Rabanetes não estavam em minha lista de compras quando fui à feira. No entanto, eles estavam tão lindos, pequenos, redondos, de um rosa-choque exuberante, e sua folhagem estava tão fresca e verde, que não me aguentei. "Tiro as folhas?", perguntou o feirante. "De jeito nenhum!", respondi. Voltei para casa, separei os rabanetes da folhagem, guardando os primeiros num pote e lavando e secando a segunda.
As folhas do rabanetes são ligeiramente urticantes quando cruas, mas são deliciosas e valem a coceirinha na hora de lavá-las. Assim como as folhas de nabos e de beterrabas, elas ficam maravilhosas refogadas em alho e azeite, e podem substituir o espinafre ou outra verdura cozida em qualquer prato.
Neste caso, cozinhei 200g de orecchiette (mas poderia ser qualquer massa curta), e enquanto isso refoguei um belo maço de folhas de rabanete cortadas grosseiramente (com seus cabinhos) em um pouco de azeite, 2 dentes de alho fatiados fino, um pouco de sal e uma pitada de pimenta-calabresa, até murchar e o alho ficar dourado. Juntei uma colher de manteiga e acertei o tempero. Escorri a massa, e juntei-a às folhas, com 1/2 xic. de creme de leite fresco e um punhado generoso de parmesão ralado na hora. Coloquei numa travessa refratária untada com manteiga, cobri com mais um punhado de parmesão e um fio de azeite e levei ao forno a uns 205ºC até borbulhar e dourar (uns 15 minutos). Serve 3 pessoas com apetite normal ou 2 morrendo de fome.
terça-feira, 6 de julho de 2010
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Gelatina de tangerina com iogurte e chocolate
A única chatice de assinar revistas culinárias estrangeiras é ter de folheá-las, marcar suas receitas favoritas e então empilhá-las na estante e esperar seis meses até que o hemisfério sul esteja na estação equivalente à da revista. A primeira revista do Jamie Oliver que chegou em casa era edição especial de Natal. Abarrotada de coisinhas gostosas e outonais/invernais, e nós em pleno verão... Tudo bem que mexerica não é uma fruta exclusiva de inverno por aqui; sua estação até que é bem extensa, ainda que seu pico seja mesmo no frio. Mas guardei com carinho esta receita, lembrando-me do ano anterior e de como comera praticamente apenas cítricos em julho, cansada das maçãs e peras de junho e ansiando pelos morangos de agosto. [Sim, há morangos no mercado, mas só como morangos orgânicos, e por enquanto, ainda meio fora da época, eles estão carésimos. Prefiro esperar a estação certa e comprar mais barato – sério, tipo 40% mais barato.]
Eu comprara uma bela braçada de mexericas orgânicas já explodindo seu suco de maduras, e, antes que as colocasse a perder, expremi-as na mão mesmo (tão macias e suculentas estavam), passei o suco em uma peneira para filtrar caroços e fiapos, e preparei essa gelatina. Ainda que ansiosa pelo resultado, confesso que não acreditara em seu potencial. Mas ela é deliciosa, leve e merece infinitas repetições. Lembrei-me dos sabores artificiais da infância e não há nada que me faça voltar àquelas gelatinas de cores plásticas e sabores duvidosos.
Quantas mexericas/tangerinas você vai usar depende da fruta, na verdade. Para meia receita, usei apenas 4 mexericas imensas, apesar de a receita inteira pedir 30. É mais fácil comprar quantas mexericas quiser, espremê-las, medir seu suco e alterar a proporção da receita de acordo. A quantidade de açúcar também é a gosto do freguês e depende da doçura das frutas. No meu caso, usei quase nada, umas duas colheres apenas.
Eu comprara uma bela braçada de mexericas orgânicas já explodindo seu suco de maduras, e, antes que as colocasse a perder, expremi-as na mão mesmo (tão macias e suculentas estavam), passei o suco em uma peneira para filtrar caroços e fiapos, e preparei essa gelatina. Ainda que ansiosa pelo resultado, confesso que não acreditara em seu potencial. Mas ela é deliciosa, leve e merece infinitas repetições. Lembrei-me dos sabores artificiais da infância e não há nada que me faça voltar àquelas gelatinas de cores plásticas e sabores duvidosos.
Quantas mexericas/tangerinas você vai usar depende da fruta, na verdade. Para meia receita, usei apenas 4 mexericas imensas, apesar de a receita inteira pedir 30. É mais fácil comprar quantas mexericas quiser, espremê-las, medir seu suco e alterar a proporção da receita de acordo. A quantidade de açúcar também é a gosto do freguês e depende da doçura das frutas. No meu caso, usei quase nada, umas duas colheres apenas.
GELATINA DE TANGERINA COM IOGURTE E CHOCOLATE
(ligeiramente adaptado da revista Jamie Magazine)
Tempo de preparo: 15 minutos + 3 horas na geladeira
Rendimento: 3 porções
Ingredientes:
- 2 envelopes de gelatina (24g)
- 800ml suco fresco de mexerica orgânica (10-30 mexericas, dependendo da espécie)
- açúcar cristal orgânico a gosto
- um pedaço pequeno de gengibre, descascado
- 1/2 colh. (chá) essência de baunilha
- 200g iogurte natural
- chocolate amargo
Preparo:
- Coloque a gelatina em um potinho com 150ml do suco e deixe descansar por 5 minutos.
- Coloque o restante do suco em uma panela com açúcar suficiente para adoçar, mas não para tirar a acidez da fruta completamente. Misture um pouco de gengibre ralado (a gosto), com qualquer suco que a raiz liberar.
- Leve a panela a fogo alto e aqueça apenas até notar algum vapor. Não deixe ferver. Retire do fogo e misture a gelatina amolecida, misturando bem com um batedor de arame.
- Quando não houver mais nenhum resquício de gelatina, passe o líquido por uma peneira e distribua em 6 copos pequenos. Deixe esfriar, e quando estiver em temperatura ambiente, leve à geladeira por no mínimo 3 horas, ou até que esteja firme.
- Na hora de servir, misture a baunilha ao iogurte e distribua nos copos. Tire raspas de chocolate com uma faca ou um descascador de legumes e polvilhe as raspas sobre os copos. Sirva imediatamente.
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