quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Trigo, bardana, correria, e esqueci o que mais...

Tenho cozinhado um bocado, é verdade, mas a volta ao trabalho tem sido prioridade total – quando Thomas não é. O bichinho voltou a dormir noites inteiras (benzadeus) mas passa o dia todo pedindo atenção, carinho, conversa, risada, brincadeira. Não se conforma em ficar deitado; seu negócio é sentar e ficar em pé. Mas como ainda não o faz sozinho (por mais de dois segundos, pelo menos), vale-se de meus braços para ajudá-lo, e fica enfurecido quando não estou disponível para a tarefa. Logo, qualquer sinal de sonolência que o leva a um rápido, muito rápido, cochilo, leva-me imediatamente ao computador para trabalhar. E não para atualizar o blog. Fué.

Hoje o dia está mais calmo, no entanto, e consegui sacar a máquina fotográfica na hora do almoço.

Tenho uma nóia muito específica com comida: fico obcecada quando descubro um ingrediente novo, e absolutamente frustrada se não posso experimentá-lo. Nem que seja uma vezinha só, mas eu PRECISO cozinhar aquele legume estranho, aquele doce interessante, aquela fruta difícil de achar que apareceu na revista. Como assim existe um troço que é favorito de alguém e eu não conheço o gosto?

Quando vi uma receita com raiz de bardana (gobo), fiquei louca. O que é isso? Que gosto tem? Como come? Com o quê combina? A receita original, do lindo livro francês Nature, de Alain Ducasse, serviu de inspiração, pois meu adaptômetro estava ligado no máximo.

Descasquei uns 4 talos de bardana rapidamente, colocando-os de molho em água com limão. O contato com as mãos deixa sua carne branca imediatamente escura. Cortei os talos em pedaços menores e reservei, ainda na água. Piquei uma cebola bem pequena e esmaguei um dente de alho inteiro, sem picá-lo. Refoguei ambos no azeite até começar a amolecer e juntei a bardana, tampando a panela e cozinhando por uns 5 minutos, até começar a dourar. Juntei cerca de meia xícara de trigo em grãos, uma colher de chá de casca de limão siciliano picada, um punhado de passas claras e misturei bem. Despejei 1/4 xic. de Vermute, deixando que o trigo absorvesse, e cobri com caldo de legumes caseiro, temperando com sal e tampando a panela. A mistura cozinhou por cerca de meia hora, até que os grãos estivessem macios e al dente, e a bardana, cozida. Escorri, acertei sal e pimenta e servi polvilhado de cebolinha picada.

O resultado ficou bem interessante. A bardana tem algo que lembra fundo de alcachofra, mas diferente. O marido, meio avesso a novidades, não virou fã, mas se essa raiz caísse no meu colo de novo, essa seria uma bom jeito de comê-la. Para compensar a naturebice do almoço, servi de sobremesa morangos orgânicos com chantilly fresquinho e suspiros de farinha de castanha e nozes, o que já deixou o homem mais feliz. De qualquer forma, pretendo preparar tudo isso de novo com alcachofras, que vão combinar lindamente com o prato.

15 comentários:

paula disse...

Ana, fui procurar informações sobre fermento ativo seco instantâneo. Comecei a ler o texto no site da Ana Maria Braga e pensei: Mas esse texto é do La Cucinetta! Dá uma olhada: http://maisvoce.globo.com/MaisVoce/0,,MUL1647166-10345,00-SETIMA+E+ULTIMA+AULA+DO+WORKSHOP+PARA+COZINHEIROS+DE+VIAGEM+ENSINA+COMO+FAZ.html
Eles mudam algumas partes! mas tem partes que copiaram descaradamente. É o cúmulo né? Muito feio..
Beijo

Camila disse...

Ana, na Alemanha essa raiz (Schwarzwurzel - raiz negra) é conhecida como "aspargo dos pobres". E a forma tradicional de se servir aspargos, por aqui, é cozido e acompanhado por sauce hollandaise. Já fiz sopa e ficou amarelinha, com um sabor que lembrava mandioquinha, bem suave. Acho que tb daria pra colocar num curry. Espero que vc goste dessas variacoes!

CRISTIANE LARA disse...

Oi Ana, tudo bem ? Adoro bardana ! Vou fazer sua receita, com certeza ! E com alcachofra também deve ficar uma delícia. Bj

Karen disse...

Oi Ana,
Você já experimentou colocar o Thomas no sling? Dá pra fazer várias coisas com ele coladinho em vc, se bem que cozinhar acho que não né... rsrs
Bj

Dulce disse...

Que bom que você voltou a postar, Ana. Meu dia ficou mais feliz!
Um beijo,
Dulce

Bruna do Gourmandisme disse...

Não conhecia bardana, e como sou como vc, já fiquei determinada a encontrar e fazer!!!

Aproveito para te convidar a participar do sorteio lá no Gourmandisme: uma cesta de produtos Hershey's! beijos

Sarah Abreu disse...

Adoro gobo! Já comeu do jeitinho oriental? Vou perguntar à minha avó como faz e te escrevo aqui!
Ela faz com shoyu e pimenta. Fica ótimo!

Adorei o modo como fez! Vou experimentar!

Aline Costa disse...

A bardana é protagonista de um prato japonês que eu adoro: o kimpirá. Trata-se de um refogado com a bardana em tirinhas (vc vai cortando em lasquinhas como se fosse apontar um lápis), com shoyu, um "cadim" de açúcar, óleo de gergelim e pimenta. Quando fica muito repetitivo, às vezes faço tempurá, cortado do mesmo jeito pro kimpirá. Daí é só misturar as lasquinhas na massa e fritar pequenas porções. Fica muito bom também. É minha raiz favorita!
Ah que coisa boa é ter bebê em casa! Não importa o quão estressados ou irritados estamos, eles sempre nos deixa com um sorriso no rosto. É contagiante...
Beijos!

Lais Fraga disse...

Ana,
é uma delícia ler seus textos, como sempre!
Vou confessar que sinto falta de vê-los mais vezes por aqui, mas essa falta é imediatamente compensada quando você comenta sobre a sua rotina com o Thomas!
Esses dias estava com minha afilhada e mais algumas crianças, todas comendo bolachas recheadas... quando ofereceram pra ela, ela negou... disse que era ruim, e imediatamente me pediu o pote de salada de frutas que estava na sua lancheira.
Que orgulho! haahaha!
Enfim, te contando só pra te mostrar que É POSSÍVEL... e olha que ela já está com 5 anos, fazendo as próprias escolhas! rs!
Beijos e boa volta ao trabalho!! :D

Patricia Scarpin disse...

Olhando pela foto me parecem fatias de palmito, Ana. Nunca tinha ouvido falar! A cara dessa comidinha tá ótima.
Beijo!

Luciana Betenson disse...

Ana, aqui em Ribeirão Preto servem bardana como 'aperitivo' no meu restaurante japonês predileto. Eles fazem a bardana desfiada e temperada com shoyu, salsinha e outras coisinhas, como faz com palmito pupunha sabe? Delícia :-p

sasa disse...

Além de ser o ingrediente principal do "kimpirá", prato tipico oriental, pois ele combina muito com a pimenta vermelha (in natura, de preferencia),azeite e gergelim. Tb me foi passado uma otima utilidade: ele serve para ser colocado em caldos com peixe, pois tira o cheiro.

Anônimo disse...

Assim como falaram acima, gosto da bardana refogada com shoyo e acompanhando arroz integral com muito gergelim salpicado.... hum... foi uma fase macrobiótica da minha saudosa avó que me apresentou a iguaria! rs...

Naila disse...

Olá! Raramente comento, mas tenho que fazer coro àqueles que sugeriram a bardana feito no modo oriental. Fica agridoce, crocante, uma delícia. E não tem nada a ver com alcachofras, na minha opinião. Faça que vale a pena....eu adoro, como desde criança.

beijos

Anônimo disse...

Faco coro com a Dulce: meu dia também ficou mais feliz com este post. Quando der, continue escrevendo! =) Não achei nenhum blog como este, porque este é o único que encara a comida e o comer de maneira semelhante a mim. Ainda bem que, como a minha descoberta dele é relativamente recente, posso ler os posts antigos... tanta coisa pra aprender!!!

Um abraço,
Luciana

Cozinhe isso também!

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