terça-feira, 6 de novembro de 2007

Amor e ódio pelos supermercados

Tenho notado um fenômeno no mínimo interessante no supermercado. Quando comecei a cozinhar, lembro-me de passar poucas e boas à procura de ingredientes citados em meus livros americanos, franceses, ingleses ou italianos, e terminava sempre o dia frustrada, convencida de que aquela receita específica permaneceria para sempre em minha imaginação, não fosse eu mesma para os países de origem dos autores dos livros.

No entanto, com o crescente (e quase irritante) surgimento de programas de tv com chefs-celebridade, autênticos, talentosos, criativos ou não, e a importação massiva (proporcionalmente ao mercado editorial brasileiro) de seus livros de receitas, os supermercados têm tentado prover seus consumidores dos ingredientes mais estranhos por eles requisitados.

Se durante um mês, três ou mais chefs prepararem sobremesas com ruibarbo (comuns hoje em dia na tv brasileira, com a tríade britânica do GNT: Ramsay, Oliver e Nigella), grandes serão as chances de você encontrar bandejinhas de isopor com talos rosa-esverdeados a preço de fois gras ao lado das bananas, para os que quiserem (e puderem) se aventurar. Noutro dia encontrei, quietinho em sua gôndola, cercado de beringelas, um muito bem embalado "celeriac", bastante usado por Jamie Oliver e que era, para mim, uma completa incógnita. Segundo o Cook´s Thesaurus, trata-se da raiz do aipo (ou salsão). Considerando que aipo é um ingrediente bastante comum por aqui, surpreendi-me — para não dizer que quase tive uma síncope nervosa – ao ver o preço de uma única, pequena e redonda raiz: 26 reais. Hein?????

Lembro-me de ter ido à Itália, em 2004, sem nunca ter notado tomates pelados em lata no Brasil, assim como trufas, Parmigiano-Reggiano, cogumelos Porcini, e um sem número de produtos típicos italianos que a maioria dos brasileiros não poderia identificar na época se suas vidas dependessem disso. Cerca de um ano depois, tudo isso encontrava-se aqui facilmente, mesmo em grandes redes, e, ainda um ano depois, alguns itens tornaram-se até mesmo acessíveis, como é o caso dos tomates enlatados.

Fico muito agradecida ao meu mercado local por me fornecer tamanha variedade de farinhas, grãos, queijos, vegetais, entre tantos outros ingredientes que, com certeza, tornam minha despensa mais feliz. Mas, ainda que em outros tempos eu tivesse comprado gato por lebre numa empolgação infantil, hoje em dia alguns oportunismos mascarados por idiomas estrangeiros, endossados pela moda da gastronomia, me enervam.

2 comentários:

rodrigo disse...

Oi.
Muito interessante o seu blog. Gosto do teu estilo de escrever. Tenho problemas semelhantes ao ir ao brasil em ferias. Uma das minhas maiores frustracoes eh nao encontrar shallots (echalotes, chalotas). Vou dar uma olhada com mais cuidado mais tarde.

http://cozinhaquantum.wordpress.com

rodrigo disse...

Oi!
Nao eh tao dificil, comprei um tripe de 15 dolares e uso uma camera fotografica digital canon A540, que eh bem pequena.
O trabalho maior eh na edicao, conversoes etc, por isso procuro pratos mais simples que posso fazer mais rapido. Tenho filmado menos de 10% do que faco.
Alem disso, eu nao tenho saco de decorar/limpar/arrumar os pratos pra foto (a nao ser quando ha visitas)...entao a prova de que ficou ok tem que estar em video! (:

Cozinhe isso também!

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