quinta-feira, 20 de julho de 2017

Crepes de centeio, uma casa sem coisa nenhuma

Prometo que vou voltar a tirar fotos bonitas para o blog. ūüėõ
"Mamãaaae! Mas agora não tem mais espaço pra fazer a massa do pão! Como você vai fazer, mamãaaaae???"

Ah, Laura. Acho que n√£o vai ter p√£o de jeito nenhum, agora que meu forno resolveu cometer suic√≠dio, num ato de revolta contra o fato de ser o √ļnico eletrodom√©stico da casa que n√£o ser√° vendido. V√™-se logo por qu√™. Foi bom, no fim das contas, o danado desistir da vida, pois assim pude terminar de me livrar de assadeiras e travessas refrat√°rias que n√£o tinham mais nenhuma fun√ß√£o. Ainda que seja uma dor de cabe√ßa ter que pensar em refei√ß√Ķes que possam ser feitas exclusivamente na chama do fog√£o.

Na cozinha, h√° ainda aquele m√≥vel de madeira com tampo de granito, que ser√° doado sabe-se l√° pra quem. Ele anda acomodando os √ļltimos copos e pratos e as √ļnicas duas tigelas da casa, as de vidro. Nesta semana requentei na frigideira os √ļltimos waffles congelados e fiz a √ļltima leva de panquecas com o que sobrou da farinha branca. Cada farinha que acaba faz seu respectivo pote de vidro sumir para a pilha do UT - A Fronteira Final. Sobre o tal m√≥vel, jaz ainda a cafeteira e o kettle, porque ningu√©m aqui sobrevive sem caf√© e sem ch√°. Sem sof√°, ok. Sem caf√©, de jeito nenhum.

Thomas comenta com Laura durante o jantar: "Olha só... estão acabando as coisas de cozinha para cozinhar... E o alimento também." - Afinal, a geladeira tem só o mínimo necessário para dois dias, para podermos limpar tudo e entregá-la rapidamente. Também porque mamãe anda sem nenhuma paciência para grandes aventuras culinárias. Sanduíche, por favor.

Almoço e janto de pé, apoiada à pia, pois agora que o frio chegou, é impossível sentar no chão sem congelar a busanfa.

A mesa do jardim veio para a cozinha para acomodar os √ļltimos itens da despensa. A mesinha verde est√° l√°, o mini-restaurante das crian√ßas, e vira e mexe paro para tomar meu ch√° com bolo ali, mal acomodada naquela cadeirinha miniatura, e rio de mim mesma, dessa situa√ß√£o rid√≠cula em que nos colocamos.

Prometo sim. ūüė£

 Ch√° com bolo sim, pois enquanto ainda tinha alguns ingredientes, usei o forno de minha m√£e para preparar O TAL BOLO DE IOGURTE, que ganhou vers√£o m√°rmore, de chocolate e laranja (bastou separar 1/3 da massa, juntando 1/4 xic de cacau - o que sobrara - a ela, e ao resto, raspas de laranja e uma dose generosa de Cointreau, e ent√£o despejar alternado na forma, fazendo o zigzag com a faca antes de levar ao forno) e vers√£o lim√£o com sementes de papoula (juntando o suco e as raspas de 1 lim√£o √† massa e o que eu tinha de sementes de papoula ainda, cerca de 3 colh. de sopa). Agora que minha farinha e minha paci√™ncia acabaram, acabaram tamb√©m os bolos.

Voc√™ nunca sabe o quanto vai sentir falta de um sof√° at√© passar um m√™s sentando num banco de jardim. Lembra aquela sensa√ß√£o Hygge delicinha? N√£o h√° meia luz, ch√° e mantinha que sobreviva a uma bunda listrada de ripa de madeira. N√£o consegui ler um √ļnico livro nos √ļltimos dois meses.

E quando você se livra dos móveis, as tralhas parecem brotar de fendas no chão.

"Eu tenho poucas coisas", sempre proferi, orgulhosa. Mentira, mentira, mentira. Percebi que a rotina invisível, aquela que a gente repete ad infinitum sem pensar a respeito, contém muitos objetos invisíveis também. E vão aparecendo pentes, e elásticos, e cabos, e vasos, e caixinhas, e potes, e clips, e papéis, muuuuuitos papéis. E lanternas, e canecas, e lápis, e canetas, e mais cabos, e mais papéis, e enfeites de Natal, e trabalhos de escola, e recortes de revista, e porta-incenso, e adaptadores de tomada, e colheres de pau, e bolinhas de plástico, de borracha, de tênis, meu deus, por que essa casa tem tantas bolas???

Enfim, as crianças separaram o que gostavam muito e fizeram uma pilha de coisas que achavam chatas. Para minha surpresa, Laura se livrou de todos os vestidos de princesa e, dois dias depois, pediu para cortar os cabelos bem curtos de novo. Foi uma estranha surpresa, mas confirmou a teoria do pai de que essa coisa toda de princesa era mais influência das amigas da escola do que gosto pessoal. Thomas separou dinossauros que não queria mais. Então pediram que eu terminasse de fazer a rapa, e assim fiz. E mesmo separando para doar e vender mais de 2/3 dos brinquedos e livros, dei-me conta de que eles AINDA tinham MUITOS brinquedos. E que daquele monte todo, não havia mais do que 6 que Allex e eu havíamos dado. Prova cabal de que de fato, durante esses anos, ninguém nos ouviu quando pedimos para não darem presentes fora de Natal e aniversário.

Quando as crian√ßas voltaram da av√≥, sequer perguntaram onde tinham ido parar tudo o que n√£o estava mais em seu quarto. Demorou mais de uma semana para me perguntarem sobre o paradeiro de dois ou tr√™s itens espec√≠ficos. Expliquei. Rolou um momento chateado. Distra√≠ram-se com outras coisas. Passou. 

Depois que tudo foi mais ou menos separado, o que vai e o que fica, chegou o momento de fazer o quebra-cabe√ßa das malas. Aquela pilha toda de roupas, livros meus, do Allex, das crian√ßas, brinquedos, objetos, sketchbooks, foi separada em novas pilhas de 30kg. Primeira surpresa: poderemos levar todos os nossos livros na primeira viagem. Segunda surpresa: √© mais f√°cil levantar um kettlebell de 32kg do que uma caixa de livros de 32kg. ūüėď

A ideia de levar tudo em caixas √© econ√īmica mas pouco pr√°tica quando se t√™m dois adultos para carregarem dois carrinhos de malas, mochilas nas costas e duas crian√ßas empolgadas por aeroportos cheios, e por isso vamos pela rota do saco √† v√°cuo e malas novas. Porque temos 120kg de livros, sketchbooks, HQs, mas temos apenas 45kg de roupas e sapatos da fam√≠lia toda. A gente v√™ logo qual √© a prioridade aqui em casa. hahaha. :)

Além disso, não ajuda em nada chegar no seu país novo e dar mau jeito nas costas tentando tirar da esteira do aeroporto uma caixa em movimento de 30kg de livros sem alça nenhuma.

No quebra-cabeça, você se dá conta de que talvez aquela primeira seleção tenha sido excessivamente emocional, e acaba abandonando para trás mais alguns livros, a panela verde da le Creuset, pilhas de desenhos de quinze anos atrás. Mas percebe que aquele pinguim de geladeira velho e lascado que você e seu marido compraram quando juntaram os trapos PRECISA ir junto, para habitar todas as geladeiras do seu futuro.

Então você olha em volta e percebe que as coisas estão meio que encaminhadas, tudo que importava já foi vendido, o que resta pode ser doado sem problemas, e basta apanhar um dia com as crianças nos avós para terminar de jogar fora todas as mini tralhas da rotina invisível que continuam por aí.

E agora? E agora?

Agora é hora de marcar de ver os amigos e dizer tchau.

:(

E se j√° era dif√≠cil fazer isso por si s√≥, ainda complica no meio das viagens para S√£o Paulo para ir a cart√≥rios, as tradu√ß√Ķes de documentos, venda de carro, entrega de m√≥veis, contrata√ß√£o de m√£o de obra para consertar a casa alugada, busca por um apartamento para ficar no primeiro m√™s em Toronto, tr√Ęmites para levar o Gnocchi na segunda viagem...

Eu tinha lido sobre essa fase em outros blogs de gente que se mudou para outro pa√≠s, mas sempre achei que isso era causado por procrastina√ß√£o da parte dos envolvidos. Morde a l√≠ngua, sua tosca. √Č simplesmente muita coisa para fazer mesmo. E da mesma forma como eu n√£o via toda essa trabalheira no processo dos outros, h√° sempre amigos e familiares sem a menor no√ß√£o do que voc√™ est√° passando e que acham que voc√™ est√° no sof√° vendo seriado e esperando o dia do embarque, e que o hor√°rio esdr√ļxulo que voc√™ escolheu para tentar encontrar com a pessoa √© mero capricho seu. ūüėí

Num dia, eu sentei no ch√£o da casa.

Eram três da tarde. Eu não conseguia mais me lembrar do que precisava terminar de fazer àquele dia, meu corpo doía inteiro e eu me sentia exausta como se tivesse feito uma trilha de 90km montanha acima. Dei-me conta de que se me deitasse naquele momento, dormiria por 24 horas direto. Estava irritada, distribuindo impropérios a quem ousasse qualquer tentativa de comunicação. Eu tinha vontade de chorar de puro cansaço, como uma criança.

Mesmo assim, levantei-me, apanhei a agenda onde tinha anotado tudo o que precisava ser feito, e continuei, vendo o mundo através de uma névoa anestesiante que me permitia terminar as tarefas sem no entanto me dar conta delas.

E naquele fim de semana, parei tudo e passeei. Levamos as crianças ao Butantã, onde eles queriam muito ir havia tempos, fomos comer feijoada num bar que gostamos (morri de orgulho de ver a pimpolhada comendo orelha de porco), e saí com minha irmã para bater papo e tomar Spritz. Recarregar as energias é bom.

Hoje, de novo, vi que todos aqui precisavam de um tempo. Ao inv√©s de passar minha tarde desmontando os √ļltimos m√≥veis vendidos e empacotando coisas, passei tr√™s horas no parquinho com a pimpolhada e mais duas passeando os cachorros. Chegaram todos exaustos em casa, mas muito mais felizes e tranquilos do que nos √ļltimos tempos, com todos trancafiados no meio dessa imensa desordem desestruturada que virou minha casa.

Banho quente, desenho e sanduíche.

N√£o vai dar tempo de ver todo mundo. N√£o vai dar tempo de fazer tudo o que eu gostaria.

E por não estar dando tempo de cozinhar muita coisa, resolvi usar toda a farinha de centeio que tinha em casa nesses crepes. Tinha ficado cabreira com a possibilidade de jogar fora a farinha de centeio por não poder mais fazer pães no meu forno quebrado, e achei que esses crepes que eu preparara pela primeira vez nos primórdios desse blog seriam a redenção. E foram. Fáceis de preparar como qualquer massa de crepe, mas a receita rende 20 unidades grandes, feitas numa frigideira de 30cm. Preparei metade dos crepes num dia, e durante a semana fui preparando mais conforme a necessidade.

Na primeira noite, recheei com couve refogada, queijo estepe e cebola roxa. No dia seguinte, esquentei os crepes e servi com lim√£o e a√ß√ļcar, e ningu√©m reparou que n√£o se tratava da receita de sempre de farinha branca. Ali√°s, ficaram fant√°sticos com algumas peras super maduras que caramelizei rapidamente num breve surto de firulice culin√°ria. Quando acabaram e vi que ainda tinha farinha de centeio, n√£o tive d√ļvidas e fiz de novo a mesma receita. E servi os crepes como se fossem wraps, com alface, tomate, queijo gruy√®re e presunto cru. Terminei com meio pezinho de radicchio refogando-o em cebola roxa e usando como recheio de um crepe apenas para mim, com queijo  gruy√®re derretido e nozes picadas. Fantasticamente pr√°ticos e vers√°teis, esse tigel√£o de massa de crepe de centeio na minha geladeira me salvou nas √ļltimas duas semanas.

Agora faltam mais duas semanas. >_<

Vou dormir o sono dos justos naquele avi√£o. 

CREPES DE CENTEIO 
(Do sempre bom blog 101 Cookbooks, da Heidi Swanson, ainda que eu tenha conhecido essa receita pela primeira vez no livro dela - Super Natural Everyday). 

Ingredientes:
  • 1 1/2 xic. farinha de centeio
  • 2 1/2 xic. farinha de trigo 
  • 1 colh. (ch√°) rasa de sal
  • 6 ovos grandes
  • 4 xic. √°gua ou mais se precisar

Preparo:
  1. Misture todos os ingredientes em um tigela BEM grande. Eu acho mais f√°cil misturar todos os ingredientes secos numa tigela, bater os ovos e um pouco da √°gua em outra, e ir misturando os l√≠quidos aos secos aos poucos, com um fouet, e ent√£o incorporando o restante da √°gua aos poucos. Isso evita os grumos e a necessidade de passar por uma peneira. Se restarem grumos muito grandes, fazer o qu√™?, passe por uma peneira. Se os grumos forem pequenos, ignore, pois n√£o vai fazer diferen√ßa depois de cozido. 
  2. Voc√™ pode deixar a massa na geladeira, coberta, por at√© uma semana e ir usando conforme a necessidade. Basta misturar de novo antes de usar. 
  3. Na hora de fazer os crepes, aqueça BEM uma frigideira. Eu uso uma grande, de 26-30cm, mas pode-se usar qualquer tamanho de frigideira, desde que se adeque a quantidade de massa usada para cada crepe.
  4. Derreta uma colherinha de manteiga nela, girando a frigideira para ter certeza de que a manteiga cobrir√° toda a superf√≠cie. MANTEIGA evita que o crepe grude. √ďleo ou azeite parece n√£o ser t√£o eficiente. Toda vez que um crepe come√ßar a grudar, unte novamente com um naquinho de manteiga antes do pr√≥ximo crepe (geralmente coloco mais manteiga a cada 4 crepes).
  5. Retire a frigideira do fogo e, se estiver usando uma frigideira grande como a minha, despeje no centro 1/2 xic rasa de massa, e imediatamente comece a entortar a frigideira para os lados, num movimento giratório horário ou anti-horário, para que a massa escorra como os ponteiros de um relógio e recubra todo o fundo da frigideira.
  6. Pare de girar assim que a massa parar de escorrer. Volte ao fogo médio-alto e cozinhe até que as beiradas comecem a se soltar, sinal de que a massa desgrudou da panela e está sequinha. Com uma espátula de silicone, termine de soltar as beiradas, deslize a espátula por baixo do crepe até o centro, e rapidamente e com confiança, erga-o e vire-o para cozinhar do outro lado. Dependendo da espessura do crepe, deve demorar cerca de 2 minutos do primeiro lado e 30 segundos do outro.
  7. Retire da frigideira e coloque num prato ou numa grade. Repita com o restante da massa. Para uma frigideira pequena e crepes pequeninos, cerca de 16-20cm, use não mais que 1/4xic. de massa por crepe. O primeiro sempre sai meio porcaria e mais engordurado de manteiga. Os seguintes se corrigem e saem bons. Prática traz a perfeição.
  8. Uma vez feitos os crepes, você pode deixar que esfriem. Empilhe-os sobre um prato grande, cubra-os com filme plástico e deixe-os na geladeira para serem usados depois. Eles ficam bem assim por uns 4 dias. Basta colocá-los na frigideira quente um por um para aquecê-los, rechear metade dele e fechá-los, até que o recheio fique igualmente quente e a superfície externa do crepe, dourada. Ou recheie os crepes frios, disponha numa travessa refratária untada e leve ao forno médio por uns 15-20 minutos, dependendo do recheio.

7 coment√°rios:

Zayra disse...

Ana, que grata surpresa entrar aqui depois de algum tempo e ver que vocês irão se mudar. Estamos em vias de nos mudar para os EUA e hoje vou fazer um cronograma de tudo que precisamos fazer até lá. Me identifiquei com teu relato, pois também tem dois filhos pequenos. Já vendemos o carro, mas ainda temos todo o resto para providenciar. Faltam pouco mais de 8 semanas. Boa sorte pra vocês! Vou continuar acompanhando por aqui. ;-)

Sonia Junqueira disse...

Acho que esse caos doméstico é uma etapa da vida da qual vocês vão se lembrar e rir depois. Tire algumas fotos para ver daqui a alguns anos. Não deve ser fácil abrir mão de tudo o que se tem... mas pensa que esse desapego é para abrir lugar para outras coisas melhores!
E olha, se você vai mesmo desapegar da Le Creuset, me avisa, tá? ;)

Ju e J√ļlio disse...

Como eu queria sair desse pa√≠s tamb√©m. Muita felicidade pra toda a fam√≠lia e que se adaptem bem. Sa√ļde e paz.

Lu disse...

Ana,
Desde antes de nos casarmos, meu marido e eu sonhamos viver uma experiência como esta. Ainda não temos filhos e sempre tive a certeza que queria me mudar antes de tê-los... imaginando o quanto uma mudança tão radical poderia ser traumática para as crianças. Quanta bobagem!
Lendo seus √ļltimos posts s√≥ consigo identificar a quantidade de experi√™ncias riqu√≠ssimas seus filhos est√£o vivendo nessa fase e o quanto isso ir√° contribuir para a forma√ß√£o deles. Imagino que n√£o esteja sendo f√°cil para vc, mas tenha certeza do qto tudo isso vai acrescentar em amor, uni√£o, desapego, generosidade √† esta linda fam√≠lia!
Obrigada por compartilhar tanto conosco!
Super bjo!
Força nestas 2 semanas!

Clara Brito disse...

Belíssimos crepes.
Nem imagino como será mudar de país. Sempre tentei e lutei para ficar no meu mas infelizmente já vi partirem para outros sitios muitas amigas, famílias separadas que só após um ou dois anos pais e filhos ou mães e filhos se juntam uns aos outros.

Beijinhos e muita boa sorte,
Clarinha
https://receitasetruquesdaclarinha.blogspot.pt/2017/08/dia-um-na-cozinha-e-uma-delicia-branca.html

Luciana Leite disse...

Ana, minha solidariedade total nesse momento. Passei por uma mudança parecida, mas sem filhos... hoje, já mãe, vejo que teria sido muitíssimo mais cansativo. De qualquer forma, vcs estao tirando SUPER de letra. Vai sim dormir demais nesse avião! Bom voo...e vai ser leve, mesmo com tanta burocracia envolvida. Abraco de uma leitora-admiradora.

CRISTIANE LARA disse...

Ana e família, boa viagem e tudo de melhor para vocês nessa nova etapa de suas vidas... Sucesso, amor e só coisas boas ... Aproveitem esse país lindo e abençoado ! Beijocas ;)

Cozinhe isso também!

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