sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A tristeza do cappuccino

Se existe uma coisa que me deixa profundamente frustrada com esse país (além da corrupção, do "jeitinho brasileiro", e da indiferença do povo) é o leite. Porque vamos e venhamos, esse é um blog de culinária, e se é para reclamar de alguma coisa, que reclamemos de leite.

A frustração se expande, na verdade, não apenas pelo leite puro, mas por toda a gama de laticínios produzida aqui. E não há nada que exponha de forma mais grandiosa a porcaria que aceitamos consumir todos os dias como viajar para um país que respeita seus laticínios (e seus consumidores). Um exemplo "high end" é a burrata, essa espécie de mozzarella cremosa por dentro que agora entrou na modinha em restaurantes e pizzarias brasileiras, e pela qual o povo paga o dobro do preço, sem saber que estão comprando gato por lebre. Ainda estou para provar aqui algo que sequer tenha condições de se comparar com a burrata pugliese que comemos em Roma. Aquele queijo com sabor de leite fresco, dissolvendo na língua, um dos alimentos mais gostosos que já comi na vida. Allex e eu não conseguíamos comer cada pedacinho sem suspirar de alegria. Comprei algumas marcas de mozzarella de búfala disponíveis por aqui, a preço de ouro, diga-se de passagem, e elas eram ácidas e sem gosto. Não vou nem arriscar experimentar o que vendem como burrata.

O mesmo com a ricotta. Segundo Allex, o que constituiu a melhor refeição de sua vida foi um mero ravioli de ricotta com espinafre. E estava, de fato, absolutamente fantástico. A ricotta não era um mero "preenchedor de espaço"; ela era extremamente fresca, cremosa e saborosa por si só, sem precisar de muitos temperos, e mesmo se sobressaindo ao espinafre. Nunca na vida provei ou preparei algo parecido. Porque não há ricotta aqui que se compare. Também sem ter disponível uma ou outra marca mais premium, mais fresquinha e cremosa, que eu costumava comprar a granel, experimentei já duas marcas disponíveis aqui (inclusive a Balkis, que se vende como coisa premium), ambas ressecadas e com gosto de soro azedo.

E o iogurte? Quão difícil é encontrar um iogurte industrial que tenha suficientes bactérias para transformar um litro de leite em iogurte? Desde que me mudei, experimentei três marcas diferentes, e as três falharam. O da Batavo foi o único que conseguiu transformar o leite em iogurte, mas ainda assim, as bactérias eram tão poucas, que o iogurte, apesar de firme, ficou viscoso, com textura de cola branca. E quando se consegue o iogurte, ele é ralo, porque o leite não se sustenta, tem pouca gordura, e é preciso reduzí-lo, acrescentar creme, e torcer para dar certo.

E o cappuccino, o delicioso e simplíssimo cappuccino, café espresso bem tirado e espuma cremosa de leite, até esse recentemente sumiu daqui de casa. Porque, como já havia sido discutido em post e comentários por aqui, a maior parte dos leites brasileiros têm uma porcentagem mínima de gordura, e apenas alguns se salvavam para o cappuccino. Dos frescos, pasteurizados (daquilo disponível em São Paulo e imediações), só o Xandô. Dos UHT que eu experimentei, só o Leitíssimo, que apesar de ser UHT se salva por não ser homogenizado (o leite é engarrafado com a mesma gordura que sai da vaca, como deveria ser).

Então noutro dia Allex veio me dizer, horrorizado como normalmente só eu fico com notícias sobre comida, que havia prestado atenção às embalagens dos leites na gôndola do supermercado e que agora todos estavam anunciando em letras grandes que o leite continha 3% de gordura. "Mas isso parece muito pouco", rebati. "Era light?" "Não", respondeu ele, "leite integral mesmo, falando de 3% de gordura como se fosse benefício." E fomos conferir. E de fato, leites que costumavam ter na tabela nutricional 6 ou 7% de gordura, tinham cortado a quantidade pela metade. (Lembrei-me depois de post publicado que era 6-7g de gordura saturada por porção, e não porcentagem.) Que tristeza.

Então chegou o dia em que ele abriu uma garrafa de leite pasteurizado para preparar seu cappuccino de manhã cedo. Estranhamente, o leite ferveu, mas não espumou. "Devo ter feito algo errado", balbuciou ele, guardando o leite fervido na geladeira para que Thomas bebesse depois e colocando mais uma porção na leiteirinha de inox. Lá foi ele no vapor da máquina de espresso de novo, com toda a atenção do mundo. De novo, ferveu, não espumou. Imprecações. Apanhei a garrafa e lá estava o selinho: 3%.

E eu fico pensando, quão difícil é vender para outro ser humano algo de qualidade e não apenas algo que encha seu bolso de dinheiro mais rápido. Pois estamos pagando cada vez mais caro por um litro de leite que é constituído, na verdade, de cada vez mais água, apesar de ser descrito como "integral". Desculpem-me o palavreado, mas integral o caralho. Até quando o governo vai continuar criando uma legislação que proteja as empresas de modo que elas possam nos enganar dessa forma e sairem impunes? Ah, desculpem-me, esqueci que a maioria dos deputados tem fazenda de gado. Erro meu.

Se não tenho uma mozzarella que preste ou uma ricotta que seja comestível, resta fazer meu próprio quejo, mas como isso é possível, se nossos leites mais premium não passam de mijo de vaca? Minhas tentativas de produzir mozzarella foram todas infrutíferas, pois o leite é ralo demais.

Leite orgânico não é opção para mim, infelizmente, porque ou é B (cadê o leite A???) ou o Santa Luzia cobra 7 reais o litro. Aparentemente, o único jeito de beber leite que seja de fato leite, e não "alimento similar a leite" é tendo minha própria vaca.

Enquanto isso a gente continua mosca-morta, sem ler rótulo do que compra como quem assina contrato sem ler, e pagando caro por uma pilha de merda, acreditando feito gente cor de rosa no reino do pirlimpimpim que as grandes empresas estão aqui para pensar na sua felicidade e no seu bem estar.

49 comentários:

Camila disse...

Ana, aqui na Alemanha eu faço iogurte seguindo a tua receita, usando leite c/ 3,5% ou 3,8% de gordura e, enquanto ferve, espuma à beça. E nem preciso acrescentar creme, já que o resultado é cremoso, bem branquinho e com pouquíssima acidez. Duvido muitíssimo que o teor de gordura do leite brasileiro seja o que consta no rótulo...

Suely disse...

Faço minhas suas palavras. Senti-me desabafando e feliz por ver que seu texto pode ser lido por um mundão por aí afora.
Obrigada e continue sempre assim, se manifestando e abrindo os olhos (e horizontes) dos mais incautos.
Beijos, Suely

Livia Luzete disse...

Ana, depois que passei a companhar seu blog, muita coisa mudou na minha consciência de consumidora, qualidade, preço x qualidade, etc.
Realmente essa máfia da indústria é nojenta e infinita!Depois de ver o video do Gary Yourovsky (que é um vegano e com atitudes bemm radicais) o que ficou em mim é o consumo do leite da "vaquinha feliz". Hoje tenho essa possibilidade de ter um leite melhor, pego direto de criadores. Ok...tem água...mas quando ferve ainda consigo natas maravilhosas. Como ainda não encontrei coalho por essas bandas (Ceará)o meu iogurte, que aprendi a fazer direito aqui,ainda é feito com o industrial,mas olha...fica um iogurte dos deuses. Ainda farei com o creme de leite, que vc postou faz pouco tempo. A verdade é uma só,o governo vive de imposto e "fuck themselves" para a população. Hoje feliz daquele que pode por em prática suas filosofias de vida!!! Mesmo que tendo que driblar muitas coisas...

Ana E.G. Granziera disse...

Camila,
não deve ser mesmo. Depois me lembrei (e fiz o update no post) de que não se tratava de 6%, mas 6g por porção. Ainda assim, nunca vi empresa no Brasil aumentar no produto aquilo que custa mais caro, e não mexer no preço, ou não tirar outra coisa. O episódio do cappuccino foi bizarro, e só quando você bebe leite que tem gordura mesmo é que você percebe a água que a gente toma todo dia. :(

bjs

Paul disse...

Bah Ana, é muita coincidência. Eu estava "de butuca" aguardando um post novo para poder te fazer uma pergunta (na verdade duas) e não queria que ela ficasse esquecida lá embaixo nos comentários antigos, hehehe.
Já tinha lido várias vezes tu falando da espuma do cappuccino e queria saber se tu já tinha visto esse treco aqui ( http://www.youtube.com/watch?v=qBvsOhP7cOw ) que veio esses dias num anúncio desses sites de compra coletiva ? Eu sempre me atrapalho com o vaporizador da máquina de espresso.

A segunda pergunta era se tinhas algum motivo específico para aquela frase "não tenho e nem quero uma máquina de pão" , já que pão é uma coisa que está sempre saindo do teu forno.

Quanto ao leite, cada vez que leio um post teu sobre o assunto, me dói mais o coração: meu pai tem um sítio no interior do RS no qual pastam algumas vacas jersey que produzem um leite que seria proibido pelo Ministério da Saúde cada vez que vissem as bolas de gordura boiando na leiteira quando é fervido. A impressão que dá é que viraram uma colher de sopa de óleo no leite, para teres uma idéia.
Só que morando aqui em Porto Alegre, é logisticamente impossível consunir com regularidade desse privilégio, o que me causa mais dor ainda cada vez que vou no supermercado comprar uma caixinha de leite.

Se pudesse, te mandava uma garrafinhas por sedex, hehehe!

Leio sempre o blog e encaminho os posts por email prá toda a minha família, minha irmã está viciada na tua receita de mostarda (ela completa com uma GOTA de essência de mostarda prá dar aquela ardida a mais, não sei se tu aprovas :-)

Um abraço!

la doña sombra disse...

Ana, há anos me incomodo com isso.
Tomamos muito pouco leite em casa porque meu marido tem restrições de lactose, mas usamos muito leite como ingrediente.
Eu tenho conseguido produzir um iogurte razoável com o Leitíssimo, mas ele some das prateleiras do supermercado aqui no Sul no inverno. Eu sei que tem uma sazonalidade na produção, mas é leite UHT, não?! Enfim, passamos o inverno inteiro mal servidos de iogurte.
Mas na verdade, sentimos mais falta de leite bom no verão, para fazer sorvetes. Eu compro um bom litro de leite orgânico na feira ecológica mais antiga aqui de Porto Alegre. São quase seis reais a garrafa, mas como é só pro sorvete, compensa.
Eu sempre me incomodei com o sabor do creme de leite nos sorvetes que fazíamos, era como se ele se sobressaísse ao sabor do próprio sorvete. Até que, ao comprar meu primeiro litro de leite orgânico, percebi que talvez pudesse trocar aprte do creme de leite pelo leite. Eis que o sorvete passou a ficar perfeito. Acredito que o teor de gordura do leite em seu estado quase natural faça um papel muito melhor do que quando reacrescentamos a mesma gordura com o creme de leite.
Isso ficou mais evidente quando não precisei acrescentar creme de leite no iogurte para conseguir um frozen consistente e saboroso.
Eu me incomodo com todas as picaretagens dos rótulos de alimentos, e sinceramente, reclamo do preço, mas sempre que posso compro orgânicos, especialmente quando tenho produtores conhecidos. Ando cansada de que me façam consumir subprodutos do que deveria ser mercadoria premium... Mas enfim, pelo menos não sou a única indignada.

Paul disse...

Ah, não que eu precise te autorizar prá isso, mas me dei conta, se quiseres editar o meu comentário e cortar fora o vídeo do youtube, o objetivo era te mostrar mesmo, não fazer propaganda.
Perderia o meu dia se fosse mal interpretado.

abraço!

Anônimo disse...

Pois é da cada vez mais medo de produtos industrializados,vocês viram esta semana aqui em Santa catarina quase trinta crianças passaram mal três ficaram internadas por causa de nitrito no leite?Ultimamente tenho usado o Leitíssimo,mas juro que já morro de vontade de comprar uma vaca.Pelo menos aí da pra saber o que se está tomando de verdade.Carol.

Ana E.G. Granziera disse...

Paul,
nunca tinha visto, mas pela própria apresentação dos caras dá pra ver que a espuma fica bem ralinha, bem diferente de quando se faz (direito) no bico de vapor da máquina de espresso. O Allex demorou pra pegar a manha, viu muito video na internet e ficou prestando atenção aos baristas na Itália. E hoje, salvo quando o leite é uma droga, ele acerta sempre. Descobrimos que o tamanho e formato da jarrinha é importante, porque tem que acertar o ângulo e a profundidade do bico (comprei uma jarrinha de inox para cappuccino da bialetti pra ele que é ótima) e ele geralmente não coloca mais de 1/3 de xícara de leite por vez. Se não me engano.
Pois é, rapaz, queria eu ter minha vaquinha. :(

bjs

Anônimo disse...

A primeira vez que fui almoçar na casa do meu namorado, quase 7 anos atrás, o prato anunciado era peruê. Fiz cara de empada, pois nunca tinha ouvido falar nisso. Ele tentou me explicar que era uma espécie de travesseirinho recheado com requeijão.
Quando cheguei lá, minha sogra ainda estava esticando a massa (sim, ela faz a própria massa) e eu continuei sem saber do que se tratava. Meu sogro me explicou que era um prato típico da família dele e que eu provavelmente conhecia como 'pierogui'.
Dei pulinhos de alegria, pois eu sempre adorei piorogui. Mas nada me preparou para o que eu estava por comer. Ao contrário dos pieroguis que eu estava acostumada a comer, recheados com ricota, a minha sogra usa requeijão fresco, que meu sogro compra de um pequeno criador de vacas e ovelhas que ele conhece.
Requeijão fresco é mais branquinho e cremoso que a ricota comum. Tem um sabor suave e, ao mesmo tempo, que combina perfeitamente com o molho de tomates encorpado e bacon que acompanha o prato, sem ficar mascarado.
Nunca vi requeijão fresco à venda no comércio, mas juro que é a coisa mais maravilhosa que eu já comi, em termos de laticínios nacionais. Delícia!

Laura

Ana E.G. Granziera disse...

Ah, Paul,
quanto à máquina de pão, meu problema é que é um trambolhão, e pra sovar já tenho a batedeira planetária, e eu já me acostumei com as adaptações de acordo com a temperatura. O "nem quero" é pra ninguém da família se animar a me dar uma. ;) Mas nada contra quem usa.

Laura,
de fato EXISTEM bons laticínios. Gostei muito do Leitíssimo, mas ele sumiu da gôndola. O leite orgânico que tenho disponível não gostei, porque é B, muito ralinho e sem gosto, além de caro. No Sta Luzia eles vendiam uma ricotta fresca que era muito boa, e a mozzarella de búfala Gioia é bem boa, mas incrivelmente cara e não tem por aqui. Andei provando queijos de leite cru brasileiros (Serrano, Canastra e um outro de crosta engraçada que eu não lembro o nome e eram todos excelentes, mas nenhum é vendido no supermercado. Saiu até reportagem no Paladar falando sobre isso. EXISTEM bons produtos. Mas só para quem mora do lado de um empório chique (e esteja disposto a gastar um bocado) ou conheça um produtor que venda direto. :(

bjs

Victória disse...

Oi Ana,

Estou escrevendo para dizer que teu blog foi uma descoberta maravilhosa para mim. Li quase tudo e estou começando a tentar algumas receitas.

Estou aprendendo a cozinhar ainda e a maneira didática que você explica facilita bastante para mim.

Admiro sua generosidade com os leitores - o cuidado na escolha e explicação das receitas e a consciência no consumo dos ingredientes. A insistência no caminho mais correto e mais difícil.

Bom, tentei a receita do iogurte caseiro nesta semana e ficou talhado, parece que não fermentou... e isso que usei um leite cru bem gordo. Mas agora lendo esse post entendi, existe o fator das bactérias... provavelmente foi esse o problema. Como cultivo kefir em casa vou tentar colocar uma colher de kefir coado da próxima vez.

E sobre o assunto do post, me revolta que além de as grandes empresas serem beneficiadas para enganar a população e obter mais lucros, os pequenos produtores orgânicos precisam pagar taxas astronômicas para conseguir uma regulamentação... é muita injustiça mesmo.

Amélia's Fun disse...

Olá Ana, gostaria da sua permissão pra jogar esse seu post em uma rede social, para tentar conscientizar as pessoas como estão sendo lesadas, claro que com os devidos creditos e o link pro seu blog. Se puder me autorizar agradeço. Beijos, sua fã.

abrindoadespensa disse...

Ana, imagino a sua frustração. Quando eu morava no Brasil, eu era uma dessas pessoas que 'assina contrato sem ler'. Tomava leite em pó (desnatado, ainda por cima!) feliz da vida. Me mudei para Londres há nove anos e mantive o hábito do leite em pó durante um tempinho. Me achavam louca. Felizmente, 'acordei', passei a entender do assunto e saí de Londres tomando leite cru. Já escrevi sobre o tema no meu recém-iniciado blog. Se quiser dar uma olhada, segue o link:

http://abrindoadespensa.wordpress.com/2012/06/24/do-leite-em-po-ao-leite-cru/

Um abraço,
Marisa

milamaegi disse...

eh... eu paguei caro esses dias por um leite dito A, fervi na esperança de conseguir alguma nata, qual foi a surpresa qd formou uma pelicula fina e brilhante igualzinha a do leite de caixinha... ): qs chorei de tristeza!

Eu ainda tenho a sorte de ter acesso a leite tirado da vaquinha sempre q vou pro interior, leite cru e sem adição de agua (:

Por anos a gente teve um fornecedor de leite cru, fresco e puro, a um preço baixissimo, mas o tal moço parou de vender o leite.

La no Vale do Paraíba tem o leite da cooper, o tipo B qd a gente ferve ainda forma uma natinha razoavel. Aqui em sp eu ainda nao encontrei leite, ja q eu evito o UHT por causa do conservante.

Enfim, a situação eh trite e revoltante =/

Bruna disse...

Pela primeira vez fiquei realmente feliz em morar numa cidade com 2882 habitantes e TER A MINHA PROPRIA VACA!!!!
Eu sofro muito pela falta de alguns produtos. As vezes preciso fazer 130 km para conseguir algo simples na cidade vizinha, ou 300km até a Curitiba para algum produto especial.
Mas com o leite eu sempre fico feliz.

O post e ótimo. Estou adorando acompanhar teu blog..
Beijos

Mari disse...

Ana,
Depois que conheci seu blog, comecei a comprar mais produtos orgânicos (na medida do possível, claro) mas acho que os poucos fornecedores de produtos orgânicos aqui no Rio estão meio fora de órbita! Achei os preços muito altos.
Veja um exemplo: http://lojavirtual.sitiodomoinho.com/?lista/classificacoes/3010100/legumes
Essa é a média de preços desses produtos em SP também?
Bjs

Cristina disse...

Ana, milionésimo comentário, mas tá valendo! Espero que você possa ler.
Seguinte: não sei você já ouviu falar, mas tem como fazer iogurte sem usar o iogurte industrializado! Eu, que conheci primeiro o "mais natural" quando criança, pensei que era frescura minha quando achei liguento o iogurte feito com o do mercado. Minha mãe, há muito tempo, comprou uma iogurteira da top therm, e ela vinha com esses envelopes de "isca". veja nesse link uma receita de iogurte usando ele: http://mais.com/magazine/index.php/09/06/2011/iogurte-feito-em-casa/
Eu me lembro que a marca dos envelopes era BioRich, já vi vendendo no Carrefour, mas não se ainda vende.
Não sei se chega a resolver o problema da textura do iogurte, mas com certeza ajuda. A minha mãe também usava o leite de saquinho (será que vende desse em SP?) que era menos industrializado, até recomendava ferver, na embalagem..

Enfim, isso é tudo que sei sobre iogurte, espero ter ajudado. :) E também que os envelopes não custem o olho da cara, hahaha

Beijo!

Anônimo disse...

Adoro seu blog. Nunca comento mas acho seus textos excelentes. Este, por exemplo, traduz o que penso há anos. Acabamos pagando duas vezes pois retiram a gordura do leite e quando compramos o creme de leite, o pagamos a preco de ouro. Não é só o leite. Observe o tamanho do ovo vendido como grande.Compare ao tamanho de um ovo vendido como grande no interior.Há receitas em que acho prudente colocar dois ovos no lugar de um. O que dizer da qualidade de nossos chocolates que mais parecem uma parafina adocicada? E o requeijão que nas gondolas são expostos todos juntos com o nome de cremoso , cheio de amido para engrossá-lo, cheio de clientes levando gato por lebre ( e pior, o mercedo ainda o coloca como "preco promocional"). O que se espera de um país onde o empresário rouba até na metragem do papel higienico? Desculpe o desabafo e obrigada por publicar este tipo de desonestidade e , de certa forma, nos dar um pouco de voz.bjs mcélia

fátima disse...

eu nasci na roça e ganhei uma vaca de presente, olha só! passei a infância tomando leite puro e comendo uma coisa que morro de vontade de comer há quase 50 anos: requeijão.
minha mãe já tentou fazer, mas não dá, com esse leite de agora, não rola...
acho que só mesmo comprando uma vaca ;)

Anônimo disse...

Ana faço a sua receita de iorgute com o leitissimo e uso o creme de leite da batavo, nossos laticinios são realmente ruim.mais a maioria é quem dita o mercado.se voçê for ao Uruguai va a Nonno Antonio Queseria em Punta Balena, voçê vai amar os queijos o mascarpone uma pena que ninguem aqui queira importar deles é produto de primeira.(Diulza)

Carolina Vasconcellos disse...

Ana, falou e disse.
Eu aprendi a cozinhar enquanto morava em NY.
Sem querer ser dessas pessoas que dizem "os EUA são muito melhores que o Brasil".... mas nesse quesito, são sim.
Lá eles tem zilhões de tipos de leite pra você escolher.
Fora o buttermilk que não existe por aqui e que é uma delícia e tão essencial pra algumas receitas.
E leite de amêndoa? Incrível!
Eu tenho um tio que trabalha na industria de laticinios. Ele diz que as coisas por aqui são assim porque o consumidor brasileiro não é exigente.
Triste, não?

Tati Perolada disse...

linda, concordo integralmente com o que você disse.
no Uruguai tem a marca Conaprole (que é a cooperativa nacional dos produtores de leite).
eles tratam o leite com dignidade. comprei a manteiga Conaprole, e o troço não derreteu no microondas, mas sim virou uma mousse ao invés daquele óleo aguado que viram as nossas manteigas.
e o sorvete deles é absurdo.
minha filha, ao provar o sorvete deles, disse "o Uruguai deve ser um lugar bem legal, né, mamãe?"
é dose.

Anônimo disse...

Ola Ana.
Nao sei em qual lugar do interior de SP voce mora, mas aqui na minha cidade, tb no interior, eu acho um leite muito bom pra fazer iogurte. O iogurte fica bem firme, pra comer de colher e bem pouco acido. O leite e da Atti Latte, uma empresa de Itatiba. O leite e tipo A. E nao eh muito caro, pago 2,15 o litro. Espero que voce encontre por ai. Abraco.
Livia

Anônimo disse...

Oi Ana,

Muitos anos de pesquisas e procuras... Leite compro o orgânico, no Parque da Água Branca (diga-se camada de gordura, imagino que batendo dá pra fazer até manteiga), agora nunca comí ricota na Itália, mas tenho uma fornecedora que mora em outra cidade e vem uma vez por mês pra cá e me entrega na porta de casa. A melhor ricota que já comí em toda a minha vida ( doce, com gosto de leite e cremosa). Posso passar o contato...

Um grande beijo Miti

Leo disse...

Ola Ana. Quanto à ricotta, tambem tinha muitos problemas. Até que encontrei uma boa marca: Roni. A fábrica é em Sao Sebastiao da Grama, mas eles possuem uma banca no Mercado da Cantareira. Nao se se serve de consolo, mas se puder experimentar, vai sentir a diferença. Para mim é a melhor ricotta que ja provei no Brasil. A manteiga deles tambem é demais, assim como o provola.

Uma boa marca de queijos de bufala é a Montezuma, de São João da Boa Vista. Essa talvez seja mais dificil de se encontrar, mas fique atenta. As melhores marcas costumam ser das menores indústrias, que possuem um controle de qualidade com mais bom senso e o relacionamento com os consumidores é mais estreito.

Mil Cachinhos disse...

Ana,eu e meu marido já rodamos um bocado em Salvador procurando leite tipo A para iogurte e doce de leite... e nunca conseguimos ficar satisfeitos. Para minhas receitas cearenses, tenho uns "traficantes de nata" que me fornecem a danadinha para eu congelar (parentes, thanks). Aqui já desisti de tentar achar (como o Soteropolitano faz biscoito de nata se não tem nata? A pergunta de 1 milhão de dólares...). Aqui também tem sido o leitíssimo a nos salvar. O iogurte fica sensivelmente melhor. O doce de leite... bom, com esse eu ainda não consegui me entender. Quem sabe um dia...
bjs

Cristina disse...

Que pena que o Brasil seja isso tudo e muito mais em questão de falta de respeito à nós. Mas pena maior é o povo ser como é, indiferente a tudo...

Ivan S. Bornes disse...

Mais uma vez, um artigo sensacional. O creme de leite no Brasil (tirando algumas exceções do RS) é horrível, aguado. O leite industrial, que não precisava ser ruim, é manipulado tantas e tantas vezes e depois reconstituido para chegar exatamente na graduação de gordura do rótulo. Uma pena. O que eu não consigo explicar é pq o leite fresco de garrafa plastica também é tão ruim, teoricamente são lacticinios pequenos. E sobre Uruguay, é verdade, a qualidade dos alimentos em geral é muito boa, talvez porque a população tenha uma cultura gastronomica mais solida, e não permita(não compra) produtos ruins.

Jô Bibas disse...

Não tenho nem palavras pra dizer o quanto concordo com isso! Esposa de italiano e viajando para lá com frequencia, a desilusão é enorme cada vez que volto e tento fazer alguma receita lá aprendida. Água, farinha, tomates, tudo aqui decepciona. E o leite....
Bom fim de semana,

lili disse...

Booooa!Nada como ouvir alguém dar nome aos bois, ou vacas. Que picaretagem!

Juliana Delgado disse...

Ana,

realmente é difícil, mas tenho algumas marcas que salvam.... O leite da Atti Latte é realmente muito bom, por acaso, conheço a fazenda. Mas só pode se encontrado em Campinas!!! pena... :-( Sobre queijos: a marca Roni é mesmo boa, mas tem uma marca de ricota, que se chama Gioia e é maravilhosa - se você é de São Paulo, vai encontrar no Empório Sta. Maria e St. Marché. Outras marcas que gosto: mussarela de búfala: La Bufalina, queijos de cabra: vc encontra uma marca muito boa no Sta Luzia, mas siceramente não lembro o nome agora... é de um produtor bem pequeno do interior de São Paulo, o logo é verde e vermelho. E vamos que vamos. Um dia a gente chega lá!

Karin disse...

Ana,

Te amo.

Nada mais a acrescentar.

Anna disse...

Nunca tinha percebido isso sobre os nossos laticínios até vir morar na Alemanha e ver a diferença na qualidade dos produtos - até o iogurte da marca branca do supermercado é melhor do que qualquer marca premium que já provei no Brasil. Sem contar a imensa variedade de produtos, marcas e, melhor ainda, a facilidade de comprar diretamente do produtores ou nos diversos mercados de rua e supermercados do tipo Bio-Markt, que tem preços bastante acessíveis.

Me acostumei tanto a comprar orgânicos por aqui a um preço bacana que quando fui visitar a família no Brasil fiquei de queixo caído!!! Virou artigo de luxo mesmo, né?

Por exemplo, queijos e leite eu compro direto de um senhor que vem ao Bio-Markt do meu bairro uma vez por semana. Morangos e amoras, quando é a temporada, vamos nas plantações colher diretamente (você pega a cestinha, colhe as frutas e depois paga o quilo). É incrível, porque além do frescor do alimento orgânico, acaba criando um vínculo entre consumidor, produtor e alimento - o que a meu ver é algo imensamente interesante e fundamental para desenvolver um consumo consciente.

Minha infância no Brasil foi um pouco assim, interior de Minas Gerais, frequentando fazendas, fazendo doce no tacho, colhendo fruta do pé e tomando leite recém tirado da vaca... Não acho que hoje em dia tudo tem que ser assim frugal, mas falta uma opção intermediária - algo entre o luxuoso mercado dos orgânicos e a vida na roça :)

Leila Figueiredo disse...

lAdorei o post, tenho feito sempre a receita do iogurte, que muda sempre o resultado sempre que troco de leite. Esta semama estava pensando em escrever para a nestle e perguntar porque eles nao colocam o percentual de cacau em seu chocolate vendido como meio amargo, gostaria muito de saber.

Cynthia Nogueira disse...

Ai, Ana, como eu me sinto justiçada pelo seu desabafo! Eu também penso a mesma coisa sobre o que comemos. Desde que passei a frequentar seu blog muita coisa mudou por aqui. Não compro mais pão, faço meu iogurte e meu queijo. Não consigo leite 100% orgânico por isso uso o Leitíssimo e tem dado certo. Até as crianças estão tomando ele e sinceramente prefiro assim. Aliás fiz queijo com esse leite e ficou muito cremoso. Talvez estou me dando por satisfeita com muito pouco porque infelizmente nunca provei um laticínio legítimo como os que você menciona da Itália, mas me lembro do bom queijo que minha avó fazia e da manteiga também e eram sem dúvida mais saboroso dos que o de hoje. Na minha infância só encontrávamos leite orgânico e fresco e quando a minha mãe fervia juntava tanta nata que ela colhia em uma vasilha e congelava para fazer biscoito. A última vez que fiz bolacha de natas aqui em casa já tem mais de 07 anos e tive que comprar no interior. Os rótulos de iogurte eu passei a ler depois do seu post e me assutei que quase todos tenham espessantes como gelatina e até amido de milho. Não se os pouco que não tem são porque de fato cumprem o que está no rótulo ou mentem para o consumidor.

Dricka disse...

Ana faço minha a sua revolta. Esse pais deveria mudar de nome e chamar-se simplesmente Lobby e é essa cultura (ou falta de ) que o povo tem que faz com que qualquer porcaria nos seja enfiada goela abaixo, seja comida, seja politica.
E outra onde moro tá sendo uma luta achar creme de leite fresco, que antes era bem comum, o que tem de monte na maioria dos supermercados é um tal de creme culinario, tipo chantilly. Ai eu me pergunto: que desgraça é essa?????

Mariana disse...

Compatilho da sua revolta! Recentemente mudei para a Alemanha e descobri que minha lacto-intolerancia era apenas frustação do meu estomago ao receber a porcaria vendida no brasil. Aqui consumo muito mais leite do que consumia ai no brasil e não tive nada... e fora que os produtos aqui são maravilhosos e os alemães fazem questão de ter o melhor leite possivel, e barato, um litro de leite 3% fresco de marca generica custa €0,45(e é muito melhor do que o leite premium brasileiro).

Bjs

Shaiala Marques disse...

Ana!
Não vou me estender aqui, mas entendo tuas indignações e compartilho delas.
Infelizmente, este é um país onde o consumidor é abusado constantemente e os três poderes fecham os olhos.
Temos um Código de Defesa do Consumidor, e ele é pouco aplicado.
Mesmo quando um corpo estranho é encontrado no produto, se ele não foi consumido, não há indenização (!!!).
Sou advogada, (quase-falta a banca) especialista em contratos e responsabilidade civil e vejo diariamente o abuso das empresas dos mais diversos ramos - e como dificilmente elas são punidas por suas atitudes absurdas.
O que nos resta é evitar as piores. Infelizmente.
Parabéns por mais um post! :D

Flavia disse...

Outra coisa que gostaria de comentar... vocês já experimentaram a ricota da Nata da Serra? Não sei como ela se compara com uma ricota européia, mas posso dizer que é a melhor ricota que eu comi na minha vida, ela é cremosa e tem um sabor bem superior às ricotas que se encontra no mercado.

Ana E.G. Granziera disse...

Gente,
obrigada pelo apoio em massa. De fato, existem boas marcas. A ricotta Gioia é muito boa, o cream cheese feito pelo Santa Luzia é ótimo, e mais uma dezena de outros produtos, inclusive os queijos de cabra (principalmente eles, acho). Meu descontentamento ocorreu quando vi que a maior parte das pessoas não tem acesso aos bons produtos, e passa a vida com a manteiga que tem e a mozzarella que dá, e isso me deixa enfurecida, porque paga-se caro por esses produtos. O mínimo que eles poderiam ser é aquilo que eles prometem ser. Mas não são. Queria muito poder comprar localmente, mas infelizmente já vi que terei fazer comprar razoavelmente regulares em SP, a não ser que queira ficar muito emputecida o tempo todo. Tive de ir a SP pra me estocar de Leitíssimo que por aqui sumiu da gôndola. Se, no entanto, alguém conhecer bons fornecedores nos arredores de Santana do Parnaíba, agradeço imensamente. :)

bjs a todos!

Renata disse...

Oi Ana,

Desculpa, gostaria de tirar uma dúvida... Consegui um leite de cabra totalmente orgânico, eu gostaria de usá-lo para fazer cream cheese, é possível?? Obrigada.

Anônimo disse...

Ana, querida! Queria muito poder te mandar uma garrafa do leite que consumo em casa. Diretinho da vaca, daquele que produz uma nata espessa... enfim... espero que vc consiga achar leite de qualidade por ai. :)
Marcella

Anônimo disse...

Oi, Miti.
Pode passar o contatto?

andrea disse...

Ana,
depois refletindo na sua história do leite, pensei no tofu que é carissímo e ruim aqui no Brasil, e produzimos soja pra chuchu... mas só para exportação. O chocolate produzido no Brasil tambem, são exportados, não temos um chocolate brasileiro vendido em supermercados com 70 ou 80% , existe o Callebaut que nem é tão fácil de achar, mas foi preciso uma empresa de fora vir aqui para processar o cacau. Fico triste quando viajo e vejo coisas simples e básicas de qualidade e aqui essa vergonha. Enganam a gente direitinho vendendo gato por lebre...
um abraço

Anônimo disse...

Na mesma linha de absurdo está o tal do Greek, o iogurte grego que lançaram no mercado e tem a seguinte inscrição na tampa; "Iogurte com creme"
Tem metade do volume do tradicional, preço maior e "creme" que certamente é algum espessante que misturaram ao leite com gosto artificial de iogurte.
Aliás, se voce conseguir fazer bom iogurte e conseguir dessorar para fazer o iogurte grego, mostra pra gente.

Débora Filippon disse...

Oi Ana,
Eu tenho me aventurado na produção de iogurtes, testados vários tipos e marcas de leite. Por isso pergunto, porque o leite B não é uma opção pra ti?
Grazie,
Débora.

Priya - Paula Magnus disse...

Pois é, justamente por essa dificuldade adquiri uma vaquinha aqui para o sítio. Confesso que dá um trabalho enorme ordenhar e tratar todo o dia, mas consumir leite, ricota, iogurte, manteiga do leite dela faz toda a diferença. Mas como disso o Paul, o leite da nossa vaquinha seria proibido... :(
Agora ela está prenha e dando pouco leite, já sinto falta. Fazer sorvete com creme anglaise do leite da nossa querida "Ming Ao" não tem melhor.
Se tivesse como, assim como o Paul, mandava por sedex!

Anônimo disse...

Bom dia!!!! Meu nome é Rosângela, moro em Itatiba e preciso comprar Leite de Cabra...onde posso conseguir aqui na região??? Obrigada

Cozinhe isso também!

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