quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Pasquale

A casa que começou vendendo apenas antipasti é simpática, com serviço atencioso e ambiente agradável. Mas deveria ater-se somente àquilo que faz de melhor. A berinjela barese e a sardella são extremamente saborosas; você tem vontade de mandar embrulhar um pouco para levar para casa depois do jantar (aliás, você pode fazê-lo, a R$6,80 100g de qualquer antipasto). As massas, no entanto, deixam a desejar. Quando li a descrição do "penne caprese", lembrei-me do spaghetti primaverile que comera em Roma, com tomates-cereja esmagados, grandes punhados de manjericão fresco, e mozzarella de búfala despedaçada derretendo suavemente entre os fios de massa.

Porém, vi decepcionada um prato de penne, como um monte solitário de pasta sem molho, cercado minuciosamente de uns 6 tomates-cereja cortados ao meio e umas 6 bolinhas de mozzarella, graciosamente intercaladas. O manjericão farto que eu esperava eram folhinhas minúsculas individualmente repousadas sobre cada uma das metade de tomates. Muito bonitinho, pensei. Mas onde está o molho?

É claro que não importava o quanto eu mexesse o garfo no meu prato, o macarrão não pegaria jamais o gosto daqueles três ingredientes esparsamente distribuídos. De modo que terminei minha noite mais uma vez frustrada, pensando por que alguém que tem um restaurante italiano se importaria tanto com a aparência do prato ao ponto de prejudicar seu sabor... Seria influência dessa onda de gastronomia, em que o mais porcaria dos botecos tenta aparentar sofisticação na aparência ao invés de... ahn... melhorar seus pratos? Por que um lugar como o Pasquale, que obviamente sabe o que é servir boa comida, se renderia a uma tendência como esta?

Paguei minha conta, àquela noite, pensando que talvez tivesse sido mais proveitoso pedir um antipasto atrás do outro, pulando o prato principal e indo direto à sobremesa...

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