segunda-feira, 28 de março de 2016

Cortando os excessos, eliminando desperdícios, fazendo bolo de radicchio



Acreditava que meu ano começaria normalmente após o carnaval, como o da maioria dos brasileiros, mas o que aconteceu nos últimos dois meses, imprevistos grandes e pequenos e variados, foi como ter diferentes tipos de terremotos abalando a estrutura de minha casa. E, ainda dentro dessa imagem, esses abalos romperam canos que a partir de então deixaram escoar água num fluxo constante mas não tão evidente, de modo que quando me dei conta, a caixa d'água estava vazia.

Uso essa figura de linguagem pois uma vez, tendo vazamentos em minha casa – esses de verdade –uma grande amiga me disse: "cuide logo desses vazamentos, Ana, eles não apenas são dinheiro indo embora, mas também energia".

Isso ficou em minha mente por muito tempo, mas só recentemente a metáfora ficou clara.

Nesses dias em que as coisas ruins parecem drenar tanto minha energia que não sobra nada para aquilo que é bom, perdi muito tempo tentando me ater a atividades que costumavam me restabelecer e energizar. Mas ao invés de me sentir revigorada, percebia-me com a sensação de sobrecarga.

Então a voz dela ressoou em meus ouvidos: cuide dos vazamentos. Não me adiantava de nada tentar gerar mais energia se ela estava simplesmente indo embora para o lugar errado.

Uma luz tênue iluminou todo o ambiente e de repente vislumbrei as pequenas rachaduras por onde aquela água fluía, livre, para longe de mim. Ficou claro o modo como minha energia escapava para lugares que não me retornavam coisa nenhuma, que não me revigoravam, e que eventualmente me arrastavam para situações opostas ao que eu desejava para mim e minha família.

Evidentemente é mais fácil começar por vazamentos tangíveis. Aqueles mais controláveis. Eliminar o facebook e toda espécie de interação digital que não me faça bem. Ou rearranjar os horários das crianças para ser mais eficiente e não desperdiçar tanto tempo indo e vindo dos compromissos. Ou reduzir meu armário para não cair na pegadinha de sair todo dia como um deprimente saco de batata ou perder tempo escolhendo uma coisa melhor pra vestir – tudo combina com tudo e está visualmente ok, e sobra tempo para passar um rímel e tomar mais um café.

Mas comecei a perceber energia indo embora de outras formas. Em forma de objetos. Coisas. Porque quando você tem coisas, precisa de coisas para guardar as coisas, e precisa de coisas para limpar as coisas, e precisa de coisas para consertar as coisas e então mais coisas para substituir as coisas que quebraram mas que você não consegue jogar fora e então mais coisas para organizar essas coisas dentro das coisas.

Coisas ocupam espaço e acumulam pó e exigem tempo e trabalho para manutenção. E se você NÃO precisa dessas coisas, então está desperdiçando espaço, tempo e energia mantendo elas ali.

Coisas também são envoltas em frustrações e expectativas. Aquela coisa que você guardou para uma situação que nunca aconteceu. Aquela coisa que você ganhou de alguém com quem você não tem mais amizade. Aquela coisa que está lá pro dia em que você for alguém que você não é. Alguém me disse outro dia que frustração é excesso de passado e expectativa é excesso de futuro. E estamos aqui cortando os excessos, porque tudo o que é excesso é desperdício.

Se não me traz uma memória feliz, eu não quero. Se eu não uso agora, sendo a pessoa que eu sou hoje, também não. Porque ter coisas repletas de frustação e expectativa é como aquela torneira da cozinha pingando sem parar. É aquele barulhinho irritando você o dia todo sem você perceber.

Fora com os materiais de arte do tipo de artista que eu não sou. Fora com os cd's que eu não ouço porque me lembram uma fase ruim, fora com a linda terrine da le Creuset que eu NUNCA usei e nem vou usar (à venda, se alguém quiser), e todas as formas de bolo paradas, e todos os livros e mangás que não vou ler de novo, e todos os livros de arte ruins que estavam lá "só para referência", e as coisas quebradas que eu não vou consertar nunca, e até mesmo meu computador, meu Mac, esse computador "extra" na casa que eu uso apenas para responder emails e postar no blog.

Conforme vou resolvendo esse vazamento específico das coisas, no entanto, tentando controlar o ambiente à minha volta para resolver minha situação emocional, dou-me conta de outro grande vazamento de energia: justamente meu controle. Que eu sou control freak nunca foi novidade para ninguém. Mas só agora percebo quanta energia joguei fora tentando controlar o que eu não posso. Toda a preocupação, todo o gerenciamento, todo o planejamento direcionado a situações completamente fora da minha alçada.

Quando li um texto sobre zen outro dia, sugerindo o exercício de simplesmente deixar a situação descontrolada chegar, instaurar-se e ir embora sozinha, sem que você tentasse fazer nada para controlá-la, senti pânico apenas de imaginar. Mas identifiquei nisso uma necessidade em mim. Aprender a deixar as crises da vida virem e irem, sem que elas de fato abalem a estrutura da casa e drenem sua energia. Não deixar que um pequeno tremor se transforme num terremoto.

Inspira, expira.

E eu sei que esse rearranjo do meu ambiente é apenas mais uma forma de controle para obter conforto emocional. Mas eliminar o estresse bobo de algumas decisões desnecessárias pode tornar a mente mais leve para lidar de forma mais relaxada com esse caminho difícil de aprender a abrir mão do controle. Simplificar em volta para simplificar por dentro.

Voltei a olhar para os livros de cozinha. Aqueles mais de duzentos que haviam se tornado cem. E que ainda pareciam demais. Todo dia que queria fazer um bolo, vinha aquela indecisão. Tentava basear a escolha na despensa, mas mesmo assim era difícil.

Um bolo de maçã. Simples ou com alguma cobertura? Tradicional ou com farinhas especiais? Porque eu tenho aquela farinha de spelta pra usar. Ou a de quinoa. E tenho uvas passas, mas também tenho cranberries. Com óleo ou com manteiga? Leite ou iogurte? Ou vegan? Ou sem glúten? Ou invertido? A que usa só uma maçã ou que usa todas as que eu tenho? Mas essa receita de novo? Ela é perfeita, mas e aquelas outras setenta e duas receitas de bolo de maçã que eu tenho e nunca fiz? E se eu usar todas as maçãs pra fazer esse bolo? Vai ter maçã de novo semana que vem pra fazer aquele outro? Será que eu faço aquele outro? Será que aquele outro é melhor? Mas eu nunca usei esse livro. Tinha que usar esse livro. Mas esse bolo dá mais trabalho. Queria um mais fácil. Mas aquele mais fácil eu já fiz e eu tinha que usar esse livro que eu nunca usei. Opa, esse bolo de banana parece mais legal. Tem banana?

Entendem onde estou querendo chegar?

É SÓ UMA DROGA DE UM BOLO. ¬_¬

Não é paz mundial.

Você vai comer o bolo e seguir com a vida. Não era para ser tão importante. Não era para gerar tanta tensão. Quando um hobby virou uma fonte de estresse? Não sei. Talvez eu tenha de ler o blog todo de novo para descobrir. ;)

Reduzi novamente minha coleção de livros para 48, incluindo uns seis ou sete que eu nunca uso mas que são de estimação, como meu livro de receitas do Veneto do Alessandro Pradelli. Metade desses 48 estão ainda no "purgatório".


Percebi que tudo o que quero é ter uma boa receita de bolo de maçã. Ter maçãs, escolher entre no máximo duas ou três opções baseado no que tenho da despensa e seguir a vida. Parar de perder tempo procurando no eat your books, então apanhando meia dúzia de livros e lendo as receitas, e então me martirizando para decidir a droga do almoço. E parar de me sentir pressionada a usar um dos livros que eu tenho e parar de me sentir mal por estar usando uma receita da internet de novo. Ficar folheando livros de cozinha e planejando cardápios era um prazer na época em que tinha uma tonelada de tempo livre. Hoje em dia simplicidade tem me dado mais prazer do que refeições elaboradas.

Num dia desses, nesse frenesi de hora do almoço, fazendo um enorme quebra-cabeças de ingredientes e tempo e nutrição e curiosidade culinária, simplesmente larguei tudo e preparei uova in purgatorio (ovo frito com molho de tomate) acompanhado de torradas de pão caseiro. E fim. Todo mundo bem almoçado e feliz, que esse é o objetivo no fim das contas.

E essa ficha caiu com força há duas semanas, quando meu filho de meros cinco anos quebrou um dente e teve de fazer o canal. Foi um dia estressante para todo mundo e tudo o que eu queria era melhorar aquela sensação para todos e principalmente para ele. Fizemos juntos uma mousse de chocolate da Alice Medrich que fica pronta para comer em meia hora, e uma pizza bianca (só de queijo, sem molho de tomate) da Tessa Kiros para o jantar, acompanhada de uma saladinha verde. Assim como o dia do peixe com batatas, foi uma refeição deliciosa e tranquila. E vendo meu filho comer todo o alface primeiro para só então atacar a pizza, percebi que eu DE FATO não preciso mais ficar neurótica. Eles já estão educados. Eles já comem coisas verdes. Segue a vida.

Não quero apenas simplificar meu guarda-roupa. Quero simplificar minha vida. Preocupar-me com o que de fato importa. Não me ocupar da nada fora do meu controle. Numa realidade em que temos tantas decisões importantes para tomar, como qual novo dentista escolher para seu filho numa emergência em que seu dentista sumiu do consultório, eu realmente não quero transformar num estresse extra a escolha do jantar ou de uma blusa pra vestir.

Fui brutal com meus livros.

Amo de paixão os livros do Nigel Slater, do David Tanis e da Diana Henry, mas toda vez que eles estão na cabeceira da minha cama ou ao lado da minha poltrona de leitura, eu estouro o orçamento do supermercado. Idem para os livros naturebas que usam uma miríade de castanhas e farinhas especiais. Estão no purgatório o meu favorito do Nigel e meu favorito do David. O da Diana está indo embora.

Não apenas os livros, até a despensa urge por simplificação. Aqueles dezoito potes de farinhas diferentes vencendo.

Depois de todos esses anos de esquizofrenia culinária, momentos de extremos e chiliques alimentares, me vejo gravitacionando em torno da minha querida cozinha italiana, onde estão minhas raízes, ramificando para o restante do mediterrâneo, com breves e pontuais incursões na Ásia.

Tenho querido o bom e velho arroz simples. Uma boa salada verde bem temperada. Batatas cozidas regadas de azeite. Um filé de pescada frito. Um bolo de maçã com canela sem frescuras.

Como se toda a complexa busca dos últimos anos tivessem servido para me dar certeza do lugar de onde eu vim. Cada vez que janto na casa de minha mãe um prato de strogonofe de frango, um bolo de cenoura, creme de espinafre... vou amolecendo por dentro. Ouvir noutro dia que o prato favorito do meu marido é aquele spaghetti com o molho de tomates mais simples do mundo, da Marcella Hazan, tocou um ponto em mim.

Depois de fazer esse corte, olhei para os livros na estante (a de cima com os que ficam, a debaixo com o purgatório), e me dei conta de que são receitas bastantes para uma vida inteira. E que eu talvez finalmente consiga cozinhar um livro inteiro, ideia que sempre me apeteceu mas sempre foi impossível dado o excesso de opções dos meus duzentos e cinquenta livros.

Enchi-me de satisfação ao me ver preparando coisas que de outra forma não faria. Com tantas receitas de bolo de maçã pra testar, por que alguém pararia pra preparar um bolo de radicchio?

Porque é bom. Estou dizendo que é bom.

Allex veio me perguntar o que diabos eu tinha contra bolos de chocolate, mas uma vez tendo dado uma mordida num pedaço das crianças, ele estava convertido. "Caramba, eu não esperava que fosse bom!"

As crianças adoraram. Levaram para a escola todos os dias, pobres crianças estranhas levando pro lanche da escola bolo de radicchio. ;) Quando fui tentar tirar uma foto melhor, o bolo já não existia mais.

Usei para a cobertura um chocolate branco da marca Casino, que é cheio de pontinhos de baunilha e mais escuro que o normal, e quando o derreti por mais tempo do que precisava, ele acabou escurecendo como um caramelo leve. Parece estranho simplesmente besuntar o bolo de chocolate branco derretido, mas como o bolo é pouco doce, o açucarado do chocolate complementa bem.

Não se sente o amargo do radicchio no bolo. Ele é um variegado roxo no meio da massa clara que, combinado à noz moscada, sugere um sabor completamente novo e irreconhecível. Um bolo italiano vindo de Chioggia, um lugar onde um dia alguém se viu com radicchio demais ocupando espaço e resolveu simplificar a vida e colocar o radicchio no bolo.

Então, preparem-se. Vem aí mais uma edição da Rapa dos Livros. o_O

Simplificando, cortando os excessos, eliminando desperdícios e relaxando a bisteca.

BOLO DE RADICCHIO
(Do livro Recipes and Dreams from an Italian Life, de Tessa Kiros)
Rendimento: 1 bolo pequeno

Ingredientes:

  • 1 generosa colh (sopa) de farinha de rosca
  • 2 1/2 colh (sopa) + 1/2 xic. açúcar
  • 170g radicchio (metade de um pequeno)
  • 7 colh. (sopa) manteiga sem sal em temperatura ambiente
  • 3 ovos
  • 1 colh. (chá) casca ralada de limão
  • 1 colh (sopa) conhaque ou rum
  • 1 colh (chá) extrato natural da baunilha
  • 1 pitada de noz moscada ralada
  • 1 xic. farinha de trigo
  • 2 colh. (chá) fermento químico em pó
  • 1 pitada de sal
  • 150g chocolate branco


Preparo:

  1. Pré-aqueça o forno a 180ºC. Unte uma forma de 20cm com manteiga e polvilhe com a farinha de rosca, descartando o excesso.
  2. Leve 1 litro de água para ferver com as 2 1/2 colh. (sopa) de açúcar. Solte as folhas do radicchio e coloque-as na água, cozinhando por alguns minutos até que amaciem. Escorra, esprema e pique.
  3. Na batedeira, bata a manteiga, o resto do açúcar e a casca de limão até que fique cremoso.
  4. Junte os ovos, um a um, batendo bem a cada adição. 
  5. Junte o conhaque ou rum, baunilha e noz moscada. 
  6. Desligue a batedeira, junte a farinha, o fermento e o sal e misture com uma espátula só até não ver mais farinha. Junte o radicchio e misture uniformemente. 
  7. Despeje na forma  e asse por 40 minutos ou até que um palito inserido no meio do bolo saia limpo.
  8. Deixe que esfrie completamente antes de desenformar. Derreta o chocolate branco em banho maria (se o chocolate não estiver derretendo bem, junte uma colher de água filtrada). Espalhe o chocolate sobre o bolo. Coberto, em temperatura ambiente, o bolo se conserva bem por uns 3 dias. 

17 comentários:

Pedro disse...

Que bacana, Ana! Cortar excessos tem sido minha resolução involuntária de ano novo. Um dia olhei para aquele sofá pequeno no quarto (!) que virara cabide, aqueles 400 livros que eu nunca iria reler, aquela mesinha que era para ser um pequeninho home office. Nada daquilo funcionava.

Foi tudo reformulado sem gastar muito. Sofá se foi, mesinha deu lugar a uma escrivaninha mais larga que paradoxalmente parece ocupar menos espaço. Separei 40 livros que me importavam, os outros foram vendidos para um sebo, seguir seu rumo, tem gente com vinte anos por aí sedento de leitura.

Facebook abondonei há anos. Hoje é estranho pensar em chegar em casa e ter toda uma timeline para ler (zzzzz...) Prefiro seguir minha própria agenda de interesses, minha meia dúzia de lugares que me importam nessa internet neurastênica. Dentre eles seu blog, que leio há anos, desde quando você disputava espaço com ciclistas, correndo na USP :)

Abraços e saúde para todos por aí!

PS: estou curtindo muito seus vídeos no youtube :)

Ana Elisa Granziera disse...

Pedro,
que legal que você está indo bem nesse processo! :D E obrigada com o apoio aos videos! Se tiver alguma recomendação de bom sebo para vender livros, aceito! hehehe.
Bjs
Ana

Fulana disse...

Oi Ana,


como leitora muito leitora que quando chega no final, volta pro começo, te digo: RELEIA seus posts porque é uma delícia. No início inclusive, aqueles que eram apenas um rasgo do cotidiano (basil and the city por exemplo, hehehe), são muito inspiradores!

Como glúten do jeito que você come carne: é gostoso e quando a gente viaja e vê apresentado de um jeito magnífico a gente come até demais, mas no cotidiano me estufa, me empanzina, me atrapalha na vida e não devia ter sempre. É o meu amor bandido ele! Mas o bolo já vai urgente para um desses dias especiais, porque parece coisa de livros de Jostein Gaarder, jeitinho de inverno!

Beijos! (só esperando essa nova rapa)

Lia disse...

Ana...
Desconfio que você está se estressando com algo que deveria ser diversão.
E está dando importância demais aos livros. Eles que parecem ter você, não o contrário... Eles são para a sua diversão, não o contrário.
E em vez de dar/vender/doar, que tal guardar por um tempo os que não são usados, mas que vc tanto gosta? E de tempos em tempos vc "gira" o que está na estante.

Pensa nisso...

Cris Murachco disse...

Olá Ana,

Gostei muito de seu retorno ao blog - e saída das tentações do facebook. Estou vivendo algo muito parecido. Acho que é algo do "espírito do tempo": quando a confusão lá fora torna inaudíveis as conversas mais banais, as pessoas voltam para sua essência, seu lar.

O texto se mantém ótimo, assim como suas receitas. Fiquei com vontade de fazer. Adoro radicchio e achei a ideia ótima! Claro que não vou contar para o meu filho do que é o bolo até ele provar - e gostar. Ele não tem mais 5 anos - idade maravilhosa! Até os 10 anos, ainda comia de tudo. Depois o grupo começa a influenciar e a gente ouve coisas como "odeio peixe" (quando até então todos os pratos de peixe eram rigorosamente devorados), "não como brócolis" (quando até ontem eu ouvia duas crianças entoando: queremos brócolis! girando em torno do fogão). Os hormônios da adolescência transformam os mais lindos jedis em Darth Vader a partir dos 11 anos.

Continue assim. E muito obrigada!!!!

Um beijo,

Cris (leitora fiel)

Dani disse...

Acho que tem um bando de vazamentos por aqui (e eu achando que tava precisando de um psicólogo urgente - vou começar destralhando que mal não faz).
Não prometo fazer bolo de radicchio não que aqui não tem radicchio - e trazer de longe um vegetal que deveria ser fresco meio que anula todo o esforço. Mas vou fazer um bolo amanhã. Quem sabe um delicioso e simples bolo de maçã aqui do seu site, pra quando tudo que vc quer é um bolo de maçã ;)

Eu tenho meio preguiça de testar receita nova - não tem jeito de dar um fast foward em mim e eu virar uma avozinha com um punhado de receitas testadas e aprovadas não, sem ter que passar pelo processo? Aliás, vc não quer publicar a lista dos livros de guarda não? Já vi que eu tenho o lindo da Marcella Hazan (amor eterno, amor verdadeiro). Pode copiar de quem já testou um monte de receita (vc) pra ajudar as preguiças-mor (eu) a ter um punhadinho - pequeno - de receitas deliciosas? Pode? Brigadim!

Geovana Gambalonga disse...

Oi Ana! Que delícia verificar meus feeds e notar que tem um post seu novinho em folha. O relato de sua experiência pela busca da simplicidade para alcançar uma vida mais tranquila e feliz me lembrou o que um professor disse em uma de nossas viagens de estudos... "levo só um sapato para não precisar escolher". E realmente também prefiro colecionar apenas umas poucas coisas favoritas do que ter um mar de opções para escolher. Tentam nos convencer que precisamos de muitas coisas para viver, entretanto o que faz diferença não são as coisas que acumulamos mas as sensações e experiências. Fique bem. Beijos.

Flavia Ruiz disse...

Acho que chega um momento na vida, talvez pela idade mesmo, que não só faz bem como é necessário esse corte de excessos. Passei por isso há alguns meses, quando me mudei. Levei comigo duas malas recheadas com o que era realmente importante pra mim e o resto foi doado, vendido, dado. Recomecei. Não é algo fácil de se fazer, mas no final o saldo é positivo.
Acompanho o seu blog há anos, desde o começo. Com seus posts eu já ri e me emocionei, já me inspirei, aprendi e muitas vezes me identifiquei. Adoro os seus textos! Bjs

Luciana disse...

Oi Ana!

Assim como a Geovana, fico feliz da vida ao ver um post seu novinho em folha! E como foi legal ler sobre simplificação. E sobre como se preocupar com o que realmente importa, além de assumir que não podemos controlar tudo. Há alguns anos mudei para uma cidade menor, para desacelerar, depois mudei para uma casa menor, para viver com menos e sigo tentando a difícil tarefa de simplificar e acumular menos. Simplificar abre horizontes e te dá mais tempo para o que realmente importa para você. Como sempre adorei o texto! Mas radicchio aqui em Sergipe não rola não! Seguirei fazendo sorvetes e panna cotta! Abraço apertado.

Anônimo disse...

Ana,

Como sempre, uma delícia "ouvir" vc!
E só o que me vem à mente é a vontade de ter vc na minha casa e diante de nós uma revigorante xícara de café expresso, torrado pelo marido.
E muito tempo para trocar figurinhas!!!
Se um dia por acaso, vier a Curitiba, terei imenso prazer de recebê-la!!!! Beijo!

Camila disse...

Ana, acho engraçado como vivemos momentos semelhantes (por mais de uma vez)... como se fôssemos amigas de longa data, separadas pelas circunstâncias da vidas, mas que ainda dividimos problemas/dúvidas semelhantes.
Outro dia fiz bolo de chocolate com abobrinha (nunca tinha pensado nisso, mas era exatamente a ideia de simplificar, porque tinha abobrinha demais). Desde o início do ano voltei a cozinhar o almoço e jantar para os meus pequenos (com idade próxima da madame Bochechas e que almoçavam no berçario até o final do ano).. foi aí que voltei para a simplificação e resgate de raízes também.
Quem sabe um dia, se você estiver perdida no triângulo mineiro, tomamos uma boa cerveja. Saúde e simplicidade para nós!

Dalva Maraci disse...

Olá Ana,

Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.
Fernando Pessoa

Com todo carinho,
Dalva

Anônimo disse...

Olá,

Sou a Alessia, moro na Europa, li o seu post e senti-me identificada. Há um par de anos descobri o yoga, o Hatha Yoga, é incrível, mas aprendemos a aceitar as nossas limitações, a ter paciência, a saber esperar, a ser humildes e uma infinidade de coisas boas, além de melhorar o nosso corpo. No entanto, é um processo lento, os resultados não são imediatos, enfim, essa é a dica que te queria dar.

Alessia

Anônimo disse...

Ana, te entendo tanto...
E sou tão pouco entendida pelos que me cercam...
Estou no mesmo caminho: simplificar tudo, dar o devido valor às coisas...
Lento e gradual, mas chego lá!
Parabéns pela transformação, que exige coragem e esforço!
Beijos,
Priscila.

Sil disse...

Olá Ana!
Que bom ver post novo, é sempre uma delícia entrar no blog e dar de cara com uma novidade culinária e existencial! rs
Entendo vc e seu momento, muitas vezes passo por isso! Posso te dizer que o nome disso é VIDA, com todas as contradições, angústias, alegrias, frustrações, realizações, etc e tals... Estamos sempre mudando, e aquilo que nos satisfazia já não se faz mais necessário, as coisas mudam, o tempo passa, novas experiências vão nos 'moldando'... E assim segue a vida!
Aproveite sem angústia estas mudanças, elas fazem parte de um viver pleno, em que nada é estático, linear... Em geral é bom encarar com serenidade as experiências, sem tanto controle, pois controle demais gera angústia demais. E a vida se impõe, quer a gente a controle, quer não. Por isso, aproveite melhor a viagem da vida, com tantas possibilidades. E lembre-se: escolher sempre implicará em alguma perda! Lidar bem com isso nos faz curtir melhor o que escolhemos, sem nos preocupar com o que perdemos!

Grande beijo pra vc e família!

Aline Bessa disse...

Cacete, fiz esse bolo e achei SENSACIONAL. Cobri com doce de leite (pouco) e um tico de flor de sal.

Muita alegria, ja que nao gosto de doce muito doce. Muito umido e bebum tb (botei mais cognac hahaha).

Ettiene Mattos Farias disse...

Conheci teu blog agora, pesquisando sobre revceitas com folhas de cenoura! E que achado este blog! Me identifiquei demais contigo e com as tuas inquietações, segue escrevendo!

Cozinhe isso também!

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