terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Reveillon de comilança, bebedeira, biribinha e video-game

O Reveillon começou 3 dias antes, quando fui com um amigo ao mercado para comprar ingredientes para a comilança da noite de ano novo. No ano anterior exageráramos na dose, e sobrara comida demais; portanto, desta vez, decidimos manter as coisas simples.

Compramos duas pastinhas feitas no Santa Luzia, uma de pimentão e uma de gorgonzola, queijo brie, uvas, cerejas, e os ingredientes para uma pissaladière (minha responsabilidade) e um quiche de tomates e queijo de cabra (responsabilidade dele). Havia pouco tempo eu fora à sua casa ensiná-lo a preparar quiches, e esse seria seu primeiro vôo solo. Você deve estar se perguntando onde está a salada em nosso cardápio. A quem estamos tentando enganar? Quem come salada com cerveja??

Decidi que faria um tiramisù para sobremesa, e preparei-o no dia seguinte. Estava em dúvida entre fazer a receita de tiramisù veloce de Jamie Oliver, e a versão clássica, do meu livro gigante de comida italiana, que leva gemas de ovos. Acabei preparando o clássico, incorporando algo da outra receita. Usei os biscoitos champagne que vieram na cesta de natal, que de outra forma ficariam abandonados na despensa. Mas decidi-me a preparar um pão-de-ló da próxima vez. Bati o creme de leite, bati as gemas, incorporei o mascarpone e depois o creme batido. Embebi os biscoitos em café forte adoçado e vinho Marsala, que usei também para aromatizar o creme, junto com raspas de laranja, montei o doce em camadas, cobri de cacau em pó, raspas de chocolate e de laranja. Tudo para a geladeira.

No dia seguinte, comprei pães e comecei a fazer a pissaladière, com uma receita da revista francesa Saveurs, seguida, dessa vez, ipsis literis. Foi desanimador descascar e fatiar 2kg de cebola, e agradeci mais uma vez ao Allex por dar-me a panelona Le Creuset, pois nenhuma outra panela minha comportaria tanta cebola. Espalhei as cebolas caramelizadas sobre a massa estendida numa assadeira surrupiada de minha mãe, dipus os filés de anchova e as azeitonas gregas Kalamata, e levei ao forno.

Chegando no Guilherme, dispusemos toda a comida sobre a mesa. Ele estava inseguro quanto a seu quiche, pois não ficara (segundo ele) tão bonito quando esperava. Por favor, aplausos a meu amigo e seu primeiro quiche, que ficou delicioso; tanto, que só sobrou um pedaço. A massa estava flocosa e leve, o recheio macio e saboroso, o gosto forte e picante do queijo de cabras apimentado combinando bem com os refrescantes tomatinhos-cereja. A pissaladière ficou melhor na versão da revista do que a primeira que eu fizera. A massa ficou mais macia, e a quantidade abissal de cebolas descascadas e fatiadas com certeza era necessária, pois tornou-se uma espessa cobertura de cebolas quase se desmanchando, adocicadas, perfeitamente complementadas pelas azeitonas e anchovas salgadas.

À meia-noite, que chegou muito rápido, subimos à cobertura do prédio (assim como todos os vizinhos) para ver fogos e abrir o espumante, bebido moderadamente, pois a cerveja fora a bebida da noite (Original de garrafa, trazida pela Haydée). Rimos da folia dos vizinhos, que me lembrou muito o entusiasmo de festas de escritório descrito pela Fer, que também em mim evoca todo o cinismo que meu corpo pode produzir. E voltamos ao apartamento para a sobremesa.

Ainda que tenha ficado muito saboroso, o tiramisù não firmou como acreditava que faria. O creme ficou muito mole, e os biscoitos desapareceram por completo.

Tenho certeza de que exagerei na quantidade de café e Marsala, e que da próxima vez fico com as medidas da receita clássica (que pedia apenas 3 ou 4 colheres de sopa), ao invés de confiar num inglês metido a italiano (que mandava usar quase 300ml de líquido — usei 150ml, mas obviamente foi demais para os pobres biscoitos). Não sei também até que ponto o calor não afetou a consistência do doce.

Allex levara seu video-game, e passamos quase todo o resto da noite em pequenos campeonatos de Virtua Fighter V e Naruto (muuuuuito mais legal do que eu imaginava). Surgiram então biribinhas, que ficamos jogando feito um bando de crianças, e que Allex tentava acertar no meu pé.

Queria ter ficado mais, mas fiquei com dó do pobre Gnocchi, sozinho, com medo de fogos, e acabamos voltando para casa uma 4 horas da manhã. Ok, ok, não é exatamente cedo, mas estava tão divertido...

6 comentários:

Silvia Fochesato disse...

Ana, vejo que seu Ano Novo foi muito bom ! Comida boa e essas fotos muito legais ! Agora tenho uma dúvida quanto ao Tiramissu , os ovos são crus ? Não é um pouquinho digo assim perigoso comer ovos crus ? Tenho o maior receio de fazer em casa e até de comer fora por causa dos ovos , embora eu adore tiramissu ( será que é porque sou italiana ??? )O tiramissu italiano é simplesmente divino é de comer rezando ! Agora e os ovos ?
Beijos
Silvia

ruivo! disse...

ahá. q metido o meu quiche no la cucinetta!
e não é q ficou bom mesmo? incusive as fotos!

Vitor Hugo disse...

Oi Ana, agradeço o comentário lá no Prato!

Antes de falar mesmo, o que é esse treco branco na fruteira? Parece um fantasminha!

Sobre o tiramisu, o Jamie (se for a receita que ele passou na tv no programa das chocolate crazy) usou pão-de-ló como base e a sobremesa foi servida no mesmo dia. Então, por isso creio que as bolachas sumiram, sem falar que a quantidade de café para o bolo e para as bolachas devem ser diferentes.

Ser falar que a champagne viu líquido fica mole, né?

Ana Elisa disse...

Vamos por partes...

Silvia,
Os ovos são crus sim. Eu acredito que esse "terrorismo da salmonela" seja intriga da oposição; acho que a indústria da maionese industrializada é que resolveu difamar os pobres ovos, coitados. Dá uma lavadinha na casca do ovo e manda bala! Nunca tive problemas. Existem mais chances de você pegar doenças manipulando notas de 1 real do que ovos. Faz tiramisù, menina!

Gui *ruivo* (ah! Estraguei seu codinome!!),
O quiche ficou muito bom! Você vai pegar a manha rapidinho! Depois preciso te mandar as fotos, mas são taaaaaaantas...


Vitor,
O fantasminha é toy art, do Gui. A gente ficou tirando fotos esdrúxulas com ele. A receita que tenho do tiramisù de Jamie Oliver é um vapt-vupt, sem ovos, com biscoito champagne, do livro Jamie´s Italy. A foto mostra uma bela poça de café no fundo do prato (poça maior do que da MINHA foto). Acontece que eu esperava uma sobremesa mais firme, como as que eu comi na Itália. Da próxima vez uso pão-de-ló, menos líquido e bato o creme mais firme. O de chocolate que ele faz no programa é muito mais parecido em estrutura à receita tradicional do que a do Jamie´s Italy.

Abraços!

Anônimo disse...

Ana, parabéns pelo ótimo blog! A pissaladière ficou linda; se possível, poste a receita para aqueles que não têm acesso à revista Saveurs nem dominam a lígua francesa.

Anônimo disse...

Por curiosidade, vc não saiu nas fotos??
A mesa estava linda e tudo parece muito apetitoso!

Cozinhe isso também!

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