terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Torta de pé

É, é isso mesmo. Torta de pé. Ontem resolvi tentar uma receita de uma das revistas Cláudia Cozinha que tenho, que estava guardadinha havia muito tempo, para uma ocasião especial: torta de massa folhada com batatas e roquefort. Parece deliciosa, não? É, pois é, foi o que pensei também.

Massa folhada não é algo exatamente difícil de se fazer. É uma massa de farinha e água comum que se recheia de muita manteiga, dobra-se, passa-se o rolo por cima e começa-se tudo outra vez. Várias e várias vezes. É trabalhosa. Num acesso de dona-de-casa-quebra-galho, então, fui ao supermercado e comprei um pacote de massa folhada congelada Arosa. Fiquei um pouco consternada ao ler os ingredientes e constatar que a gordura da massa era vegetal hidrogenada ao invés de manteiga, mas deixei passar, pensando que a maior parte dos estabelecimentos que servem massas folhadas usa as versões industrializadas como aquela, então não faria muita diferença.

Cozinhei minhas batatas, descasquei-as (e aproveitei para comer algumas, pois estavam muito macias e saborosas), fiz o creme de gorgonzola (que até onde experimentei estava bom, bastante forte) e montei a torta sobre minha esplêndida massa folhada recém-descongelada. Tudo para o forno e, meia hora depois, o aroma e a aparência eram com certeza promissores.

Ao tirar a primeira fatia da torta, no entanto, veio a surpresa: em algum momento do cozimento, o creme de gorgonzola tornara-se cinza e esponjoso, e o gosto picante e salgado do queijo fora substituído por um sabor ligeiramente acre e um odor de dedão de pé muito pouco apetitoso. As batatas haviam absorvido parte do creme e tornado-se molengas e sem textura, com pouco gosto para contrastar com o creme de dedão de pé. E a massa, minha maior decepção de todas, se tinha algum gosto (qualquer gosto, realmente), era o de óleo velho, como daquelas batatas fritas molengonas de boteco: um gosto sutil de noz queimada que amarra na lateral da língua.

Viva o ketchup e o molho inglês, que salvaram a noite e me fizeram decidir nunca mais comprar massa congelada que não tenha manteiga. E também que é melhor recortar as poucas receitas que de fato já deram certo da minha pilha de revistas e abandonar o resto ao seu destino, e que esse destino não seja nunca mais minha cozinha.

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