quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Mais caseiro impossível: torta coringa da Sra. Minha Mãe

Há determinados pratos que, só de sentir o cheiro, transportam-nos imeditatamente à casa de nossos pais. Essa torta é um deles. Passei toda a minha vida comendo dela, cada vez com um recheio diferente, pois seu sabor dependia exclusivamente das sobras que havia na geladeira. Frango desfiado, batatas, ervilhas, milho, atum, vagens, cenouras, o que fosse. Sobrou, faz torta.

Aqui em casa, entretanto, como raramente há sobras de qualquer coisa (porque o que sobra de um jantar para dois eu costumo comer no meu almoço solitário), quase sempre saio para comprar ingredientes exclusivamente para a produção da mesma, quando bate o saudosismo. Adorava comê-la fria direto da geladeira, o que a torna uma excelente opção para ser assada numa assadeira retangular e cortada em quadradinhos, para ser servida fria, como aperitivo, acompanhando uma cervejinha de uma forma mais saudável. Só não façam como eu, que, contrariando as recomendações maternas, insisto em usar tomates. Eles são úmidos demais e deixam a massa muito molinha (como se vê na foto), quando, na verdade, ela deve sair bem sequinha do forno.

Divido aqui com vocês uma de minhas melhores lembranças de infância e uma ótima receita de sobras para começar minha campanha "JOGA FORA NÃO!", já que teve gente que me escreveu dizendo que não conhecia muitas receitas para aproveitar sobras de alimentos. Por enquanto, o Joga Fora Não vira só uma categoria no blog. Mas, como tempo, farei uma página específica para essa área, com dicas para aproveitar ingredientes específicos que andaram dando bobeira na despensa. Esperem só!


TORTA CORINGA DA SRA. MINHA MÃE
Tempo de preparo: 10min. + 45-60min. de forno
Rendimento: 6 porções


Ingredientes:
  • 9 colh. (sopa) de farinha de trigo
  • 3 ovos pequenos ou 2 extra-grandes
  • 3 colh. (sopa) de parmesão ralado
  • 1/2 xíc. de azeite (ou óleo vegetal)
  • 1 copo americano de leite (interpreto isso como sendo 200ml)
  • 1 colh. (sopa) de fermento químico em pó
  • sal e pimenta-do-reino a gosto
  • 3-4 xíc. de vegetais já cozidos (e carnes para quem come) em pedaços que sobraram na geladeira, mais ervas e temperos a gosto
Preparo:
  1. Bata todos os ingredientes menos o recheio num liqüidificador ou batedeira até ficar homogêneo.
  2. Unte uma travessa média (de uns 30cm) com manteiga e despeje metade da massa (bem líquida), inclinando a travessa para que a massa cubra o fundo. Parece nada, terá apenas 0,5cm de altura de massa. Espalhe o recheio por cima e cubra com o resto da massa, preenchendo os espaços da forma mais uniforme possível.
  3. Leve ao forno pré-aquecido a 180ºC até que a superficie esteja bem dourada e uma faquinha saia completamente seca ao ser espetada em seu interior. Sirva quente ou fria. A torta fica sensacional de um dia para o outro.

A torta da foto teve como recheio tomates sem sementes em pedaços (grande erro), queijo branco, milho, grão-de-bico e salsinha, temperados com sal e pimenta. Mas minha mistura favorita na época que morava com meus pais e comia carne era de peito de frango desfiadinho (ou atum), batatas cozidas cortadas em cubos, ervilhas e milho em lata.

20 comentários:

bruna lyrio disse...

Oi, Ana! Essas tortas sao realmente ótimas, bem práticas. A minha versao favorita é de espinafres com cogumelos (de preferência shiitakes).
Delícia! ;-)
Abraço,
Bruna.

Lílian disse...

Ana, incrível ! Por favor, acredite em mim... hehehe... mas ia mesmo sugerir a criação desta página para você. Mas minha idéia é de uma página "colaborativa", onde as pessoas que se interessam pelo tema, possam também contribuir. Não sei se é fácil gerenciar isto e se você curte a idéia, mas fica a sugestão. Parabéns. Adorei o logo. Já tô te vendo sendo entrevistada pelos jornais, revistas... "Blogueira lança campanha contra o desperdício e mobiliza milhares de pessoas... hehehe"

Danielle disse...

Oi Ana.

Ótima receita... lá em casa esse é o método q uso quando existem sobrinhas q não consigo reaproveitar rapidamente... Adorei também a idéia da Lilian... não sei se vc viu um post no blog "o Bolo Fofo" onde a Manu fala sobre essa questão do desperdício...É bem interessante.

Para tentar iniciar a onda verde em casa, eu e meu marido já combinamos de não usar mais sacolinhas no mercado numa tentativa de sermos mais "ecologicamente responsáveis" ... Vamos ver no que vai dar! :)

Bjos

Dani

Rogério disse...

Ana, dizem que mãe é tudo igual...cada vez mais acredito nisto, não na forma pejorativa, mas lembrando de tudo de bom que elas fazem. Minha mãe faz esta torta até hoje. Como meu mais novo adora, ela ainda tem a paciência de levar lá em casa. Um amor. Aliás, um dos primeiros posts do Amuse Bouche foi uma variação da torta da minha mãe. É um grande quebra-galho.
Gostei muito da sua campanha contra o desperdício. Estou aderindo e sugiro duas receitas clássicas: o "mexidinho mineiro" e a "sopa de entulho" (que minha mãe batizou de "sopa de gato"). Aguardo com muito interesse as "receitas contra disperdício".
Beijo
Rogério

Cris disse...

Olá... primeira vez aqui, estou amando, cheguei pela Bia. Acho que sou a rainha das sobras aqui em casa, um almoço sempre vira algo diferente no dia seguinte ou no jantar! Muito jóia sua idéia! Aguardamos as dicas. Bjs!

Anônimo disse...

Oi Ana!!
Que delícia de torta. Tenho sobras de frango, milho, espinafre cozido, já vou fazer para o jantar.
Maravilhosa sua idéa contra o desperdício.
Já carrego comigo uma sacola q comprei na Ikea em Los Angeles para carregar as compras.
Parabéns pela brilhante idéia. Adoro seu blog.
Abraços
Anna Maria Tavares
anna.tavares@aterra.com.br

Gourmandise disse...

Mais interessante que uma sopa de sobras de geladeira.
abs,
Nina.

Vitor Hugo disse...

Mãe é tudo igual, só muda endereço! heheheh

Minha mãe também vivia fazendo essas tortas, além de pizzas! Imagina o que era dar de comer e entreter 3 crianças.

Postei sobre o bolo, heheheh :)

Anônimo disse...

Oi ana...
Minha primeira vez no blog, cheguei através do google pois estava procurando receita de kuchen que conheci durante minha viagem em uma cidadezinha colonizada por alemães no Chile. Nao encontrei a receita, mas conheci seu blog que já adicionei aos favoritos e volto sempre para visitar. Parabéns adorei as receitas e as idéias existentes!!!

raquel disse...

Oi Ana,
Amanhã é aniversário do meu marido e vou fazer o seu bolo triplamente fácil de chocolate e cereja, mas...o que são cerejas glaceadas? É o mesmo que cerejas em calda?
Obrigada!

Ana Elisa disse...

ALÔ GERAL PARA TODO MUNDO!

Nossa, quanta repercussão! Aos novos, bem-vindos; a todos, fico muito contente que tenham gostado da idéia!

Lílian, minha idéia também é, futuramente, algo colaborativo. Ainda preciso pensar no layout da página e na (detesto essa parte) programação, e como funcionaria a parte da colaboração. Talvez demore um pouquinho. Mas, por enquanto, quem tiver post sobre o assunto ou com boas receitas, manda para mim o link, e pode (se quiser) tascar o logo no post.

Raquel,
são as cerejas cobertas por uma camadinha de açúcar, cristalizadas. Não é o mesmo de cereja em calda não. Se não encontrar, pode usar cerejas frescas, sem caroço, passadinhas na farinha antes de serem incorporadas à massa. As em calda têm líquido demais e podem empapar o bolo.

Beijos a todos, e obrigada pela visita e pela colaboração!!

Lílian disse...

hehehe... entrei para te pedir autorização para copiar o logo. : )
Tks, beijo

Andreia T. Farias Britez disse...

Oi Ana,
Faço a mesma receita e adivinha quem me ensinou? Minha mommy!! Que legal ver que certas coisas não mudam... Delícia!! Aqui em casa o clássico é queijo e presunto ou atum!! Beijão!!

Fer Ayer disse...

Acho que todas as mães do planeta faziam este tipo de torta pelo que vi aqui...risos...cada uma com uma diferença na receita mas a mesma essência.
A minha tb fazia e depois descobri variações dela muito boas, para usar resto de salsicha com molho (que sempre sobra do cacorro quente aqui em casa) e de atum em lata.
Achei genial a idéia do seu logo e acho que poderíamos colocar...cada um em seu blog, para divulgar por enquanto...o que vc acha?
Beijos

Dani disse...

Eu chamo esta torta de TORTA DE RESTO... a minha receita é mesma, só acrescento 1 cebola média.
A torta é realmente um curinga =)

Anônimo disse...

há pouco tirei essa torta do forno a já comi 3 pedaços. ótima mesmo! meu recheio: 1 lata de milho, 1 lata de ervilha, 1 lata de filé de sardinha, meio vidro de pimentão vermelho sem pele em conserva picado grosseiramente (usei da marca Bonduelle), 1 tomate pelado picado (daqueles enlatados). Carine

Gisele disse...

Estava euzinha, procurando pela internet uma receita diferente para fazer nesse domingo, quando me deparei com esse site e comecei a ler.
Você não faz idéia de como me diverti lendo seus textos, de como faz parecer tudo tão fácil e simples, até mesmo quando você é perfeccionista. Até sobre peixe, eu li e olhe que não sou fã, mas valeu pelo bela escrita.
Pode ter certeza de que virei fã e adorei as receitas que deram certo...hehehe...e me diverti com os textos das receitas que deram errado.
Parabéns!

Lina disse...

Receita de mãe é uma coisa realmente incrível! A minha costuma fazer uma torta muito parecida com esta, que a gente chama de "Torta de Liquidificador" lá em casa ("lá em casa" significa a casa dos meus pais...). Normalmente, ela recheia com queijo, presunto, palmito, ervilhas e... lógico, sobras da geladeira! Só que ela coloca num refratário fundo e costuma usar tomates. Fica uma massa bem macia.
Hummmm, acho que já sei o que vou jantar hoje!
Beijos

Silvia disse...

Aqui denominamos torta de liquidificador e a mais apreciada tem recheio de carne mopida apenas. Pode ser tb de frango ou de atum. Costumava comprar uma de legumes: vagem, cenoura, baroa. Encontri uma destas revistinhas pequenas de receitas com mais de uma dezena de torta de liqui, com variações na massa e no recheio.

Daniela Assumpção disse...

Adorei a iniciativa do JOGA FORA NÃO, mas falando da torta tenho o mesmo sentimento e mantenho esta tradição na minha casa.

Cozinhe isso também!

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