia usar uma panela sem estragar alguma coisa. Principalmente porque não foram poucos os dias em que minha cozinha fedeu a cebolas queimadas e carne refogada com prazo de validade vencido, odores igualmente vindos do além. Depois veio a teoria da chapa. Alguém sugeriu que a esfiharia em frente ou o boteco ao lado estaria limpando a chapa suja. Mas isso também não convenceu.

A teoria que vingou por mais tempo foi a do café. Como há um café todo chique logo em frente, que nos incomoda com o ruído constante de seu aparelho de ar condicionado todas as noites, meu marido concluiu que o cheiro de queimado só poderia vir da torra do café, na imensa máquina que eles têm lá nos fundos. Mas não sei se eles torram mesmo o próprio café... De qualquer forma, o fato de o fedor ter hora marcada serviu de apoio para a hipótese.

Anteontem, no entanto, resolvi tirar o lixo exatamente na hora do cheiro
e qual não foi minha surpresa ao senti-lo vindo escadaria acima, de dentro do prédio! E cá estou eu novamente, ligeiramente enjoada pelo odor pungente de queimado e matutando feito uma velha fofoqueira, tentanto descobrir o que diabos meus vizinhos de baixo tanto queimam... hehehe...

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