quinta-feira, 8 de abril de 2021

A fila da montanha russa. Scones, biscoitos, biscotti.

 

 

Ele tem me chamado de Solange Frasão. Às vezes de Pugliesi. Então tenta buscar na memória algum outro nome de musa fitness, sem sucesso, e repete a primeira, enquanto eu guardo os kettlebells no lugar, e enxugo o suor que escorre pela testa e pinga da ponta de meu nariz. Eu rio, e faço alguma piada autodepreciativa (um velho hábito com o qual preciso parar) comparando meu físico com o delas, ao que Allex sorri de volta e diz "You are MILFing right."

Eu não sei se estou MILFing, or whatever, sei apenas que me sinto forte. E sentir-se forte é bom numa época em que o mundo inteiro nos faz sentir impotente.  

Desde o começo do ano, quando finalmente consegui colocar meu pé no chão sem sentir ondas agudas de dor geradas no meu calcanhar e subindo por minha coluna, voltei a correr regularmente. Mas desta vez, repleta de uma cautela quase traumática, resolvi ter paciência e respeitar o fato de que meu corpo não tem mais vinte anos; mesmo que os funcionários da loja de bebidas continuem me pedindo a carta de motorista quando compro meu vinho de sexta-feira. (É essa pele de nenê que herdei da minha vó.) Eu posso ter esse rostinho "xófem", mas a fascite plantar será um lembrete eterno do fato de que meu corpo tem sim 41 anos e requer mais responsabilidade. 

Foi assim que voltei a treinar kettlebell direito e me alongar decentemente, ao invés de fazer aquela meia dúzia de exercícios com peso leve e sentar na escrivaninha para trabalhar imediatamente após correr 15km. Coisas das quais você se safa quando tem vinte anos. Lembrando mais uma vez, porque às vezes eu esqueço: EU NÃO TENHO 20 ANOS. 

Mas se com vinte anos eu não via vantagem em ficar forte, e fugia da musculação achando tudo uma grande bobagem, hoje me vejo quase mais ansiosa pelos treinos de força do que pela corrida em si. Ouso dizer que é a vontade de levantar pesos que tem me levantado da cama. 

Honestamente, apesar das piadas infames e dos textos bem humorados que tenho publicado no Instagran, poucas coisas têm me tirado da cama nos últimos meses além do senso de responsabilidade com relação a meus filhos.

Houve muitos dias em que eu só queria chorar e dormir.

Mas assim como tenho consciência de que em alguns dias por mês minha irritabilidade, fragilidade emocional, cansaço ou depressão têm fontes puramente hormonais, tenho feito um esforço para me lembrar de que essa sensação de ter um rinoceronte sentado no meu peito quando abro meus olhos de manhã é puramente circunstancial. Essa não sou eu.

Repita: ESSA NÃO SOU EU.

Deixo o choro vir e coloco em palavras, às vezes escritas, às vezes ditas a um ouvido amoroso, toda a angústia que me aflige. Lembro e repito aquelas descrições tão precisas de Bukowski e Sylvia Plath: é como se enxergasse e ouvisse tudo através de uma névoa; é como se estivesse sob uma redoma de vidro.

É como se meu corpo tivesse perdido a sensibilidade. A pele formiga, os olhos embaçam, algo obstrui os ouvidos, não há sabor na língua. Não gosto mais da minha música favorita.

Nada me toca.

Mas eu não sou mais a menina adolescente que chorava na frente do espelho para admirar o brilho trágico das próprias lágrimas. 

Repita: ESSA NÃO SOU EU.

Sentei-me um dia em minha poltrona, num ato mecânico de uma inteligência artificial que descobre não estar viva, e, de olhos fechados, listei mentalmente todas as coisas que me davam prazer.

Ler naquela poltrona, com uma xícara de chá.

Escrever um texto engraçado.

Gansos em formação, atravessando o céu da cidade.

Esquilos comendo castanhas com suas mãozinhas minúsculas.

Cheiro de manjericão.

Correr longe.

A vibração dos músculos depois de um treino de força.

Quando a comida está tão boa que a gente sorri e diz HMMMMMM.

Abraços.

Beijos.

Olhar o lago.

Terminar uma pintura.

A risada dos meus filhos.

Descobrir um vinho bom.

Mingau de aveia quente com maple syrup.

Passeios de bicicleta com as crianças.

A sensação de competência quando consigo usar toda a comida da casa até a geladeira e a despensa ficarem vazias, como a resolução de um quebra-cabeça muito difícil.

Piqueniques.

Mato.

Dançar na sala.

Conversar com uma amiga.

O modo como o cheiro de cada livro meu me lembra de onde estava quando o li pela primeira vez.

Churrasco na varanda.

Conversar com Allex até esquecer que estávamos vendo um filme.

A textura do spaghetti.

Luz de abajur no começo da noite, quando as crianças adormecem e a casa é silêncio.

O som de "KA-TCHING!"que o aplicativo do Etsy faz toda vez que vendo uma pintura, e a reação das crianças ao ouvir a notificação: "Mamãe vendeu um desenho! Mamãe vendeu um desenho!"

Ver a lua cheia da janela do quarto escuro. 

Receber mensagens de quem está lendo meu livro e gostando.

Descobrir que consigo fazer algo que eu achava que não conseguia.

Flores.

O barulho da caldeira da máquina de café ligando de manhã.

Enfiar os pés embaixo da coberta e sentir os lençóis limpos ainda gelados.

Cheiro de xampu no cabelo lavado.

Lembrar de um momento bom que eu tinha esquecido.

Croissant com geleia. 

Piadas internas.

O silêncio antes de uma ideia.


Devagar, comecei a buscar minha sensibilidade perdida. Tentar entender porque é que essa lista inteira não funcionava mais, e fazê-la voltar a funcionar. Afastar a névoa dos olhos. Levantar a redoma. Se a vida anda mecânica no fundo do poço, vou mecanicamente encontrar uma saída dele. Só preciso lembrar de que essa não sou eu. 

Repita: ESSA NÃO SOU EU.

De todas as minhas fontes de prazer, atividade física intensa tem sido o remédio mais potente. Ver meu corpo correndo mais rápido, ficando mais forte, executando movimentos novos, é prova irrefutável de que o tempo ainda existe, e de que melhoras são possíveis. 

Aproveito a dose cavalar de endorfina pulsando em minhas veias para buscar cores em atividades antes cinzentas. Escrevo um texto engraçado. Inspiro fundo o cheiro do xampu enquanto seco os cabelos. Ganho um beijo na nuca. Rio alto de uma piada besta. 

Abraço.

As coisas vão bem até não estarem bem de novo.Até a preocupação virar tensão e a tensão travar meu pescoço. Até a preocupação virar insônia e eu não conseguir recuperar meus músculos dos exercícios do dia anterior. E eu precisar parar tudo de novo. E de novo. Lembrando que todo o resto está também parado. E esperar passar. Lembrando que tudo o que faço é esperar passar. 

Às vezes choro, porque só queria conseguir dormir.

Abraço.

Gansos voando em frente à minha janela.

A luz da primavera faz o lago ter outro tom de azul. 

As coisas não estão bem até estarem bem de novo. Como o abre e fecha do comércio em Toronto. Como o abre e fecha das escolas. Enquanto escrevo isso, voltamos à escola online. Enquanto reviso o texto, sai uma nova ordem (DE NOVO) de ficar em casa por mais um mês.

Seria uma montanha-russa emocional. Mas não é. Montanhas-russas são divertidas. Eu não estou em uma montanha-russa. Estou há quatro horas na fila, embaixo do sol escaldante, com a excursão da terceira série gritando atrás de mim. E quando finalmente chegar minha vez, o brinquedo estará quebrado, fechado para manutenção. Sem reembolsos. 

Corro. Levanto pesos. Sorrio contente porque consegui fazer flexões de braço. Eu nunca tinha conseguido fazer flexões de braço. Sento em minha poltrona para ler com uma xícara de chá. Beijo. Abraço. Sorrio outra vez quando ouço a caldeira da cafeteira esquentando ao meio-dia. Um espresso depois do almoço. Um cochilo de conchinha. 

Minha pele volta a sentir, e o que enxergo tem definição. Mas é preciso estar atenta. Não me deixar levar pelos desastres miniatura da vida dos dias iguais. Essa água fria que lava a alegria e pesa nos pés. Encontrar de novo um jeito de ter prazer e relaxar para conseguir dormir. E, dormindo, ter força para fazer força. 

Quero ter forças para fazer força.

Escolho receitas que eu nunca fiz para que hoje seja diferente de ontem. Para acordar meu paladar adormecido.Chamo as crianças para fazerem comigo um biscoito que elas nunca comeram.

"Vai Solange!", ele diz. Eu rio.É bom rir. Meu corpo vai lembrando aos poucos como é bom rir. Rio de um par de gansos tentando fazer ninho na varanda do prédio da frente. Rio dos absurdos que as crianças dizem. Faço um desenho. Rio de uma coleção de Memes estúpidos que só têm graça porque não têm graça. "Não acredito que você está rindo disso", ele diz, encantado com minha capacidade de chorar de rir com uma piada tão segunda-série.

Ando no mato. O mato me traz uma saudades do Gnocchi que me abre um buraco por dentro que quase não consigo conter. Choro um pouco. Choro muito. As crianças me abraçam. "É o Gnocchi, né, mamãe?" Também, eu respondo, sincera.

Voltamos para casa e as crianças pedem música.

Everything's not awesome
Things can't be awesome all of the time
It's an unrealistic expectation
But that doesn't mean we shouldn't try
To make everything awesome
In a less idealistic kind of way
We should maybe aim for not bad
'Cause not bad right now would be real great.

 A sabedoria de Lego Movie 2.

E vamos indo. Nada incrível. Apenas não-ruim. Não-ruim está bom. No meio dessa fila sem fim para um passeio de montanha-russa que nunca chega. Convencendo as crianças de que não vai demorar muito mais. Vamos jogar um jogo enquanto isso. Fazer um piquenique. Alguém trouxe um baralho?

RESPIRA.

....

Ano passado, a quarentena me fez buscar comidas fáceis e confortáveis, pratos que não precisavam de receita. Muito da minha atenção era voltada à novidade da escola online e de todas as dificuldades causadas pelo Lockdown no Canadá e pelo isolamento social, que aqui aconteceu de verdade. Um ano depois, essa estratégia não mais me serve. Não há novidade mais em estar em casa, em crianças estudarem no computador, em restaurantes e lojas e museus fechados, em não podermos ver os amigos, em termos medo de ficarmos doentes. Quem tem ditado a novidade é a comida. (Antes era o vinho,mas isso não faz bem.) Não todos os dias, pois não tenho energia mais para testar receitas novas todas as noites, como era no passado. Mas algumas vezes por semana. Um bolo diferente, um biscoito que ninguém conhece, um jeito novo de comer rabanetes, uma carne que eu nunca fiz. Qualquer coisa que me faça lembrar da passagem do tempo, e que traga prazer aos dias. 

Estas são três receitas que fizeram estrondoso sucesso aqui em casa. 


A primeira, scones de azeite,erva-doce e uva-passa, deliciosos para o café da manhã. Tão fáceis porque congelá-los faz parte do processo, o que quer dizer que você pode assar quantos quiser de manhã cedo e ter um café da manhã diferente em vinte minutos, enquanto você checa as notícias de manhã, bota uma música, manda um Bom-Dia pra família pelo Whatsapp.

 

Os biscoitos amanteigados de trigo sarraceno e nibs de cacau foram devorados pelas crianças, e me trouxeram a lembrança gostosa de quando Thomas nasceu: preparei esses biscoitos há dez anos atrás, e levei um pote deles comigo na maternidade (a louca).

 

Sim, isso quer dizer que Thomas fez dez anos. DEZ ANOS. Partiu-me o coração o fato de ser seu segundo aniversário sob quarentena. Ele preparou comigo seu bolo de baunilha da Alice Medrich (tem aqui no blog), recheado de doce-de-leite e coberto de chantilly e morangos. Combinação que ele pediu. Também pediu hambúrgueres de almoço e a pizza de gorgonzola da mamãe de jantar. "Quero ver Jurassic World EM FAMÍLIA, todo mundo junto", ele disse. Claro, pimpolho. Eu queria escrever um post inteiro sobre seus dez anos. Mas não consegui. Não com o tom que eu queria. Eu desejava mais para ele do que esses dias trancados.


Os últimos, biscotti de fubá, foram feitos no improviso, numa noite em que eu não tinha o que mandar de lanche no dia seguinte e não tinha lá muitos ingredientes pra fazer qualquer coisa. Eu não tinha manteiga, quase não tinha farinha de trigo, e me restavam dois ovos na geladeira. Achei uma receita de biscotti de azeite e fubá da Alice Medrich, que adaptei para não usar castanhas (proibidas na escola), acrescentando sementes de erva-doce. Os biscotti tinham gosto de bolo de fubá, acabaram em dois dias, e a receita vai ser repetida muitas vezes.

 SCONES DE ERVA-DOCE, PASSAS E AZEITE

(Do livro Baking Handbook, de Martha Stewart)

Ingredientes:

  • 3 colh. (sopa) sementes de erva-doce, e mais um pouco para polvilhar por cima
  • 4 xíc. farinha de trigo
  • 2 colh (sopa) fermento químico em pó
  • 1 colh. (sopa) açúcar
  • 1 colh (chá) bicarbonato de sódio
  • 1/2 colh (chá) sal
  • 115g manteiga sem sal, gelada, cortada em cubos
  • 1 1/2 xic. passas amarelas, de preferência o tipo sem semente, picadas grosseiramente
  • 1/2 xic. + 1 colh (sopa)  azeite de oliva extravirgem
  • 1 1/2 xic. creme de leite fresco
  • 1 ovo, batido

Preparo:

  1. Forre uma assadeira com papel-manteiga.
  2. Coloque as sementes de erva-doce em um pilão e transforme-as numa farofa grosseira. 
  3. Numa tigela grande, junte farinha, fermento, açúcar, bicarbonato e sal. Junte a manteiga e esfregue com os dedos, até obter uma mistura que pareça uma farofa bem grossa. 
  4. Junte as passas e as sementes moídas, 1/2 xic. azeite, e o creme. Misture com uma espátula, apenas até que forme uma massa. Se a massa parecer muito seca, junte mais creme, uma colher por vez. 
  5. Despeje a massa numa superfície ligeiramente enfarinhada. Com mãos enfarinhadas, junte a massa aos tapinhas, até que ela forme um disco de 3,8 a 4cm. 
  6. Com um cortador de biscoito de 7cm de diâmetro, corte quantos scones conseguir da massa. É importante que o corte seja feito como um carimbo, num movimento rápido para baixo e retirando para cima, sem girar o cortador. Girar o cortador pode interferir no modo como o scone vai crescer no forno. Junte os restos de massa e corte novamente até que não reste mais massa. Alternativamente (e é como vou fazer na próxima vez pra facilitar a vida), forme um retângulo de 4cm de altura e,com uma faca afiada, corte quadrados de 7cm de lado. BEM mais simples, né? 
  7. Coloque os scones na assadeira e leve ao freezer até que endureçam. Nesse ponto, você pode transferi-los para um saco plástico fechado e deixar a assadeira com o papel-manteiga pronta para assar os scones na manhã seguinte. Caso queira assá-los no mesmo dia, bastam duas horas de freezer.
  8. Preaqueça o forno a 180oC. Bata o ovo com a colher restante de azeite. 
  9. Posicione os scones com uns 5cm entre eles na assadeira com papel-manteiga. Pincele-os com a mistura de ovo e polvilhe com erva-doce. 
  10. Asse por 20-25 minutos (se estiverem congelados há mais tempo pode levar uns 5minutos mais),até que estejam dourados e com pedacinhos caramelizados. TRansfira para uma grade para que esfriem. Eles são mais gostosos comidos no mesmo dia. 

 

BISCOITOS AMANTEIGADOS DE SARRACENO E NIBS DE CACAU

(Do livro Chewy, Gooey, Crispy Crunchy, da Alice Medrich)

Rendimento: 48 - 60 biscoitos, mais ou menos, dependendo do tamanho


Ingredientes: 

  • 14 colh. (sopa)(310g) manteiga sem sal, em temperatura ambiente
  • 3/4 xic açúcar
  • 1/4colh (chá) sal
  • 1 1/2 colh. (chá) extrato de baunilha
  • 1 gema grande
  • 1 1/4 xic (160g) farinha de trigo
  • 3/4 xic (85g) farinha de trigo sarraceno
  • 1/3 xic. nibs de cacau

Preparo:

  1. Com uma colher de pau ou uma batedeira, bata a manteiga e o açúcar, sal e baunilha, até que fique homogêneo e cremoso, mas não fofo (cerca de 1 minuto na batedeira). 
  2. Junte o ovo e bata até incorporar.
  3. Junte as farinhas e os nibs de cacau e misture apenas até que não haja traços de farinha na massa. Sove a massa com as mãos por um minuto, para ter certeza de que todos os ingredientes estão bem incorporados. 
  4. Na bancada, polvilhada com um pouquinho de farinha, forme um rolo de 30cm de comprimento por 5cm de altura. (Eu fiz um rolo mais comprido, com uns 3cm de altura, porque queria biscoitos menores, que coubessem melhor nos potes de lanche). 
  5. Embrulhe em papel-manteiga e leve à geladeira por 2 horas ou, de preferência, durante a noite. A massa pode ser congelada assim por até 3 meses.
  6. Preaqueça o forno a 180oC, e posicione as grades no terço inferior e superior.
  7. Desembrulhe o rolo de massa e use uma faca afiada para cortá-lo em rodelas de um pouco mais de meio centímetro de espessura. Coloque-os nas assadeiras (sem untar nem forrar), deixando uns 4-5cm de espaço entre os biscoitos. 
  8. Asse por cerca de 14 minutos, trocando as assadeiras de grade no meio do cozimento, até que estejam ligeiramente dourados nas bordas. É mais difícil de notar isso com a farinha escura, mas eles tem que estar com um aspecto opaco.
  9. Retire do forno e deixe que esfriem na assadeira por 1 minuto antes de retirá-los para esfriarem completamente sobre uma grade. Eles se mantém bem por 1 mês em pote fechado hermeticamente. 

 

BISCOTTI DE AZEITE E FUBÁ
(Adaptado do livro Chewy, Gooey, Crispy Crunchy, da Alice Medrich)

Rendiemnto: 24-30 biscotti

 

Ingredientes:

  • 1 xic + 2 colh (sopa) (140g) farinha de trigo
  • 2/3 xic (104g) fubá 
  • 1/4 colh (chá) fermento químico em pó
  • 1/2 xic. azeite extravirgem
  • 2/3 xic. açúcar
  • 1/4 colh (chá) sal
  • 2 ovos grandes
  • Casca ralada de 1 laranja
  • 1 colh. (sopa) sementes de erva-doce

 

Preparo:

  1. Forre uma assadeira com papel-manteiga (ou unte com manteiga). Preaqueça o forno a 180oC.
  2. Numa tigela, combine a farinha,fubá e fermento.
  3. Num pilão, quebre as sementes de erva-doce, até que algumas tenham virado pó e outras estejam em pedaços menores. Não tem problema se alguma ficar inteira. Junte as sementes à farinha.
  4. Na tigela da badeteira, bata o azeite, açúcar, sal, ovos e casca de laranja, em velocidade alta, por 3-4 minutos, até que a mistura esteja clara e tenha engrossado um pouco.
  5. Junte a mistura de farinha e bata apenas até que esteja incorporada. A massa vai ser grossa e grudenta. 
  6. Com uma espátula, passe a massa para a assadeira preparada, formando um retângulo chato de cerca de 40x12cm. (Molhe as mãos e empurre a massa até chegar nesse formato.)
  7. Asse por 20-25 minutos, até que a massa esteja dourada em cima e acastanhada nas beiradas. (Gire a massa na metade do cozimento, para que asse por igual). 
  8. Retire do forno e deixe na assadeira, numa grade, descansando por 15 minutos. Enquanto isso, abaixe o fogo para 160oC. (Caso seu forno não fique mais baixo que 180oC, como era o meu no Brasil, você pode deixar a porta entreaberta com uma colher de pau segurando, ou assar por menos tempo). 
  9. Transfira a massa assada para uma tábua de corte, e, com uma faca de serrilhada, corte fatias de pouco mais de 1cm de espessura. Disponha os biscotti na assadeira SEM o papel-manteiga. Volte ao forno e asse por 15-20 minutos (menos se o forno ainda estiver a 180oC), até que estejam ligeiramente dourados. 
  10. Retire do forno e imediatamente coloque os biscoitos para esfriar sobre uma grade. Duram pelo menos 2 semanas se guardados em potes herméticos. 

9 comentários:

Thaís disse...

Seu texto me fez vislumbrar um objetivo modesto de atividade física diária em casa, para ver se assim os dias mudam um pouquinho.

E nunca confessei em voz alta na época, mas sempre que eu chorava por alguma razão, aproveitava para treinar no espelho - eu queria "chorar bonito", e sabia que a minha cara de choro não era...hahahaha

Stéphanie disse...

Ai, Ana, você, como sempre, materializando tão bem sentimentos que todos nós estamos compartilhando no momento.
É agonizante perceber o peso de um ano inteiro de sacrifícios e perceber o agravamento das coisas. Aí, ao menos, você sabe que o governo tem feito sua parte.

A comida tem sido minha solução, também. Batatas fritas do mundo com os melhores amigos nas sextas (virtualmente, embora nessa agora eu vá fazer o molho e mandar entregar na casa deles, só porque parece ruim e ninguém quer desperdiçar comida), um café da manhã especial SÓ PRA MIM.
Tô precisando lembrar que essa pessoa esgotada, deprimida e sedentária não sou eu. Escrevo isso colocando os tênis de corrida e decidida a voltar a fazer 7km facilmente. É um dia correr mais ainda.
Depois vou fazer o bolo de chocolate do último post e tomar um chá mais tarde. A gente precisa sobreviver a tudo isso minimamente bem.

Você não tá sozinha, acredite. Há um conforto meio estranho nisso, né?

Beijo grande em todos!

Daniela disse...

Ai Ana, isso tudo tá tão dificil. Tem a tpm, mas tem uma fase da vida que a insonia pega mesmo. Talvez seja o teu caso. Falta de sono em mim parece depressao profunda. Só pensamentos ruins, sem achar nada de bom em nada. Exercicio melhora, mas se nao durmo e faço exercicio fico doente. O foco é sobreviver, em todos sentidos. Te cuida, vai melhorar.

Cris Murachco disse...

Oi Ana,
Tão bom seu texto. Encheu meus olhos das lágrimas que eu tenho represado faz tempo. Dias difíceis esses nossos, em que precisamos nos refugiar no carinho do abraço de um filho adolescente - que também precisa de carinho, na alegria do cachorro que vem pedir para brincar um pouco e quebra o ritmo do trabalho na telinha, nas receitas novas testadas.
Vai passar, dizem, vai passar.
Fique bem.
Um beijo

Lili Marlene disse...

Resumiu o sentimento que também está se passando por aqui, comigo.
E também por aqui, o que salva é o exercício (e brincar com meu gato).
Grazadeusa, não estou nem descontando na comida, nem na bebida. Sou do tipo que ansiosa ou triste perde totalmente o apetite.
Muito difícil passar por tudo isso, especialmente com crianças. Mas o fim vai chegar e se não chegar, vamos nos adaptar e sobreviver, como sempre fizemos. Fique bem.

P.S. Solange Frazão e Pugliesi é sacanagem. Eu preferiria ser chamada de Jane Fonda (lembra que ela fazia vídeos de aeróbica e localizada, lá nos anos 80?)

Natália disse...

Ana, agradeço por compartilhar a angústia, as ferramentas para se alegrar, as receitas. Seus textos, como sempre, na mira. Um dia depois do outro.

Unknown disse...

Olá Ana, também sinto como você em tantas coisas. Sou uma leitora silenciosa do seu blog e comecei a lê-lo há mais de uma década atrás. Já te disse isso uma vez quando comprei o seu poster sobre as frutas e verduras da estação, temos muito em comum. O tempo passou mas continuamos ter muito em comum. Essa coisa da quarentena já cansou. Tenho crianças pequenas (2 e 6 anos) e não posso pensar em fazer exercícios tendo que cuidar da alfabetização da mais velha enquanto o mais novo ainda mama no peito e requer atenção o tempo todo, acostumado, tristemente com essa quarentena, esse vem e vai de coisas fechadas. Ele vai fazer o seu segundo aniversário durante a quarentena em julho.
Decidi que nesse ano as coisas vão ser diferentes, mesmo que tenhamos muito tempo de escolas fechadas ainda. Elas abrem na segunda, com 35% de presença, mas quem sabe por quanto tempo, não espero nada nesse sentido. Aprendi a fazer dos momentos da quarentena, da baixa produtividade, e das pequenas coisas da vida, momentos de curtir a vida, de ter prazer em vê-los crescer, e fazê-los contentes, e em saborear os momentos que tenho para mim, pois não quero viver como no ano passado, esperando as coisas voltarem ao normal para me sentir bem comigo mesma e com tudo o que está acontecendo. Quem é mãe e tem crianças em casa sabe que não é fácil, mas seguimos tentando e vivendo com alegria, sendo gratos por tudo o que temos ao nosso redor, amor, família, companheirismo, seções de cinema às sextas à noite com as crianças, visita dos avós que têm estado presentes e ajudado um bocado...enfim, aproveitando as pequenas coisas do dia-a-dia e sabendo que, certo como tudo, isso um dia vai passar, o importante é sermos felizes e termos crianças idem. Tem funcionado, apesar de comentários aqui e ali sobre como é chato ficar em casa, não ver os amiguinhos, ou como disse o meu mais novo para a minha mais velha outro dia "Escreve aí, Amanda,'o parquinho está fechado por causa do coronavírus'".

Giulia disse...

Te sigo desde muito antes de você estar grávida e a notícia de que o Thomas fez dez anos me deu até uma tonturinha de leve, aqui.
Bom, isso quer dizer que faz mais de dez anos que quero ser você quando eu crescer :)

Fiquem bem e continue sendo você.

Unknown disse...

Eu tambem lhe leio desde muito antes da gravidez do pequeno matador de dragoes. Acompanhei a saida de sao paulo para o interior e depois para o Canada. Coincidentement nos mudamos para o Canada no mesmo ano acho que quase no mesmo mes tambem. Vivemos na costa leste numa pequenina cidade onde hoje em dia em planto nossa propria comida como sonhava desde que morava no Rio de Janeiro. Ja nao tenho tanto tempo para lhe ler por que minha pequena Mulan (como ela prefere se reconhecer) ja tem 6 anos tambem. As escolas aqui estao abertas felizmente e espero que em breve abram por ai tambem. =)

Cozinhe isso também!

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