sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Zuppa di Farro

Minha casa inteira está com cheirinho de feijão no fogo, cozido com alho, sálvia e alecrim. Talvez por isso tenha me lembrado dessa sopa sensacional, pela qual o Allex tira o maior sarro da minha cara, mas eu sempre digo: é a melhor sopa de feijão que já comi.

Por um tempo acreditei que fosse por causa do lugar. Eu estava em uma trattoria muito gostosa e aconchegante em Lucca, uma cidade no meio da Toscana, após horas caminhando com uma mochila de 15kg nas costas. Pedi a sopa, especialidade local, um vinho Chianti, que casou muito bem com a robustez da sopa, e, de sobremesa, uma estranheza: torta coi becchi, ou torta de verduras. Pois é, sobremesa de espinafre e escarola! Incrivelmente doce e saborosa, não me importa o quanto torçam o nariz para ela.

Fiquei completamente noiada na sopa quando voltei para o Brasil, mas não conseguia o ingrediente principal, responsável por parte do sabor e muito da textura: o Farro, uma espécie de trigo cultivada desde a época dos romanos. Até o dia em que o encontrei, cerca de 2 anos depois, numa prateleira no Santa Luzia. Benzadeus! Fui direto para a cozinha. Farro, feijões borlotti, cannelini, alecrim, alho, passata di pomodoro, e eccola: zuppa di farro. Um fiozinho de azeite por cima, pão rústico para chuchar na sopa, e eu estava nos céus! Só faltou estar na Toscana bebericando Chianti local.

Não consigo! Não consigo! Não consigo!

Olha só o estrago... Fui ao supermercado apenas para comprar um osso novo pro Gnocchi e um pouco de leite (que o Allex parece um bezerro, tanto leite que toma). O tempo todo, cestinha no braço, pensando: "não vou comprar mais nada, não vou comprar mais nada". Aí olho pro lado e vejo latas de feijões orgânicos. Hummm... Prático e ético. Viro a cabeça e vejo um envelope de lactobacilos vivos. Oba! Iogurte caseiro do zero! Aí esbarro na farinha orgânica da Cotrimaio e lembro que não tem pão em casa. Pão quentinho! Pão quentinho! E por fim, dou um encontrão nessa lata linda de açúcar mascavo orgânico! Pago o preço da lata e não do açúcar, mas como eu vou resisitir a deixar meu açúcar ali dentro? Aaaaaaaaaah! Vício total em comprar comida! Algumas mulheres gastam com sapatos, eu gasto com comida! Alguém deveria me proibir de entrar no Santa Luzia! Como eu adoro aquele lugar!

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

E dura tanto tempo?

Eu ia responder ao comentário deixado agorinha no post das abóboras, mas resolvi transformar isso também num post. Uma vez, plantei tomates. Tomates-cereja, minúsculos, ainda mais minúsculos por serem plantados em um apartamento sem condição nenhuma semelhante ao mais apropriado para os pobrezinhos. Ainda assim, colhi tomates. Vermelhinhos e perfeitos, sem doença nenhuma, à parte seu tamanho. Colhi-os, e eram tão poucos, e tamanho o dó de comê-los, que deixei-os na prateleira da cozinha, por uma, duas, três, quatro semanas. E todos os dias eu olhava para os tomates e eles ali, bonitinhos, vermelhos, sem nenhuma nuance de quererem estragar. Para não dizer que eu sou louca, os tomates de minha mãe fizeram o mesmo. E minhas pimentas também são assim. E as cenouras que compro na feira, com a rama, ficaram 1 mês e meio em minha geladeira até que eu resolvesse comê-las: e estavam perfeitas.

Tudo isso me fez matutar muito com minha mãe: QUANTO TEMPO as verduras ficam no estoque dos supermercados antes de serem embaladas e levadas às prateleiras??? Porque, veja bem, eles sempre indicam a data em que foram embalados, mas nunca quando foram colhidos. Por que os tomates comprados nos supermercados — mesmo os orgânicos — não duram mais que uma semana na geladeira??

Boa parte dos vegetais disponíveis nas feiras e nas cestas orgânicas é colhida na mesma semana. Outra garantia de durabilidade dos meus vegetais orgânicos é minha fantástica centrífuga de saladas. Até morangos eu passo por ela, garantindo que não reste uma gotinha de água que possa acelerar sua decomposição. Assim que compro minhas folhas, separo-as, lavo-as, passo na centrífuga e embalo em tupperware ou sacos plásticos, com uma ou duas folhas de papel toalha dentro, que ajuda a absorver qualquer água restante. As folhas de salada mantêm-se frescas e crocantes por 2-3 semanas, dependendo da folha.

Por isso, minhas abóboras vão durar. Ah, se vão.

Latas amarelas

Houve um Natal em que Allex me deu essa latinha de manteiga italiana. Ainda que muitos tenham tirado sarro do presentinho, eu DE FATO adorei, pois sempre falei da superioridade dos laticínios italianos em relação aos brasileiros. Ao contrário das nossas supostas melhores manteigas, amarelas, cheias de soro, a manteiga italiana é pura gordura, branquinha que nem leite, e de sabor muito mais delicado.

No dia 7 de julho, quando comemoramos 6 anos, comprei-lhe uma latinha igual, lembrando-o daquela delicadeza que ele me fizera. (E sim, antes que você morra de tanto rir, eu sou assim mesmo: não me dê diamantes, me dê comida.)

O bom é que, ao contrário da lata da manteiga Aviação (que não é minha preferida; manteiga salgada tem qualidade inferior e o sal é usado para disfarçar; das sem sal, gosto da Itambé, mais branquinha), a lata da Soresina tem uma daquelas tampas metálicas que saem num puxão só, sem deixar rebarba, e vêm com a tampa extra de plástico. Ou seja, são reutilizáveis. Ainda não sei o que guardarei nelas. Provavelmente temperos. Mas você há de convir que elas são muito bonitas para se jogar na reciclagem; ainda mais porque adoro embalagens com design antigo...

Abóboras orgânicas

Para 2 pessoas, cada uma dessas abóboras virará um prato diferente. O desafio é cozinhar pelo resto do mês sem pular no supermercado de novo. Estou pensando em começar com cannelloni: abóbora assada, amassadinha com queijo parmesão, sal, pimenta-do-reino, noz-moscada, biscoitos amaretti, e sálvia passada na manteiga; tudo dentro dos cannelloni regados com molho branco, queijo e para o forno.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Torta di carote

Havia semanas que essas cenouras estavam me olhando de dentro da geladeira. Como chegaram mais na cesta orgânica, resolvi me dar o luxo de fazer um bolo com elas (aproveitando também que o Gnocchi estava dormindo). Adoro bolo de cenoura com café de manhã cedo.

Ao invés de usar a receita dummy proof de minha mãe (a mesma que explodiu no forno da outra vez), resolvi testar essa outra, que leva farinha de amêndoas e limão siciliano, igualmente dando sopa na despensa. A receita é deste livrinho pequenininho e todo ilustrado que comprei na itália. Quando li o nome "Torte Rustiche come le faceva la nonna" (bolos rústicos como fazia a vovó) e vi que ele era todo diagramado como se fosse de fato um caderninho antigo, não resisti. A verdade é que, como as receitas de nossas avós, as indicações podem ser muito enganosas. Nenhuma delas indica tamanho de forma, para começar. E às vezes surgem ingredientes estranhos, em italiano, como é o caso desse bolo, que leva "frumina". Google nele, e descobri que frumina é amido de trigo ("frumento" em italiano). Como nunca vi isso na minha vida, usei amido de milho mesmo (Maizena). Também descobri que eu tinha só 150g de amêndoas ao invés de 200g, então acrescentei 50g aos 100g de farinha.

O que achei estranho nesse bolo foi o tempo que ele ficou no forno. O livro pedia 50-60 minutos em forno a 200ºC. Só que meu forno pré-aqueceu demais e acabou ficando nos 220ºC, e não dava para esperar esfriar, pois a massa levava claras em neve e o bolo corria o risco de perder volume. O que aconteceu foi que 20 minutos depois ele já estava lindo e exalando cheiro de pronto. Não, pensei, estou enganada, vou deixar mais tempo. Ledo engano. O cheiro de pronto virou cheiro de queimado. Quando completou meia hora, resolvi dar o braço a torcer e tirá-lo do forno. Palito espetado no meio e ele me pareceu prontíssimo. Desenformei e tirei o papel-manteiga, para descobrir que o fundo dele estava pretinho-pretinho. Lá vou eu com faca de pão tirar 2mm de fundo do bolo. Coloquei num prato, tirei foto que é de praxe, e agora estou esperando para experimentar e ver se está comível ou se as substituições e forno louco estragaram a receita.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Cesta orgânica

Fazia muito tempo que eu não pedia dessa cesta. Comprava-a de vez em quando ainda morando com meus pais. Mas na época ainda estavam começando a aparecer os orgânicos no supermercado, e minha mãe ainda não achava que valia a pena pagar mais caro por cenouras menores. Também, habituada a comprar sempre os mesmos vegetais e "um pouquinho todo dia", ela se atrapalhava muito com aquela geladeira cheia de repente, muitas vezes com algum legume que ela nunca cozinhara antes.

Continuei recebendo a mala-direta da empresa ainda assim, mas quando me mudei, acabei não pedindo. Os supermercados pareciam ter uma boa oferta de orgânicos a um preço mais em conta. Ainda que me incomodassem as embalagens de isopor e o fato de os legumes estarem na geladeira. Também a data de embalagem é sempre de pelo menos 1 semana antes. Hum...

Recentemente, resolvi abrir novamente a planilha de produtos que eu vinha recebendo e apagando semana após semana. Aparentemente a boa onda dos orgânicos nos mercados da região havia passado, e seus preços dispararam novamente. Quem quer pagar R$5,60 em 250g de morangos??? Ou R$6,00 por 3 abobrinhas?

Não quis me enganar, no entanto. Abri a planilha ao lado do site de compras do Pão de Açúcar (odeio esse supermercado) e comecei a comparar os preços. Uma mesma cesta de vegetais, que custa R$34,00 com taxa de entrega na planilha, sairia por não menos de R$50,00 no supermercado do bairro! Não tive dúvidas. Pedi minha cesta, junto com mais 600g de limão tahiti e 600g de limão cravo. A danada chegou hoje. Todos os vegetais foram colhidos e selecionados neste fim-de-semana. Alguns vieram mais bonitos do que outros, mas como eu vivo plantando coisas aqui em casa, sei que não é NADA fácil manter as plantas livres de pragas ou manchinhas sem usar qualquer coisa muito tóxica. Por R$37,50 (taxa de R$5,20 inclusa), chegaram em casa limões tahiti, limões cravo, morangos, tomates para salada, cebolas, alfaces americanas e crespas, couve, cenouras, beterrabas, abóboras, cebolinhas e salsinha. Comida que, para duas pessoas, dura 1 mês inteiro. Já estou planejando couve refogada, bolo de cenoura, risotto de beterrabas, ravioli de abóbora, saladas, creme de limão cravo, morangos com vinagre balsâmico, sopa de cenouras com gengibre, beterrabas no forno, semente de abóbora torradinha, torta de limão, risotto de abóbora com sálvia, de cenoura com laranja... Tanta coisa! Vontade de fuçar agora nos meus livros e procurar receitas.

Se você também quiser (e morar em São Paulo), eles entregam uma "cesta de solteiro", com menos coisas, ou você pode escolher o que quer, item por item, sem valor mínimo para entrega.

Vá lá: Caminhos da Roça.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Jantar difícil


Estou orgulhosa de mim mesma. Sexta-feira passada, tinha convidado um amigo para jantar conosco. Planejei um cardápio de três pratos: uma pissaladière (espécie de pizza de cebolas francesa), fettuccini ao gorgonzola e uma salada. Comprei o vinho. Montei a mesa com minha toalha nova. Fiquei de olho no relógio o dia todo, com tudo cronometrado para que a pissaladière saísse quentinha do forno ao mesmo tempo que o macarrão ficasse pronto. Neura total. Aí as coisas começaram a dar errado.

Primeiro, meu convidado (que chegaria às 20h30), disse que teria de ir embora às 22h, o que é sempre um balde de água fria, quando se espera ficar muito tempo na mesa batendo papo. Segundo, meu marido me liga e diz que o cãozinho que adotáramos deveria ser pego no final daquele dia, o que queria dizer que ele chegaria bastante atrasado ao jantar. Liguei para nosso amigo e ele disse que não havia problema, então, também não tinha problemas para mim. Quando faltava já 1 hora para que ele chegasse, minha pissaladière crescia na bancada e o molho do macarrão já estava pronto, apenas esperando a massa, Allex ligou novamente, dizendo que deixaria o Gnocchi em casa e voltaria para o escritório para continuar trabalhando. Hora extra já me dá nos nervos normalmente. Quando ela atrapalha meus planos, então... Falei mais uma vez com nosso convidado, mas desta vez ele achou melhor deixar para lá, pois achava que estava dando muito trabalho, e seria melhor marcar para outro dia.

Ok, disse eu, pensando o que faria com tanta comida e ninguém para jantar. Esse tipo de coisa costuma me tirar do sério, mas, desta vez, respirei fundo e liguei para meu melhor amigo, que aceitou o convite imediatamente. Comemos metade da pissaladière, bebemos todo o vinho, conversamos, brincamos com o novo cãozinho recém-chegado, e, no fim das contas, a noite foi incrivelmente agradável.

Gnocchi!



Essa coisinha gostosa é o novo habitante da minha casa. Depois de devolver a cadelinha aos meus sogros, ficamos morrendo de vontade de ter um bichinho fazendo bagunça em casa. Então pegamos esse filhote de 2 meses de Border Collie que estava para adoção. É claro que o nome dele tinha de ser Gnocchi!

Não se deixem enganar pelo olhar verde e dengoso. Ele é uma pestinha hiper-ativa-mega-inteligente, que já roeu plantas, móveis, colchas, tênis, dedos (ai!), mas que em 2 dias (nunca vi coisa igual) já aprendeu onde se aliviar.

Será uma delícia ter a companhia desse gnocchettino de chocolate todos os dias.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Mais um quitute italiano de viagem


Esse é outro quitute trazido por meus sogros, e eu achei a idéia fantástica. É apenas um pacotinho com um monte de tipos de feijões, lentilhas, ervilhas e cereais, para fazer minestrone. A embalagem sugere que você apenas coloque tudo dentro da panela com água e qualquer outro legume à disposição e cozinhe por uns 40 minutos. Os grãos de cozimento mais rápido se desmancham, engrossando a sopa, e os outros ficam no ponto certo, com os cereais para dar mais textura. Ainda não experimentei, mas achei incrivelmente prático para quem mora sozinho ou em dupla, como eu. É sempre ruim comprar a infinidade de grãos específicos pedidos pelas receitas, e você demora muito para usar tudo, se é que consegue. Eu já demorei 1 ano para gastar 1kg de feijão. Principalmente porque eu sempre esqueço de deixar de molho no dia anterior, e aí acabo inventando de fazer outra coisa e os feijões ficam lá, no pote de vidro, olhando para mim, rejeitados e abandonados. Eu nunca vi uma seleção de grãos para sopa dessa forma aqui no Brasil, a não ser que venha pré-cozido e com temperos prontos... Eca... Esse pacote vem com feijões brancos, borlotti, azuki, ervilhas, lentilhas comuns e vermelhas, farro e cevada. Nham-nham... Você fica saudável só de ler o rótulo.

Cozinhe isso também!

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