sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Torta rústica de maçã

Acordei descabelada, destrambelhada e decidida a fazer uma torta de maçã, que parece combinar perfeitamente com essa sexta-feira cinza sem nada para fazer. Tudo muito fácil, já que eu tirara do freezer um resto de massa de torta e deixara-a amolecendo na geladeira durante a noite para abri-la hoje; havia também o que sobrara do creme de confeiteiro das éclairs, e, obviamente, havia maçãs na geladeira. Lembrei-me do apfelkuchen que fizera certa vez, que levava allspice (pimenta-da-jamaica) ao invés da usual canela e fiquei muito interessada por uma torta de maçãs do FoodBeam, que usava pimenta-do-reino na massa. Coloquei todas essas informações no liqüidificador da minha cabeça e foi isso o que saiu dela.

Abri e pré-assei a massa numa forma de 20cm, espalhei sobre ela o creme de confeiteiro, fatiei uma maçã Fuji e dispus as fatias em leque sobre o creme e polvilhei por cima uma mistura, batida no pilão, de açúcar demerara, pimenta-da-jamaica, pimenta-do-reino e noz moscada. Este foi o apetitoso resultado, que estou louca para abocanhar com uma taça pequenina de vinho Marsala após o almoço.

Queria comprar essa casa e morar nela assim, como está...

Riva del Garda, Itália.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Bomba!












































































Há tempos queria tentar fazer pâte à choux, a famosa massa para bombas (éclairs), profiteroles e gougères. O que parecia dificílimo revelou-se mais fácil que qualquer outra massa que eu já tenha preparado. Em 15 minutos (contando o tempo de separar os ingredientes) você tem a massa pronta para ser moldada e assada. No entanto, é nesse momento que reside o problema: tempo de forno. Todas as minhas receitas indicavam uma temperatura alta por 10 ou 15 minutos, para ser baixada em seguida e continuar assando "até que a massa pareça seca". O problema com pâte à choux é que, caso a massa não esteja suficientemente assada, ou ela esfrie muito rapidamente, as éclairs, profiteroles, ou o que for, desinflarão como souflés fracassados, e ficarão com textura borrachosa de pão-de-queijo amanhecido. Não preciso dizer que foi exatamente esse o resultado de minha primeira fornada. Tudo porque não deixei que a massa dourasse o suficiente, acreditando que queimariam.

A segunda fornada, como vocês podem ver, foi um sucesso total. A primeira coisa que fiz foi usar meu cérebro de designer e fazer um "template" à lápis no papel manteiga, para que, na segunda tentativa com o saco de confeitar, as bombas saíssem todas do mesmo tamanho. Encontrei depois uma receita de David Lebovitz, que dava um tempo de forno de mais ou menos 25-30 minutos, que foi exatamente o que levou para que as bombas dourassem e secassem. Abri o forno e, seguindo sua dica, espetei as éclairs com uma faquinha, para que o vapor se dissipasse e elas secassem bem por dentro. Fechei o forno desligado e deixei que esfriassem ali, devagarinho. Perfeição!

Depois da tarde preparando massa e aprendendo (de uma vez por todas) a usar meu saco de confeitar sem parecer que houve um acidente industrial em minha cozinha, resolvi manter as coisas simples, e preparei um crème pâtissière para o recheio e uma ganache simples para a cobertura. Ainda tenho muito a aprender a respeito de decoração em confeitaria, mas isso com certeza vem com o tempo e com a prática. O importante é que elas ficaram absolutamente deliciosas. O bom é que sobrou um pouquinho de tudo. A pâte à choux que sobrou no bico de confeiteiro e não coube no tabuleiro, virou imediatamente profiteroles assados no outro forno; o crème pâtissière restante foi guardado na geladeira (coberto por filme plástico, para não criar película) e virará recheio de torta. E a ganache... bom, ainda não sei o que fazer com ela.

ÉCLAIRS
(adaptado do livro Professional Baking e website de David Lebovitz)
Tempo de preparo: 15 minutos + 30 minutos de forno
Rendimento: cerca de 20-25 éclairs


Ingredientes:
  • 170g de leite, água ou metade de cada um
  • 85g de manteiga sem sal
  • 2g de sal
  • 5g de açúcar
  • 125g de farinha para pão peneirada
  • 4 ovos extra-grandes
Preparo:
  1. Coloque em uma panela grande o leite, a água, a manteiga, o sal e o açúcar e leve à fervura. É importante que o líquido ferva com força, ou a gordura não ficará espalhada uniformemente na massa.
  2. Em fogo médio, jogue toda a farinha de uma vez sobre o líquido fervente e mexa vigorosamente com uma colher de pau, até que a massa esteja amarela e forme bolas, soltando-se das laterais da panela (não deve levar nem 1 minuto).
  3. Coloque a massa na tigela da batedeira planetária com a pá e ligue em velocidade baixa (1) para que esfrie um pouco (até parar de sair vapor). Aumente a velocidade para média (3-4) e acrescente os ovos, um a um, esperando que cada um seja muito bem absorvido antes de juntar o próximo.
  4. Quando todos os ovos tiverem sido absorvidos, desligue a batedeira e coloque a massa num saco de confeitar. Em uma assadeira forrada de papel-manteiga, forme tiras de cerca de 2x10cm, afastadas 2cm umas das outras. Leve ao forno pré-aquecido a 215ºC por 10 minutos, para inflarem. Abaixe o fogo para 190ºC e deixe por mais 15-20 minutos, até que dourem bem. Desligue o fogo. Faça espete a lateral das bombas com a ponta de uma faca para que o vapor saia, feche a porta do forno e deixe que esfriem no próprio forno, para secarem bem.
  5. Quando estiverem frias, faça um furo em uma das extremidades com uma faca (suficiente para encaixar o bico de confeitar mais fino) ou abra-as como um sanduíche e recheie-as com creme de confeiteiro, mousse ou sorvete.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Salada de grão-de-bico e rúcula

Fiquei morrendo de dó ao preparar as sardinhas, quando vi a quantidade que sobrara da mistura de pão, castanhas, queijo e ervas. Por isso, guardei-a na geladeira, pensando o que fazer com ela.

Hoje no almoço, misturei-a a grãos-de-bico cozidos, temperei com azeite, suco de limão, pimenta-do-reino, pimenta calabresa e sal e juntei a um punhado de rúcula selvática. Minha intenção, tendo já o picante da rúcula, o azedume do limão, o frescor da salsinha, o doce dos grãos-de-bico e das castanhas de caju e o calor das pimentas, era completar o prato com um punhado de azeitonas pretas salgadas, mas deparei-me com meu vidro de azeitonas gregas na geladeira cheio de líquido e sem azeitonas. Usei no lugar um filé de anchova, mas, apesar de ter ficado saboroso, não era exatamente o que eu queria. As azeitonas teriam dado o toque exato de que eu precisava, sem o retrogosto de peixe. Também apenas as pimentas secas não foram suficientes. Mas como minha pimenteira produtiva está ainda crescendo de volta, e meu outro pé (que ficava do lado de fora do apartamento e salvou-se do ataque assassino do cão) anda prá lá de preguiçoso, então não pude usar pimenta fresca, outra ausência sentida no prato.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Único escritório do mundo em que você não se importa se seu colega de trabalho coloca a cabeça no seu colo e pede carinho...

Sardines Panées

Fui dormir ontem à noite folheando uma revista francesa Saveurs, de Agosto. Quando vi as sardinhas empanadas, fechei a revista, os olhos e adormeci pensando no almoço do dia seguinte.

Hoje, preparei-as, comi-as, lambi os dedos. Delícia. Mas sei que elas nunca mais terão esse gosto, não importa quantas vezes repita a receita. Pois ao invés da ciabatta amanhecida esfarelada, usei as últimas duas broinhas de fubá que haviam restado, sequinhas, sequinhas. O sabor sutil da erva-doce das broas com certeza enriqueceu o tempero das sardinhas. Substituí também os pinoli requisitados por castanhas de caju bem picadas, e, por fim, a menta por manjericão. Por último, as sardinhas usadas na revista tinham pele e ainda as barbatanas do rabo, mas as únicas sardinhas em lata que eu tinha eram do tipo sem pele e sem espinhas. Está bem, é praticamente outra receita. O importante é que ficaram perfeitas sobre uma cama de rúcula selvática, meu tipo favorito, mais suave.

SARDINHAS EMPANADAS
(Adaptado livremente da revista Saveurs, edição de Agosto de 2007)
Tempo de preparo: 30 minutos
Rendimento: 2 porções


Ingredientes:
  • 50g de broa de milho amanhecida
  • 30g de queijo parmesão ralado
  • 1 punhado de salsa picada
  • 20g de castanhas de caju picadas
  • algumas folhas de manjericão picadas
  • 1 lata de sardinhas sem pele e sem espinhas (cerca de 6 filés)
  • 1 ovo extra-grande
  • 2 colh. (sopa) de farinha de trigo
  • 2 colh. (sopa) de azeite de oliva
  • sal e pimenta-do-reino a gosto
Preparo:
  1. Esfarele o pão até virar pó. Misture-o ao queijo, castanhas, salsa e manjericão. Em outra tigela, bata o ovo com uma colherinha de leite ou água.
  2. Espalhe a farinha em um prato. Pegue os filés e, um a um, passe-os na farinha, depois no ovo batido e em seguida na mistura de pão, cobrindo-o o mais possível e separando as sardinhas empanadas em um prato.
  3. Aqueça o azeite em uma frigideira. Doure as sardinhas em fogo baixo por 3-5 minutos de cada lado. Tempere-as com sal e pimenta-do-reino moída na hora sobre uma salada de rúcula.

Ana Corre!

Neste domingo não houve experimentos culinários. Não que eu não quisesse. Passei a tarde toda abrindo e fechando porta de geladeira, olhando em volta, na vã esperança de que um bolo surgisse espontaneamente sobre a mesa da sala, por um passe de mágica. Estava simplesmente cansada demais para cozinhar. Razão pela qual o almoço foi pastel de feira e o jantar, comida chinesa.

O motivo do cansaço começou na noite anterior. Talvez fosse ansiedade, talvez fosse apenas culpa do cão, insone, que vagou de um lado para o outro do apartamento durante toda a noite; seja qual for a razão, tive insônia das bravas de sábado para domingo. Péssimo momento para isso: justamente no domingo tive de acordar às 5 horas da manhã, tomar meu café e pão com manteiga, vestir a roupa de ginástica, o tênis de corrida e ir pegar o carro da minha mãe (a uns 3 quarteirões de casa) para dirigir-me ao estacionamento do World Trade Center. Para quê, você pergunta, para quê? Para então pegar o ônibus fretado que me deixaria, às 7 horas da manhã, na largada da Nike 10k, na Cidade Universitária.

Mencionei que estava chovendo? Contei o detalhe da chuva torrencial às 5 da manhã? Falei da burrada de ir com o tênis no pé até o estacionamento pegar o carro? Preciso dizer que antes da largada, às 8 horas, quando ainda chuviscava, meus pés já estavam completamente encharcados? Não, não preciso dizer. Fazia o aquecimento e olhava para meus tênis, pensando "olá, bolhas!".

Bom, a despeito da insônia, da chuva, das bolhas, e do DJ sofrível contratado para tocar durante o evento, diverti-me muito com outras 24.999 pessoas. O que me fez pensar seriamente no poder da mídia e de marcas como a Nike, que conseguem convencer 25 mil idiotas (inclusa esta que vos fala) a pagarem 60 reais para se vestirem de azul e correrem 10 quilômetros debaixo de chuva. É... Para quê? Para quê? Para que eu e todos os outros idiotas possamos nos sentir orgulhosos e satisfeitos. Eu, pelo menos, sinto-me assim. Primeiro, porque foi minha primeira prova de 10k. Segundo, consegui fazer o percurso em 5 minutos menos do que esperava: 1 hora, 1 minuto e 53 segundos; ou seja, 6 minutos e 12 segundos o quilômetro. Terceiro, porque cheguei em 8.597º lugar. Tá, não é ouro, mas pelo menos eu fui melhor do que 16 mil pessoas. Hehehe... Quarto, porque, preciso lembrar-me disso: há 6 meses atrás eu não corria 300 metros sem ter meu coração fugindo pela boca.

Então, parabéns para mim! O descanso no domingo foi merecido. Agora, de volta às panelas.

sábado, 10 de novembro de 2007

How to Cook Your Life

Hmmm... isso no mínimo me deixou curiosa. Sendo sobre comida, bem, é lógico que acabarei assistindo ao filme. Gostando de Zen (ok, ok, já li Osho, gostei do cara, surtei um pouco), sei que também por isso verei o filme. A proposta tem tudo a ver comigo: aprender a tirar o máximo de proveito das coisas mais mundanas da vida, mas não num sentido carpe-diem, mas como um modo de valorizar, apreciar, concentrar-se em cada atividade e agradecer por elas. Cozinhar é apenas mais uma dessas atividades a ser valorizada, assim como o modo como você lida com seus ingredientes e o modo como você aprecia sua comida.

Para quem se interessar, visite o site oficial do filme.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Pontilhado de vermelho

Ontem fui chamada à casa de minha irmã para ajudá-la com esta torta de cerejas, feita a partir de uma receita do livro que lhe dei de aniversário. Foi, portanto, uma produção conjunta. A receita pedia por cerejas em conserva e uma boa quantidade de ovos no recheio. Apesar de saborosa, deixou-me tentada a experimentá-la com cerejas frescas e uma proporção menor de ovos em relação ao creme, para um sabor ligeiramente mais delicado. Mas é uma mera questão de gosto. Ainda assim, aprovadíssima!

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Iêeeeei! La Cucinetta sofre cirurgia plástica!

Ui! Demorou, mas finalmente me dei ao trabalho de alterar a cara desse blog. Ainda não sei se o manterei assim por muito tempo. É capaz que eu caia na mesma inconstância do site da minha agência, a AnEgg (d+i), e fique alterando o layout conforme meu humor.

O bichinho lá em cima é um personagem muito querido, que criei há alguns anos, a Nonna. Todo mundo já teve uma avó com essa carinha, e é justamente uma avó assim que pretendo ser um dia. Nada de avó plastificada, se alimentando de pílulas e passeando no shopping com neto. Seguindo a tradição da família, "eu não dou amor, eu dou comida"!

Peço apenas um pouquinho de paciência para que eu possa retornar aos posts antigos e arrumar as receitas segundo o novo padrão (ninguém merece ler texto amarelo sobre fundo branco!). Espero que gostem!

Cozinhe isso também!

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