quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Pãozinho caseiro ainda é o melhor que existe

Nova padaria no bairro: Benjamin Abrahão, um ponto famosinho no Higienópolis, agora tem filial na minha rua. Lá fui eu experimentar — porque eu não consigo ver nada relacionado a comida abrindo perto de casa sem enfiar meu nariz para dentro da porta e fuçar (às vezes entro em restaurante que nem abriu ainda, só prá dar uma olhada na reforma e conversar com o dono).

O lugar é uma graça, todo branquinho e clean, bem diferente das padarias-serve-sopa-à-meia-noite que costumam ser cheias de fotografias de gosto duvidoso e materiais de ponto-de-venda de marcas de presunto e refrigerante. O ambiente é muito calmo e agradável, corrompido apenas por uma enorme geladeira de sorvetes Nestlé, um monstrengo azul num mar de tranquilidade pálida.

Os pães são todos muito bonitos, e satisfazem em parte minha necessidade de ver mais pães do que chocolates numa padaria. A única fonte de decepção foi a listagem de ingredientes de cada produto, onde eu podia ler, entristecida, as palavras "margarina" e "gordura hidrogenada". Lá fui eu fazer perguntas ao jovem chef responsável, que me garantiu que usam manteiga em alguns produtos onde ela é prioritária para o sabor e qualidade. Ok, para mim, qualquer receita onde originalmente se use manteiga tem como prioridade a mesma. No entanto, sei que é um fator que encarece demais os produtos... Hum...

Comprei pães franceses, pois são bastante básicos, e, para mim, um bom indicador de qualidade de uma padaria. Se o pão francês é uma droga, que dirá uma ciabatta?? O pãozinho passou no teste: não tinha gosto de mistura pronta comprada em atacadista. A ciabatta, comprada depois pelo Allex, também era saborosa. Mas faltava alguma coisa... O quê? A textura estava boa, o sabor estava bom, a cor perfeita, o molde ótimo. Ouso dizer, no melhor estilo Sazon (eca!) da coisa, que falta aquele amor que a gente coloca na massa quando faz o pão. Talvez, apesar da visível qualidade dos produtos da padaria, eu esteja muito mal acostumada às minhas farinhas orgânicas e/ou italianas, minha manteiga branquinha, meu azeite de oliva extra virgem, meu açúcar orgânico. Acho que, depois de um tempo, assim como a língua sente fácil a diferença entre a manteiga e a gordura hidrogenada, nada mais substitui o gosto do pão feito em casa, por nossas próprias mãos.

(Mesmo assim, vale a visita.)

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