domingo, 22 de junho de 2014

Sanando vontade de pudim de cumaru


Minha sogra veio em casa outro dia e eu estava fora. Quando cheguei, já tarde da noite, abri a geladeira, procurando pudim. Porque ela sempre traz pudim de leite. Porque sempre que ele pergunta com o que ela pode colaborar, a gente sempre pede pra ela fazer pudim. Porque é uma delícia.

Mas não tinha pudim. Tinha bolo de fubá cremoso, e as crianças comeram, e eu comi os pedacinhos restantes, muito bons. Mas fiquei com o pudim na cabeça. Seca, seca por pudim.

Acordei no dia seguinte com o pudim em mente. Tomei café da manhã pensando em pudim. Fuçando numa Menu velha, achei um pudim de cumaru. E achei que seria o bastante para sanar minha vontade de pudim de leite, mas ao mesmo tempo com algo diferente que mantivesse o pudim de leite da sogra como O pudim de leite da família. Porque eu gosto dessa ideia de que cada um tem aquela contribuição especial onde ninguém mete o dedo.

Chamei o Matador-de-Dragões para me ajudar com o pudim. Ele assistiu meio que de longe a feitura do caramelo, eu explicando porque precisava ficar longe, mostrando as etapas, o açúcar derretendo, as borbulhas, o vapor extremamente quente. E ele ajudou a medir o leite, a quebrar o ovos, a lamber o resto do leite condensado de dentro da lata. Mamãe ralou o cumaru, porque criança de dedo ralado não é legal e cumaru é ótimo pra ralar dedo, que nem finalzinho de noz moscada.

Aí vem a paciência. De assar em banho-maria, de deixar esfriar, de deixar firmar na geladeira.

E a vontade de pudim ali, fervilhando. É bom, isso, ensinar ao pimpolho paciência.

"Qué cudim!"
"Não tá pronto, pimpolho."

Dia seguinte, pudim. Desenformou bem. Soltou floquinhos de pudim na calda. Ficou metade lisinho, metade com furinhos. Aromático de dominar a geladeira com cheiro de cumaru, essa coisa amêndoa e baunilha que eu acho o máximo.

Ficou uma delícia. Todo mundo repetiu. Difícil de não comer inteiro.

Vontade de pudim sanada.

PUDIM DE CUMARU
(de Ângela Sicilia, da Famiglia Sicilia, publicado na revista Menu)

Ingredientes:

  • 1 lata de leite condensado (395g)
  • 790ml leite integral
  • 3 ovos
  • 1 semente de cumaru ralada, ou a gosto, misturada ao leite
(calda)
  • 1 xic. açúcar
  • 1/2 xic. água quente

Preparo:

  1. Pré-aqueça o forno a 180ºC. Coloque uma panela com água para esquentar, para o banho-maria.
  2. Em uma panela de fundo largo, derreta o açúcar até ficar dourado (não demais, porque ainda tem um tempo de cozimento depois, e a calda pode queimar).
  3. Junte a água quente, com cuidado com o vapor que vai subir, e mexa com uma colher de cabo longo. Deixe ferver até dissolver os torrões de açúcar e a calda engrossar. Despeje numa forma de furo no meio, com 19cm de diâmetro (daquelas altas). Reserve.
  4. No liquidificador, bata todos os ingredientes e despeje na forma com a calda.
  5. Cubra com papel-alumínio e coloque no centro de uma assadeira de bordas altas. Preencha a assadeira com água quente e leve ao forno por 1h30. 
  6. Retire do forno, deixe esfriar e leve à geladeira por seis horas ou durante a noite. Desenforme e sirva. 

11 comentários:

Stéphanie disse...

Ana, adorei a receita!
Também acho que cada um tem a contribuição especial onde ninguém mete a colher (no meu caso, o pavê de qualquer festa do ano - o mesmo, uma receita simples que eu não acho nada demais, mas que a família adora e insiste que eu faça sempre).
Eu estava em dúvidas quanto ao cumaru (tonka bean, não é?), mas pela sua descrição, vou comprar e provar :)
Beijinhos!

Marina - Papinha Gourmet disse...

Amo pudim! Minha mãe faz um de milho verde ótimo! Também considero sua contribuição para a família ;-)
Já cumaru, que aprendi hoje que se chama assim (sempre chamei de tonka) eu uso só em infusão, acho que o sabor ralado seja muito forte...

Beijos

Patricia Scarpin disse...

Nunca ouvi falar de cumaru, fiquei curiosa! Adoro pudim, e nunca faço porque senão como to-do sozinha. :S

Ana Lucia disse...

Oi pessoal, quero colaborar com 2 dicas:

Se vc não quiser que forme muitos furinhos no pudim, não bata muito a mistura no liquidificador,ele fica mais lisinho
E a outra eu aprendi é aquecer o leite com a fava de cumaru na noite anterior e usar no dia seguinte.
Dá para fazer essa tecnica com creme de leite e bater chantilly, fica muito bom para bolo
Um beijo
Ana Lucia

João Pedro disse...

Onde você compra cumaru? Aqui no Rio de Janeiro nunca encontrei.

Erica disse...

Ana: uma aulinha sobre cumaru, pode ser???? O que é, onde posso achar...

Junji Takeda disse...

Nunca ouvi falar de cumaru, fiquei curioso![2]
Mas, ao contrário da Patrícia, eu não sou fã de pudim, então deveria adaptar o cumaru pra alguma outra receita, hehe.

Abraços! :D

Ana Granziera disse...

Para quem ficou curioso, cumaru é também chamado de Fava Tonka fora do Brasil. Comprei a minha na Bombay, em SP.

abs

Café na cozinha disse...

Boa indicação de onde comprar, Ana, obrigada. O cumaru também é conhecido como baunilha da Amazônia e usado em excesso é tóxico. Alguns indicam comprar em casas de material religioso, pois ele também é usado nas oferendas.

Já procurei em N lugares em Sampa e nada. Agora sei onde encontrar.

um beijo

Ana Maria

Café na cozinha disse...

Ana, obrigada pela indicação da loja. Já rodei metade de Sampa procurando e nada de encontrar o danado do cumaru.
Também conhecido como baunilha da Amazônia, é tóxico se usado em excesso. Alguns indicam comprar em casas de material religioso, pois ele é utilizado em oferendas. Mas já perguntei em tantas e necas.
Agora sei onde comprar aqui em Sampa.
Obrigada.

um beijo

Ana Maria

Lia disse...

Pode também comprar em casas de artigos para umbanda; também é conhecida como amburana-de-cheiro (dica do come-se: http://come-se.blogspot.com.br/2009/12/onde-comprar-fava-tonka-ou-cumaru-e.html )

Cozinhe isso também!

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