sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Comida que não engorda 2 - o retorno

Então este meu amigo de dieta veio jantar aqui em casa ontem. Perguntei-lhe logo quais eram suas restrições alimentares, já pensando em todos os vegetais que tinha estocados na geladeira. "À noite, não como nenhum carboidrato ou gordura", declarou ele. Naquele momento, confesso que surtei. Vasculhei meu cérebro uma, duas, três vezes, mas foi em vão: eu simplesmente não conheço uma única receita que não use um carboidrato ou alguma gordura. Nada de massas, nada de risotos, nada de couscous marroquino, nada de tortas de nenhuma espécie. Sopas de legumes? Quase todas levam batatas, queijo ralado ou manteiga. Saladas?? Não faço uma que não fique incompleta sem um naco de queijo. Concluí que esse é o tipo de dieta para quem gosta da saladinha cenoura de um lado, tomate do outro. Coloque o famoso franguinho grelhado no meio e vambora.

Perdoem-me os de dieta, mas isso é algo que não entra na minha cabeça: não passamos nossa infância inteira ouvindo que um prato saudável é aquele que tem um pouquinho de tudo? Fibras, cereais, proteínas, carboidratos, gorduras, etc e tal?! Por que a moda dos últimos 10 anos tem sido encontrar um único vilão na alimentação humana, um bode expiatório para nossas redondas cinturas? Que tal começarmos a apontar o dedo para nossos próprios umbigos e admitirmos que o problema de nossas vidas não é o "carboidrato", mas o fato de o consumirmos em forma de doughnuts?? Afinal, se a massa fosse vilã, a Itália seria campeã de obesidade.

Não sabendo o que fazer, resolvi seguir com meu plano original da noite: comida indiana. Não poderia ser mais saudável: arroz basmati com cebola e especiarias, batatas com espinafre e curry de couve-flor. Tudo bastante apimentado e temperado, mas feito com quase nada de óleo vegetal. Sem queijos, sem manteigas, praticamente sem gordura. Apenas as batatinhas e o arroz branco dando as caras... Mesmo servindo-me generosamente (depois de duas horas na cozinha, preparando um milhão de ingredientes, com certeza tinha fome), terminei o jantar sentindo-me absolutamente leve. Por que qualquer pessoa quereria comer de outra forma, abdicando de uma parte tão importante de sua alimentação? Carboidrato, ao meu ver, serve quase sempre como uma base neutra para uma variedade de acompanhamentos. Sem falar que dão energia! Sem eles, você vira uma mosca morta. E já se foi a lenda de que não se podia consumi-los no jantar. Muito pior, a meu ver, é jantar proteínas pesadas, como carnes, que demoram para serem digeridas, pesam no estômago, e tornam seu sono desconfortável.

Mas, no fim das contas, terminei meu jantar um pouco triste, ao descobrir que meu convidado não se dava bem com pimentas. Pobrezinho, que jantou três pratos abarrotados de pimenta-dedo-de-moça, pimenta caiena em pó e pimenta-do-reino... Se você estiver lendo, peço desculpas por não ter perguntado se você era fã de comidas fortes...

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